O Farroupilha
LUIZ CARLOS RUSCHEL GOMES
O deputado

O deputado era um daqueles representantes do povo que falava pouco, abria a boca somente para comer ou bocejar. Conversar pouco, discursar jamais. Quando algum de seus colegas falavam alguma coisa naquele estilo enfadonho de discursos alongados comum a classe política, se aborrecia. O nosso amigo deputado chegava ao plenário da Câmara sonolento, mostrando o jeito pachorrento, com o seu andar preguiçoso. Não se sabe se prestava atenção nas mensagens orais, prolongadas e fantasiosamente solene de seus colegas. Nas decisões por votação, o nobre parlamentar não estava nem aí, de fato não prestava atenção para nada. Não era necessária sua percepção, afinal votaria conforme determinação do líder da bancada. Fácil não é mesmo, porque queimar neurônios?Obrigação cumprida sem esforço mental. Sessão encerrada, mais um dia ganho com dinheiro público, contribuição obrigatória do povo.

Fechou seu laptop, não se sabe a necessidade dele aberto, provavelmente para enganar as câmeras da TV Câmara. No primeiro ano de mandato todo mundo procurava entender seu procedimento. Seus colegas, os mais experientes, de inúmeras legislaturas, tinham a observação simplista: “ele é novo aqui”, justificando o seu excêntrico silêncio. Na verdade os colegas mais antigos admiravam o procedimento do mais novo, sua quietude parlamentar. Um a menos para ocupar a tribuna no espaço do pequeno expediente, quando a maioria dos discursos dos parlamentares - aqueles desconhecidos do conhecido “centrão”- que não interessam a ninguém, a não ser sua base eleitoral, elogiando seus cabos eleitorais enviando fotos, gravações, demonstrações de falso trabalho. No ano seguinte o silêncio do deputado persistia e a grande maioria já conhecia o seu jeito de ser. Assim seja.

Passou o  segundo ano legislativo. O deputado em questão mantinha seu jeito de ser. Terceiro período na Câmara. Em sua base eleitoral falava pouco, afinal na conversa se ganha voto. Vez por outra, colegas faziam troça dele, chacota, piadas, hilariantes situações, para provocá-lo mas ele somente ria. 

O controvertido parlamentar, em seu mandato, depois de ouvir milhares de vezes, vossa excelência, data vênia, colenda casa, urge que, urgência urgentíssima, um aparte nobre colega.  Num dia de sessão ordinária a grande surpresa. O silencioso deputado repentinamente levantou-se da confortável cadeira de couro, em plena discussão, soqueou a mesa com força provocando um barulho como se fosse um estrondo chamando atenção de todas vossas excelências e pediu a palavra, para outra vossa excelência, o presidente da Casa. Até o orador do momento silenciou-se. Todos silenciaram. 

Em meio a esse ambiente, a única coisa ouvida era o fraco ruído dos microfones. Os parlamentares ansiosos aguardavam o esperado momento. O silencioso deputado pronunciou meia dúzia de palavras e então descobriram a razão do silêncio: o deputado tinha o distúrbio da fluência da fala, gagueira.

Pátria amada!!!

O Hino Nacional é uma conclamação importante em qualquer solenidade - até mesmo antes de uma partida de futebol, não tão solene assim -. Trata-se de uma concitação, um brado, mais do que isso, uma incitação, em época de um povo descrente em tudo e em todos, a pasmaceira diante de um estado de coisas, numa combinação desafiadora e complicada. Talvez, tudo isso, seja a resposta para a falta de patriotismo, de estímulo,  disposição afetiva do brasileiro, desiludido com a incompetência governamental, a imperícia da classe dirigente, a baderna financeira, o caos econômico, impunidade para mais corruptos, a injustiça social. Poucos brasileiros acreditam em promissoras possibilidades futuras em meio a desarvorada situação no contexto nacional. Há um quadro insuportável de violação aos direitos fundamentais do cidadão: saúde, educação, segurança. Embaraçada economia sem propostas positivas (talvez o aumento de impostos), que proporciona desemprego para milhões de pessoas.

