O Farroupilha
  1. Home
  2. Artigo

Oração e canja de galinha não fazem mal

Eu atendi a convocação feita pelo presidente para participar do dia da “Campanha de jejum e oração pelo Brasil” no domingo. Bolsonaro, mostrando notável coragem e fé, convocou um jejum nacional para que o país fique livre do coronavírus. Milhões de católicos e evangélicos aderiram ao jejum e oraram pela nação. Porém, internautas publicaram imagens de cafés da manhã, ironizando o convite. “Bom dia jejuadores do meu Brasil varonil. Aqui no sul, café da manhã”, escreveu um. E outro: “Um cuscuz com ovo, queijo e bacon para incrementar o jejum pelo Brasil”.

Para os cristãos, o jejum é um meio para alcançar vitória em tempos de crise. A Bíblia ensina sobre os três tipos principais de jejuns de alimentos: o jejum total, em que não se come nem se bebe nada; o jejum com água, em que não se come nada, mas se bebe água; e o jejum parcial, em que se elimina alguns alimentos. A pessoa pode realizar qualquer um deles, desde que esteja em dia com sua saúde.

Eu só conhecia os benefícios do jejum medicinal. O jejum como prática de vida cristã aprendi em ministrações na Igreja do Senhor Jesus de Farroupilha, onde congrego. Entretanto, jejuar é diferente de ficar sem comer. Quando jejuo, faço por um propósito específico e espiritual. Por isso, o jejum começa e termina com uma oração. Eu o ofereço a Deus às 8h e entrego às 17h. E, durante o período em que não como nada e só bebo água, medito em versículos, oro e ouço louvores de adoração a Deus. A congregação, pastoreada pelo pastor Airton Bassotto, mantém há anos essa prática às quintas-feiras, em favor dos governantes, autoridades e moradores de nossa cidade. Há outras igrejas que fazem o mesmo.

Como de praxe, parte da imprensa criticou a atitude do presidente, alegando que ele, num ato de fanatismo religioso, desprezou a ciência – que é a que pode salvar vidas. Para nós, cristãos, a ciência é um bem dado por Deus à humanidade. Ao buscarmos a ajuda divina, não estamos ignorando o que os especialistas aconselham. Katharine Hayhoe, Ph.D. em Física e Ciência Atmosférica na Universidade de Tecnologia do Texas, afirmou: “Vejo a ciência e a fé como dois lados da mesma moeda. Cada um deles nos fornece algo que não se pode obter a partir de outro”. E minha avó, em sua imensa sabedoria popular, me ensinou: “Oração e canja de galinha não fazem mal a ninguém”.