O Farroupilha
LUIZ CARLOS RUSCHEL GOMES
Politicamente: a mesma coisa

Os anos passam e os costumes se repetem. Trabalha-se de março a dezembro, no meio alguns feriadões, e nos meses de janeiro e fevereiro, o país praticamente para, evidentemente para a classe privilegiada. Operários, do chã de fábrica, não tem prerrogativas cedidas aos elitizados. O mau exemplo parte principalmente de políticos, parlamentares como senadores, deputados e vereadores, que desfrutam do recesso parlamentar, que na verdade são prolongadas férias, mas que se trata oficialmente de “suspensão temporária das atividades do poder legislativo, como também do judiciário”. O recesso, dos poderes brasileiros citados, foi copiado de países de intenso frio, de forte precipitação de neve, que impediam as atividades normais durante rigoroso inverno. Só que no Brasil, todos sabem, o recesso acontece no verão, e nossos políticos, desfrutando de pomposos honorários, viajam, aproveitam o veraneio pelas mais concorridas regiões turísticas no país e no exterior.
O que não se entende é que as eleições se repetem e a população se repete votando em figurinhas carimbadas pela corrupção, desonestidade, antiéticas. O eleitor deixa de fazer o necessário escrutínio, a avaliação indispensável de seu candidato: o que fez no passado, o que faz no presente e o que poderá fazer no futuro. Recentemente, ao início do recesso parlamentar, os deputados federais auto presentearam-se com novo reajuste salarial, passando a receber um pouco mais de 200 mil cruzados novos a cada mês, prova da injustiça social, quando se sabe da enorme diferença salarial na comparação ao cidadão comum, aquele do salário mínimo de NCr$ 1.283,51, sabendo-se mais, que o salário de uma professora supera um pouco mais que o mínimo. Pior, no interior das regiões norte e nordeste, a remuneração é inferior ao mínimo determinado por lei. Mais: trata-se de um salário bem superior ao cidadão médio, instruído, de capacidade comprovada, com salário bem inferior, comparado ao parlamentar analfabeto funcional. É bom lembrar ainda que aquela gente de Brasília trabalha de terça a quinta-feira, o que significa dizer que em 12 meses trabalham 10, o que condiz com salário de marajá. 
Toda essa imoralidade, falcatrua e corrupção, parte de uma classe governante que deveria ter uma imagem sem jaça, sem mácula.
É bom lembrar que o presidente eleito “collorido” Fernando afirma que estará na busca dos marajás (segundo a Rede Globo) no serviço público: será? Seriedade e honestidade é que o brasileiro espera do seu novo governante. Por enquanto, “depois de uma árdua e cansativa campanha política”, o inimigo dos marajás, desfruta um repouso em hotéis de primeira grandeza em Roma e Paris. Talvez por lá, comece caçar marajás. Para que tudo aconteça, ao menos razoavelmente na nova política, tudo dependerá do eleitor, se votou conscientemente, se fez o necessário escrutínio, a precisa avaliação. Caso contrário, se o voto foi um favor em troca de outro favor, por uma gratificação ou uma cesta básica, dessa forma, permissivamente colabora com a politicagem, assim conhecida a política reles, mesquinha, de interesses pessoais. Se você votou de forma inescrupulosa você está no mesmo nível “daquela gente”. 

Este texto foi publicado originalmente em 12 de janeiro de 1990

Férias... será?