Existem crentes, de pensamento moderador, para os quais a situação não é tão ruim assim. Os ciosos, que tem o raciocínio conservador, afirmam que tudo vai bem. Os dois grupos argumentam, que a suposta precariedade nada tem a ver com a sensibilidade do amor à Pátria. O sentimento de frustação e decepção origina-se nos atos despropositados e ineficazes, motivados pela ingerência de incompetentes políticos. A reação de cada brasileiro, inclusive aquele inserido no sistema de estratificação social, abaixo da linha da pobreza, à margem da sociedade, excluído do convívio social, ser humano tratado como desigual não quer saber de patriotada. Gente de passado desconhecido, de presente incerto, futuro... quem sabe. Essa pessoas tem a reação compreensível de repúdio à Pátria, na verdade, pensando bem, elas não tem compreensão de patriotismo, desconhecem esse aspecto. Paradoxalmente, melhor não saber da Pátria ingrata e megera. Não se pode desvincular uma realidade de completa mazela no país, algo profundamente ruim com a Pátria Amada. 

Afinal o que é Pátria. Simplesmente o país onde se nasce, torrão natal. Podemos dizer que se trata de uma instituição abstrata, alegórica, contemplativa e por ser assim adjetivada, surge como pleno sentimento de amor. A Pátria, também etérea e sublime, lamentavelmente no contexto confunde-se com a canalhice dos políticos. 
Como pensar e desejar amor à Pátria quando se trata de uma nação representando segmentos de uma sociedade sem princípio do igualitarismo, comunidades de pensamento individualizado, de pensamento do “primeiro nós” e de raciocínio “salve-se quem puder”, do poder maior e da ganância dos privilegiados, prevaricação de autoridades.
Patriotismo é o sentimento de orgulho, amor e dedicação à Pátria. Diante desse conceito a famosa frase de Samuel Johnson: “Patriota é o último refúgio dos canalhas”, soa como pejorativa, entendida como ultrajante.

Entenda-se:

o historiador e político inglês, referia-se ao seu partido o Patriota, pela presença cada vez maior de vários oportunistas. 

Em tempo: Essa coluna serviu como tema em outra escrita há 30 anos. Passou o tempo, nada mudou.

Pergunta lá no Posto Ipiranga

Dia 7 de setembro - que bom, feriado nacional !!!... - comemora-se mais um ano da Independência do Brasil. Milhares de brasileiros, multidões, se reúnem em logradouros públicos (avenidas, ruas, praças) para assistirem solenidades cívicas, desfiles militares e estudantis. São quase 200 anos em que o Brasil livrou-se do jugo monarquista português, não mais ficou dependente de Portugal. 

Comemorações pelo Dia da Pátria começaram no século XIX. Houve um período de 10 anos (1831/1840), nos quais comemorações perderam o destaque, devido ao tempo de regência. Com a maioridade do imperador D.Pedro II, a data recuperou a importância histórica.

O desfile militar mais importante do país ocorria no estado do Rio de Janeiro, na avenida Presidente Vargas.

Os americanos adoram o Brasil (inclusive o Trump). Em 7 de setembro de 1947, no palanque oficial, naquela data, o presidente da República Marechal Eurico Gaspar Dutra, assistiu a solenidade, ao seu lado o convidado especial, presidente norte-americano, Harry Truman. Dom Pedro I, com seu vistoso uniforme, resplandecente e engalanado, montado num cavalo portentoso, cercado por sua guarda de honra, conforme o célebre quadro de Pedro Américo – alguns afirmam que trata-se de um plágio de Napoleão Bonaparte-, a beira do Ipiranga, altivo, empunhando sua espada, bradou o histórico grito de liberdade: Independência ou Morte, versão oficial do acontecimento, ensinado nas escolas. Entretanto existem fatos pitorescos e divergentes . Alguns historiadores afirmam que ele não estava montado num alazão e sim numa mula, animal mais condizente como meio de transporte para percorrer o caminho periclitante na Serra do Mar. Sabe-se mais: que Dom Pedro estava com diarreia desde quando partiu da cidade de Santos o que deve ter estragado o seu humor. Esse desconforto lhe deixou incomodado e irritado. A comitiva retornando de Santos foi encontrada por um mensageiro, trazendo mensagem de Dona Leopoldina (esposa de D. Pedro) e José Bonifácio (estadista, conhecido como Patriarca da Independência). O conteúdo da mensagem informava a exigência dos deputados portugueses para que D. Pedro se apresentasse em Portugal, pois ele contrariava os seus interesses. Esse episódio precedeu grave crise na capital Rio de Janeiro. A presença de D.Pedro deveria ser imediata. Oficialmente, D. Pedro foi a Santos por questões políticas, na verdade o príncipe que vivia uma aventura romanesca, de grande repercussão, com a amante Marquesa de Santos, foi visita-la e com a qual ocorrerá m desentendimento. Com tantos acontecimentos cabulosos, D.Pedro ficou ensandecido. Não se sabe exatamente onde ocorreu o “grito”. Há controvérsias. Dizem que não foi à margem do rio, mas numa colina. Pouca gente presente, alguns guardas e moradores da vizinhança 

