O Farroupilha
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Detalhes

Como todo mundo sabe, um jornalista (ético, porque ainda existe este tipo) preserva suas fontes. Muitas vezes a informação chega até nós, mas a pessoa que a traz pede para não ser citada. Descartando as jogadas que fazem com a imprensa – sim, porque fazem – o pedido precisa ser levado a sério. É exatamente a postura que determina todo o resto, incluindo a qualidade do resultado.

Às vezes, a fonte nem pede, mas a gente, no contexto todo, acha melhor não a citar. Dito isso, entremos no assunto da semana. 

Eu falava com uma pessoa, dia desses, quando a resposta, escrita no Whatsapp, causou-me estranheza. Em determinado ponto do assunto, ela escreveu a palavra: doida, referindo-se à situação. O que veio depois do ponto de interrogação que mandei fez nascer a análise:

- Faltou o acento: doída.

De doida para doída muda tudo. Um detalhe é capaz de fazer isso. 

É aquela questão de saber onde colocar a vírgula, pois uma coisinha tão pequena carrega um potencial enorme de transformar o conteúdo. Em outras palavras: tem poder. Não, espere. Não espere. Não quero saber. Não, quero saber. Notou como tudo muda?

É como o acento esquecido. Pode ser que tenhamos tempo de consertar a situação, mas é sempre melhor estarmos atentos aos detalhes, àquilo que queremos dizer, sob pena de experimentarmos a necessidade de mudar todo um discurso, como aconteceu com o presidente da República em seu quarto pronunciamento em rede nacional nesta semana: ele adotou um tom bem mais conciliador nas palavras; como aconteceu com o prefeito da nossa cidade nesta volta ao cargo. Parágrafo longo, mas as vírgulas mudadas são poderosas.

A hora é de mantermos a atenção. Na saúde e na economia. Nesta ordem porque tudo é importante, mas precisamos estar vivos para que exista este “tudo”.  Independente de opiniões, esta não é uma questão que depende de vírgulas. Ponto final.