Noite italiana e Comenda Mulher Charrua marcam noite histórica
Um momento inesquecível reuniu peões, prendas, famílias, amigos e simpatizantes do tradicionalismo na sexta-feira, dia 6 de março no CTG Ronda Charrua

Mais de 500 convidados participaram da Noite Italiana, evento que promoveu a integração das culturas gaúcha e italiana, lotando as dependências do CTG Ronda Charrua. Na mesma data a entidade promoveu a entrega do reconhecimento “Mulher Charrua” que valoriza a participação feminina no CTG. Na leitura do protocolo do evento, por Rafael Crippa, ficou o registro da importância feminina no tradicionalismo, elas que no passado não podiam participar ou frequentar os galpões dos CTGS. “A história das mulheres gaúchaas do passado deixou um legado de bravura e determinação para as mulheres atuais. Até mesmo a palavra prenda, num significado mais amplo, se caracteriza como dádiva”.

Elenice Girelli
Farroupilhense, nascida em 9 de agosto de 1973, é filha de Olivo e Santa. Cresceu ao lado das irmãs Cristiane e Josiele, que lhe presentearam com os afilhados Davi e Joana, além da querida sobrinha Júlia. É também mãe orgulhosa de Pedro Luiz e Maria Luiza, que representam uma das maiores alegrias de sua vida.
Sua caminhada no tradicionalismo teve início em 1988, quando recebeu um convite para participar de um curso de dança de salão realizado no antigo prédio desta entidade, carinhosamente chamado de “Rondinha”. Ainda naquele mesmo ano, recebeu o convite para integrar o grupo de danças da categoria juvenil. Aceitou prontamente — talvez sem imaginar que ali começava uma história de amor, dedicação e lealdade que atravessaria décadas.
Desde então, sua presença no Ronda Charrua tem sido marcada por comprometimento e entrega. Entre as muitas conquistas de sua trajetória destacam-se títulos importantes, como: 1ª Prenda do CTG Ronda Charrua – gestão 1990/1991. Campeã de Danças Tradicionais Gaúchas no V Fegart, em 1990. Campeã Nacional de Danças Tradicionais Gaúchas pelo CBTG, em 1991. 1ª Prenda da 25ª Região Tradicionalista – gestão 1991/1992.
Mas sua contribuição ao tradicionalismo vai muito além das faixas e títulos. Ao longo dos anos, assumiu diversas responsabilidades dentro da entidade, sempre com espírito de liderança e dedicação, atuando como Capataz (Vice-Patroa), 1ª Sota Capataz, Diretora do Departamento Cultural, além de coordenadora das invernadas mirim e adulta. Sua voz também ecoou em muitos palcos tradicionalistas, participando de rodeios, festivais e Fegart , tanto como intérprete solista vocal quanto como integrante do Conjunto Vocal do Ronda.
A dedicação e capacidade de liderança a levaram a contribuir também em âmbito regional. Entre suas importantes atuações estão: Presidente do Conselho de Ética da 25ª Região Tradicionalista, por dois mandatos, integrando o conselho desde 2015. Coordenadora da Gestão de Prendas e Peões da 25ª RT. 1ª Sota Capataz da 25ª Região Tradicionalista.
Seu compromisso com a cultura gaúcha também se estendeu à comunidade. Como voluntária do Projeto Farroupilha Bem Gaúcha, levou a dança tradicional para escolas da rede municipal, ajudando a semear o amor pelas tradições nas novas gerações. Por esse trabalho, recebeu em 2018 o Certificado de Mulher Destaque Farroupilhense, concedido pela Câmara Municipal de Vereadores.
Entre outras relevantes contribuições, também atuou como Presidente da Inter-Regional do Enart 2019, presidente do Fegadan/Fegachula 2019, avaliadora de Entreveros de Peão e Cirandas de Prendas, em fases internas, regionais e estaduais. Palestrante sobre temas do Movimento Tradicionalista Gaúcho, incluindo Ética Tradicionalista nos cursos CFOR Básico e CFOR Patronagem do MTG.
Atualmente, segue honrando sua trajetória e colocando sua experiência a serviço do tradicionalismo, atuando como membro do Conselho de Ética da 25ª Região Tradicionalista, Diretora Cultural da 25ª RT – gestão 2025/2026, e membro do Departamento de Projetos do MTG – gestão 2025/2026.

Silvia Biazoli
A história de Silvia Biazoli com o CTG começou em 1991, quando, por convite de suas primas e de uma amiga, participou do 10º Rodeio de Capão da Canoa. O que começou como um simples convite acabou se transformando em um vínculo profundo com o tradicionalismo. Em 1992, passou a integrar oficialmente a invernada e já viveu a emoção de dançar seu primeiro Fegart. No ano seguinte, foi 2ª Prenda do Ronda e permaneceu na invernada até 1995, vivendo momentos que marcaram sua juventude.
Sua relação com o CTG também é uma história de família. Desde cedo, acompanhou a dedicação de seus pais à entidade, aprendendo o valor do respeito às tradições e do companheirismo. Depois de um período afastada, retornou em 2006 e voltou a colaborar em diversas áreas, auxiliando prendas, avaliando concursos e atuando também como coordenadora do Departamento Cultural e da Invernada Adulta.
Em 2025, viveu um momento especial ao voltar ao palco na abertura do Enart, participando do Pau-de-Fitas após 30 anos sem dançar — uma emoção que reafirmou o quanto essa casa faz parte da sua história.
Hoje, tem a alegria de ver essa tradição seguir dentro da própria família, com seu filho também participando do CTG. Com gratidão, reconhece que sua trajetória no Ronda Charrua é feita de pessoas queridas, aprendizados e muitas memórias que sempre levará consigo.

Vanda Cristina Basso
A trajetória de Vanda Cristina Basso no tradicionalismo começou em 1988, ainda nos tempos de escola, quando passou a integrar a invernada de danças do CTG Ronda Charrua. A partir desse momento, o tradicionalismo se tornou parte fundamental de sua vida. Ela dançou de 1988 a 1999, período marcado por aprendizado, dedicação e importantes conquistas, entre elas o título de Invernada Campeã do V Fegart, em 1990, e o título de Campeão Brasileiro pela CBTG, em 1991.
Além da dança, Vanda atuou intensamente na vida cultural do CTG. Foi 2ª Prenda na gestão 1989/1990 e, ao longo dos anos, dedicou-se ao Departamento Cultural, orientando prendas e peões, avaliando concursos e colaborando na organização de eventos. Também contribuiu como voluntária junto à 25ª Região Tradicionalista.
Para ela, o CTG sempre representou mais do que uma entidade: tornou-se uma verdadeira família, onde construiu amizades, viveu grandes experiências e fortaleceu sua atuação como liderança no tradicionalismo.
Ao longo de sua caminhada recebeu importantes reconhecimentos, como a Medalha Charrua, a Comenda Brinco de Princesa, a Medalha Mérito Farroupilha (2018) e a Comenda João de Barro (2024).
Receber a Comenda Mulher Charrua representa um momento de grande emoção e gratidão, especialmente por compartilhá-lo com amigas que fazem parte de sua história. Mais do que uma homenagem pessoal, é também uma celebração da força e da união das mulheres dentro do tradicionalismo.
