FARROUPILHA 91 ANOS – Setores imobiliário e da construção impulsionam ciclo de crescimento

No ano em que o município celebra 91 anos, o desempenho do segmento se destaca como um dos motores do desenvolvimento. Principalmente na última década o setor vem mostrando sinais de expansão, com avanços significativos e desafios que combinam fatores estruturais locais e impactos macroeconômicos estaduais e nacionais

Adriana Lins
adrilins2009@hotmail.com

Desde sua emancipação, Farroupilha passou por transformações profundas. De uma economia inicialmente baseada no meio rural foi evoluindo para o comércio, a industrialização, destacou-se pela criatividade da indústria da malha e tornou-se referência nacional como destino de compras e capital da moda de inverno. Agora, o movimento que ganha força é o do mercado imobiliário, que já coloca a cidade como referência regional.

A ampliação da oferta e diversificação dos empreendimentos refletem esse cenário. O município registra hoje ampla variedade de imóveis, como casas, apartamentos, terrenos e salas comerciais, além de crescimento no padrão médio, segmento em alta demanda. O aumento nos valores de aluguel também indica aquecimento, impulsionado pela boa qualidade de vida e infraestrutura urbana, fatores que atraem investidores e novos moradores. Farroupilha teve bom desempenho na geração de empregos em 2025, contribuindo para sustentar a demanda por moradia e serviços locais.

O dinamismo se confirma ainda pela movimentação intensa de obras e novos projetos. Esse crescimento acompanha a tendência estadual. O setor da construção no Rio Grande do Sul vem avançando de forma moderada, com dados e projeções positivas nos últimos anos. Embora não se trate de um “boom” uniforme, os indicadores mostram evolução real, ainda que com ritmos diferentes entre os segmentos do residencial popular ao médio e alto padrão, passando por obras públicas e reformas.

Entre os fatores que influenciam o mercado está o Programa Minha Casa, Minha Vida, que segue desempenhando papel importante na expansão de lançamentos e vendas enquadradas nas faixas da iniciativa habitacional. Em Farroupilha, o programa permanece relevante dentro das estratégias de oferta de moradia. Ao completar 91 anos, Farroupilha reafirma seu histórico de adaptação e inovação econômica. O setor imobiliário e da construção se consolida como protagonista dessa nova fase, sinalizando um ciclo de desenvolvimento sustentável, marcado por oportunidades, evolução urbana e fortalecimento da economia local.

Características
do mercado atual

O crescimento do mercado oferece boas oportunidades para quem busca investir com segurança. A cidade possui alta qualidade de vida, com baixos índices de violência. Há uma grande variedade de imóveis, que incluem casas, apartamentos, terrenos, pavilhões, sobrados e salas comerciais que apresentam lançamentos imobiliários frequentes, com empreendimentos contemporâneos e sustentáveis.
A diversidade de oferta, com apartamentos prontos, empreendimentos de maior padrão no entorno, sobrados, apartamentos compactos, novos loteamentos, condomínios fechados e cooperativas habitacionais abrangem as áreas centrais e bairros, com valores para todos os perfis.

Também se observa tendências em arquitetura e sustentabilidade no estilo dos novos empreendimentos. Uso de tecnologias e soluções sustentáveis na construção civil, como por exemplo, steel frame. Essa demanda local é sustentada pela combinação de população estável e recente expansão econômica, além de geração de empregos que aumenta procura por moradia, serviços e pequenas obras. Políticas e planejamento urbano atualização do Plano Diretor e regras de parcelamento do solo também são apontados como facilitadores para novos loteamentos e incorporações quando bem implementadas. Esses instrumentos costumam impulsionar investimento privado quando alinhados com infraestrutura.

Desenvolvimento urbano e
verticalização com ritmo acelerado

O setor habitacional e da construção civil no município vive um momento de expansão, impulsionado por fatores estruturais, mercado aquecido e um ambiente regulatório favorável. Segundo Gilmar Signori, o Gile, da Signori Engenharia e Construções, a conjugação de um plano diretor atraente e índices construtivos abrangentes tem estimulado a verticalização e atraído investimentos de empresas de fora, o que tem gerado concorrência saudável e fomentado o crescimento local. “O plano diretor é muito mais atrativo do que o observado em municípios da região. Isso torna o exercício da construção muito mais atraente”, comenta Gile.

Conforme ele, a partir de uma alteração significativa realizada em 2009, na legislação municipal, Farroupilha passou a permitir índices construtivos que favorecem edificações verticais. Esse movimento responde, na avaliação de Signori, a uma demanda crescente por lotes e imóveis, reflexo da busca por casa própria, um valor cultural fortemente enraizado na comunidade local. “Hoje os bancos oferecem carteiras de investimento atrativas, o que beneficia quem procura um imóvel e há opções para todos os perfis”, afirma o empresário. Esse acesso facilitado ao crédito imobiliário tem ampliado o leque de compradores, de jovens famílias a investidores, e estimulado a construção de empreendimentos residenciais e comerciais.