Para dirimir dúvidas, pergunte lá no Posto Ipiranga. 

Colonização corrupta

Ano da Graça de 1492, descobrimento da América, pelo navegador genovês da Republica de Gênova, Cristóvão Colombo. Abriu a vela de sua caravela ao sabor do vento. Navegou com o intuito de descobrir uma rota alternativa, um caminho mais curto para Índia, para atender os interesses mercantilistas entre a Europa e Oriente. Cristóvão Colombo não conseguiu, perdeu-se no oceano. Se não descobriu um novo caminho para o Oriente, descobriu um enorme continente, de futuro pujante, a grande nação do Ocidente.
Colombo batizou sua descoberta com o nome América em homenagem a Américo Vespúcio.
Colombo desembarcou segurando uma enorme cruz. Os índios reverenciaram os viajantes sem saber quem eram, sem saber porque. O fato concretizado foi de que os invasores mais adiante dizimariam o povo indígena.
Os países considerados latinos (portugueses, espanhóis, italianos e etc.) iniciaram a colonização pela exploração,  riquezas oriundas da natureza, exportando para seus países de origem. 
Em contraste, a América colonizada pelo povo anglo-saxão foi mais progressista, economicamente forte, tinha uma colonização de povoamento, com o desenvolvimento de riquezas para consumo próprio, abastecendo seus habitantes.  Diferença marcante de colonização entre latinos e anglo-saxões. América tornou-se poderosa pela colonização dos britânicos (irlandeses, escoceses e ingleses). 
Ano da Graça de 1500, dia 21 de abril, um suposto descobridor do Brasil foi o navegador português Pedro Alvares Cabral, mas há controvérsia. A história informa que a descoberta do Brasil ocorreu em 26 de janeiro de 1500, data em que o navegador espanhol Vicente Yañes Pinzón aportou no litoral sul de Pernambuco, cabo Santo Agostinho. De qualquer forma, os dois acharam uma terra perdida. Na verdade se acharam não estava perdida. A partir daí o primeiro estorvo, a primeira confusão histórica brasileira. Como Colombo, Cabral também queria descobrir um novo caminho para as Índias. Tal e qual Colombo, Cabral desviou-se da rota, não se sabe se de modo proposital ou casual. Para crentes conservadores Cabral vinha com o intuito de descobrir a terra de Vera Cruz. Os céticos acreditam que foi tudo um caso por obra do acaso. Assim, nós tivemos a segunda barafunda nacional. A primeira, como se sabe, Pinzón como descobridor. Fatos que deixam a historiografia luso-brasileira em dúvida, sem certeza. Afinal quem descobriu o Brasil? O Brasil foi achado?
América, Brasil descobertos. Início da colonização, índios em fase de eliminação. Brasil, colônia de Portugal. Diferenças coloniais. Por aqui não chegou o povo anglo-saxão. Por aqui chegou Dom João VI, escorraçado de sua terra pelos ingleses.  Com ele vieram degradados, banidos portugueses, corja de malfeitores. Exploradores das riquezas brasileiras, todos enviados para Portugal que passava um processo pré-falimentar. O ouro, pedras preciosas eram a volúpia dos colonizadores: começo das artimanhas, de fraudes, embustes, enfim a corrupção. América foi colonizada pelos britânicos, o Brasil poderia ser melhor, mais decente. Holandeses e franceses, por aqui chegaram mas foram expulsos. Tudo começou com Pedro Alvares Cabral e, durante séculos a marca da corrupção. O outro Cabral (o Sérgio) que o diga.

