Farroupilha, RS,
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28/09
Por trás da grande beleza natural do Parque dos Pinheiros, esconde-se lixo de toda a ordem. A mata da maior e mais famosa área de lazer do município está sendo atingida com sujeira dos mais variados tipos. A falta de segurança na mata permite que os agressores ao meio ambiente usem o local como depósito do que não pode ser mais aproveitado. A inexistência de uma cerca ou muro que sirva de limite com a rua se transforma num caminho franco e livre para a irregular utilização da mata. A própria área onde as pessoas fazem as tradicionais caminhadas, os casais namoram ou as crianças dão comida para os patos do lago dá acesso ao mato através de carreiros e trilhas.
O local de maior concentração de lixo é uma das entradas ao fundo do Parque, na rua Thomazzo Radaelli. Restos de isopor e de forro de PVC, mesa de fórmica, latas, embalagens de produtos alimentícios e de higiene e limpeza, garrafas descartáveis e revistas, entre outros materiais inutilizáveis, formam um cenário desolador. Alguns passos adiante, à esquerda, um amontoado de lã de vidro junto a alguns pneus. Mais acima, são encontrados baldes, tênis velhos, sobras de azulejo e restos de cadeiras, tapetes, cacos de vidro,...
Em meio ao silêncio - só atrapalhado pelo canto da cigarra - e ao sossego do local - por vezes interrompido por mosquistos ou borboletas -, o lixo é percebido em quase uma dezena de pontos. Mesmo com a proximidade da área de lazer e a diminuição da densidade da mata, a sujeira faz parte do cenário. Junto a pinheiros, arbustos, tocos, plantas e vegetação rasteira, são depositados detritos como copos, sacos e garrafas plásticas, papéis, caixas de papelão, carteiras de cigarro e latinhas de refrigerante ou cerveja. Alguns objetos estão semicobertos de terra, evidenciando a ação do tempo.
Prefeitura admite dificuldades para evitar depredação O secretário de Adminitração, Ademir Baretta, admite problemas para o município controlar o despejo de lixo por populares na mata do Parque dos Pinheiros. “Trata-se de uma área bastante extensa, e a cerca que havia foi depredada”, lamenta. Segundo ele, a prefeitura dispõe de um sistema de vigilância que controla apenas a chamada área do parquinho, freqüentada por turistas e por quem utiliza o local como lazer. “Para a mata não temos fiscais”, informa, acrescentando que o problema será amenizado com a futura aprovação de um projeto de lei, em tramitação na Câmara de Vereadores, sobre fiscais de meio ambiente. Mesmo com a autorização do Legislativo, o encarregado não atuará de forma exclusiva na mata do Parque. “Não teremos como controlar”, adianta Baretta.
O secretário garante que não está havendo abandono da área. “Não adianta nem colocar placas porque o que falta é a conscientização das pessoas”, analisa. Segundo ele, “rotineiramente” funcionários da Secretaria de Obras e Viação recolhem os entulhos e fazem a limpeza do local. “Hoje, não podemos aplicar multa por não dispormos de legislação ambiental”, explica. Baretta admite que “a situação sempre existiu” e exemplifica traficantes e consumidores de droga como freqüentadores do local. “Não temos como coibir”, afirma, acrescentando que a limpeza da área não impede a ação de populares.
Sobre a área do Parque dos Pinheiros que terá de ser indenizada aos antigos proprietários, o secretário adianta que o município está buscando “outra alternativa” para viabilizar o pagamento dos terrenos. Baretta, porém, não revela qual a saída, que poderá ser uma permuta de área. Por se tratar de título precatório, a dívida foi parcelada em 10 anos. A quitação começa em 2003.
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