O Farroupilha
LUIZ CARLOS RUSCHEL GOMES
Chove... chove chuva

Dias desses. Mais exatamente, uns dias da semana passada. Acordo. Levanto da cama. Antes de tudo preciso ter a certeza de que a chuva cessou. Há dias ela está se tornando intolerável. Dias pachorrentos, nublados, sem qualquer luminosidade. Aproximo-me da janela. Nada é diferente de outros dias. Prossegue a chuva intermitente. Cessa, retorna, num vai e vem enfadonho. Continua chovendo. Iludi-me, me enganei aguardando um dia de sol. Chove e como chove. Na vidraça, componente da janela. onde tenho perfeita visibilidade pequenas gotas se formam. Escorrem, se arrastam lenta e delicadamente, deslizam preguiçosamente pelo vidro até a parte inferior da janela onde desfazem-se graciosamente, num silencioso espocar, inconfundível sinal de uma chuva fraca e persistente. Apesar da incomodativa chuvinha aquelas gotículas  proporcionam momentos de observação indelével, a visão romanesca de sentimental devaneio, de intenso prazer. Observo extasiado o sonhador fenômeno. No vai e vem da chuva,  agora chove a cântaros. Chove intensamente. Não há possibilidade na formação das encantadoras gotinhas. Acontecem, isso sim fortes respingos. Chegam formar certo ruído no encontro diante da substância sólida e transparente da vidraça. Assim perde-se todo o deleite em observar aquelas gotinhas. Chove...chove chuva. Mau tempo maçante, importuno e inconveniente durante uma semana, exatos sete dias chuva. Compreende-se chuva é da natureza, é necessário assim entender, mas não precisa ser em tão grande quantidade. Sabe-se que se trata de um fenômeno meteorológico indispensável ao meio ambiente, ao processo ecológico.
Aprendemos que é um processo que consiste nas precipitações causadas pelo encontro de uma frente fria e seca com outra quente e úmida. Há chuvas de convecções ou convectivas, as conhecidas chuvas de verão. Outra nomenclatura são as chuvas que tem tudo a ver com a região serrana, chuvas orográficas chamadas também de chuvas da serra ou ainda mais didaticamente, chuvas de relevo que ocorrem quando ventos úmidos se elevam e se resfriam pelo encontro de uma barreira montanhosa. É chuva é incomodativa por ser persistente é a qual dificilmente as pessoas se habituam ressalvando-se aquelas que têm infinita tolerância.
Chuva é isso tudo pelo conhecimento científico que para muitos, no caso, pode ser desnecessário, a chamada cultura inútil. Porém para determinadas pessoas, assim sonhadoras, sensíveis ao romantismo a chuva é poesia. Para outras é aconchegante, terapêutica, quando se tem oportunidade de ouvir os pingos em telhado de zinco. Tem gente que gosta do banho de chuva. Correr pelas corredeiras formadas, água escorrendo ladeira abaixo, esvaindo-se pelo declive sem se saber qual o seu destino. Chuva. Pessoas caminham, percorrem distâncias a pé e a necessidade de carregar e utilizar o inseparável, protetor e incomodo guarda-chuva. Os menos favorecidos, os distraídos, esquecidos e desavisados enfrentam a intempérie, naturalmente, sem qualquer proteção. Chove. Não sei o quanto é poética a chuva, com sete dias de chuva. É poesia desagradável. Dois ou três dias de chuva pode dar  incentivo para a arte compor e escrever versos.
Desculpe-me a chuva, mas sou mais o cintilante, brilhantismo, do radioso  sol.     
 