Apesar do otimismo, Signori alerta para desafios importantes. Com o aumento da demanda, surge a pergunta: “Temos infraestrutura para absorver essa demanda?” Para ele, é imperativo que o crescimento seja acompanhado de investimentos em urbanização, mobilidade e serviços públicos, pois se a cidade crescer sem infraestrutura, o desenvolvimento pode comprometer a qualidade de vida. Outro fator de pressão é o alto custo dos terrenos. Ele recorda que, com a exigência de maior infraestrutura para loteamentos, como redes de água, esgoto, pavimentação, saneamento, o preço da terra aumentou. Isso tornou a verticalização uma alternativa mais viável, já que permite aproveitar melhor o espaço urbano disponível.

A presença crescente de construtoras de fora de Farroupilha intensifica a concorrência, o que, na visão de Signori, beneficia o consumidor e alavanca o mercado local. “Não existe, hoje, um empreendimento mais seguro e isso reflete uma questão cultural nossa: a valorização da casa própria, do imóvel como patrimônio”, afirma. Contudo, o seguimento enfrenta limitações práticas. Há escassez de mão de obra especializada, mesmo com a adoção de tecnologias que aliviam o trabalho pesado no canteiro de obras. Gile comenta que a construção industrializada poderia ser uma alternativa, mas ainda não enxerga esse modelo como a ideal para a realidade local.

  • Além disso, a legislação, embora saudável no sentido de garantir segurança e qualidade nas obras, encarece os custos. “Uma construção hoje é um desafio”, relata, ressaltando que a burocracia, somada ao custo de mão de obra e materiais, impacta diretamente o preço final dos imóveis.
Gile Signori aponta a reformulação do plano diretor como um dos fatores responsáveis para o bom momento da construção civil

O papel da construção civil
na evolução da cidade

Conforme o presidente da Associação Farroupilhense de Engenheiros, Arquitetos e Agrônomos, AFEA, Deivid Argenta, Farroupilha vive um momento singular. A cidade experimenta um ciclo de crescimento consistente, marcado por novos empreendimentos, modernização urbana e um alinhamento cada vez mais claro entre desenvolvimento econômico e qualidade de vida. “Quando olhamos para os últimos 10 anos, fica evidente que Farroupilha passou por uma mudança estrutural na forma como cresce. A transformação começou de maneira decisiva em 2015, com a revisão do Plano Diretor. Até então, a limitação de 12 pavimentos restringia a verticalização e, de certa forma, limitava a oferta de tipologias imobiliárias mais modernas. A liberação de alturas, feita com responsabilidade técnica e urbanística, abriu uma nova etapa para a cidade”, ressalta Argenta.

Esse ajuste regulatório não foi apenas um detalhe burocrático, ele funcionou como gatilho para uma onda de investimentos. Desde então, observou-se o surgimento de empreendimentos mais altos, mais completos e com níveis de tecnologia e conforto que antes eram exceção. Para ele, a cidade ganhou novos marcos arquitetônicos, e a construção civil fortaleceu seu papel como motor econômico local. “Hoje, Farroupilha se encontra em um patamar de desenvolvimento raro para cidades de porte similar”, ressalta. Conforme ele, alguns fatores que explicam esse momento são a confiança do investidor local, em que empresários da própria cidade continuam apostando no município, reinvestindo e ampliando seus empreendimentos, uma economia diversificada e estável, e a busca por qualidade de vida, onde Farroupilha consolidou-se como cidade segura, com boas oportunidades e boa relação entre custo e qualidade das moradias.

  • O resultado é visível: novos lançamentos, obras em andamento por toda a cidade e um mercado que se mantém aquecido mesmo em cenários econômicos nacionais instáveis. “A construção civil segue sendo um setor estratégico, capaz de gerar empregos, renda e estimular toda a cadeia produtiva local”, diz o presidente.
Deivid Argenta, presidente da AFEA confirma crescimento do setor

Olhando para o futuro:
Uma cidade
plural e promissora

Gile Signori e Deivid Argenta são unânimes em afirmar que os últimos anos mostraram que Farroupilha não depende mais de um único segmento econômico, como era antigamente com o setor calçadista. O município se diversificou: “Hoje a economia é forte, há oferta de empregos, boa posição geográfica, isso torna a cidade um atrativo para investimentos”, destaca Signori. Esse novo perfil urbano e econômico atrai empreendimentos voltados a diferentes públicos, como jovens, famílias, investidores, e sustenta, conforme Signori: “Um crescimento econômico e social em franco progresso”. Ele defende que é preciso pensar: “Que cidade queremos para nossos filhos, para as próximas gerações?” E acredita que o caminho passa por um desenvolvimento ordenado, com baixa incidência de loteamentos clandestinos e um controle rígido de infraestrutura e planejamento urbano.

  • Se por um lado a verticalização se apresenta como solução para o aumento da demanda, por outro exige atenção para mobilidade, segurança, saneamento e serviços públicos, fatores que, em última análise, definirão se esse crescimento será sustentável e benéfico para toda a comunidade.