Liturgia

Liturgia tem origem no grego “ leitourgos”, palavra que era usada para fazer menção a alguém que realizava serviço público ou liderava uma solenidade sagrada, obra sempre em benefício do povo. A Igreja assumiu o termo e o aplicou como liturgia no sentido de “serviço divino” ou seja serviço religioso e ritual. Assim, a liturgia é a reunião do conjunto de atos formais e solenes de caráter religioso, um rito de regras especificas especialmente, concernentes aos ofícios divinos das igrejas cristãs. Liturgia é aplicada nas missas ou rituais da igreja católica. A manifestação central da liturgia é a celebração da morte e ressureição de Jesus Cristo e a prestação do culto a Deus. A palavra liturgia foi usada na Antiguidade. Passou a ser utilizada mais tarde no contexto da eucaristia na Igreja grega. Bem mais tarde, o termo passou a fazer parte da igreja católica. Inicialmente a liturgia era da responsabilidade dos apóstolos e bispos, no entanto algumas igrejas criaram sua própria liturgia, isso porque não havia uma regra geral e obrigatória para a mesma. Mais tarde o Concilio Vaticano II implementou uma renovação na liturgia dando maior relevo a Sagrada Escritura, incluindo a utilização de outras línguas e não somente o latim, de forma que mais pessoas pudessem participar de forma mais ativa.
Indispensável para os cristão é a liturgia pelas celebrações que Cristo reúne em assembleia numa ação única. A liturgia deve-se a continuação da lembrança de Cristo.
Religiosamente a explanação, dissertação, conforme ensinamento e informação do portal TV Gazeta/Educação. Então, chegamos aos finalmentes: a liturgia e a política.
O ex-presidente José Sarney, não foi um presidente carismático, envolvente, emblemático e até não fazia parte daquele pequeno bloco de políticos decentes e honestos, mas era um litúrgico. Segundo ele, em discurso, estabeleceu o poder sempre atento com a “liturgia do cargo”. Não parece. Conforme descrição de liturgia um principal segmento é “um serviço público sempre em benefício do povo”. Mais ainda: José Sarney deixou de lado a polidez e a liturgia ao reclamar com palavreado chulo, o resultado das eleições, quando sua família foi fragorosamente derrotada no Maranhão. 
Giorgio Agamben, filosofo italiano, afirma: “O poder necessita de formas litúrgicas para seu exercício em que há estreita imbricação entre o poder e a liturgia que se realiza através dos dispositivos da aclamação, as chamadas democracias de massa”.
A liturgia tem ordem e forma para a governabilidade, é a representação de poder e autenticidade. Estar fora desse contexto significa estar fora da legitimidade e questionar o poder estabelecido. 
A liturgia do cargo exige muito? Não, somente o adequado comportamento pela exigência do cargo.
Há dois presidentes atualmente, presidentes que necessitam conhecer ou ao menos compreender a liturgia do cargo. Um, de cabelos claros ou descoloridos, magnata bilionário, racista, desumano com o povo miserável. Por aqui, um capitão do exército não muito diferente do seu colega americano. E a liturgia? 

Bolsonarista ou Petista

Cumprimentar é o ato de saudar, de fazer uma reverência. Trata-se de um ato de civilidade dirigida a uma pessoa de viva voz ou com um gesto.

De modo oral ou, num gesto, cumprimentar é uma forma de saudação, afetividade e respeito.

Entre vários modos de cumprimentos o mais usual é feito de viva voz: bom dia, boa tarde, boa noite.

Convencionalmente cumprimentos acontecem entre parentes, amigos ou, a quem quer que seja. Ocorre no trabalho, na escola, na rua, em qualquer lugar. É um jeito de demonstrar amizade e sinceridade.

