O Farroupilha
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Crimes contra a humanidade

Parece ser irremediável. O coronavírus, se aloja no corpo da criatura, invasor cruel, dominando indefesos humanos. Muquirana que nos perturba de forma perigosa. Não tem jeito. Trata-se de um conflito de desigualdade trágica, entre o homem e o vírus e, enquanto não houver a descoberta de uma vacina nada se pode fazer, a não ser proteger-se com toda cautela, ter os cuidados indispensáveis, recomendados por infectologistas. Dessa forma, o homem, de modo periclitante, mas inabalável, sobrevive. Inevitáveis consequências ocorrem com milhares de vítimas e assim será até o encontro de uma proteção imunológica.
O ser humano deseja tão somente, obstinado e esperançoso, que o coronavírus desapareça para acabar com esse crime humanitário.

Há 25 anos um genocídio abalou o mundo, cometido contra a população civil na Bósnia. A Iugoslávia foi outrora um país da região dos Balcãs, Europa. Inicialmente regido pela monarquia, mais tarde, uma república com domínio comunista. A crise política e econômica do país provocou a dissolução da Iugoslávia em sete repúblicas independentes: Bósnia Herzegovina, Croácia, Macedônia, Eslovênia, Montenegro, Sérvia e Kosovo. Problemas surgiram envolvendo grupos étnicos e religiosos da região: sérvios cristão ortodoxos, croatas católicos romanos e bósnios muçulmanos. Essa heterogenia religiosa provocou um conflito, que teve a duração de mais de três anos e que matou, aproximadamente 200 mil vítimas, civis e militares, - principalmente bósnios em grande maioria, e quase 2 milhões de refugiados. Na guerra da Bósnia mulheres e crianças escaparam da morte, os homens todos mortos. A diversidade étnica teve maior destaque envolvendo principalmente a Bósnia, com a população maior de bósnios- muçulmanos, depois sérvios e croatas. Essa divisão étnica provocava diferentes interesses. Nesse clima de tensão obviamente a guerra começa, com os sérvios atacando a Bósnia. Forças paramilitares da Servia se impuseram diante das desorganizadas forças da Bósnia e assim dominaram quase totalmente o território bósnio. Um dos mais trágicos casos ocorrido na guerra, aconteceu com um evento na cidade de Srebrnica, quando as forças servias invadiram um campo de refugiados matando mais oito mil bósnios. Os crimes contra a humanidade, massacres, foragidos de ditadores homicidas, morticínios entre grupos étnicos rivais, podem ter solução na ONU. O que não tem solução, ao menos por enquanto, é o criminoso de seres humano: coronavírus .

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O jornal inglês The Observer escolheu seis escritores ao redor do mundo para relatar a experiência do isolamento social e a vida na pandemia. A revista Carta Capital publicou o texto londrino com a seguinte manchete: “Planeta Vírus”. Participaram os escritores Tayari Jones (Estados Unidos), Maxim Leo (Alemanha), Emily Perkins (Nova Zelândia), Domenico Starnone, (Itália) Sjón (Islândia), e a escritora brasileira, natural de Bento Gonçalves, Natalia Borges Polesso.