Em síntese, o setor habitacional em Farroupilha vive um momento de vigor e oportunidades, impulsionado por demanda crescente, crédito acessível e um ambiente de negócios competitivo. Mas, para que esse potencial se concretize de forma duradoura, será necessário equilibrar expansão com planejamento urbano, infraestrutura e qualidade de vida. Para Deivid Argenta, Farroupilha tem uma característica que a diferencia: a cidade não para. Sempre há um novo projeto, um novo empreendimento, uma nova ideia que avança. “É um município que pensa à frente, que entende seu potencial e que sabe crescer com responsabilidade. Essa pujança não é obra do acaso é fruto de planejamento, trabalho técnico qualificado, empreendedores corajosos e uma comunidade que acredita no futuro”, complementa. Se os últimos dez anos foram marcados por transformação, os próximos prometem consolidar Farroupilha como um dos polos urbanos mais dinâmicos da Serra Gaúcha. E o setor imobiliário seguirá sendo protagonista nessa caminhada.

Programa estadual A Casa é Sua já entregou 32 casas no município

Aumento da demanda
habitacional e reforço
nas políticas públicas

Farroupilha tem registrado um crescimento expressivo na demanda por moradia, impulsionado principalmente pelo aumento do fluxo migratório e pela procura crescente por programas habitacionais de interesse social. A avaliação é da secretária de Habitação e Assistência Social, Anita Maioli Pasqual, que aponta que o município vive um momento de expansão, mas também de importantes desafios estruturais.
Segundo Anita, famílias de diversas regiões têm chegado ao município, atraídas pela oferta de empregos e pela força da economia local. Esse movimento amplia a procura por moradias, tanto para compra quanto para locação, e pressiona diretamente o mercado imobiliário. “Há uma valorização crescente das áreas urbanas periféricas, onde reside grande parte das famílias com menor poder aquisitivo, e também maior demanda por lotes regularizados e moradias com padrão mínimo de habitabilidade”, explica. Esse cenário faz com que o setor habitacional de Farroupilha trabalhe em duas frentes simultâneas: atender à demanda crescente e promover políticas públicas que garantam um desenvolvimento urbano organizado. Para a secretária, o momento exige planejamento, articulação com o mercado formal e ações integradas entre diferentes áreas da administração pública.

Secretária Anita Pasqual destaca o trabalho no desenvolvimento ordenado e qualidade de vida para o setor de moradia

Programas habitacionais
ganham destaque

De acordo com Anita Pasqual, os programas voltados à habitação de interesse social têm papel fundamental no atendimento às famílias mais vulneráveis. Eles garantem acesso à moradia digna, reduzem o déficit habitacional e ajudam a evitar a expansão urbana irregular.
Entre os programas ativos no município, destacam-se: Programa Estadual A Casa É Sua, em fase de conclusão, com 32 unidades habitacionais já entregues; e auxílio de materiais de construção, voltado à melhoria das condições de moradias em áreas regularizadas, contribuindo diretamente para a redução do déficit habitacional qualitativo. Além de melhorar as condições de vida da população, essas iniciativas também fortalecem o setor da construção civil, movimentam a economia e ampliam oportunidades de emprego.

Mesmo com avanços, Farroupilha ainda enfrenta desafios importantes no setor habitacional. A secretária aponta como prioridades, reduzir o déficit habitacional quantitativo, acompanhando o aumento da demanda por moradias sociais, enfrentar o déficit qualitativo, garantindo que as famílias tenham condições adequadas de habitabilidade, avanço na regularização de ampliações e construções existentes, assegurando segurança jurídica e integração ao mercado formal, e inibir ocupações irregulares, sobretudo em áreas de risco, como regiões de alta tensão e proximidades da linha férrea. Segundo ela, ocupações irregulares impactam diretamente o mercado imobiliário, desvalorizam áreas inteiras e dificultam novos investimentos. “Regularizar, planejar e prevenir são medidas essenciais para garantir o crescimento sustentável da cidade”, ressalta.

  • Para enfrentar esses desafios, a secretária destaca a importância de fortalecer programas federais e estaduais, especialmente o Minha Casa, Minha Vida, ampliando o acesso das famílias de baixa renda a moradias formais.

O município também deve seguir com iniciativas que já vêm sendo implementadas, como estímulos financeiros e urbanísticos em parceria com governos estadual e federal, viabilização de novos empreendimentos de interesse social, integração entre políticas de habitação, assistência social, planejamento urbano e regularização fundiária e, ações de fiscalização e monitoramento para reduzir a expansão irregular. Anita reforça que uma política habitacional eficiente depende de continuidade, participação social e planejamento em longo prazo. “O crescimento de Farroupilha é uma realidade. O desafio agora é garantir que esse crescimento seja ordenado, seguro e capaz de oferecer qualidade de vida às famílias que escolhem o município para viver”, conclui.