O Farroupilha
ALEXANDRE BROILO
Os muros da ignorância

Desde as cidades muralhadas do medievo, passando pelos modernos condomínios fechados, até as muralhas construídas nas fronteiras entre países, os muros revelam o quão involuídos estamos, e o quão incapazes somos de construir uma sociedade plural de convívio fraterno, livre e igualitário.

Desde antanho, estamos criamos um mundo marcado pelo desrespeito e a má distribuição dos recursos, categorizado pelo poder econômico e dividido por classes, uns com muito, outros com nada, onde se celebra as diferenças como fruto do mérito. Desenvolvemos um sistema econômico voraz, extremamente competitivo e minimamente cooperativo, que alimenta os egos doentios de governos e parcelas significativas da sociedade. Ao invés de combater a desigualdade, pelo contrário, estamos criando uma sociedade que fomenta a relação de poder entre opressores e oprimidos, que separa as pessoas, e se move pela gananciosa pretensão de ter e se sentir mais e melhor que os outros. 
O Muro de Berlim, que além de dividir a cidade de Berlim ao meio, simbolizou a divisão do mundo em dois blocos: República Federal da Alemanha (RFA), que era constituído pelos países capitalistas encabeçados pelos Estados Unidos; e a República Democrática Alemã (RDA), resistiu por trinta anos e ficou mundialmente conhecido como o muro da vergonha.
O muro fronteiriço Estados Unidos–México é uma série de muros e cercas ao longo da fronteira entre os dois países. Ganhou grande destaque na última eleição presidencial dos Estados Unidos, na qual o candidato Donald Trump o transformou em uma das principais plataformas de campanha. Trump defendeu o fortalecimento das barreiras com o país ao sul para diminuir o volume de imigrantes que por ali trafegam.
O Muro da Cisjordânia que está sendo construído pelo Estado de Israel, passando em torno e por dentro dos Territórios Palestinos Ocupado, (Cisjordânia e Jerusalém Oriental). É chamado de “Cerca de Separação” ou “Cerca de Segurança”, pelo governo israelense. Enquanto os palestinos geralmente se referem à barreira como Muro de Segregação Racial, e alguns oponentes como Muro do Apartheid.
Na Itália, se estuda a construção de um muro na fronteira com Eslovênia. A hipótese está sendo estudada com o Ministério do Interior que é chefiado pelo vice-premier Matteo Salvini, do partido ultranacionalista Liga, e o governador da região de Friuli Venezia Giulia, Massimiliano Fedriga.

Por aqui, nossos políticos constroem muros ainda mais vergonhosos dos que os supracitados. Constroem muros que impedem o desenvolvimento do cidadão, muros que separam a dignidade e o homem. Muros que impedem que a verdade transpareça e a injustiça prevaleça. Uma muralha que impede a visão de um horizonte promissor e ameaça a nação ficar presa numa redoma de subdesenvolvimento, individualismo, ódio e ignorância.

Os muros podem ser físicos ou mentais, não importa sua forma, eles sempre foram ineficazes para o desenvolvimento da humanidade, pois, ao contrário das pontes que unem, eles nos separam. 

A ética por Macau

Macau é o apelido de um farroupilhense que aprecio muito, e que me faz lembrar o personagem do livro de pensamentos de Friedrich Nietzsche: O caminhante e sua sombra. Ele é músico, compositor, um artista e ser humano sensível. Por segunda vez, me empresta sua poesia para compor essa coluna; a letra de uma de suas obras musicais, Ética. Bebam da sabedoria de Macau - Ronaldo Krindges:
Ética

“Conta, pra todo mundo o absurdo de se acomodar.
Talvez, todo o respeito se concentre em ti.
Corre, aquele risco expondo tudo que te faz andar.
Calma, agora o sonho precisa de ti.

Eu quero voltar, ao velho mundo onde eu te conheci,
E acreditar no olho que ainda brilha, e nunca fugir.

Reze, pra cada velho te entregar o mapa do saber,
Mesmo, que o medo dele seja o fogo que te faz viver.
Veste, tua carapuça incorporando a fama de chacal,
Mesmo, que seja a arte que te faz feliz.