De tudo...um pouco

Domingo desses pela manhã dirijo-me a Porto Alegre pela ERS-122. Ando devagar com redobrada atenção, desviando de buraquinhos, buracos, buracões, esses conhecidos também como “crateras”. Passando pela conhecida “curva da morte”, acreditando que após aquele local a estrada esteja em melhores condições. Alívio, menos preocupação, busco a tranquilidade. Ledo engano. Ao aproximar-me do viaduto da estrada para Carlos Barbosa, aconteceu. Encoberto pela água da chuva lá estava uma proeminente abertura no asfalto. Foi ali o ocorrido. Senti o baque na direção, pneu estourado. Encosto na lateral e mais um drama. Não há acostamento, local tem mato, situado num declive, chuvisca, um transtorno a mudança do pneu. 
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Adiante um borracheiro. Indaga se eu estava descendo a serra. Digo que sim. Ele afirma que o fato é costumeiro, e que não pode se queixar; o faturamento aumentou sensivelmente.
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A ERS-122 é uma verdadeira calamidade pública. A antiga praça de pedágio foi demolida, em parte. Sobrou muito entulho, serviço que começou e não terminou, ocasionando mais um contratempo. Bem defronte ao posto da Polícia Rodoviária, sentido Caxias do Sul à Farroupilha, a pista dupla se transforma numa única passagem, resultado: em hora de “pique” uma intensa fila de veículos estendendo-se até o trevo em Forqueta. 
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Quem assiste o futebol europeu com jogos da Liga dos Campeões da UEFA (os quatro jogos recentes foi um show de técnica, tática e emoção) e da Premier League (campeonato inglês), fica completamente decepcionado com os jogos do campeonato brasileiro. Pode se comparar ao futebol varzeano, ou aquelas peladas entre amigos em final de semana ou um rachão entre casados e solteiros.
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No primeiro jogo na Catalunha: Barcelona 3x0 Liverpool, classificação assegurada, acreditava-se. O futebol tem surpresas, coisas surreais. Segundo jogo na terra dos Beatles, Liverpool 4xO. Dois times ingleses farão a final da champions. Liverpool x Tottenham Grêmio ganha do Fluminense ao 21 minutos 3x0. Comentarista da Sportv: “Parece que estou vendo o Barcelona jogar”
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Cenas de terror, perigosas, ameaçadoras. Na cerimônia da assinatura do decreto um bando de puxa-sacos, com o dedo indicador, ao lado do polegar, claramente representação de um revolver demonstravam satisfação. 
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Perguntar não ofende. Afinal o governo está estabelecido no estado de Virginia (terra yankee) ou em Brasília 
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Do notável escritor e filosofo italiano Umberto Eco, mordaz  “Redes sociais dão voz a uma legião de imbecis”
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A família envolvida com a literatura. O irmão Antônio Carlos Ruschel Gomes recentemente lançou o livro “Ruas de Farroupilha”. Mais recente, o primo João Carlos Rossler, autografou “História da Medicina”.
Quanto ao meu necessito de patrocínio. Alô, Alô Alexandre.

Dia do trabalhador: Comemorar o quê?

 Dia 1º Maio, Dia do Trabalho ou do trabalhador, celebrado internacionalmente.  Ano de 1886, data importante em razão de uma manifestação de milhares de trabalhadores na cidade industrial de Chicago, manifestação que transformou-se em greve geral nos Estados Unidos, reivindicando melhores condições de trabalho. A situação agravou-se com um conflito envolvendo policiais e trabalhadores, fim trágico com a morte sete manifestantes. 

Época da Revolução Industrial, pleno desenvolvimento, grandes transformações econômico-sociais, a substituição do trabalho artesanal, trocado pela produção industrial em série, com uso de modernas máquinas. Começo de uma nova era, que oportunizou ao trabalhador em geral transformar-se em operário assalariado, executando tarefas no chamado “chão de fábrica”. Esse movimento de inovação industrial ofereceu emprego, mas de que forma: trabalhadores explorados em suas funções, tarefas árduas de muito sacrifício, submetidos a enorme esforço para conseguirem “o pão nosso de cada dia”.
Na época, leis trabalhistas inexistiam. Homens e mulheres, eram explorados em jornadas de até 16 horas por dia, com enorme desgaste físico, em lugares de alta periculosidade, outros insalubres, ocasionando graves acidentes. A ganância pelo lucro, a produção incessante, nada importava aos patrões, método atroz de trabalho, de maneira desumana, levando trabalhadores, as condições desumanas. Capitalismo desamado, cruel.

O filme “Tempos Modernos” (1936) do genial Charlie Chaplin, na figura de Carlitos, trabalhador de uma potência industrial, procura sobreviver no moderno mundo industrializado, filme cujo roteiro tem fundamentalmente o aspecto irônico, o juízo crítico de costumes, sátira ao comportamento, naquele chamados “tempos modernos”.

