Farroupilha, RS,
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05/03/2010 - Economia
Pronta-entrega, um diferencial
“A pronta-entrega tem a vantagem de que, se você tem produto ano inteiro, os clientes vão se sentir livres o ano interior para vir buscar”, salienta Anselmi.
Essa forma de venda no município começou na década de 80, porque as empresas aqui instaladas sentiram a necessidade de não só trabalhar com pedidos antecipados ou desenvolvimentos de produtos para marcas terceiras, principalmente pelo fator de que muitos só procuram os produtos de frio quando este realmente chega. “Foi um trabalho de formiguinha. Começou com três malharias da cidade. E aí outras também aderiram, buscando esse filão. Dessa forma, Farroupilha se tornou como um grande shopping de malhas a céu aberto”.

“A pronta-entrega tem a vantagem de que, se você tem produto ano inteiro, os clientes vão se sentir livres o ano interior para vir buscar”

Realidade

Além do próprio trabalho das malharias, a economia atual é consideravelmente outro fator importante para o desenvolvimento e o sucesso de vendas. Com a retomada do crescimento econômico do Brasil, estagnado no ano passado, o ânimo dos consumidores tende a mudar, e com isso novos negócios surgem. “As malhas de Farroupilha tem reconhecimento nacional. Hoje as pessoas que vem até aqui não para buscar preços, mas em busca de uma boa malha. E isso nos agrega muito”, acrescenta Anselmi.
E se por um lado outros setores sentem dificuldade em encontrar mão-de-obra especializada, para o malheiro o entrave é outro. “O que mais atrapalha é a concorrência de até produtos importados ou de Minas Gerais, que tem preços menores do que os praticados aqui. Mesmo assim, não chega a nos afetar muito”.


Solidez no mercado


Falando no sucesso da pronta-entrega, a Biamar é um bom exemplo. Com 180 funcionários e 300 mil peças produzidas por ano, a empresa – que completa no próximo dia 14 de julho 24 anos – é hoje uma das referências do setor malheiro em nosso município, consolidando sua posição entre as grandes malharias da cidade.
Atualmente dirigida por Itacir Ari Marmentini, a empresa está sempre preocupada em desenvolver o melhor produto possível para surpreender a cada modelo e coleção, em um setor crescente e em franco desenvolvimento. Atender bem os clientes e o mercado de trabalho tem sido um dos segredos que fazem a diferença para o sucesso da empresa ao longo de seus 24 anos. “Enxergamos o setor malheiro como um somatório, onde atraímos lojistas devido a grande concentração de malharias no município, que de maneira organizada, através da ACECORS (Associação dos centros de compras do Rio Grande do Sul), estamos atraindo clientes do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná”, salienta o empresário
Itacir destaca que o procedimento adotado pela empresa na hora de definir os preços dos produtos é relacionado à matéria-prima utilizada, que é oriunda de outros países além do Brasil. “Além do mercado brasileiro, outros países como Itália, Peru, Chile e Argentina são locais onde conseguimos matéria prima de qualidade. Mas também buscamos alternativas para que o produto final esteja dentro do seu valor de comercialização e que atenda a necessidade do público comprador”, diz.
Sobre o último ano e expectativas para a próxima estação, Itacir é otimista “O último ano foi equilibrado em termos gerais, com um pequeno crescimento. Para a próxima estação, a expectativa é de um crescimento em torno de 15 a 20%. Passamos o período que antecede o inverno produzindo e estocando nossa produção, para que na chegada do frio, tenhamos toda a produção disposta às vendas”.
Itacir destaca um diferencial da Biamar que tão importante quanto a qualidade dos produtos: o atendimento. “Oferecemos transalado e café. Tudo para que o cliente seja bem atendido e se sinta bem, como em casa”. 

A força das pequenas empresas

Engana-se quem pensa que só as malharias de grande porte são destaque em termos de qualidade. A Malharia Maria Zanatta Tricot é um exemplo. A empresa, prestes a completar 25 anos de existência (16 de novembro), conta com produção em torno de 50 mil peças por ano. Além disso, conserva suas raízes familiares, sendo dirigida pelo casal Rudimar Zanatta e Maria Helena Grando Zanatta.
Visando excelência no atendimento e sempre preocupada em trazer novidades para atender o mercado de clientes, a empresa conta com oito funcionários diretos e sete indiretos.
Conforme os proprietários, o setor malheiro hoje está bastante concorrido, porém as empresas que possuem produtos de qualidade e bom atendimento ao cliente, sempre conseguem se destacar. O maior desafio do setor segundo eles é conseguir adaptar o produto ao clima.
O casal também destaca a qualidade da matéria prima adquirida para a fabricação das peças. “80% é matéria prima nacional e 20% matéria prima importada (fios diferenciados para produtos diferenciados)”, afirmam.
Sobre a definição de preços, Rudimar e Maria Helena explicam quais são os critérios na hora da formulação dos mesmos. “Analisamos custo da matéria prima, custo da mão de obra, encargos, e claro, a margem de lucro”.
E para o inverno de 2010, o casal está otimista no que diz respeito às vendas. “2009 foi um ano abaixo das expectativas para a nossa empresa, mas para 2010 já estamos sentindo um aquecimento nas vendas, tanto nos pedidos como na pronta entrega, de forma que esperamos que seja um ano de boas vendas e com certeza melhor que o que passou”.


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