O Farroupilha
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Na contramão

Difícil a gente atravessar o deserto sem expor os sentimentos que a realidade nos traz. Nem sempre há assuntos tranquilos a serem trabalhados ou aquela energia repleta, que pede o enfrentamento da pandemia que vivemos. A escuridão faz parte da luz.

Ando meio saturada das mensagens positivas, dos vídeos do Whatsapp, que tentam nos convencer de que estes tempos difíceis servirão para mudar o ser humano, amenizando as desigualdades – porque o vírus não escolhe classe social, raça, gênero ou seja lá que for... Não vejo indício no dia a dia.

O que constato nas pessoas é medo. De adoecer, de não receber os cuidados, de não conseguir manter o emprego, ou de alcançar um, de não ter dinheiro para pagar as contas, de morrer. Mas antes da morte, a incerteza. Essa sim, palavra dominante.

Ninguém sabe qual mundo teremos depois e neste panorama todo, discussões políticas que continuam disseminando o ódio e tantas outras ameaças reais paralelas como a escassez de água em nosso Estado.

 Eu, que já reclamei um dia que por aqui chovia demais, agora olho para o céu e peço água. No sentido literal e figurado. 

Estou pedindo água para esta visão romântica trazida pelos discursos carregados de poesia, que querem explicar o porquê de a Terra ter sido acometida por esse vírus. A verdade não usa roupas e não é quentinha como um reconfortante prato de sopa. 

Peço desculpas às pessoas que realmente estão fazendo a diferença na vida dos outros. A elas, minha total admiração.

Este é sentimento que tenho agora, fazendo aquilo que julgo correto, como distanciar-me, evitar sair, proteger minha família, mas enquanto faço isso noto que muitos ao meu redor agem como se nada estivesse acontecendo. O ser humano vai ficar melhor? Será?

Assumo todas as minhas dúvidas e confesso que estou sem receio de andar na contramão. É o que experimento nestes tempos peculiares, que nos obrigam a passar o Dia das Mães longe das nossas. Eu, por amor a ela, manterei a distância.