O FARROUPILHA – EDIÇÃO 2.500: Gazzetta di Mantova é o jornal impresso mais antigo ainda em circulação no mundo
Separadas por um oceano, Mantova e Farroupilha compartilham algo essencial: a convicção de que a memória importa e deve ser registrada em papel

Antes mesmo antes do surgimento da fotografia, em 1826, um jornal já circulava pelas ruas de uma pequena cidade italiana: em 1664, enquanto o mundo ainda se informava por cartas e relatos orais, nascia em Mantova a Gazzetta di Mantova — o jornal impresso mais antigo ainda em circulação no mundo.
São mais de três séculos e meio de história, registrados folha a folha, atravessando impérios, guerras, revoluções, mudanças de regimes políticos e transformações profundas na forma de contar o mundo.
A origem da Gazzetta remonta ao século XVII, quando tipógrafos da família Osanna receberam autorização do então duque Carlo II Gonzaga para imprimir os chamados avvisi: pequenos folhetos com informações de interesse público e relatos do cotidiano da corte. Eram textos simples, sem título fixo, identificados apenas pelo local, data e numeração da edição. Ainda assim, já cumpriam a missão essencial do jornalismo: informar.
Com o tempo, esses folhetos passaram a ser chamados de gazzette — nome inspirado na moeda veneziana usada para pagar pelas publicações. O que começou como um serviço informativo ganhou forma editorial, periodicidade e identidade. No início do século XVIII, o jornal já adotava o formato em colunas, ampliava o conteúdo e se consolidava como leitura regular da população local.
A Gazzetta di Mantova acompanhou de perto a história da Itália. Sobreviveu ao domínio dos Gonzaga, à ocupação austríaca, ao processo de unificação italiana e aos impactos das duas guerras mundiais. Durante o período fascista, enfrentou censura e interrupções, mas retomou sua circulação regular em 1946, no pós-guerra — quando a imprensa voltou a respirar liberdade.
- Em 1866, tornou-se oficialmente um jornal diário. E nunca mais deixou de cumprir esse papel.
Hoje, em plena era digital, a Gazzetta di Mantova segue sendo impressa. O papel continua ali: dobrado, lido, compartilhado. Ao mesmo tempo, o jornal também se adaptou aos novos tempos, com presença digital e novas linguagens. O segredo da longevidade deste veículo, de acordo com registros, está na capacidade de preservar a identidade local e adaptar-se sem perder sua tradição impressa.
Mais do que um recorde histórico, a existência contínua da Gazzetta di Mantova é um lembrete poderoso: o jornal impresso é uma forma de permanecer. Em um mundo de informações instantâneas e descartáveis, ela prova que há histórias que resistem porque fazem sentido, porque criam vínculo, algo muito mais perene que um storie em rede social.
Curiosidades
- Neste século 21, muita gente já trocou as páginas de papel pelas versões digitais, mas o papel continua dominando. Conheça algumas curiosidades do mundo impresso, tiradas da revista Superinteressante, ainda impressa mensalmente pela da editora Abril:
- O primeiro jornal brasileiro surgiu em Londres. Hipólito José da Costa foi o responsável por criar o periódico brasileiro na capital inglesa em 1° de junho de 1808. Até 1822 ele circulou mensalmente com a edição e a impressão sempre acontecendo na Grã-Bretanha. O Correio chegava ao Brasil através de navios ingleses.
- O primeiro jornal impresso no Brasil nasceu em 10 de setembro de 1808 com a criação da Impressão Régia, que era a editora do governo criada por dom João VI. Uma das funções do periódico era divulgar atos governamentais.
- Fundado em 7 de novembro de 1925, o Diário de Pernambuco é o mais antigo em circulação na América Latina. Em 1931, ele passou a integrar o grupo de mídia Diários Associados, criado pelo jornalista e empresário Assis Chateaubriand.
- A Bíblia foi o primeiro livro impresso do mundo, em 1455. Ela teve uma primeira tiragem de 200 exemplares.




