O Farroupilha
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É difícil Ser Humano

No final de semana li um texto provocativo. Só depois constatei tratar-se da coluna de Bruna Lombardi, cujo talento como atriz é inegável, com desenvoltura como cronista. O conteúdo tratava, em resumo, do conflito entre o que realmente somos e o que precisamos ser no contexto social onde estamos inseridos.
“Bem de perto ninguém é normal”, reza o ditado tão antigo quanto a humanidade, um verdade inquestionável. Em frente do espelho ou no aconchego do travesseiro mentir é impossível. Alguns traços da nossa personalidade pouco aparecem, disfarçados ou escamoteados para sobreviver neste mundo cada vez voltado às aparências.
A hipocrisia existe para viabilizar a vida em sociedade. Já pensou dizer o que se pensa de verdade para todo mundo? Será que o (a) nosso (a) melhor amigo (a) manteria a relação caso falássemos tudo o que pensamos dele (a)? E nós, sobreviveríamos diante da opinião 100% sincera daqueles que nos cercam?
 Viver é um exercício de equilíbrio entre ser aceito e manter a essência de nossa origem. A opinião sobre as pessoas é uma imbricada fórmula que reúne opiniões pré-concebidas – e isso envolve desde a profissão até a origem -, alguma experiência anterior de convivência e o que nossos amigos pensam sobre determinada pessoa.
Perdoar, admitir falhas alheias e ter tolerância na rotina são outras regras que permeiam determinado conceito sobre as pessoas. A tolerância talvez seja a mais difícil das qualidades neste mundo permanentemente conectado, de vigília constante de todos contra todos e onde as aparências parecem mais relevantes que o conteúdo.
A herança genética, os ambientes frequentados e os amigos compõem o mosaico de critérios para julgar as pessoas. Ouço seguidamente que “somos o resumo das cinco pessoas com quem mais convivemos”. Será verdade? Olhe em volta e responda se isso corresponde à sua realidade.
Todos os dias somos testados em nossas crenças. Isso não tem nada a ver com religião, mas com a fidelidade a princípios pelos quais montamos a régua com a qual medidos os outros. Amigos e afetos em geral quase sempre possuem o condão de exacerbar a nossa tolerância. O perdão para pessoas queridas por vezes macula nossos julgamentos, afinal, somos humanos.
Manter nossos princípios sem afugentar as pessoas queridas fomenta um permanente conflito interno, embora nem sempre nos demos conta. A correria da rotina, a maturidade e a convivência nos fazem funcionar “no automático”, sem maiores reflexões. Ao refletir, as dúvidas afloram e obrigam a novas avaliações. É a vida e seus paradoxos.