Ouço, o ponto de vista incompatível com o ponto de vista,
Expondo a ética, e um pessimismo fora do comum.
Saiba, evoluir não custa nada, deixe acontecer.
Beba, o nosso clube não está nem aí. ”
De qual fonte estamos bebendo? Da fonte da sabedoria ou da fonte da ignorância? Que propósitos ocupam o nosso ser, o dinheiro a qualquer custo, ou o respeito as diferenças, meio ambiente e o bem-estar social de todos? Estamos sóbrios ou embriagados, lúcidos ou entorpecidos? O Brasil se esvai, a contaminação, em todos os sentidos, polui a nossa existência, de forma alarmante, como jamais visto. O velho mundo está chocado com o que está acontecendo por aqui.

A população brasileira nunca antes esteve tão empobrecida e tão dividida, esquecemos que a união faz a força. Os despudorados parlamentares, riem e se regozijam, alheios, eles estão alcançando os seus objetivos e acabando com a dignidade do povo brasileiro. Difundem armas, desmatamento, veneno, ignorância, segregação, corrupção e baixaria. Usam o santo nome de Deus em vão. Ao invés de elixir da vida estão nos propondo que bebamos, e nos embriaguemos, com esse fel de mentiras e destruição. No mínimo, queremos Ética.
 

Conclomo, Canclomo, Conclua

A dúvida nunca esteve tão latente como agora, alguns dizem que estamos vivendo na era dos absurdos, outros afirmam que é um reality show bizarro, o maior jornal da Europa, Le Monde, diz que estamos a um passo de criarmos num novo regime, a idiocracia. O golpe, que para alguns parecia ser oriundo das mais estapafúrdias ideias da teoria da conspiração e fruto da ciência e ficção da esquerda, está dando sinais de que foi real e muito bem planejado. Há muita divergência para a denominação mais adequada para o que está acontecendo no Brasil, entretanto, há um consenso, nunca na nossa história estivemos tão mal representados como agora. 

Mudar de ideia e “voltar atrás” já virou padrão no governo Bolsonaro quando uma medida é anunciada. Muito comumente, por serem consideradas precipitadas e até mesmo absurdas, as medidas tomadas geram polêmica, então, o governo diz que não será bem assim e logo muda de ideia. O mando e desmando, revela todo o despreparo político do grupo que comanda o Brasil atualmente. Esse comportamento volúvel, agregado aos escândalos fraudulentos relacionados ao corpo de governo escolhido pelo Presidente, não apenas desqualificam e colocam em cheque o governo, como, também, é muito grave para a Nação.

A baixa aprovação do Bolsonaro, a pior da história Brasileira, superando os índices de reprovação dos governos Collor, FHC, Lula e Dilma, também é internacional. A atuação do presidente brasileiro tem causado estado de alerta para a maioria das nações desenvolvidas, o descrédito aumenta vertiginosamente.

A primeira apresentação internacional do presidente eleito, o desastroso discurso na abertura do Fórum Econômico Mundial em Davos, alarmou o mundo inteiro com o futuro do Brasil e o impacto global do porvir governo do austero e apedeuta Bolsonaro. Após os 100 dias de Bolsonaro, a mídia internacional faz o balanço do governo: medo, decepção, guerra à Venezuela e desemprego. Os fatos estão aí para todos nós vermos, escândalos, despautérios, propostas de reformas lesivas e inconsistentes, guerra ao meio ambiente, queixas e nenhum planejamento. O mundo todo questiona a intelectualidade de Bolsonaro.

O estilo polêmico do presidente e sua dificuldade em articular uma coalizão política devem manter a instabilidade que marcou o início do mandato. Sua “incapacidade para organizar e presidir uma coalizão estável de governo” e “a predileção por comportamentos espetaculosos”, são semelhantes à de Collor, que sofreu impeachment em 1992, alertam e avaliam os principais analistas políticos nacionais e internacionais. Instabilidade social, econômica e política são as consequências. 

Se não bastasse, o seu “imaculado” Ministro da Justiça é suspeito de ser protagonista do maior escândalo jurídico da história da Republica. O país está à mercê de um avassalador tsunami de escândalos que está chegando. Conclamo que concluas.
 

