O Farroupilha
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Pandemia Coronavírus - Momento de Reflexão

“Não saia de si mesmo, volte para si mesmo: no interior do homem habita a Verdade, e se você encontrar sua natureza mutável, transcenda-se também.”
Agostino.d’Ippona

 

O ato de pensar que consiste em dirigir e analisar os sentimentos, desejos, pulsões, estímulos produzidos pelo próprio pensamento, bem como o próprio senso de identidade se denomina introspecção. A partir da introspecção é possível o exame de consciência. Que fadigoso é fazer o exame de consciência! Como é ruim reconhecer uma falta, um erro, mas, o quão fundamental é para a edificação do bom caráter, da boa educação e do civismo.

Sem o exame de consciência é impossível desenvolver o sentido de responsabilidade, co-responsabilidade e irresponsabilidade. Conceitos fundamentais para a vida individual ou coletiva. Na esfera coletiva as nossas responsabilidades são maiores e o exame de consciência deve ser ainda mais amplo, ele ultrapassa os limites do eu e considera o nós, o vós, o eles e elas, considera o planeta, toda a sua interdependência e complexidade.

Para os seguidores das escolas filosóficas helenísticas-romanas, o exame de consciência era o meio de perceber diariamente até que ponto eles haviam cumprido seus deveres ou não. Era, portanto, um meio de avaliar o progresso de alguém no “caminho da perfeição”, isto é, no caminho de alcançar o autocontrole, do domínio obtido sobre as paixões, vícios e degradações.

Para a Igreja Católica e a Igreja Ortodoxa, o exame de consciência é a prática espiritual preparatória para o sacramento da penitência, com a qual o crente recorda seus pecados com a vontade de não cometer mais e, assim, tenta melhorar sua vida.

No judaísmo o exame de consciência é uma dimensão essencial da oração, da maneira como o indivíduo se relaciona com Deus. Para a tradição hebraica o exame de consciência significa uma ação de auto-juízo, de reflexão sobre a própria vida, de consideração íntima, examinando os resultados dos próprios atos e da realidade. Seu principal objetivo é permitir-se a possibilidade de melhorar-se.

É notório que o modelo de vida que vivemos é insustentável, e por mais que se queira negar, as piores evidências vem demonstrando o seu falimento. A exploração indiscriminada dos recursos humanos e naturais, a poluição ambiental, a mudança climática, a violência e as desigualdades sociais, o ritmo de vida alucinante, enfim, todas as nefastas consequências da ganância do homem, são conseqüentes desse modelo destrutivo que vivemos.

A Pandemia do Coronavírus colocou a humanidade em crise. Todos sabemos que nada acontece por acaso e, dentre todas as especulações, há quem diga que ela é uma reivindicação do universo em prol da sustentabilidade da vida.  Uma coisa é certa, sua severidade está  demonstrando a necessidade de  uma mudança comportamental,  que somente será alcançada por meio de um profundo e sereno exame de consciência confrontando o homem, seus anseios e a sua forma de existir.