Será mesmo... será que aquela criatura, magnata da indústria, afainado durante todo ano como executivo de empresa irá desfrutar um período de férias? Compromissado com seus afazeres, férias nem pensar... talvez uns dias de folga. Encontrar um espaço em sua agenda recheada de compromissos não é tarefa fácil. Buscar uma pausa, mitigar afazeres. Encontrar um momento para reflexão é preciso. Apoquentado, é necessário descanso da mente, quando as atribuições se confundem com atribulações. Por tudo isso, pelo exagero, pela aflitiva condição funcional, há recomendação médica: desafogar seus compromissos, aliviar-se de estafantes situações, dividir responsabilidades, reduzir o esforço cotidiano e assim evitar um irremediável infarto. A família exalta a recomendação do médico, clama pelo sossego. A família insiste, ao menos uns 20 dias de férias. Incentivos, estimulações não faltam. Familiares afirmam: necessário se faz encontrar a paz de espírito, realizar uma introspecção da vida estressada, relaxar, tornar-se indolente naquela paradisíaca praia – para onde deve ir - encontrar o sossego. A desculpa do intimado empresário: “é muito longe”. Fica distante de qualquer área urbana, numa grota, lá em “deusmelivre”. Na verdade não tão distante, para quem faz uso de um helicóptero. Seja qual for o lugar onde fica a casa da praia há conforto, inteira comodidade, cercada por uma atmosfera de enlevo, com aquela sensação de êxtase ao sentir a fragrância do mato indevassável na redondeza, a percepção do aroma trazido pelo vento do mar azul. Enfim, o intimado é convencido. Chega ao aprazível destino. Sente-se bem à vontade. Veste bermuda, sem camisa, pés descalços. Se desfaz do relógio, largado em qualquer lugar. Não há ligação com o mundo moderno, sem televisão. Momento de espraiar-se. Caminhar sobre a areia fofa e alva. Observar a espuma, formada pela agitação do mar, arrebentando-se na areia.

Antes porém da caminhada, necessidade de lambuzar-se com protetor solar. A epiderme branca, mais branca que do digitador de computador, verdadeira “brancura rinzo”. Caminha. Adiante, encontra um boliche, uma vendinha de gêneros de primeira necessidade, ou quase. Uma turma de idosos jogando dominó. Outros alguéns, esfregando a barriga no balcão bebendo uma “purinha”, jogando conversa fora. O citadino empresário sem qualquer preconceito, tipo assim, gente do povo, pede uma caipiroska. O dono do boliche não entende. Pergunta: “como é que é?” O freguês diz que é uma caipirinha com vodka. Proprietário do varejo informa: “somente com cachaça”. Resposta: “tá bom, serve essa”. Bebe descontraidamente. Ouve um diálogo, com aquele inconfundível sotaque de marisqueiro e chama sua atenção: “O patrão escutou na rádio que o tal de “over” chegou a mais de 100%, a inflação do mês prevista é de 72%. Notícia ruim chega em qualquer lugar.
Acabaram as férias do empresário.

Super Bowl : o grande espetáculo

Trata-se de uma atração fabulosa, magnificente representação esportiva, atraente, fascinante, impressionante em sua beleza, rebuscado na sua infraestrutura em todos os detalhes, uma organização de requintes primorosos, presença maciça de torcedores no estádio, colossal audiência em televisão. Por tudo isso é difícil quantificar a grandiosidade do super bowl, de modo esportivo ou culturalmente, de investimentos bilionários. Em termos propriamente nacional, não existe outra competição igual mundo afora, que excite tanto uma população. O super bowl no estádio reúne 66 mil torcedores. Pela televisão alcança uma audiência de aproximadamente 110 milhões de telespectadores de um mesmo país.
O super bowl, futebol para os americanos, é o mais popularizado esporte nos Estados Unidos, apesar de sua virilidade e brutalidade, de impactos graves no cérebro, contusões e lesões, isso com toda a proteção adequada ao uniforme.  Super Bowl é uma decisão em um único jogo, única final da National Football League (NFL), na verdade o vencedor, campeão da temporada. A NFL tem duas conferências: A NFC, Conferência Nacional com quatro divisões, cada qual com quatro franquias. A AFC também tem quatro divisões com quatro franquias (seriam por aqui os clubes), assim 32 franquias que disputam o campeonato, até chegar a vez dos playoffs (mata-mata) e depois o super-bowl. Não há rebaixamento. Atualmente a NFC é a liga esportiva com a maior média de público do mundo, quase 68.000 torcedores. Endinheirados chegam a pagar ingressos entre US$ 5.000 (em torno R$ 22.000) e US$ 13.000 (R$ 55.000), claro, dependendo da localização. Os números são superlativos considerando-se Super Blow um dos maiores eventos do mundo, junto com a Copa do Mundo de futebol e as Olimpíadas. Somente em receita de bilheteria chega-se a US$ 2 bilhões. Inserções comerciais vendidas pela FOX, emissora com direitos a transmissão nesse ano em torno de US$ 500 milhões. Os comerciais durante a transmissão aproxima-se US$ 6 milhões, cada um de 30 segundos. Todas as cotas para os intervalos já estavam esgotadas em novembro de 2019. Necessário dizer que no jogo existem quatro intervalos.
Domingo 2 (transmitido pela ESPN) o Super Blow de 2020 no Hard Rock Stadium em Miami, defrontaram-se Kansas City Chiefs, depois de 50 anos tentado vencer mais um Super Blow (venceu na temporada dos anos 1969) e São Francisco 49 ers em busca do seu sexto título (Os Patriots já foram seis vezes campeões do Super Bowl, junto com Pittsburgh). A partida no calor de Miami, começou com vantagem de Kansas por 3x0. Reagiu São Francisco empatando o jogo. Ao voltar do primeiro intervalo o time de São Francisco obteve excelente vantagem de 10 pontos (20X10). O jogo foi para o último e quarto intervalo. Havia a certeza pela vantagem de São Francisco que venceria com facilidade, mas não aconteceu. A franquia de Kansas reabilitou-se e venceu surpreendentemente. Por 31x20 Super Blow 2020 coube ao Kansas City Chiefs, depois de 50 anos.   