Arme-se

Há três espécies de cérebros: uns entendem por si próprios; os outros discernem o que os primeiros entendem; e os terceiros não entendem nem por si próprios nem pelos outros; os primeiros são excelentíssimos; os segundos excelentes; e os terceiros totalmente inúteis.  Maquiavel
Pelo desempenho que o atual presidente vem demonstrando em todos os seus atos, seja nos seus discursos monossilábicos, suas reuniões internacionais mudas, suas decisões e seus decretos contraproducentes, podemos facilmente classifica-lo, como diria Maquiavel, portador de um cérebro de terceira categoria.
Sinceramente, numa nação moralmente sucateada, intelectualmente empobrecida, emocionalmente desequilibrada, onde a miséria e a soberba se namoram, o estresse e o ódio florescem, acreditar que as armas oferecerão segurança é o mesmo que tentar apagar fogo com gasolina, é torna-la ainda mais selvagem e letal.
Em 2017, quando Bolsonaro já se apresentava como candidato à Presidência, ele esteve em um stand da Taurus durante uma feira de produtos de segurança e disse que o Fuzil T4 seria liberado para alguns grupos.
Se eu chegar lá, você, cidadão de bem, vai ter num primeiro momento isto aqui em casa (e aparece segurando uma pistola). E você, produtor rural, no que depender de mim, vai ter isto aqui também (e aparece segurando um fuzil T4). Cartão de visita para invasor tem que ser cartucho grande mesmo, com excludente de ilicitude, obviamente.
No dia 7 de maio, o Presidente Jair Bolsonaro assina o decreto 9.785 que prevê um aumento de até quatro vezes o valor do poder de fogo de armas que podem ser adquiridas por civis. Até antes da assinatura do decreto, os brasileiros só podiam comprar armas com energia cinética até 407 joules. Isso se refere a revólveres, de calibres 32 e 38, e pistolas de calibre 380. O decreto sobe o limite para o uso de armas com 1.620 joules, ou seja, quatro vezes mais do que é estabelecido atualmente.
O Fuzil T4, fabricado no Brasil, de calibre 5.56, tem força cinética de 1.320 joules. Com isso, passam a ser permitidas a venda ao cidadão comum de pistolas de calibre ponto 40, antes autorizadas apenas para forças policiais; as pistolas nove milímetros (de uso de policiais federais) e de calibre 45 (empregado pelos militares do Exército).
No Reino Unido, no Japão, na França, as armas de fogo são proibidas, nos países escandinavos elas são de uso restrito. Quanto mais igualitário e mais civilizado o país, menos uso de arma de fogo. Os cidadãos de bem se formam com políticas civilizatórias, com políticos capazes, honestos e amorosos. Temos necessidade, sim, de armar-nos com educação, inclusão, respeito, trabalho, esporte, desenvolvimento, economia sustentável e meio ambiente protegido. Armar-nos de vida não de morte.
 

Deves Saber

É mais fácil conquistar uma pessoa mentindo para ela, do que lhe dizendo a verdade. Assim, rege a cartilha dos políticos de carreira, os verdadeiros autores da nefasta politicagem brasileira.

Para enfrentarmos as penosas consequências das senis decisões tomadas pelos políticos brasileiros, de todas as esferas, e enfrentar as duras circunstancias da vida, sugiro a leitura do texto do meu amigo, o ilustre poeta e escritor espanhol, Xosé Carlos Carneiro, que incita uma reflexão àquilo que devemos saber.

Se tens interesse na verdadeira sabedoria, essa que só podes aprender na selva da vida, deves conhecer princípios elementares que gozam de escasso afeto nesse tempo convulso, amargo e feroz que sobrevivemos. 

Saber que a aventura não depende daquilo que tens, senão daquilo que precisas. Que existem homens e mulheres capazes de transformar o presente: porque iluminam a sua vida quando te olham. (se estás a procura destes seres imprescindíveis, e não os encontra, tenta olhar para dentro de ti só para tirar esse muro ou máscara que te oculta; crê-me, em ocasiões somos nós os que não sabemos ver: porque nos falta coragem, porque temos medo de reconhecer como somos, porque vestimos o ano todo uma fantasia de carnaval... e não a tiramos. 

