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21/11


Economista esteve palestrando na
CICS farroupilhense no dia 17
Nóbrega traça cenário otimista para economia
Ex-ministro da Fazenda vê o Brasil alinhado à fase de recuperação econômica mundial
O ex-ministro da Fazenda e hoje sócio da consultoria Tendências, Maílson da Nóbrega, esteve em Farroupilha na última segunda-feira, dia 17. Ele foi o palestrante da reunião almoço da Câmara da Indústria, Comércio e Serviços (CICS) de Farroupilha, realizada no Parque dos Pinheiros. Nóbrega foi ministro da Fazenda no governo José Sarney (1985-1989). Ele assumiu a pasta em 6 de janeiro de 1988, em substituição a Luis Carlos Bresser Pereira, tendo permanecido no cargo até o fim da gestão de Sarney. Antes de sua palestra, Nóbrega conversou com a imprensa.
Ele fez questão de enfatizar que os sinais demonstram que tanto a economia brasileira quanto a mundial, em especial a chinesa e a americana, estão em processo de recuperação. “A economia está preparada para crescer 3,5% a 4% no próximo ano”, apostou. “Também projetamos uma taxa de inflação em declínio, medida pelo IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo do IBGE), que deve ficar em 6%”, destacou Nóbrega. No que se refere aos juros, o economista apostava numa queda de 1% na taxa básica (Selic). No entanto, o Comitê de Política Monetária (Copom) do BC determinou, na quarta-feira à noite, dia 19, uma redução de 1,5% na taxa Selic, que agora está em 17,5% ao ano. A Selic chegou a estar em 26,5% em fevereiro. Sobre o cenário político atual, Nóbrega criticou a reforma tributária proposta pelo governo. “O projeto que saiu do Ministério da Fazenda já era ruim. Ele foi piorado na Câmara e o Senado conseguiu a façanha de piorar o projeto de reforma tributária”, analisou o economista.
Apesar disso, Nóbrega reconheceu que ficou surpreso positivamente com o governo Lula. Em sua última passagem pela cidade, em 7 de novembro de 2001, Nóbrega ressaltou que Lula não deveria ser eleito. Ele admitiu seu equívoco, justificando que nove entre 10 economistas erraram na projeção eleitoral de 2002. “Eu pensava que o Lula não seria eleito e que, se fosse eleito, seria um desastre. Acabei errando duas vezes”, reconheceu. “O presidente Lula foi corajoso, por exemplo, ao dar autonomia ao Banco Central para decidir sobre a taxa de juros, embora venha enfrentando a insatisfação dos radicais do seu partido”, observou o economista. Ele teceu elogios à política econômica do governo Lula dizendo que a posição brasileira se assemelha à adotada pelos primeiros-ministros Gerhard Schröder, na Alemanha, e Tony Blair, na Inglaterra, já que, sob seus governos, também pairavam incertezas, desfeitas com a conquista da credibilidade a partir da adoção de uma política econômica consistente. “O PT mudou sua postura quando chegou ao poder. Foi uma mudança necessária e inteligente. Se não fizesse isso, não poderia governar”, ressaltou Nóbrega.


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