Porém, nem todas as pessoas, uma com a outra, tem intimidade. De repente acontece o encontro com alguém que há muito tempo não se tem visto. Então, necessita-se de uma apresentação informal, aproximando-se com um sorriso, falando com segurança.  Não chegar de modo tímido, deixando a pessoa inibida, nem de maneira sorrateira, assustando-a. Melhor ainda, que a presença para o desejado cumprimento seja notada. Ainda melhor. Que a pessoa inicialmente faça um contato visual  com firmeza, mas simpaticamente,  demonstrando afetuosidade, a tradicional indagação: “Oi como vai?” Se o interprete é interessante e benquisto, a resposta: “oi”.

O tempo passou. Incerteza entre os dois: quem é ele (a)? De onde vem o conhecimento? Dúvida atroz, situação embaraçosa, aquele silêncio esquisito.

Depois da hesitação, a desinibição. Ele toma a iniciativa: “chamo-me Carlos, você? Passada a surpresa, superada timidez, ela responde: Carmem. O cumprimento, o aperto de mão. Conversa vai, conversa vem, chegam ao finalmente. Foram colegas no banco de escola. Matam a saudade, recordações. Os dois tem algo em comum, a música. Carlos pergunta: “ainda é fã de Citãozinho e Xororo”? Ela diz: “não mais, agora gosto de sertanejo universitário, e você”? Carlos responde: “sou fã da Anita e Ludmila”.  Reminiscências. A despedida, agora com beijinhos.

O mais usual e tradicional cumprimento é o aperto de mão. Gesto cultural, social, relevante que expressa o sentimento de amizade, entre tantos. Não pode ser aquele toque frouxo, sem firmeza, o toque sem graça, mal encostando as mãos, significando insegurança. O aperto de mão deve ser aquele aperto bem apertado, demonstrando segurança, consistência, definindo aconchego, amizade. Não precisa ser exagerado, vigor desnecessário, o chamado “esmagador de ossos”.

Moderninho cumprimento é aquele que há o toque de mãos espalmadas e depois o segundo toque, desta feita com os punhos cerrados. Cumprimento pelo aperto de mão de gaúcho é tradicional e complicado. Tite, campeão da Copa América, merecedor de uma medalha. Quando do recebimento da dita cuja não usou o aperto de mão gauchesco, na verdade nenhum. Presidente da República presente na solenidade de premiação. Faltou o aperto de mão de Tite, deveras esnobou presença ilustre. Alegria de petistas, decepção para bolsonaristas. Bate-boca, discussões agressivas, palavras ásperas entre petistas e bolsonaristas, esses afirmando que Tite é petista, afinal negou um aperto de mão a presidência, mas já foi visto no Itaquerão, sentado animadamente ao lado de Lula. 

Aliás, se Tite não tivesse ganhado a Copa, Brasília faria pressão junto a CBF para despedi-lo. 

Presidentes

Apesar de “mui amigo” do imperador Dom Pedro II, marechal Deodoro da Fonseca surgiu como o primeiro “traíra” da história republicana ao proclamar a República convencido que foi pelos seus colegas marechais. O marechal vacilou devido ao sentimento afetivo a Dom Pedro II. Ele fazia parte do ministério do governo imperial e por isso próximo ao poder. Seu colegas militares o convenceram a proclamar a República, tarefa imposta pelos republicanos. Mesmo não sendo um fanático republicano tinha uma missão a cumprir e cumpriu a contragosto: traiu o imperador com um golpe militar. “Quando outros valores mais alto se levantam”, se faz necessário para atender o desejo dos militares e a vontade dos ricos produtores agrícolas, os barões do café, riqueza maior na época. Há ainda irrelevantes e prosaicos motivos que contribuíram para a proclamação: a ex-namorada de Deodoro passou a namorar outro alguém do governo imperial e sua insatisfação por não ter seu salário reajustado em 20 anos.

Com o poder dos militares e cafeicultores ficou estabelecido o novo sistema de governo em que o Estado se constitui de modo atender o interesse geral. Não houve alternativa para Deodoro, desembainhou a espada e a República  proclamada. O império acabou, Dom Pedro exilado, Deodoro presidente.