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Espetáculo dos espetáculos: num dos intervalos show de Shakira e Jennifer Lopez. 

O grande príncipe

A obra literária do francês Antoine de Saint Exupéry Pequeno Príncipe, vez por outra está na relação dos livros mais vendidos. Ano passado (2019) na pesquisa brasileira, junto as livrarias, esteve entre os 10 mais vendidos. Três ou quatro anos passados chegou a estar em primeiro lugar, em diferentes períodos. Naquela ocasião chamou-me a atenção o sucesso editorial. Deveria ser uma história atraente e interessante, mas o pensamento   cretino, formado por infundadas informações de leitores ignóbeis, juntaram-se ao preconceito e assim foram formados obstáculos, retirando qualquer incentivo para a leitura. Sim, nunca tinha lido o Pequeno Príncipe. Dessa forma não poderia formar opinião, ter o senso crítico, fato que era um impedimento a opção de julgar. Em razão de tolices, perdia excelente leitura. O preconceito foi formado por algumas razões: o título pueril, atraente chamariz, para os leitores infantojuvenis; a falsa impressão de um enredo prosaico e insípido. Informaram-me mais, que se tratava de um livro de autoajuda. Nesse contexto, para inviabilizar ainda mais a leitura, a sempre comentada questão do Pequeno Príncipe, envolvendo o concurso de “miss”, evento de beleza feminina. Fazendo parte a programação, para avaliar conhecimento das candidatas realizavam-se entrevistas. Entre as indagações havia a pergunta: “qual o livro de sua preferência?”. A reposta de forma quase unânime, invariavelmente e sistematicamente:  O Pequeno Príncipe. Ficou reconhecido ironicamente como o “livro de miss”. Apesar de complicadas e esdrúxulas ideias, por curiosidade fui ler o afamado livro que vendia tanto. Não só li, como também assisti o filme. Li, vi e gostei. 
Uma obra fascinante marcada por incrível teor poético, para crianças e adultos lerem. Uma obra que conta a história da amizade de um homem irrealizado. Sofre um acidente com seu avião. Devido ao desastre, perde-se no deserto, desmaia. Acorda, deparando-se com um Pequeno Príncipe. Forma-se a amizade. Ele conta suas peripécias, suas aventuras. A partir dessa história forma-se-se uma parábola sobre o pensamento organizado e conceitual, sobre a perda da inocência, durante o crescimento, o abandono à infância.   
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Não tenho qualquer preconceito com novelas televisadas. Não assisto, por ter roteiros de muita cafonice, enredos mal elaborados, tramas sem sentido, de dúbias situações. Acreditem, estou assistindo a novela da Rede Globo, conhecida como novela das 9, certamente das 21 horas. O motivo para minha dedicação à novela é pela excelente autora Manuela Dias. Formada em jornalismo e cinema, esteve na Escola Santo Antônio de los Bãnos em Cuba, onde foi aluna Gabriel Garcia Márquez. Tem em seu currículo de roteirista a realização de cinco longas-metragens, entre eles diversos premiados. A novela Amor de Mãe tem o estilo de sua autora. A sua trama é movimentada, momentos que se enredam para determinadas e objetivas situações, feitas para dar sentido as ações e criar emoção junto ao espectador. As tomadas de cena são rápidas, não há diálogos alongados ou longa cenas de erotismo. 
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Há atrizes bonitas. Há a jornalista Maria Júlia. Porém entre as bonitas está em primeiro lugar Maytê Piragipe, apresentadora do Canal Like HD.

