O Farroupilha
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O tempo

Puxa! Chegou aquela data, primeira a passar sem a presença física do meu pai na Terra, apenas à distância de um telefonema, como escrevi uma vez. Certamente meu coração vai sentir mais acentuadamente no domingo, mas a vida precisa seguir.
Cada vez que penso na perda, automaticamente me vêm à mente dores semelhantes, experimentadas por parentes que não tiveram a sorte de uma longa convivência. Existências abreviadas cedo demais, ao contrário daqueles que atravessaram décadas. Dor é dor, mas há um quê diferente.
Nunca acreditei tanto na ideia de que é preciso viver intensamente tudo o que nos for apresentado, de positivo e negativo. Deve ser deste jeito que encontraremos o resultado da equação, aquela sensação de que valeu a pena.
Como sempre digo, minha profissão é uma dádiva porque com ela conheço pessoas a todo o tempo. Pessoas e suas histórias, que sempre me fazem refletir e crescer. Quando a gente olha para o lado e se coloca no lugar do outro é como se emergíssemos do mergulho interno que algumas fases nos obrigam. Tudo tem um propósito, ainda que não o enxerguemos. Há tempo de plantar e tempo de colher.
Falando em tempo, ele passa cada vez mais rápido por nós. Os filhos crescem, as marcas no rosto aparecem, os cabelos já não os mesmos, nem a flexibilidade dos membros, que antes aguentavam passos bem mais velozes. É a tal transformação que alguns de nós têm o privilégio de vivenciar.
Em tempo: talvez não existam grandes mistérios a serem descobertos por nós nesta passagem por aqui. Talvez o segredo seja a simplicidade. Dos pensamentos, das ações, das manifestações na vida do outro. A gente tem mania de complicar e pode ser que baste fazer o que tem que ser feito, sentir o que precisa ser sentido. Tudo a seu tempo. 
Se der tempo, abrace seu pai demoradamente no próximo domingo e fale para ele o quanto ele é importante para você. Sempre fiz isso e vou continuar fazendo, de outra forma agora. Porque o amor dura para sempre.