Ao início da exibição, nos créditos do filme, uma frase para meditação serviam as tempos modernos da época e serve no atual tempo moderno: “A história do trabalho e o indivíduo, a humanidade em busca da felicidade”. No filme o patrão, em sua ampla sala, despreocupado tenta finalizar o cognitivo e infantil jogo de “quebra cabeça”. Acaba a brincadeira. Toma um comprido.  Passar a ler o jornal, desiste. Olha o relógio, produção baixa, necessidade de aumenta-la. O personagem Carlitos executa adoidado e desesperado sua função. Numas das cenas geniais, uma esteira desfila rapidamente. Aferrado, o protagonista usa uma ferramenta para apertar parafusos. Não consegue. Tudo depressa demais. Envolto sistematicamente no ligeiro e apressado trabalho, distraidamente é engolido pela máquina e jogado para seu interior. Lá dentro, em meio as engrenagens, mecanicamente continua apertando parafusos.

Dia do Trabalho, só pode ser chacota, nada de comemoração. A Taxa 12.7%, significa 13,1 milhões de desempregados no país.  
Nessa infeliz estatística há também os subutilizados, 28,3 milhões (pessoas que trabalham poucas horas mas desejam trabalhar mais)
Outro tipo de coitados seres humanos, os desalentados Também para esses não há motivo algum festejar Dia do Trabalhador. São todos aqueles que não tem dinheiro para passagem em busca de trabalho. Desanimam, não há alento, desesperados não tem coragem de agir.

Um dia, um 1º de Maio, desempregados, subutilizados, desalentados, retornam trabalho, motivo de júbilo, plena euforia e verdadeiramente comemorar do Dia do Trabalhador.
Quando ??? Não há perspectivas.

A Santa Semana

Domingo é o primeiro dia da semana, dia gracioso, do descanso, do relaxamento, do lazer, do gosto de nada fazer, dormir até mais tarde, libertar-se das obrigações, a não ser os católicos com a obrigação de assistir a santa missa.
Domingo, exprimido entre o sábado e a segunda-feira. Sábado pela manhã, bem cedinho tem a satisfação de saber que o dia seguinte é o domingo. Que felicidade. 
Fim do domingo. Pensar que no dia seguinte é uma segunda-feira. O começo das obrigações, do cotidiano habitual, a fundamental vivência do dia a dia, esperando domingo.
É o domingo. Início da Semana Santa. Nesse tempo atual, repete-se as cerimônias históricas daquele tempo, tradição religiosa que ocorre durante séculos, geração a geração no meio da comunidade católica, fundamento transmitido de forma oral ou escrita, as duas apregoando a fonte da história divina.
No calendário existe um domingo especial para católicos, o de ramos - celebrado antes do domingo de Páscoa - comemoração da entrada de Jesus em Jerusalém, montado num jumentinho, símbolo da humildade, virtude caracterizada pela simplicidade.
É ovacionado pelo povo. Aplausos para “aquele que vem em nome do Senhor”. Na entrada triunfal em Jerusalém a multidão o recebe. Como verdadeiro ídolo, Jesus é aclamado, com hosanas, brados e folhas de palmeiras estendidas, sacudidas pela emoção, sem ser um presidente, general ou capitão do exército romano.
Domingo de ramos. Não importa. Como acontece em todos os domingos, o dia seguinte é uma segunda-feira, começo da rotina semanal. Na Semana Santa a segunda-feira, para o simples mortal, começo do cotidiano. 
Para os católicos ssegunda-feira santa a contemplação da caminhada de Jesus rumo ao calvário.
Terça-feira, para homo sapiens, obrigações. Para cristãos, um dia em que Jesus anuncia sua morte, transtornos ao fiéis seguidores, seus discípulos. 
Quarto dia da semana, quarta-feira santa, encerra-se o período da Quaresma. 
Quinto dia da Semana Santa, relembra-se a Última Ceia. O ateu lembra que a quinta-feira santa antigamente era dia de feriado.
Sexta-feira Santa, momento em que recorda-se a paixão e morte de Jesus. Aqueles que negam a existência de um ser supremo, degenerados incrédulos lamentam não ter mais semanas santas, com três dias de ócio, de “doce far niente” .
Sábado de aleluia, dia de antecede ressureição de Jesus Cristo. Em alguns regiões o sábado de aleluia é festejado com galhofa. Um boneco de pano pendurado num poste, representado Judas, o traidor, dedo duro. Ele é espancado, quando quase destruído, o fogo o destrói totalmente.
Domingo de Páscoa, último dia da semana santa, comemoração magna do cristianismo, que celebra a vida, o amor, sentimentos perdidos na atualidade.
Observa-se que do domingo até sábado não existe promoção no comércio para consumação. Talvez não tenha nada a vender ou, o respeito à semana santa. 
Domingo de Páscoa, a desforra do comercio: venda dos ovos de Páscoa, tradição milenar. Ovos pintados nas mais variadas cores, atração para a criançada. AH... e o coelhinho não aparece.  Não é rentável, não é comercial.  
 