Amigo secreto, oculto... sei lá

Todos os anos a mesma rotina natalina. O amigo secreto ou oculto é a tradição realizada em ambiente corporativo ou familiar. Uma semana antes do Natal, no mural da empresa, está um aviso, o lembrete, para que os colegas funcionários que desejarem participar do amigo secreto ou oculto, devem informar o nome à colega Regina Helena, organizadora do festivo acontecimento. É diante da Re, que o participante escolhe  um bilhetinho, sorteando o nome de um colega a presentear. Para haver isonomia, tratar todos iguais, justiça social na empresa, do chefe ao auxiliar geral, fica estabelecido o valor na compra do regalo. Como também não valendo R$1,99.
O sorteio é aleatório e pode oportunizar o nome de um chato ou uma chata inconveniente, ele ou ela de jeito maçante, incomodativo. Quem sabe a sortuda, para causar inveja e ciumeira as colegas, retirou o papelzinho com o nome de Paulinho, recentemente admitido e que todas elas acham parecido com o Luan Santana, todas dispostas a um relacionamento amoroso com o galã. Bem, mas quem tirou o nome de Paulinho, para ser presenteado foi o seu Alcibíades, veterano na empresa.  Melhor assim: não haverá estados emocionais descontrolados. Ninguém desejava que no bilhetinho sorteado não aparecesse o nome daquele machão arrogante, esnobe, narcisista, metido a besta, metrossexual. Na brincadeira está a Maria Eduarda, recepcionista, que todos chamam de Dudu, bonita, querida, simples, simpática e amada enfim todos os qualificativos. Fina flor para se dar um presente. O contrário está naquela figura, secretária do chefe, poderosa, soberba, presunçosa, também metida a besta, para as mulheres. Os homens a admiram, elegante, sempre com aquele sapato de salto 15. Chama à atenção o caminhar malemolente, provocativo, cheio de charme. A brincadeira natalina se popularizou a partir de 1929, época da depressão. Não havia dinheiro e simplesmente realizava-se troca de presentes. Amigo secreto ou oculto é interessante, inusitado, surpreendente, movido pela curiosidade. As pessoas não sabem o que ganharão e, muito menos quem é o secreto amigo.  Muita ansiedade no troca/troca. Na ocasião existem exclamações espontâneas, alegre e públicas: “Muito obrigado, era isso o que realmente desejava”

Em outro momento, em circunstância fora do comum pelo sucedido, alguém dá o presente a outrem. Ouve-se somente um obrigado forçado de outrem, mais pela educação. Não precisa falar mais nada. A fisionomia denota claramente em silêncio, o que o pensamento ressalta: “Que porcaria ganhei”. 

Alguém é sorteado com outro que não lhe é simpático. O discurso na entrega do presente é difícil: “Oh mau caráter toma aí.” O segundo outro aquele que recebeu o presente, pensa: “Presente daquele cretino. Não tem a brincadeira do inimigo secreto?”.

É isso aí: a brincadeira envolve a todos, amigos e inimigos.

