DIA INTERNACIONAL DA MULHER – Vamos adoçar?

Esta é a frase que Ana Caroline usa ao se aproximar dos motoristas para vender seus doces. Sua história de coragem é um estímulo e uma homenagem às mulheres neste 8 de março

CLAUDIA IEMBO
claudia@ofarroupilha.com.br

Somos todos diferentes! Enquanto uns encontram a felicidade atrás de uma mesa de escritório, outros gostam de sentir o sol na pele e, às vezes, para fugir dele, refugiam-se à sombra de uma árvore. Na sinaleira da Avenida Santa Rita, antes de entrar na RS-453, a árvore que existe por lá fez com que Ana Caroline Gruesag escolhesse estrategicamente o lugar para vender o que ama fazer: seus docinhos.

Aos 29 anos, é formada em Educação Física. Casada com Everaldo, é mãe de Lívia, uma bebê de um ano e dois meses. Trabalhou em alguns lugares antes de decidir empreender. “Comecei a vender doces porque eu realmente queria mudar de vida e empreender era algo que morava em mim desde pequena. Eu e uma amiga achamos um vídeo de uma moça vendendo doces e nos animamos. Começamos oferecendo produtos em empresas, mas as portas nem sempre se abriam. Um dia, passando por Farroupilha, tive a ideia de vender no sinal e assim começou. Estou aqui desde junho de 2021”, explica a moça de Caxias do Sul.

Inevitável a pergunta: se é de Caxias por que escolheu Farroupilha? “Porque aqui é mais tranquilo”. E assim transformou sua rotina.
Os doces são preparados diariamente, por ela e pelo marido, e Ana está quase todos os dias de sol na sinaleira eleita por ela. Se chove, não tem vendas. “Pensei muito em qual produto vender para ter um bom lucro e os brigadeiros são os campeões porque são conhecidos e o custo-benefício é muito bom”, diz a confeiteira que chega a vender 50 caixinhas com quatro docinhos em cada.

As vendas são resultado do apreço que Ana tem pelo o que faz. “Eu realmente gosto de vender e poder adoçar a vida das pessoas, porque é isso que representa: mudar o dia de alguém! Não é muito fácil, não se trata de só vir aqui e vender porque tem que ter muita força de vontade e um objetivo muito maior que nos motive, pois escuto muitos nãos e as pessoas não veem isso como um trabalho que exige dedicação”, entrega.

O que a motiva enfrentar o calor e os nãos que recebe tem nome: Lívia. “Meu maior objetivo é poder criar minha filha e vendendo doces na rua eu priorizo meu tempo com ela e também vou conquistando nossos sonhos: estamos prestes, eu e meu marido, a abrir uma padaria em Caxias para vender doces e salgados, mas não vou deixar de vir a Farroupilha ”, assegura.

  • Por aqui, Ana encontrou clientes e pessoas que facilitam seu trabalho: para enfrentar os dias na rua, ela conta com o auxílio dos comerciantes da redondeza, que emprestam um banheiro, ou fornecem uma água.

Neste 8 de março, a história da Ana lembra que a força das mulheres também está no intervalo de um sinal vermelho e outro, vendendo caixinhas de doces aos motoristas. “Que outras mulheres sejam ousadas e corajosas a ponto de romperem barreiras para alcançar os objetivos. Que busquem o extraordinário, mesmo quando o caminho parece improvável. Porque o impossível só se torna possível com força e coragem”, finaliza.

A aproximação com a pergunta quase sempre rende vendas

A motivação vem da família: filha Lívia e o marido Everaldo