As histórias que a água guarda – Arte para quê?
O projeto “Água que Pinta o Mundo” promove a conscientização sobre o uso responsável da água com alunos do segundo ano, unindo educação ambiental, arte e participação comunitária. Por meio de atividades práticas e criativas, as crianças exploram a água como elemento essencial à vida e à expressão artística. As experiências desenvolvidas nas escolas ganham visibilidade através do jornal, ampliando o alcance das reflexões e incentivando atitudes sustentáveis em toda a comunidade

Rosana Marina
Escritora, arte-educadora, designer gráfica
Para fugir do tédio.
Para que a indiferença não nos engula.
Para experimentar a magia e o mistério. Para não morrer daquilo que acreditamos ser a realidade. Para, dentro dela, experimentar o plausível. E, em vez de espiar o que há de reto, único e objetivo, suplantar a urgente necessidade de a tudo classificar e ordenar.
Para buscar, através do discurso da arte, o entendimento.
Para aprender a ver como se tudo fosse visto pela primeira vez e, assim, permitir-se viver o encantamento da descoberta.
Essa reflexão me visitou enquanto, debruçada sobre as atividades desenvolvidas no projeto Água que Pinta o Mundo, deixava que me tocassem as cores escolhidas, as texturas exploradas, a singeleza das formas.
Desenvolvidas a partir do estudo da obra do artista indígena Jaider Esbell, as crianças se entregaram, com fascínio, a um universo em que a natureza é inspiração e a cultura, elemento cifrado.
As produções dialogam com a água, os rios e uma visão ancestral de mundo presente na obra de Jaider.
Em suas pinturas, natureza, rios, árvores, animais e pessoas encontram-se ligados, como partes de uma grande família. Sua produção estabelece um encontro potente com outras formas de compreender a vida e também com os projetos de progresso que, muitas vezes, transformam a relação humana com a natureza.
Ao conhecer sua arte, aprendemos que cuidar da água e da natureza é também cuidar da vida.
Jaider pintava o que a água guardava
Artista indígena do povo Makuxi, Jaider Esbell transformou em arte histórias, saberes e a relação profunda entre os povos originários e a natureza. Em suas obras, rios, florestas, animais e seres encantados nos lembram que a Terra é viva e que todos fazemos parte dela.
Quando observamos um rio, vemos apenas sua superfície. Mas, na visão de mundo apresentada por Jaider, existe algo que vai além daquilo que os olhos alcançam num primeiro momento.
Nas águas habitam lembranças dos antepassados, ensinamentos da natureza e a força que mantém a vida em movimento.
E essa ideia nos conduz novamente à experiência do aluno Davi, da turma 213, que, ao recordar a enchente de 2014, percebeu que havia algo além da beleza aparente da natureza:
“A natureza, às vezes, pode ser bonita. A gente não sabe a força que ela esconde.”
O encontro com Jaider
através do olhar dos alunos
A atividade teve como inspiração a obra de Jaider Esbell e propôs também um desafio: explorar a pintura utilizando lápis de cera sobre papel preto e lixa-d’água.
A experiência colocou as crianças diante de diferentes possibilidades de criação. A textura tornou-se parte da descoberta. A cor ganhou novas maneiras de aparecer. As formas passaram a contar histórias.
E a água, além de tema, tornou-se também um caminho para olhar o mundo de outro modo.
Os trabalhos foram desenvolvidos pelas professoras Rosana Marina e Elisette Stockmanns, com as turmas do 2º ano da EMEF Angelo Chiele, como parte do projeto ÁGUA QUE PINTA O MUNDO.