Diz o ditado: quem com ferro fere com ferro será ferido. Deodoro deu o segundo golpe, fechou o poder legislativo, decretou estado de sítio. Os colegas militares não gostaram. Outro golpe. Militar para militar. Com a tomada do poder assume o governo marechal Floriano Peixoto que ficou conhecido como o marechal de ferro, pela violência de seu governo desastroso e afirmava que sua espada era maior de todos. 
Em determinado momento um nome para uma cidade. Numa inusitada disputa dois nomes se apresentaram Deodoro e Peixoto. Cada um desejava ser imortal com a designação de seu nome para cidade. Levou a melhor Floriano Peixoto e surgiu Florianópolis.

O terceiro presidente foi um civil, Prudente de Moraes, cujo nome, o primeiro, serviu de gracejos. Ele fez um governo de muita prudência.
O presidente Campos Sales era tão vaidoso quanto um pavão. Não se aproximava de pobre, uma heresia tocá-lo. 
Rodrigues Alves presidente, teve como prioridade acabar, exterminar através de um processo de irradicação aos mafagatos. 
Afonso Pena presidente, governou o país pelo assistencialismo. Ele tinha “pena” dos pobres.
Nilo Peçanha vice-presidente, assumiu como presidente com a morte de Afonso Pena. Dizem que falava muito.
Hermes da Fonseca presidente, sobrinho de Deodoro da Fonseca. Nepotismo !!!
Venceslau Brás, presidente que teve que lutar contra 3G: Gripe, greve e guerra.
Delfim Moreira foi presidente por ocasião. Substituiu Rodrigues que faleceu antes de tomar posse.
Epitácio Pessoa, 11º presidente, enfrentou a baderna, motivada por diversas greves.
Artur Bernardes 12º presidente, governo autoritário, odiado pela populaçãoWashington Luis, 13º presidente do Brasil, 1º dos Estados Unidos, eleito por aqui, acreditou está ainda governando seus conterrâneos americanos.Júlio Prestes, não assumiu. A revolução de 1930.
Getúlio Vargas, 20 anos de governo (15 pela ditadura,  5 pelo voto. Nasceu fraco. Sua mãe prometeu que se ele ficasse curado entraria num convento.
Segue a vida, a fila andando. 
O 38º presidente do Brasil é o capitão Bolsonaro. Sem comentários.    
 