Fica estipulado também que aquele discursinho na entrega do presente deve ser rápido. Ano passado o Eugenio teve a felicidade de sortear o nome do seu chefe. Bajulador, verdadeiro puxa-saco, levou 20 minutos, enaltecendo o trabalho da chefia. 

O deputado

O deputado era um daqueles representantes do povo que falava pouco, abria a boca somente para comer ou bocejar. Conversar pouco, discursar jamais. Quando algum de seus colegas falavam alguma coisa naquele estilo enfadonho de discursos alongados comum a classe política, se aborrecia. O nosso amigo deputado chegava ao plenário da Câmara sonolento, mostrando o jeito pachorrento, com o seu andar preguiçoso. Não se sabe se prestava atenção nas mensagens orais, prolongadas e fantasiosamente solene de seus colegas. Nas decisões por votação, o nobre parlamentar não estava nem aí, de fato não prestava atenção para nada. Não era necessária sua percepção, afinal votaria conforme determinação do líder da bancada. Fácil não é mesmo, porque queimar neurônios?Obrigação cumprida sem esforço mental. Sessão encerrada, mais um dia ganho com dinheiro público, contribuição obrigatória do povo.

Fechou seu laptop, não se sabe a necessidade dele aberto, provavelmente para enganar as câmeras da TV Câmara. No primeiro ano de mandato todo mundo procurava entender seu procedimento. Seus colegas, os mais experientes, de inúmeras legislaturas, tinham a observação simplista: “ele é novo aqui”, justificando o seu excêntrico silêncio. Na verdade os colegas mais antigos admiravam o procedimento do mais novo, sua quietude parlamentar. Um a menos para ocupar a tribuna no espaço do pequeno expediente, quando a maioria dos discursos dos parlamentares - aqueles desconhecidos do conhecido “centrão”- que não interessam a ninguém, a não ser sua base eleitoral, elogiando seus cabos eleitorais enviando fotos, gravações, demonstrações de falso trabalho. No ano seguinte o silêncio do deputado persistia e a grande maioria já conhecia o seu jeito de ser. Assim seja.

Passou o  segundo ano legislativo. O deputado em questão mantinha seu jeito de ser. Terceiro período na Câmara. Em sua base eleitoral falava pouco, afinal na conversa se ganha voto. Vez por outra, colegas faziam troça dele, chacota, piadas, hilariantes situações, para provocá-lo mas ele somente ria. 

O controvertido parlamentar, em seu mandato, depois de ouvir milhares de vezes, vossa excelência, data vênia, colenda casa, urge que, urgência urgentíssima, um aparte nobre colega.  Num dia de sessão ordinária a grande surpresa. O silencioso deputado repentinamente levantou-se da confortável cadeira de couro, em plena discussão, soqueou a mesa com força provocando um barulho como se fosse um estrondo chamando atenção de todas vossas excelências e pediu a palavra, para outra vossa excelência, o presidente da Casa. Até o orador do momento silenciou-se. Todos silenciaram. 

Em meio a esse ambiente, a única coisa ouvida era o fraco ruído dos microfones. Os parlamentares ansiosos aguardavam o esperado momento. O silencioso deputado pronunciou meia dúzia de palavras e então descobriram a razão do silêncio: o deputado tinha o distúrbio da fluência da fala, gagueira.

Pátria amada!!!

O Hino Nacional é uma conclamação importante em qualquer solenidade - até mesmo antes de uma partida de futebol, não tão solene assim -. Trata-se de uma concitação, um brado, mais do que isso, uma incitação, em época de um povo descrente em tudo e em todos, a pasmaceira diante de um estado de coisas, numa combinação desafiadora e complicada. Talvez, tudo isso, seja a resposta para a falta de patriotismo, de estímulo,  disposição afetiva do brasileiro, desiludido com a incompetência governamental, a imperícia da classe dirigente, a baderna financeira, o caos econômico, impunidade para mais corruptos, a injustiça social. Poucos brasileiros acreditam em promissoras possibilidades futuras em meio a desarvorada situação no contexto nacional. Há um quadro insuportável de violação aos direitos fundamentais do cidadão: saúde, educação, segurança. Embaraçada economia sem propostas positivas (talvez o aumento de impostos), que proporciona desemprego para milhões de pessoas.

