O Farroupilha
  1. Home
  2. Artigo

Saldo

A chuva voltou com força, inundando a terra sedenta. Veio com tanta voracidade que acabou por fazer estragos. 

Há poucos dias estávamos preocupados com a estiagem, agora contabilizamos os resultados do excesso. Não vamos reclamar. A reclamação é algo que precisa ser dosado. Na medida certa. Não é hora disso.

Depois de 37 longos dias, quase intermináveis, o sol voltou a bater em minha janela, aquecendo meus ânimos, devolvendo-me a paz. A cura se fez presente, terminado uma fase e iniciando outra.

Na semana passada agradeci aos profissionais de saúde, nesta semana me despedi com um abraço apertado naqueles que encontrei dentro do Hospital Beneficente São Carlos.

Um dia na seca, outro lavando a alma na abundância do que vem do céu.

A vida vai ensinando suas lições e a cada um de nós elas se apresentam de formas diferentes, com vestimentas particulares. Para mim, chegaram com cores escuras, despertando um medo profundo, mas o olhar aguçado, firmado na fé em um Deus que nos sustenta, e a confiança na competência médica fizeram tudo clarear.

Absorvi dos profissionais intensivistas a importância de vencer os desafios que o dia apresenta. Jamais conseguiria fazer o que eles fazem. Tiro o meu chapéu. 

Enquanto uns lutam, enfrentando este vírus terrível, outros vivem como se não existissem riscos ou fatalidades. Enquanto famílias humildes experimentam o desespero pela demora no recebimento do auxílio emergencial do governo, outros – mesmo com recursos que banquem um casamento em uma praia paradisíaca qualquer - estão como nome inscrito no programa, tirando de quem realmente precisa. 

Alguém arrisca um palpite sobre o nome do país que mais combina com corrupção?  Pecadinho ou pecadão não têm diferença, como diz um amigo.

De um lado, dedicação extrema de profissionais cansados, lutando pela vida alheia. Do outro, gente que não pensa em ninguém além de si mesmo. A cada um, o saldo desta pandemia. 

A César o que é de César... e a Deus o que é de Deus”.