O Farroupilha
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A escola e o isolamento social (Parte II)

Na semana passada fiz aqui algumas provocações sobre a escola atual e sobre como estamos lidando com as crianças. Espero que você tenha pensado sobre isso e compartilhado esse assunto com alguém para debater sobre as suas percepções. Se você ainda não leu a parte I desta saga poderá acessar no site do jornal e ver a edição passada. Sugiro a leitura.

Finalizamos o texto da semana passada com Rubens Alves dizendo que as respostas estão nos livros e que os professores, e nós todos, pois todos somos professores, também devemos provocar o espanto, a curiosidade e a inteligência. Você já parou para pensar que a vida inteira somos “provocados” a saber a resposta? Quem sabe a resposta certa ganha prêmio. Quem sabe a resposta certa tem nota boa... e dificilmente somos induzidos a aprender a fazer as perguntas. Fazer as perguntas corretas seja na escola ou na vida com toda certeza traz muito mais resultados do que apenas saber as respostas. Através das perguntas que aprendemos aquilo que não está apenas nos livros. A curiosidade é que desperta novos caminhos e novos horizontes. Passar dias e dias decorando livros em algum momento acaba. É como se pensarmos numa rua sem saída. Estudamos, lemos, decoramos e chegamos ao final desta rua. Agora, se fizermos as perguntas e procurarmos saber mais, não encerramos nossa jornada nesta rua, teremos um mundo todo pela frente para ser desbravado.

Muito provável que você que está lendo este texto usou livros para pesquisar trabalhos da escola. Antigamente (nem tanto tempo atrás assim) nós usávamos enciclopédias e livros para pesquisarmos sobre qualquer assunto. Hoje em dia basta digitar o assunto na internet e encontrar milhares de artigos, reportagens e informação sobre aquele assunto. Parece que isso ajudaria, tornaria as pessoas mais críticas, mais “inteligentes”, mais curiosas. Mas não. O que vemos é alienação. As pessoas sequer sabem distinguir uma notícia real de uma notícia falsa. O trabalho da escola é uma cópia sem reflexão. É o que chamamos de analfabetos digitais.

Neil Postman tem uma frase bem forte: “Quando entra na escola, a criança é um ponto de interrogação; quando sai, é um ponto final”. O que você acha dessa frase? A escola é o local usado pelo autor, mas vamos pensar na sua casa.

Vou deixar mais uma reflexão. Estamos em isolamento. Aulas à distância. Algumas escolas online em tempo real. Algumas escolas mandando atividades para casa. Você está colocando um ponto final ou um ponto de interrogação? Está mostrando para ela que ela tem um universo pela frente, que pode pesquisar, perguntar, ter autonomia, aprender muito com essa nova forma de ensino ou está colocando um ponto final todos os dias, começando pela afirmação de que as aulas online não funcionam, que a criança está aprendendo menos. Será que ela está aprendendo menos porque não foi ensinada por ninguém a PERGUNTAR? Se ela perguntasse, pesquisasse, tivesse curiosidade... será que ela não estaria aprendendo MAIS?

Continua na próxima semana...