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"Cidade volta a crescer"
Economista Gilmar Maffei, professor do Cesf, faz uma avaliação do momento atual da economia
Viver em meio a uma crise econômica parece já não ser novidade para o brasileiro. Em um mundo cada vez mais globalizado, a economia tem papel determinante na vida das pessoas. Tanto a microeconomia quanto a macroeconomia reper-cutem em inúmeras situações que vivemos no dia-a-dia, seja no aumento dos preços, na redução dos gastos ou até mesmo na manutenção do emprego.
Para tentar esclarecer como funciona a economia hoje, o jornal O Farroupilha conversou com Gilmar Maffei, que é economista, pós-graduado em administração empresarial, pro-fessor da cadeira de Economia do curso de Administração de Empresas do Centro de Ensino Superior Cenecista de Far-roupilha (Cesf) e diretor da empresa Trombini Papel e Embalagens no Rio Grande do Sul, localizada junto ao Distrito Industrial de Farroupilha.

Jornal O Farroupilha: Como está a economia local hoje?
Gilmar Maffei: Hoje o que a gente percebe é que Farroupilha tem uma economia bastante di-versificada. A saída de algumas empresas importantes, alguns anos atrás, fez com que a cidade se voltasse para novos negócios. Farroupilha já está retomando a condição de pujança que tinha num passado recente.
O Farroupilha: Quais os setores que ocuparam esse espaço deixado pelas em-presas que saíram da cidade?
Maffei: O setor malheiro é um novo tipo de negócio, com outro tipo de estrutura, mas que emprega mão-de-obra, que gera renda, que gera riqueza. Obviamente este é um processo mais demorado, mais lento, mas ele tem uma con-sistência importante. Em um médio prazo, isso acaba gerando para a cidade uma segurança maior. Acho que o setor malheiro foi o setor destaque dos últimos anos.
O Farroupilha: No que tange à questão do emprego, o fato de Farroupilha contar com muitas empresas de grande porte dá a ela condi-ções de suportar melhor essas crises econômicas? Maffei: Sim, sem dúvida. Farroupilha tem essa estrutura econômica mais diversificada, não é centrada em um único tipo de negócio e isto permite que se consiga passar por crises. As grandes empresas não costu-mam estabelecer políticas de curto prazo, o que permite ate-nuar essas crises e garantir o emprego, contanto que a crise não se estenda por muito tempo. Se ela se alongar, obviamente todo muito vai sentir seu impacto.
O Farroupilha: É possível dissociar a economia local da estadual e da nacional?
Maffei: Não. Nós temos de entender que é muito difícil separar a economia. Não existe essa de a economia municipal estar bem se a estadual e a nacional estiverem mal, e até a economia mundial em um se-gundo momento. O Farroupilha: Quais as conseqüências que um pe-ríodo recessivo traz para a economia?
Maffei: A primeira delas é o desemprego e a redução da renda. Com a redução da renda você tem redução do nível geral de negócios, o Estado arrecada menos, acaba afetando a qua-lidade dos seus serviços, e assim por diante. As conse-qüências são múltiplas. Os jovens que procuram emprego num período recessivo, fatal-mente não conseguirão, o que acabará engrossando a massa dos desempregados. A recessão é uma chaga, é um problema gravíssimo, que deve ser combatido da melhor forma possível.
O Farroupilha: Até que ponto a alta do dólar ou a queda da bolsa repercutem na economia local?
Maffei: A taxa de câmbio tem influência direta nos ne-gócios que se faz com o exterior, sejam de compra ou de venda. Quando o dólar sobe ou desce, isso tem influência na margem de lucro das empresas que exportam ou importam, ou afeta o custo quando ela importa se o dólar estiver elevado, ou diminui a margem quando ela exporta. Se o dólar estiver aquém da necessidade, esta é a primeira relação direta entre a taxa de câmbio com a economia. A segunda relação é uma questão de dependência que o Brasil tem com o fluxo de capitais externos, para fazer seus fechamentos da balança comercial e de com-promissos já assumidos. Toda vez que existe uma intranqüilidade, uma falta de confiança, isso acaba abalando esse fluxo de entrada de moedas e tem conseqüência na economia, porque passa a se buscar outros artifícios para se conseguir essas reservas, essas necessidades. Tanto a bolsa quanto o dólar são indicadores do estado de espírito da economia.
O Farroupilha: A economia local fica mais fragilizada hoje, num mundo globalizado, do que ficava algum tempo atrás?
Maffei: Existe o interesse em explorar novos mercados, como o americano, por exemplo. Este é o lado positivo da globalização. Ela permite o acesso a mercados importantes, onde existe renda e capacidade de consumo. As empresas que quiserem evoluir não vão conseguir sem se inserir em um contexto mundial. Aquelas empre-sas que não estiverem prepa-radas para competir nesse novo mercado, vão ficar abaladas e podem até mesmo fechar as portas. A globalização é um mal necessário, teremos que aderir a ela.



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