Deves saber que importa mais a viagem que a meta. Saber que a infelicidade e o absurdo são dois filhos da mesma terra. Que não há chuva que dure para sempre. Que não há mal que dure mil anos. 

Deves saber que existem caricias que valem por mais que mil loterias. Que se passas a vida semeando ódio, calunias, rancores e tristeza, a felicidade nunca parará no seu jardim: e nele não crescerá nenhuma flor com o perfume do sorriso.

Deves saber que subir até o cume tem riscos: lá faz muito frio. Deves saber que o amor da tua vida é sempre o último: o ser mais perfeito é aquele que amas verdadeiramente. Deves saber que tens valor, serves, e és importante para muitas pessoas. Abraça-te, anda.
 

O portal das prosperidades

A boa educação e o entendimento correto do significado das palavras nunca estiveram tão deturpados como no momento presente, e o pior, essa má utilização e má compreensão do idioma está sendo feita pelos principais dirigentes da nação, eles confundem o significado das palavras e muito comumente o invertem. O que é bom por ruim e o que é um retrocesso, para eles, é entendido como prosperidade. 
Um governo que se diz novo e anticorrupção mas tem como  chefe da Casa Civil e  braço direito do Presidente Jair Bolsonaro, o ex Deputado Onyx Lorenzoni, um corrupto confesso que admitiu ter recebido R$ 100 mil de caixa 2 da JBS para sua campanha em 2014. E que, simplesmente foi perdoado e teve sua imagem imaculada quando afirmou que sua atitude foi um erro deixa muita margem de incoerência entre o discurso e pratica.
Onyx Lorenzoni é filiado ao DEM, que com base em dados divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE),  e o Movimento de Combate à Corrupção,  é o partido com maior número de parlamentares cassados por corrupção desde 2000. O DEM, com 69 cassações, tem o equivalente a 9,02% de todos os políticos cassados no período de apuração, sendo o campeão. 
É muito difícil recebermos políticas coerentes com o desenvolvimento social ambiental e econômicos de pessoas que são incapazes de entender o significado disso. Está mais do que demonstrado que a reforma da previdência prejudicará os trabalhadores, os mais necessitados e beneficiará os bancos e as elites privilegiadas, mas, segundo o chefe da casa civil, o corrupto confesso e membro do partido mais corrupto do Brasil, a Nova Previdência é um portal das prosperidades.
Não é de agora que as declarações de Onyx deixam claro que o governo Bolsonaro não se importa em manipular ou ignorar dados e estudos quando quer fazer valer seu ponto de vista. Por exemplo, Onyx defende com veemência a ideia de que mais armas equivale a menos morte. Em 2013, quando o Estatuto do Desarmamento fez 10 anos, o Ipea divulgou um estudo que mostra o contrário: os locais que mais se livraram de armas são os que tem as maiores quedas nas taxas de homicídio. A cereja do bolo das argumentações capengas de Onyx foi a comparação entre uma arma de fogo e um liquidificador. Na visão do ministro, os dois artefatos expõem as crianças à risco – mas nem por isso alguém pensou em proibir liquidificador. 
O que esperar de um governo que se diz Cristão mas que frequentemente contraria as leis de Deus, seria o mesmo que esperar água limpa de uma fonte suja.  Ou como diz no livro de Tiago capítulo 3 versículos 11 e 12 da Bíblia sagrada, tão mal interpretada pelo atual governo: 11 Acaso pode sair água doce e água amarga da mesma fonte? 12 Meus irmãos, pode uma figueira produzir azeitonas ou uma videira, figos? Da mesma forma, uma fonte de água salgada não pode produzir água doce.
O Portal das Prosperidades é cortar benefícios dos políticos, acabar com a farra da politicagem brasileira, taxar as grandes fortunas, é defender o desenvolvimento humano e intelectual, e ao contrário de cortar 30% do orçamento das universidades federais e armar a população, é investir em educação de alta qualidade e dignidade para todos.  
 