Existem crentes, de pensamento moderador, para os quais a situação não é tão ruim assim. Os ciosos, que tem o raciocínio conservador, afirmam que tudo vai bem. Os dois grupos argumentam, que a suposta precariedade nada tem a ver com a sensibilidade do amor à Pátria. O sentimento de frustação e decepção origina-se nos atos despropositados e ineficazes, motivados pela ingerência de incompetentes políticos. A reação de cada brasileiro, inclusive aquele inserido no sistema de estratificação social, abaixo da linha da pobreza, à margem da sociedade, excluído do convívio social, ser humano tratado como desigual não quer saber de patriotada. Gente de passado desconhecido, de presente incerto, futuro... quem sabe. Essa pessoas tem a reação compreensível de repúdio à Pátria, na verdade, pensando bem, elas não tem compreensão de patriotismo, desconhecem esse aspecto. Paradoxalmente, melhor não saber da Pátria ingrata e megera. Não se pode desvincular uma realidade de completa mazela no país, algo profundamente ruim com a Pátria Amada. 

Afinal o que é Pátria. Simplesmente o país onde se nasce, torrão natal. Podemos dizer que se trata de uma instituição abstrata, alegórica, contemplativa e por ser assim adjetivada, surge como pleno sentimento de amor. A Pátria, também etérea e sublime, lamentavelmente no contexto confunde-se com a canalhice dos políticos. 
Como pensar e desejar amor à Pátria quando se trata de uma nação representando segmentos de uma sociedade sem princípio do igualitarismo, comunidades de pensamento individualizado, de pensamento do “primeiro nós” e de raciocínio “salve-se quem puder”, do poder maior e da ganância dos privilegiados, prevaricação de autoridades.
Patriotismo é o sentimento de orgulho, amor e dedicação à Pátria. Diante desse conceito a famosa frase de Samuel Johnson: “Patriota é o último refúgio dos canalhas”, soa como pejorativa, entendida como ultrajante.

Entenda-se:

o historiador e político inglês, referia-se ao seu partido o Patriota, pela presença cada vez maior de vários oportunistas. 

Em tempo: Essa coluna serviu como tema em outra escrita há 30 anos. Passou o tempo, nada mudou.

Pergunta lá no Posto Ipiranga

Dia 7 de setembro - que bom, feriado nacional !!!... - comemora-se mais um ano da Independência do Brasil. Milhares de brasileiros, multidões, se reúnem em logradouros públicos (avenidas, ruas, praças) para assistirem solenidades cívicas, desfiles militares e estudantis. São quase 200 anos em que o Brasil livrou-se do jugo monarquista português, não mais ficou dependente de Portugal. 

Comemorações pelo Dia da Pátria começaram no século XIX. Houve um período de 10 anos (1831/1840), nos quais comemorações perderam o destaque, devido ao tempo de regência. Com a maioridade do imperador D.Pedro II, a data recuperou a importância histórica.

O desfile militar mais importante do país ocorria no estado do Rio de Janeiro, na avenida Presidente Vargas.