Faz 50 anos

Sim, faz 50 anos. Em Nova York, num bairro de nome Village, surge o primeiro movimento da causa gay. Homossexuais reuniam-se num bar de nome Stonewaall Inn para divertirem-se, conversas, troca de ideias, enfim amigável encontro. Para a sociedade conservadora tratava-se de gente esquisita, de hábitos estranhos, inadequados, atentado moral à tradicional família. 
Para combater essa execração social a necessária a ação dos agentes da lei.  Intolerantes e preconceituosos, numa ação vigilante faziam represálias, agiam com violência contra comunidade gay. Quase todas as noites a ação policial acontecia. Agressividade desproporcional contra um grupo que nada tinha de violência. A fúria policialesca atacava jovens em festa. As agentes de forma ilegal, não respeitando direitos humanos, não considerando a plena liberdade, com força descomunal, numa de suas ações encurralavam as pessoas num beco sem saída, bloqueando qualquer escape, não oportunizando a mínima defesa.
Numa madrugada de sábado do ano de 1969, aconteceu. Não tolerando tanta pressão, pelos maus tratos recebidos, aquelas incompreendidas pessoas buscaram a desforra. Irascíveis e destemidos organizaram uma reação que provocou muita confusão, intensos distúrbios. Insurretos contra a autoridade civil, revoltados pela ação policial de forma estratégica e surpreendente, a comunidade gay, da mesma forma encurralou a polícia, surgindo daí um intenso conflito, briga que abriu a cortina da hipocrisia, os armários não sendo mais usados como esconderijo, um refúgio daquelas pessoas desprezadas, socialmente, que querem simplesmente ser como são. Um grito de liberdade em seus costumes, em seus hábitos, um evento histórico que mudaria a vida de milhões de pessoas. A partir dessa histórica rebeldia diversos movimentos surgiram defendendo os direitos, os interesses, com a dimensão cultural e política de uma organização como o LGBT. O histórico acontecimento do bar foi o início de uma luta que prossegue em razão da rejeição irreprimível, aversão repugnante, incompreensão, preconceito, adjetivos que significam homofobia, vergonha praticada por governantes e fundamentalistas neopentecostais. 
** ***
Sim, faz 50 anos. Em 1969 o homem   conquistou o espaço, pisou na lua. Naquela época desenvolvia-se a “Guerra Fria”, um confronto que envolvia todos avanços na economia, na tecnologia como a corrida espacial. A competição reunia as duas potências EE.UU e URRS em saber qual a nação mais poderosa. Em meados dos anos 50 a supremacia, o domínio espacial era dos russos. Lançaram satélites, um astronauta passeou no espaço.  Os americanos ficaram para trás mas superaram-se, deixaram os russos para trás, quando o primeiro humano pisou na lua. Mas o que significou essa proeza na atualidade, motivo para reflexão. A lua foi visitada pela última vez em 1972, são 47 anos passados. O que representa hoje aquela conquista, um capricho para saber quem é mais poderoso, americanos ou russos
A lua lá está sossegada, solitária, sem a visita de estranhos, de seres humanos simplesmente curiosos.
A lua está ligada ao romantismo, ela é dos namorados, diz a música: “Todos eles estão errados, a lua é dos namorados; lua, oh lua; querem te passar para trás;
Lua, oh lua; querem lhe roupar a paz; lua que no céu flutua, lua que nos da luar; não deixa ninguém te pisar’
 

Canis familiares

Já ouvi falar em “Canis familiares”. Tenho impressão, uma pista, “canis” é análogo a canino. Canino é dente pontiagudo, relativo aos canídeos, animais mamíferos como os cachorros. A narrativa nessa coluna relaciona-se aos Canis familiares (homenageando alguém), e em razão de um completo texto, preciso saber do que se trata Canis familiares. Para o leigo, meu caso, há necessidade de conhecer o significado da expressão, portanto pesquisar. Busco conhecimento, a informação, junto ao portal Brasil Escola. Lá está escrito,  que o cão tem o nome cientifico de Canis lúpus familiares, no Brasil chamado popularmente de cachorro. Trata-se de um mamífero carnívoro da família dos canídeos, subespécie do lobo.

Pois bem. Na próxima vez, na necessidade de consulta junto ao veterinário, sofisticadamente e marrento direi: veja o que tem o meu Canis familiares. Na verdade um vira-lata de nome Tilico. 
Como eu, muita gente gosta dos animais, especialmente cachorros. Já tive muitos, todos recebidos como doação, vira-latas ou rafeiros, denominação dada aos cães sem raça definida.

Houve exceções. Ganhei certa ocasião uma pastora belga, com uma bonita e viçosa pelagem (um casal morava em casa, separou-se, foi morar em apartamento), assim ganhei a Mel. Terreno da minha residência não era confortável, tive que dá-la para viver num sítio. De outra feita comprei um pastor alemão (não puro), preço módico. Filhote, ganhou o nome de Bugus, bom companheiro. Adulto tornou-se neurastênico, ameaça para minhas crianças. Fiz uma nova doação. 
Lembro-me de alguns dos meus SRD. Lembranças do Praga, cão de porte médio, pelo escuro. Só pelo nome imagina-se as artimanhas que aprontava. Irritava-se e irritava a todos. Até o papagaio do vizinho, que vivia em cima do muro aborrecia-se com ele. A grande proeza do Praga era algum dia pegar aquele bicho da família dos psitacídeos e trucidá-lo. Felizmente, ele não conseguiu. Um dia o Praga desapareceu, não soube o destino dele. Lamentações foram poucas. Praga era mesmo uma praga. 
Outras lembranças. Parafuso, tipo assim um linguiça, descaradamente, seguia as pessoas pelas ruas, incomodando-as. O Scooby, era o Canis familiares mais travesso de todos. Colocadas em sofás na garagem, mantas e almofadas foram destruídas. Na minha horta as mudas recém plantadas eram arrancadas pelo “querido” animalzinho.
O meu Canis atualmente, de meio porte é o Tilico de uma pelagem dourada, bonita e bem vasta. Animal amistoso, companheiro inseparável da minha netinha, estimado por muitas pessoas. Muita gente não sabe onde moro, mas a moradia do Tilico todos conhecem. Vida humana, vida animal. Os Canis familiares só faltam falar.
*** ***
Joana lembranças. Esse texto envolve uma homenagem para você. Escrevendo sobre os cachorros reporto-me a todos os animais, os quais muito estimavas, neles veremos que a vida segue, embora, para você tenha sido muito breve.
Vamos perpetuar Joana, manter sua lembrança, com uma atitude altruísta, participando da Campanha Joaninha, doando ração para os bichos. Esta era sua vontade. Joana agradecerá.
                                      