O êxito

Steve Jobs foi um dos homens mais influentes do Século XX. Notabilizou-se por revolucionar seis indústrias: computadores pessoais, filmes de animação, música, telefones, tablets e publicações digitais. Acumulou uma fortuna de 7 bilhões de Dólares. Faleceu, bilionário, em 5 de outubro de 2011, aos 56 anos de idade, devido a um câncer pancreático. Esse é o seu depoimento:
 Eu alcancei o pináculo do sucesso no mundo dos negócios Nos olhos dos outros, minha vida é o exemplo do sucesso. Porém, além do trabalho, tenho pouca alegria. No final, a riqueza é apenas um fato da vida que eu estou acostumado.
Neste momento, deitado na cama, doente e lembrando toda a minha vida, eu percebo que, todos os reconhecimentos e a riqueza que tive muito orgulho em ter empalideceu e tornou-se insignificantes diante da morte iminente. Na escuridão, eu olho para as luzes verdes e ouço os sons de zumbidos mecânicos das máquinas que me mantêm vivo. Posso sentir o fim da vida se aproximando…
Agora eu sei, quando nós acumulamos riqueza suficiente para o nosso sustento, devemos buscar outras questões que não estão relacionados com a riqueza…
Deve ter algo que é mais importante:
Talvez relacionamentos, talvez a arte, talvez um sonho de juventude… Prosseguir sem parar em busca de riqueza apenas transformará uma pessoa em um ser torcido igual a mim. Deus nos deu os sentidos para sentirmos o amor nos corações de todos, não as ilusões provocadas pela riqueza. A riqueza que eu ganhei na minha vida, não posso trazer comigo. O que posso levar são somente as recordações proporcionadas pelo amor. Essas são as verdadeiras riquezas que irão segui-lo, acompanhá-lo, dando-lhe força e luz para continuar. O amor pode viajar mil milhas. A vida não tem limites. Vá para onde você quer ir. Chegue a altura que você deseja alcançar. Tudo está no seu coração e em suas mãos.
Você pode empregar alguém para dirigir o carro para você, fazer dinheiro para você, mas você não pode ter alguém para suportar a doença por você. Coisas materiais perdidas podem ser encontradas. Mas há uma coisa que nunca pode ser encontrada quando é perdida – ‘A Vida’.
Qualquer que seja o estágio da vida, estamos no agora. Com o tempo, vamos enfrentar o dia em que a cortina cai.
 

Crise humanitária

Crise humanitária  é uma situação de emergência, em que a vida de um grande número de pessoas se encontra ameaçada e na qual recursos extraordinários de ajuda humanitária são necessários para evitar uma catástrofe ou pelo menos limitar as suas consequências; elas geralmente caracterizam-se pela privação de alimentação, abrigo, riscos à saúde, à segurança ou ao bem-estar de uma comunidade ou de um grande grupo de pessoas, em uma área quase sempre extensa.
Conflitos armados, guerras entre países ou guerras civis, epidemias, crise alimentar, contaminação do meio ambiente, desequilíbrio social, desemprego, e fomento à ganancia geram crise humanitária.
Ao mesmo tempo em que muitos passam fome, alguns tomam banho de Champanhe.  Segundo o estudo divulgado pela organização não-governamental britânica Oxfam, cerca de 7 milhões de pessoas que compõem o grupo dos 1% mais ricos do mundo ficaram com 82% de toda riqueza global gerada em 2017, por outro lado, a metade mais pobre da população mundial, 3,7 bilhões de pessoas, não obteve nada do que foi gerado no ano passado. No Brasil, 5 bilionários concentram mesma riqueza que metade mais pobre no país, diz o estudo. 
A riqueza financeira e a opulência são veneradas enquanto a miséria é desprezada e ignorada. Esquecemos que somos todos seres humanos, um ser complexo, composto de valores éticos e morais e dotados de direito a dignidade. O modelo de valores que criamos nos embriagou e, como uma cirrose, nos está matando. Só vemos pessoas tentando achar a fórmula do sucesso profissional, do sucesso pessoal, mas vemos mais pessoas doentes e uma grande crise humanitária global se alastrando.
Por tentar ser perfeitas, por tentar entender de tudo, por tentar ultrapassar os próprios limites, para mostrar do que são capazes as pessoas perderam valores, não se tem mais moral, os bons costumes e o bom caráter tornaram-se ultrapassados ou sinônimo de fraqueza. Vemos em todos, nos mais altos cargos das empresas, ou em cargos públicos, o que era para ser um exemplo, tornando-se apenas uma briga pelo poder, que leva os seres humanos a mostrar sua capacidade de perversão, de falta de amor, de ódio, de ganancia. A ganancia se tornou o principal objetivo de conquistas, de sobremodo no meio governamental.
Isso está adoecendo o mundo, gerando ansiedade, estresse e depressão. De acordo com dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), a depressão atinge mais de 300 milhões de pessoas no mundo e a estimativa é de que seja ainda maior até 2020. No Brasil, a doença atinge 5,8% da população brasileira, além dos distúrbios relacionados à ansiedade que afetam 9,3%. 
O mundo está doente. E a doença somos nós. Adoecemos o mundo a cada vez que fingimos achar normal comportamentos arrogantes, depreciativos ou abusivos. Essa coisa se alastra feito viroses ainda não catalogadas. São disfarçadas por estampas finas ou simplórias em cujo interior habita a pior espécie de gente. Em hipótese alguma, a imagem, o dinheiro e a fama, deveria ter prioridade sobre o bem-estar social. Está mais do que na hora de revermos nossos valores. Vivemos uma era de egos superlativos e a eminencia de uma profunda crise humanitária.