Os americanos adoram o Brasil (inclusive o Trump). Em 7 de setembro de 1947, no palanque oficial, naquela data, o presidente da República Marechal Eurico Gaspar Dutra, assistiu a solenidade, ao seu lado o convidado especial, presidente norte-americano, Harry Truman. Dom Pedro I, com seu vistoso uniforme, resplandecente e engalanado, montado num cavalo portentoso, cercado por sua guarda de honra, conforme o célebre quadro de Pedro Américo – alguns afirmam que trata-se de um plágio de Napoleão Bonaparte-, a beira do Ipiranga, altivo, empunhando sua espada, bradou o histórico grito de liberdade: Independência ou Morte, versão oficial do acontecimento, ensinado nas escolas. Entretanto existem fatos pitorescos e divergentes . Alguns historiadores afirmam que ele não estava montado num alazão e sim numa mula, animal mais condizente como meio de transporte para percorrer o caminho periclitante na Serra do Mar. Sabe-se mais: que Dom Pedro estava com diarreia desde quando partiu da cidade de Santos o que deve ter estragado o seu humor. Esse desconforto lhe deixou incomodado e irritado. A comitiva retornando de Santos foi encontrada por um mensageiro, trazendo mensagem de Dona Leopoldina (esposa de D. Pedro) e José Bonifácio (estadista, conhecido como Patriarca da Independência). O conteúdo da mensagem informava a exigência dos deputados portugueses para que D. Pedro se apresentasse em Portugal, pois ele contrariava os seus interesses. Esse episódio precedeu grave crise na capital Rio de Janeiro. A presença de D.Pedro deveria ser imediata. Oficialmente, D. Pedro foi a Santos por questões políticas, na verdade o príncipe que vivia uma aventura romanesca, de grande repercussão, com a amante Marquesa de Santos, foi visita-la e com a qual ocorrerá m desentendimento. Com tantos acontecimentos cabulosos, D.Pedro ficou ensandecido. Não se sabe exatamente onde ocorreu o “grito”. Há controvérsias. Dizem que não foi à margem do rio, mas numa colina. Pouca gente presente, alguns guardas e moradores da vizinhança 

Para dirimir dúvidas, pergunte lá no Posto Ipiranga. 

Colonização corrupta

Ano da Graça de 1492, descobrimento da América, pelo navegador genovês da Republica de Gênova, Cristóvão Colombo. Abriu a vela de sua caravela ao sabor do vento. Navegou com o intuito de descobrir uma rota alternativa, um caminho mais curto para Índia, para atender os interesses mercantilistas entre a Europa e Oriente. Cristóvão Colombo não conseguiu, perdeu-se no oceano. Se não descobriu um novo caminho para o Oriente, descobriu um enorme continente, de futuro pujante, a grande nação do Ocidente.
Colombo batizou sua descoberta com o nome América em homenagem a Américo Vespúcio.
Colombo desembarcou segurando uma enorme cruz. Os índios reverenciaram os viajantes sem saber quem eram, sem saber porque. O fato concretizado foi de que os invasores mais adiante dizimariam o povo indígena.
Os países considerados latinos (portugueses, espanhóis, italianos e etc.) iniciaram a colonização pela exploração,  riquezas oriundas da natureza, exportando para seus países de origem. 
Em contraste, a América colonizada pelo povo anglo-saxão foi mais progressista, economicamente forte, tinha uma colonização de povoamento, com o desenvolvimento de riquezas para consumo próprio, abastecendo seus habitantes.  Diferença marcante de colonização entre latinos e anglo-saxões. América tornou-se poderosa pela colonização dos britânicos (irlandeses, escoceses e ingleses). 
Ano da Graça de 1500, dia 21 de abril, um suposto descobridor do Brasil foi o navegador português Pedro Alvares Cabral, mas há controvérsia. A história informa que a descoberta do Brasil ocorreu em 26 de janeiro de 1500, data em que o navegador espanhol Vicente Yañes Pinzón aportou no litoral sul de Pernambuco, cabo Santo Agostinho. De qualquer forma, os dois acharam uma terra perdida. Na verdade se acharam não estava perdida. A partir daí o primeiro estorvo, a primeira confusão histórica brasileira. Como Colombo, Cabral também queria descobrir um novo caminho para as Índias. Tal e qual Colombo, Cabral desviou-se da rota, não se sabe se de modo proposital ou casual. Para crentes conservadores Cabral vinha com o intuito de descobrir a terra de Vera Cruz. Os céticos acreditam que foi tudo um caso por obra do acaso. Assim, nós tivemos a segunda barafunda nacional. A primeira, como se sabe, Pinzón como descobridor. Fatos que deixam a historiografia luso-brasileira em dúvida, sem certeza. Afinal quem descobriu o Brasil? O Brasil foi achado?
América, Brasil descobertos. Início da colonização, índios em fase de eliminação. Brasil, colônia de Portugal. Diferenças coloniais. Por aqui não chegou o povo anglo-saxão. Por aqui chegou Dom João VI, escorraçado de sua terra pelos ingleses.  Com ele vieram degradados, banidos portugueses, corja de malfeitores. Exploradores das riquezas brasileiras, todos enviados para Portugal que passava um processo pré-falimentar. O ouro, pedras preciosas eram a volúpia dos colonizadores: começo das artimanhas, de fraudes, embustes, enfim a corrupção. América foi colonizada pelos britânicos, o Brasil poderia ser melhor, mais decente. Holandeses e franceses, por aqui chegaram mas foram expulsos. Tudo começou com Pedro Alvares Cabral e, durante séculos a marca da corrupção. O outro Cabral (o Sérgio) que o diga.

