O Farroupilha
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Não me leve a mal

Farroupilha está em chamas! Já viu um incêndio acontecer em silêncio? Atearam fogo e até o fogo faz barulho.  Compra, não compra; compra, não compra, opa, quis dizer: guerreiros com guerreiros fazem zigue-zigue-zá. Se fosse brincadeira, seria mais fácil, mesmo sabendo que quem entra no jogo precisa estar disposto a jogar.
Tudo isso provoca barulho, como se não bastasse o ruído do carnaval que desfila a falta de discernimento de um povo que se contenta com pouco. Bastam suor e cerveja. Foliões. Também querem brincar, sem lembrar que há contas vencidas, filas para atendimento de saúde, frustrações, desigualdades... Não me leve a mal, hoje é carnaval.
Fogo por aqui, água demais fora do Rio Grande do Sul. Acompanho os alagamentos lá de São Paulo, afinal há família por lá. Lamento. Demora o escoamento das chuvas, demora o aparecimento de nossa tolerância porque a cada verão o problema se repete.
-  Toda a tarefa que não fazemos direito, volta para nós, senhores gestores!
Quem sabe a brincadeira fica melhor se nos fantasiarmos de engenheiros disso ou daquilo, administradores com especializações nisso ou naquilo, presidentes mais diplomáticos nas ações e nas palavras... Não me leva a mal, hoje é carnaval.
É isso o que o povo quer: fogo, folia, barulho, fantasias. Não vai dar? Não vai dar não? Você vai ver a grande confusão. Daqui a pouco passa o carnaval e o ano começa de verdade. Será? Não me leve a mal, hoje é carnaval.
De qualquer forma, a festa do povo vai passar, assim como o fogo, a água, o jogo. 
As próprias marchinhas de carnaval, felizes outrora, mal devem tocar hoje em dia. “Tudo passa, tudo sempre passará...” 
Já não gostava de carnaval, depois do último, em que meu grande amigo - e um dos maiores amores - foi embora, gosto menos ainda. 
Não me leve a mal hoje.