O meu reino não é deste mundo

Respondeu Jesus: O meu reino não é deste mundo; se o meu reino fosse deste mundo, pelejariam os meus servos, para que eu não fosse entregue aos judeus; mas agora o meu reino não é daqui. Disse-lhe, pois, Pilatos: Logo tu és rei?
Jesus respondeu: Tu dizes que eu sou rei. Eu para isso nasci, e para isso vim ao mundo, a fim de dar testemunho da verdade. Todo aquele que é da verdade ouve a minha voz.
Disse-lhe Pilatos: Que é a verdade? E, dizendo isto, tornou a ir ter com os judeus, e disse-lhes: Não acho nele crime algum. Mas vós tendes por costume que eu vos solte alguém pela páscoa. Quereis, pois, que vos solte o Rei dos Judeus? Então todos tornaram a clamar, dizendo: Este não, mas Barrabás. E Barrabás era um salteador.
Pilatos, pois, tomou então a Jesus, e o açoitou. E os soldados, tecendo uma coroa de espinhos, lha puseram sobre a cabeça, e lhe vestiram roupa de púrpura. E diziam: Salve, Rei dos Judeus. E davam-lhe bofetadas.
Então Pilatos saiu outra vez fora, e disse-lhes: Eis aqui vo-lo trago fora, para que saibais que não acho nele crime algum. Saiu, pois, Jesus fora, levando a coroa de espinhos e roupa de púrpura. E disse-lhes Pilatos: Eis aqui o homem.
Vendo-o, pois, os principais dos sacerdotes e os servos, clamaram, dizendo: Crucifica-o, crucifica-o. Disse-lhes Pilatos: Tomai-o vós, e crucificai-o; porque eu nenhum crime acho nele.
Responderam-lhe os judeus: Nós temos uma lei e, segundo a nossa lei, deve morrer, porque se fez Filho de Deus. E Pilatos, quando ouviu esta palavra, mais atemorizado ficou. E entrou outra vez na audiência, e disse a Jesus: De onde és tu? Mas Jesus não lhe deu resposta.
Disse-lhe, pois, Pilatos: Não me falas a mim? Não sabes tu que tenho poder para te crucificar e tenho poder para te soltar?
Respondeu Jesus: Nenhum poder terias contra mim, se de cima não te fosse dado; mas aquele que me entregou a ti maior pecado tem.
Desde então Pilatos procurava soltá-lo; mas os judeus clamavam, dizendo: Se soltas este, não és amigo de César; qualquer que se faz rei é contra César.
Ouvindo, pois, Pilatos este dito, levou Jesus para fora, e assentou-se no tribunal, no lugar chamado Litóstrotos, e em hebraico Gabatá.
E era a preparação da páscoa, e quase à hora sexta; e disse aos judeus: Eis aqui o vosso Rei. Mas eles bradaram: Tira, tira, crucifica-o. Disse-lhes Pilatos: Hei de crucificar o vosso Rei? Responderam os principais dos sacerdotes: Não temos rei, senão César. Então, consequentemente entregou-lho, para que fosse crucificado. E tomaram a Jesus, e o levaram.
E, levando ele às costas a sua cruz, saiu para o lugar chamado Calvário, que em hebraico se chama Gólgota, Onde o crucificaram, e com ele outros dois, um de cada lado, e Jesus no meio. E Pilatos escreveu também um título, e pô-lo em cima da cruz; e nele estava escrito: JESUS NAZARENO, O REI DOS JUDEUS.                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                             João 18. 36 -40 e João 19. 01-19

