O Farroupilha
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Mães de coração

Todas as mães são de coração. A minha se chama Maria Anna. Ela tem as mãos da cor da terra. Tem cheiro de fornadas de pão caseiro e o aroma do chão seco se molhando de chuva. Ela me ensinou a falar e a orar.  Ela contava e conta histórias com a magia da primavera. As flores seguem nascendo ao seu toque. Não há outra igual no universo.

Conheço outra mãe que se chama Maria. Ela não é minha mãe. É mãe de sete outros corações, um mais fofo que o outro. Quando ela entra em cena com o seu João, nasce o meu pai Loreno. Tão mãe do coração quanto a minha Maria Anna. Seus dedos tortos rabiscavam estrelas para ninar o meu velho pai tão do coração quanto a minha mãe. Ela vive para sempre na vida de minhas retinas tão cheias de crônicas.

A outra mãe do coração se chama Josefina. Mãe de dez novos corações, uma ninhada sem fim. O Augusto a fisgou numa jornada qualquer em São Valentim. Eternamente Nona Pina. Desta vertente, nasceu Maria Anna.

E antes delas vieram outras e mais outras. Cada uma a seu modo tão do coração. É esta a minha singela homenagem a todas as mães de coração, de alma, de mãos, de olhos, de aventais, de máscaras, de giz, de enxadas, de orelhas e de pés tão suaves para ninar a humanidade. Somos por elas.
Há outra Maria que afaga seus quatro filhos com o Albino. A riqueza de cada coração não tem preço.

Há a Vó Odila de tantas histórias para contar com o Natalino.

Há a mamãe Claudia embalando as três riquezas maiores da minha vida.

A minha saudação, de coração, vai a todas elas e eles. Mães e pais de coração Diego e Vagner. É deste espaço infinito que um novo coração bate. Sem esquecer ninguém.

A Janete mãe de três corações; dois partiram tão cedo. As quíntuplas mães de coração Beatriz, a tripla mãe Karen, a mamãe Rosi, a Suzana mãe de coração Sofia, Dolores mãe de coração poesia. Todas elas com seus momentos grandes e pequenos, com suas alegrias, seus tamancos, seus baldes de leite e de água, suas vassouras e seus vestidos, seus aromas e seus chás. Uma mais linda que a outra, eternamente mães.