Boate Kiss: A tragédia que não pode ser esquecida
Nos 13 anos do incêndio da Boate Kiss, a saudade que não cala, os avanços legais depois da tragédia e a construção do memorial na cidade

Claudia Iembo
claudia@ofarroupilha.com.br
Início de ano letivo novamente! As universidades renovam seus alunos e a roda da educação segue seu girar. Há 13 anos, jovens também celebravam este recomeço, cheios de vitalidade e esperança, reunidos em uma boate. A boate Kiss. Era 27 de janeiro de 2013 e Santa Maria, cidade do RS, passou a ser conhecida no mundo todo pelo incêndio que ceifou 242 vidas e deixou mais de 630 feridos.
De um artefato pirotécnico do show da banda Gurizada Fandangueira, o fogo encontrou um ambiente sem saídas adequadas, com material inflamável no teto e falhas graves de segurança. A diversão dos jovens virou desespero pela fumaça tóxica espalhada.
O Diário de Santa Maria publicou conteúdo para relembrar a tragédia na cidade e nele, compartilhou os avanços legais depois do ocorrido. “A Kiss mudou a forma como o Brasil passou a olhar para a segurança em locais de grande público. Em 2017, foi sancionada a Lei Federal nº 13.425, conhecida como Lei Kiss, que estabeleceu normas mais rígidas para prevenção de incêndios e pânico em casas noturnas, boates, salões de festas e eventos. A legislação trouxe exigências mais claras sobre saídas de emergência, planos de prevenção contra incêndio, limites de lotação, sistemas de combate às chamas e fiscalização por parte de municípios e Estados. Ainda assim, familiares das vítimas e especialistas alertam que a aplicação da lei segue desigual no país”, escreveu Pablo Iglesias.
A reportagem explica que para funcionar, casas de festa e boates no Brasil devem cumprir normas rígidas de segurança contra incêndio e pânico estabelecidas em códigos estaduais e normas técnicas, como a NBR 9.077 da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), que exige, por exemplo, mínimo de duas saídas de emergência adequadas e sinalizadas. Além disso, é obrigatório ter um Plano de Prevenção e Proteção Contra Incêndio (PPCI) aprovado pelo Corpo de Bombeiros, sistemas de iluminação e sinalização de emergência, extintores em número adequado, rotas de fuga desobstruídas e controle da capacidade máxima de público. Estes requisitos visam reduzir o risco de pânico e permitir evacuação segura em situações de emergência.
13 anos depois, os quatro réus – Elissandro Callegaro Spohr, Mauro Londero Hoffmann, Marcelo de Jesus dos Santos e Luciano Bonilha Leão – estão em liberdade condicional, após revisão de penas, o que gera sentimentos nos familiares das vítimas e movimentos de sobreviventes.
“Após a redução das penas, a liberdade condicional dos réus era prevista pelas leis brasileiras. A vida deles segue, a nossa parou na saudade daquele dia 27 de janeiro de 2013”, diz Rosaura Paraboni, mãe do farroupilhense Ricardo Custódio, uma das vítimas do incêndio.
Para ela, a ausência do filho, como ela mesma afirma, “é uma presença diária”. “Ele era muito vida quando ele estava aqui conosco ou quando estava viajando, ou trabalhando e estudando fora daqui. Depois de um ano trabalhando no Ceará voltou para casa. Logo foi trabalhar na Grendene, viajando ao Chile, Peru e Bolívia. Viajou para Santa Maria no dia 25 de janeiro de 2013 para nunca mais voltar”, diz a mãe.

Memorial
Na Rua dos Andradas, endereço onde funcionava a Boate Kiss, um Memorial da Kiss está sendo construído para lembrar as vítimas e educar sobre prevenção de tragédias, para que a história não se repita. A previsão é de que seja entregue em junho. “Se eu ainda tiver condições físicas, irei visitar o memorial”, anuncia a mãe de Ricardo Custódio.
Os 13 anos da tragédia da Boate Kiss foram marcados, em Santa Maria, por vigílias, seminários e atos simbólicos. Debates sobre segurança, prevenção e o lançamento do “Alerta Kiss – informação que salva”, um projeto de prevenção voltado à denúncia de irregularidades em locais de grande público. Aqui em Farroupilha, prevaleceu o silêncio da saudade na casa de Rosaura Paraboni.


As obras do memorial seguem até atingirem a projeção idealizada
