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| 05/03/2010
- Asfalto Já! |
| Júlio de Castilhos foi jornalista e exerceu grande influência sobre a política gaúcha |
Formado pela Faculdade de Direito de São Paulo, Júlio Prates de Castilhos atuou como jornalista e político. Membro do Partido Republicano Riograndense (PRR), dirigiu o jornal A Federação, onde fez propaganda das idéias republicanas. Em 1891 elegeu-se deputado para a Assembléia Constituinte.
Em 15 de julho de 1891, Júlio de Castilhos foi eleito presidente do Rio Grande do Sul. No entanto, com a queda de Deodoro da Fonseca, foi deposto em 3 de novembro daquele mesmo ano. Pouco mais de um ano depois, ele disputa uma eleição e volta a ocupar o antigo posto. Exerceu influência singular sobre a política gaúcha. Redigiu praticamente sozinho a Constituição do Estado de 1891 e usou todos os meios possíveis para sua aprovação. Tal constituição inspirava-se muito fortemente no positivismo do filósofo francês Auguste Comte e garantia ao governante os meios legais de implementar a política de inspiração positivista.
Júlio de Castilhos morreu prematuramente em 1903, vítima de câncer na garganta. A última casa em que viveu foi adquirida pelo governo do Estado em 1905 e ali foi instalado o Museu Júlio de Castilhos, no centro de Porto Alegre. Tem uma cidade gaúcha com seu nome, um colégio estadual, centenas de ruas espalhadas pelo estado e um interessante monumento na Praça da Matriz.
Monumento positivista
A construção do monumento a Júlio de Castilhos foi construído na Praça da Matriz e ocorreu logo após a sua morte. É um projeto de autoria do pintor e escultor Décio Villares. Contudo, sua realização sofreu vários atrasos e o projeto inicial passou por diversas alterações. Os trabalhos finalmente iniciaram em 1910, com o nivelamento do terreno e o lançamento dos seus alicerces sob a supervisão de Affonso Hebert, ficando a parte da cantaria a cargo de Jacob Aloys Friedrichs. As obras encontraram dificuldades diversas e, em certa altura, seus andaimes desabaram, destruindo o que já existia e obrigando ao recomeço de toda a empreitada.
Por fim, o monumento pôde ser inaugurado em 25 de janeiro de 1913 e na ocasião o governo estadual distribuiu um panfleto esclarecendo a complexa simbologia representada. Pretendia-se ilustrar três momentos da vida do homenageado: a fase da propaganda republicana, a fase da organização do governo positivista no Estado e a fase posterior à sua retirada do governo.
A alegorias do monumento foram escolhidas por Villares, de modo a caracterizar a ação típica de cada uma das três fases e o seu grau de importância, com realce para a fase da organização política, da qual resultou a Constituição de 1891. A primazia deveria caber à República, como o espelho dos ideais que definem a política moderna: liberdade, paz e fraternidade. Os grupos de estátuas se distribuem em torno de um núcleo piramidal, destacando-se, no topo do obelisco central, a figura triunfante e dinâmica da “República”, com a chama da nova ordem social em uma das mãos e o código da lei nova na outra. Repousa sobre uma esfera, com estrelas representando os estados brasileiros, além da divisa “Ordem e Progresso”. Na face oeste, representando a “Propaganda Republicana”, está a imagem de um jovem que se inclina à frente, oferecendo exemplares do jornal A Federação. A face norte é dedicada a eternizar Júlio de Castilhos como estadista exemplar, um organizador iluminado pela filosofia de Auguste Comte, virtuoso e enérgico, e em sua representação está ele entronizado em uma cadeira alta, em aparente meditação após a leitura de um livro.
Outras estátuas também fazem parte do monumento, cada uma com seu simbolismo: Coragem, Prudência, Firmeza ou Constância e Civismo. Um monumento com 22metros e meio de altura, que é uma verdadeira cartilha positivista. Foi concebido numa feição idealista e mesmo mística, como um altar público onde se pudesse venerar a memória de um líder paradigmático e conhecer seus princípios doutrinários. |
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