Apocalipse

Na escritura bíblica do Antigo Testamento está escrito, no livro sagrado do cristianismo, o Apocalipse.
Apocalipse, segundo as diversas traduções na língua portuguesa, torna a significação da palavra dúbia, sendo na interpretação do laico o temeroso e amedrontante fim do mundo. Os leigos têm o raciocínio baseado em narrativas apocalípticas, profecias do inevitável fim da vida terrestre.
Com o fim do mundo a Terra será destruída? Pode ser. Há evidências nas escritura, segundo algumas compreensões que assim acontecerá.
Para os crentes em teorias de conspiração, os adeptos de fantasias, o fim do nosso planeta seria no ano de 2012. Mais recentemente em 2018. Pelas profecias de Nostradamus o mundo há muito tempo já estaria dissipado, a Terra teria desaparecido, quem sabe, enterrada no Buraco Negro.
Nada aconteceu, a Terra majestosa continua girando em torno do sol.
Nesse mundo existe uma civilização egoísta, individualista, mercantilista. Vive-se em ambiente de delírio, paranoia pelos bens materiais. Pessoas que fazem tudo pelo bem material não importando se irão prejudicar outrem. O importante é a conquista pelo dinheiro, obter o indefectível êxito. Ser sempre o primeiro, os demais não interessam. Retrato da incivilidade na sociedade.  
Além desses aspectos humanos concernente a moral, a vida materialista, existem ainda na visibilidade da humanidade as tragédias do cotidiano, a bestialidade pela violência em casa, nas ruas. Fome, desgraça, ameaças de uma guerra nuclear. As atitudes preconceituosas, o racismo. Toda essa fatalidade, o destino programado, não são insinuações, advertências, questionamento, para o fim do mundo?
Além disso o mundo tem enfrentado periclitantes situações. O derretimento das calotas polares aumenta o aquecimento global
Porém, o chefe Donald (não é o pato) da USA, com o intenso frio, neve, temperaturas bem abaixo de zero grau, ocorridas no último inverno, não tem dúvida que o aquecimento mundial é uma balela. Por falar em chefe, o daqui, tem um ministro que falou em “climatismo”, colocando desconfiança nas previsões dos institutos de climatologia e meteorologia.
O cumprimento das profecias pode acontecer. A Natureza é provocada pela desatinada ação do homem. Catástrofes em Mariana e Brumadinho; terremotos; tsunamis; mais recentemente o ciclone em Moçambique, as enchentes no Rio de Janeiro. 
Mas também está na Bíblia: “Deus não vai permitir que os humanos acabem com a vida na Terra por meio da poluição, guerra ou de qualquer outra forma” (Apocalipse 11.18)
Sabemos que o mundo está temeroso pelos desastres provocados pelos impactos ambientais, apesar disso, da ignorância dos humanos, Deus não irá permitir o fim do mundo. Mas como ele vai fazer isso? Está escrito: “Deus irá arruinar todos aqueles que arruínam a Terra”. Deus vai trocar os governos humanos que não conseguem proteger a Terra. Esse governo é celestial, do Reino de Deus. Assim seja.