Três dias após a sua morte na cruz JESUS ressuscita. A Páscoa Cristã celebra a RESSUREIÇÃO DE JESUS e é considerada um fundamento da fé cristã.
 

Temos Manga para comer

Na passada terça-feira (9), a ministra da Agricultura Tereza Cristina, afirmou durante sessão na Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Câmara dos Deputados, que o brasileiro não passa muita fome porque há muitas mangueiras no país. Justificou-se dizendo: A agricultura, para países que já tiveram guerra, que já passaram fome, para eles é segurança nacional. Nós nunca tivemos guerra, nós não passamos muita fome, porque nós temos manga nas nossas cidades, nós temos um clima tropical.
A ministra é a responsável pelo registro de 152 agrotóxicos em menos de 100 dias de governo – média de 1,5 aprovação por dia. Famosa pelos posicionamentos em defesa das práticas do ruralismo, quando deputada, foi presidente da Frente Parlamentar Agropecuária (FPA), grupo que congrega mais de 200 parlamentares da Câmara e do Senado ligados ao agronegócio, a chamada, bancada ruralista. Não por acaso, a ministra é apelidada musa do veneno.
Andamos na contramão do mundo. Enquanto o mundo desenvolvido busca eliminar o uso dos agrotóxicos, fomenta a agroecologia, e a produção orgânica, visando a qualidade de vida e a saúde da população. A legislação brasileira facilita o envenenamento, por exemplo, por aqui se permite um limite aceitável de agrotóxicos na água potável 5.000 vezes superior a europeia, ou uma quantidade de 200 a 400 vezes superior à permitida na Europa no cultivo de soja e feijão, respectivamente. No total, 30% dos agrotóxicos de uso permitido Brasil são vetados na União Europeia. 
Entre eles o Sulfoxaflor, recentemente liberado, e que desde 2015 está proibido nos Estados Unidos, pois, o uso do pesticida está ligado ao extermínio de abelhas. Coincidentemente neste ano meio bilhão de abelhas morreram no Brasil. Análises laboratoriais identificaram agrotóxicos em cerca de 80% dos enxames mortos no RS. Segundo a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), 75% dos cultivos destinados à alimentação humana no mundo dependem das abelhas. 
O Brasil ocupa o primeiro lugar no ranking de países que mais consomem agrotóxicos. Consumimos cerca de 20% dos agrotóxicos que são comercializados em todo o mundo. São, em média, 7 litros per capita de veneno a cada ano, o que resulta em mais de 70 mil intoxicações agudas e crônicas em igual período.  A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima em 20 mil mortes ao ano devido à manipulação e consumo direto de defensivos agrícolas. A ministra recentemente teve a cara de pau, sem nenhuma evidencia cientifica, de afirmar que os agricultores se envenenam porque fumam quando aplicam o veneno.
Do ponto de vista de saúde pública e ambiental, é insustentável qualquer argumento em defesa da atual política de agrotóxicos no país. É claramente uma opção política, relacionada à pressão da bancada ruralista e das empresas de agrotóxicos. Elas patrocinam as campanhas dos parlamentares e logo exigem o seu prêmio de reembolso. O famoso Toma lá - Dá cá da politicagem brasileira. Vamos de mal a pior, mas para o atual governo está tudo bem. Segundo a Ministra não morremos de fome, temos mangas para comer, basta saber se não morremos envenenados por elas.