Videolocadoras buscam alternativas
Aumento cada vez maior da pirataria, faz com que locadoras comecem a ficar preocupadas

Dieverson Colombo
Surgida na década de 80, as locadoras criaram um novo hábito na vida das pessoas. Acostumados a assistir filmes apenas em salas de cinema, elas próprias tiveram a oportunidade de acompanhar seus filmes preferidos em suas casas, no dia e na hora desejada. Oportunidade que o cinema não proporcionava. Mas, com o aumento do comércio ilegal de DVDs, as vídeo locadoras estão em crise. Segundo a União Brasileira de Vídeo (UBV), as locações de filmes tiveram queda de 46% com a chegada da pirataria e a facilidade de baixar filmes da internet. Se não fosse isso, estima-se que as locações teriam volume até 60% maior.
Gilmar Lucchese, dono da Vídeo Shopping Locadora desde 2002, se diz um pouco preocupado com a situação. Para ele, sua locadora teve uma queda maior, cerca de 50%, e o que sustenta esse tipo de empreendimento é a quantidade e a variedade de filmes. O risco de fechar existe com todas as locadoras do Brasil, diz o proprietário.
Sua locadora também tem convênios com bancos, o que acaba atraindo clientes para pagar suas contas e, consequentemente, alugar filmes. A maior preocupação de Lucchese, não está apenas na baixa lucratividade depois que a pirataria chegou, e sim nos empregos e na economia da cidade. Não queria deixar as pessoas perderem o emprego. Em 2006 eu tinha onze funcionários trabalhando comigo. Hoje eu tenho três, relata. Lucchese diz que assistindo sempre DVDs originais, a qualidade é maior, e o leitor óptico do aparelho dura mais. O empresário afirma ainda que apesar da baixa, deu uma estabilizada nas locações e se isso se manter, a locadora se manterá aberta, caso houver queda acentuada, ele terá que rever a situação. Para ele, se não fosse a pirataria, seria melhor até pro consumidor. Teria como sobreviver melhor e dar mais opção para o cliente, explica.
Para Viviane Canziani Lautert, a situação é um pouco diferente. Dona da locadora Elyte Vídeo a pouco mais de um ano, ela também diz que a situação está complicada, mas mesmo com a baixa depois dos filmes piratas, a locadora teve um pequeno crescimento. Em cidades pequenas, locadoras ainda tem vida. Nas cidades maiores, no futuro quem sabe não se terá mais, enfatiza.
Viviane conta que, para ela, é um prazer vir locar um filme. É um prazer entrar na locadora, ler a sinopse, escolher o filme. E sobre o futuro da locadora e da pirataria, ela desabafa. Eu não vejo fim pra pirataria. Ela tá ai pra tudo. Não existe solução. Mas espero que as pessoas que tem consciência moral não contribuam para nenhum tipo de pirataria, conclui.
Há 24 anos na área dos filmes, José Luís Stockmanns, o Zé, dono da Stock Vídeo, diz que em seu estabelecimento, as locações caíram mais de 50%. Zé vivenciou o auge das locações, que, segundo ele, foi nos anos 90. Ele explica também, que dessa porcentagem que não assiste mais filmes originais, não é só pela pirataria nas ruas. Uma parte prefere a internet, outra enjoou um pouco, e tem também os que não tem muito tempo para assistir. A pirataria contribui pro crime. Para isso melhorar, muito vem da consciência da pessoa. Se não tivesse consumidor, não teria comércio, diz.
Stockmanns não acredita no fim das videolocadoras. Algo de novo sempre vai acontecer, diz o empresário, se referindo que sempre haverá algo diferente para substituir o atual. O empresário está trabalhando para aumentar o faturamento, e para isso considera o fator atendimento fundamental. Sempre tem que ter um atrativo pro cliente. Promoções, pacotes. Ter filmes em grande quantidade não é o principal, e sim a qualidade desses filmes, conta.
Para ele, há a possibilidade de fechar a locadora caso baixe as locações. E para uma locadora, o que move são os lançamentos. Os lançamentos são atrativos, mas tem um bom acervo de opções é muito importante, conclui.
