O Farroupilha
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Os muros da ignorância

Desde as cidades muralhadas do medievo, passando pelos modernos condomínios fechados, até as muralhas construídas nas fronteiras entre países, os muros revelam o quão involuídos estamos, e o quão incapazes somos de construir uma sociedade plural de convívio fraterno, livre e igualitário.

Desde antanho, estamos criamos um mundo marcado pelo desrespeito e a má distribuição dos recursos, categorizado pelo poder econômico e dividido por classes, uns com muito, outros com nada, onde se celebra as diferenças como fruto do mérito. Desenvolvemos um sistema econômico voraz, extremamente competitivo e minimamente cooperativo, que alimenta os egos doentios de governos e parcelas significativas da sociedade. Ao invés de combater a desigualdade, pelo contrário, estamos criando uma sociedade que fomenta a relação de poder entre opressores e oprimidos, que separa as pessoas, e se move pela gananciosa pretensão de ter e se sentir mais e melhor que os outros. 
O Muro de Berlim, que além de dividir a cidade de Berlim ao meio, simbolizou a divisão do mundo em dois blocos: República Federal da Alemanha (RFA), que era constituído pelos países capitalistas encabeçados pelos Estados Unidos; e a República Democrática Alemã (RDA), resistiu por trinta anos e ficou mundialmente conhecido como o muro da vergonha.
O muro fronteiriço Estados Unidos–México é uma série de muros e cercas ao longo da fronteira entre os dois países. Ganhou grande destaque na última eleição presidencial dos Estados Unidos, na qual o candidato Donald Trump o transformou em uma das principais plataformas de campanha. Trump defendeu o fortalecimento das barreiras com o país ao sul para diminuir o volume de imigrantes que por ali trafegam.
O Muro da Cisjordânia que está sendo construído pelo Estado de Israel, passando em torno e por dentro dos Territórios Palestinos Ocupado, (Cisjordânia e Jerusalém Oriental). É chamado de “Cerca de Separação” ou “Cerca de Segurança”, pelo governo israelense. Enquanto os palestinos geralmente se referem à barreira como Muro de Segregação Racial, e alguns oponentes como Muro do Apartheid.
Na Itália, se estuda a construção de um muro na fronteira com Eslovênia. A hipótese está sendo estudada com o Ministério do Interior que é chefiado pelo vice-premier Matteo Salvini, do partido ultranacionalista Liga, e o governador da região de Friuli Venezia Giulia, Massimiliano Fedriga.

Por aqui, nossos políticos constroem muros ainda mais vergonhosos dos que os supracitados. Constroem muros que impedem o desenvolvimento do cidadão, muros que separam a dignidade e o homem. Muros que impedem que a verdade transpareça e a injustiça prevaleça. Uma muralha que impede a visão de um horizonte promissor e ameaça a nação ficar presa numa redoma de subdesenvolvimento, individualismo, ódio e ignorância.

Os muros podem ser físicos ou mentais, não importa sua forma, eles sempre foram ineficazes para o desenvolvimento da humanidade, pois, ao contrário das pontes que unem, eles nos separam.