O Farroupilha
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O Dinheiro ou a Vida: Covid-19 e o Capitalismo Selvagem

O Primeiro Ministro da Inglaterra, Boris Johnson, subestimou o Coronavírus, afirmou que a Inglaterra não podia parar por causa do vírus e, sarcasticamente, propôs a contaminação em massa da população, em menos de uma semana, após a escalada vertiginosa de infectados e mortos no país, voltou atrás na sua decisão e impôs o Isolamento Social. No dia 27 de março adoeceu, isolou-se em sua casa – tornou-se o primeiro Chefe de Estado Ocidental contaminado pelo Covid-19, no dia 06 de abril foi internado em uma UTI onde está lutando pela vida. Há mais de duas semanas toda a Inglaterra está fechada e o governo anunciou um pacote de medidas para  a manutenção dos empregadores e empregados, para que não haja falências nem demissões, e sim a continuidade da vida.

A estratégia da Suécia de não fechar tudo está se mostrando um fracasso, uma onda de contágios e mortes está assolando o país. A avaliação muito suave tomada pelo governo sueco gerou uma taxa de mortalidade mais alta do que outros países nórdicos que optaram pelo Isolamento. No dia 7 de abril de 2020, a Suécia computou 7.206 casos e 477 mortes, com um aumento diário de mais de 360 infectados e 76 mortes. Colocando o país escandinavo  entre os dez primeiros Estados europeus com maior número de casos de coronavírus. Na vizinha Noruega, que imediatamente aplicou medidas restritivas, “apenas” 77 pessoas morreram no total.

É fácil entender porque os especialistas suecos começaram a se manifestar e a pressionar o governo para controlar a situação. Mais de 2.300 cientistas, infectologistas e professores de patogênese microbiana assinaram uma carta aberta ao governo pedindo medidas mais rigorosas para proteger o sistema de saúde, dizendo que o governo não tem escolha agora. “Precisamos estabelecer controle sobre a situação; não podemos entrar em completo caos “.

O quadro geral  sueco nos faz refletir sobre a importância do Isolamento Social, rápido e para todos. Estamos vivendo uma pandemia gravíssima, um vírus resistente que está matando muitas pessoas e colocando em cheque todo o sistema que está embasada nossas vidas, que contrapõe dois pilares: a vida das pessoas e a vida dos negócios. 

Esse é o momento para refletirmos profundamente e buscar entender porque um governante deve ser humanista e não um empresário. 

O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que debochou do “víruschines”, como respectivamente se referia ao Coronavírus, também foi relutante ao Isolamento, buscando defender a economia do país e sua hegemonia global. Hoje os EUA computam o maior número de contaminados, superou 2.000 mortes em um só dia, e, infelizmente, em breve terá o maior número total de mortos no mundo. Entretanto, Trump, estuda desimplementar o Isolamento social americano, pois, não está suportando suas perdas econômicas estimadas em  US $ 1 bilhão  no mês passado, com o fechamento de escritórios, shopping centers, hotéis e campos de golfe de sua propriedade. O colapso induzido pelo Covid-19 nos mercados de ações globais levou 267 das pessoas mais ricas do mundo a perderem seu status de bilionário. Segundo a Forbes, existem 2.095 bilionários em todo o mundo e 1.062 deles perderam dinheiro em comparação com o ano passado. Imaginem o desespero para quem tem o dinheiro como o “deus” de suas vidas?!

A briga não deve ser entre optar entre abrir o mercado ou isolar-se. A briga deve ser entre os cidadãos e os governos. Exigir eficácia máxima do uso dos recursos públicos arrecadados em prol da sociedade e a diminuição drástica dos custos de toda a máquina pública.

O Isolamento Social é um remédio amargo, mas, é a única intervenção disponível para ajudar as pessoas a não serem infectadas e a romper a cadeia de transmissão. É hora dos governos trabalharem. A economia se recupera a vida não.