O Farroupilha
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Mar revolto

No dia em que escrevo esta coluna há uma neblina densa lá fora. A paisagem branca impede a visão nítida, aumentando a sensação de incertezas. Existem períodos na vida da gente assim: invadidos por algo que não nos deixa enxergar os caminhos, as respostas.

Como pessoa de fé que escolhi ser, sei que o sol vai voltar, dissipando o que tiver que ser dissipado. Até lá, oração, serenidade, confiança. 
Dizem que mar calmo não faz bom marinheiro e cada um de nós vai enfrentar suas ondas, tempestades, neblina.

Diante disso tudo e com a chegada do romantismo do Dia dos Namorados, arrisco uma sugestão: se você estiver com a pessoa que ama ao lado, valorize sua companhia, o simples fato de estar com você já é motivo de celebração. Estas simplicidades ganham um peso enorme diante das impossibilidades que podem nos visitar – e acharem que são as donas da casa e ficarem para dormir, um dia, outro, demonstrando a falsa ideia de que nunca mais irão embora.

Todo dia é especial se tivermos por perto aqueles que amamos. Uma diferença ou outra, um desentendimento ou outro, a idealização diferente do que a realidade nos mostra... tudo muito pequeno.

Quando a fatalidade toca nossas vidas, muda nossas lentes, muda nossas aspirações. Infelizmente assimilamos toda a teoria sangrando, com dores que nos rasgam a pele e alcançam nossas entranhas. Será que vamos aguentar? A dor, a ausência, a incerteza?

Atravesso um dos momentos mais difíceis de minha vida, me agarrando à força de minhas crenças, à fonte de todo amor que existe. Na Terra e acima dela.
Só por agora não terei a mão forte a segurar a minha ou o abraço grande a calar minhas dúvidas ou as palavras que sempre me fizeram olhar mais para dentro de mim mesma. Só por agora. Logo, logo a neblina vai embora e o sol voltará a brilhar. 

Acima das angústias há um Deus que não erra em seus planos.