Referências:
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Greta

Início da década dos anos 70. Começo de um período em que o desmatamento, os procedimentos devassos, abusos e desmandos, os crimes contra o meio ambiente, mostravam ser o início de um continuo sacrifício, imposto à uma entidade sagrada como a Natureza. Ambientalistas e ecologistas, previam e preocupavam-se com uma  futura devastação, a ruina de todos aqueles conjuntos do mundo natural. No presente, assustadoramente o pensamento profético dos defensores do meio ambiente na época, pode encaminhar a um desafortunado futuro, o infortúnio na sobrevivência de diversas espécies.

A preocupação com um futuro estado de coisas destruidor reuniu em 1972 cientistas e demais interessados e eles determinaram que a cada ano, no dia 5 de junho, fosse comemorado o Dia Mundial do Meio Ambiente, data marcante para que, ao menos uma vez por ano, a comunidade mundial se mobilizasse em defesa do planeta, marco inicial para que governos, organizações, iniciassem prevenções, com o olhar no  futuro. Agir, fazer funcionar um explicito programa de preservação, a defesa ao mundo em que vivemos, ter o objetivo essencial de proteção ao meio ambiente. Estimular governos de cada país quanto ao perigo da negligência, revitalizar a fiscalização, ter os cuidados necessários para o bom viver. Alertar a população para estar atenta, evitar os malefícios ao mundo em que habitamos. A partir daquela data foi despertada a atenção com o latente perigo, sem exagero, o fim dos tempos. Tragédias naturais ocorrem amiúde, eventos físicos destruidores (terremotos, enchentes, calor e frio em demasia), poluição em grandes áreas de centros urbanos (fabricas e veículos motorizados) é um impacto destruidor, desastrosa causa ao meio ambiente.

No Brasil, essas ameaças são constantes. O governo atual efetua um retrocesso ambiental. Começa no setor funcional com uma “limpa” no Ibama e ICMbio, instituições marcadas por excelentes fiscalizações. Para organizações ambientais é o início do desmonte nas políticas públicas. Desmatamento, ocupação de áreas indígenas e outros diversos crimes ambientais. Não importa o meio ambiente, importante é o agronegócio. Prejudicada a humanidade, fadada a viver num país destruído.

O descalabro de governos, com políticas protecionistas ao agronegócio, colaboram para o encaminhamento ao estado de decadência, do planeta Terra.

Surge como verdadeira esperança, uma ativista, destemida defensora do meio ambiente. Trata-se da menina sueca de nome Greta Thunberg, 16 anos. Enquanto adultos deixam a “coisa pra lá”, ela iniciou um movimento protestante, reivindicando ações que minimizem mudanças climáticas de origem antrópica, utilizando, principalmente, as redes sociais, engajando jovens em defesa do meio ambiente. Milhares de adolescentes em 112 países, um pouco mais de 1.700 cidades faltaram às aulas para protestarem. Essa mobilização, com uma greve escolar foi ideia da jovem Greta. Tratava-se do ápice, o topo,  de um movimento solitário que conquistou adolescentes de todo o mundo, exemplo de alguém e de muitos outros jovens na preservação do mundo, defesa do meio ambiente.