Há nove anos ajudando crianças a se permitirem

PM Ester Cristina Henrique comanda as aulas do Programa
Educacional de Resistência às Drogas (PROERD), da Brigada Militar

|Renato Dalzochio Jr.
|Especial

Uma verdadeira mãezona. Basicamente é assim que se pode reconhecer o trabalho da PM Ester Cristina Henrique, da Brigada Militar de Farroupilha. Mas não estamos falando da Ester mãe de dois filhos. Estamos falando da Ester que ajuda crianças a encontrar um caminho melhor na vida, e, principalmente, dizer não as drogas.
Natural de Santana do Livramento, Ester tem 41 anos de idade, 22 dedicados à Brigada Militar e nove ao Programa de Educacional de Resistência às Drogas, o PROERD, trabalho da Brigada Militar desenvolvido com crianças de toda a rede municipal, estadual e particular de ensino do município.
Durante estes nove anos, quase 11 mil crianças conseguiram, graças ao trabalho de Ester, fazer as escolhas certas na vida e dizer não as drogas (somente neste primeiro semestre serão 560 alunos, já que o PROERD forma uma turma por semestre, com média de 600 alunos formados por turma).
Como eu sempre digo, é para eles se permitirem. Nós temos duas escolhas nas nossas vidas: podemos escolher ser um vencedor ou ser um derrotado. Mas são eles que precisam fazer essa escolha para si. Essa escolha está dentro de cada um deles. Nós orientamos para que eles façam a escolha certa. Essa é a importância do PROERD. É uma sementinha que plantamos, mas que a criança terá que regar todos os dias. Eu também aprendi muito com eles. Eles chegam em casa, contam pros pais o que aprenderam, colocam em prática os ensinamentos, comenta Ester, ao falar, orgulhosa, sobre a importância do PROERD.
Sobre os conteúdos abordados no programa, Ester explica: falamos sobre bebida, sobre cigarro, que são a porta de entrada para as drogas ilícitas. Mas esse não é o nosso único objetivo porque infelizmente muitos deles já conhecem as drogas ilícitas. O nosso objetivo é ajudar a orientar a decisão, oferecer a resistência de dizer não, mesmo sob pressão dizer não, ‘não vou fazer isso’, falar com autoridade, sem ficar em cima do muro. Saber lidar com momentos de tensão. Falamos também sobre o bullying, que infelizmente ainda acontece muito. Aquela questão de colocar apelidos, de excluir o colega, o empurrão, a trombada. Então essas coisas, deles se respeitarem entre si. Não adianta respeitar os outros se eles não sabem se respeitar. É isso que trabalhamos primeiro. E o mais importante de tudo: ser responsável. Responsabilidade é tudo.
Quando questionada sobre como seria o Brasil se toda cidade tivesse um programa como o PROERD, Ester não titubeia. O Brasil seria diferente. Mas é como eu sempre digo: as pessoas precisam se permitir e fazer diferente. Estamos dando a sementinha, mas quem vai fazer são eles. Se cada um fizesse a sua parte, o mundo já seria diferente.
Ester encerra comemorando o fato de que, graças a eficácia do PROERD, ao longo destes nove anos poucas crianças seguiram pelo mau caminho. A taxa de ‘desvios’ é muito pequena, mínima, embora não tenhamos números oficiais. Mas eu sempre alerto das consequências de escolhas erradas. Minha alegria maior é quando eu encontro eles trabalhando, indo pra faculdade, outros já estão casados. Isso é maravilhoso. Sem contar o carinho que eles tem quando me encontram na rua, aí eles vem me dar um abraço, um beijo e dizer: ‘você foi minha professora no PROERD’. Alguns também lembram da musiquinha (risos). Não existe presente maior.
A formatura do PROERD acontece no dia 9 de julho no ginásio do Parque Cinquentenário.