Liturgia

Liturgia tem origem no grego “ leitourgos”, palavra que era usada para fazer menção a alguém que realizava serviço público ou liderava uma solenidade sagrada, obra sempre em benefício do povo. A Igreja assumiu o termo e o aplicou como liturgia no sentido de “serviço divino” ou seja serviço religioso e ritual. Assim, a liturgia é a reunião do conjunto de atos formais e solenes de caráter religioso, um rito de regras especificas especialmente, concernentes aos ofícios divinos das igrejas cristãs. Liturgia é aplicada nas missas ou rituais da igreja católica. A manifestação central da liturgia é a celebração da morte e ressureição de Jesus Cristo e a prestação do culto a Deus. A palavra liturgia foi usada na Antiguidade. Passou a ser utilizada mais tarde no contexto da eucaristia na Igreja grega. Bem mais tarde, o termo passou a fazer parte da igreja católica. Inicialmente a liturgia era da responsabilidade dos apóstolos e bispos, no entanto algumas igrejas criaram sua própria liturgia, isso porque não havia uma regra geral e obrigatória para a mesma. Mais tarde o Concilio Vaticano II implementou uma renovação na liturgia dando maior relevo a Sagrada Escritura, incluindo a utilização de outras línguas e não somente o latim, de forma que mais pessoas pudessem participar de forma mais ativa.
Indispensável para os cristão é a liturgia pelas celebrações que Cristo reúne em assembleia numa ação única. A liturgia deve-se a continuação da lembrança de Cristo.
Religiosamente a explanação, dissertação, conforme ensinamento e informação do portal TV Gazeta/Educação. Então, chegamos aos finalmentes: a liturgia e a política.
O ex-presidente José Sarney, não foi um presidente carismático, envolvente, emblemático e até não fazia parte daquele pequeno bloco de políticos decentes e honestos, mas era um litúrgico. Segundo ele, em discurso, estabeleceu o poder sempre atento com a “liturgia do cargo”. Não parece. Conforme descrição de liturgia um principal segmento é “um serviço público sempre em benefício do povo”. Mais ainda: José Sarney deixou de lado a polidez e a liturgia ao reclamar com palavreado chulo, o resultado das eleições, quando sua família foi fragorosamente derrotada no Maranhão. 
Giorgio Agamben, filosofo italiano, afirma: “O poder necessita de formas litúrgicas para seu exercício em que há estreita imbricação entre o poder e a liturgia que se realiza através dos dispositivos da aclamação, as chamadas democracias de massa”.
A liturgia tem ordem e forma para a governabilidade, é a representação de poder e autenticidade. Estar fora desse contexto significa estar fora da legitimidade e questionar o poder estabelecido. 
A liturgia do cargo exige muito? Não, somente o adequado comportamento pela exigência do cargo.
Há dois presidentes atualmente, presidentes que necessitam conhecer ou ao menos compreender a liturgia do cargo. Um, de cabelos claros ou descoloridos, magnata bilionário, racista, desumano com o povo miserável. Por aqui, um capitão do exército não muito diferente do seu colega americano. E a liturgia?