O Farroupilha
CLAUDIA IEMBO
A grandeza das pequenas coisas

Naquele dia acordei e cumprindo a primeira ação do dia, fui passar o café, que degusto sozinha. Peguei a embalagem do pó e li: “Aprecie a grandeza das pequenas coisas”. Outra vez, o mesmo sinal recebido anteriormente na semana. 
Na última terça-feira, ouvi do poeta Fabrício Carpinejar o quanto é imprescindível prestarmos atenção aos detalhes, o quanto o “amor é feito de futilidades”. Coisas pequenas que alimentam a relação com aqueles que amamos. Quanta verdade encerrada nisso!

Às vezes, uma pergunta boba que não é feita ao familiar causa uma chateação desnecessária, assim como aquela falta de percepção quando o parceiro corta o cabelo, ou muda qualquer outro ponto na aparência. Detalhes, a diferença mora neles.
Várias informações ecoaram dentro de mim com as mensagens recebidas. No evento noturno de trabalho, que era mais prazer que obrigação, levei a mesma filha que na semana passada me chocou com a frase sobre a liberdade que sentiu por caminhar sem mim. 

As palavras que justificavam o tema do encontro “Cuide de seus pais antes que seja tarde” devem ter encontrado uma espécie de terreno fértil dentro de cada ouvinte. Senti a mão dela pegar na minha, dizendo muito mais do que seria capaz valendo-se da linguagem verbal. Se minha mãe estivesse por lá, teria feito o mesmo. Sinais captados.

Notei que quando entramos em casa, a primeira frase que ela disse ao pai foi: “eu te amo”. Bingo! Entendi que houve assimilação de tudo que foi ouvido. Eu também sai da palestra e liguei para minha mãe só para dizer: “estou aqui”. 

A grandeza das pequenas coisas realmente existe e fica ali pulsando bem em frente aos nossos olhos, ocupados demais, na maior parte do tempo, para perceberem tal magnitude. Apreciá-la é uma escolha. Antes que seja tarde.

Amadurecimento

Vez ou outra escutamos frases que acabam nos marcando profundamente, pois sinalizam as inevitáveis mudanças pelas quais passaremos com o tempo. 

Sou do tipo de mãe que quer dar as mãos aos filhos ao atravessar uma rua, que repete a indagação sobre a blusa porque pode esfriar, que quer receber ligações, atenção. Mãe sendo mãe, apenas.

Dia desses, eu e minha filha mais velha fomos ao centro da cidade, cada uma de nós levada pelos seus respectivos interesses. Não me agradou muito a possibilidade da separação, mas aceitei.

Horas mais tarde, quando nos encontramos (depois de algumas ligações para saber se estava tudo bem, onde estava, com quem estava, etc.) ouvi a sonora frase que ecoou muitas vezes depois dentro de mim: “Foi libertador caminhar sem você”.  
Forte! Recebi como um soco no estômago. Talvez eu seja mesmo exagerada, talvez o termo correto seja: intensa. Os sentimentos e as ações de mãe se manifestam desta forma. Que atire a primeira pedra aquela que for muito diferente de mim.
Pedi explicações e as obtive. De maneira clara, pontual. Minha menina está crescendo e eu me tornando a mãe que tenta pausar o tempo. Doce ilusão.

Como esconder a chateação quando os filhos passam a preferir os amigos a nós? 

 

SOCORRO

O papel que representamos na vida das pessoas muda com o tempo. Elas mudam. Nós mudamos. Amadurecemos no amor, na dor. Tanto faz, amadurecemos. 

Aprimora-se a mãe quando o filho cresce, mas se prestarmos atenção, vamos nos deparar com uma figura que misteriosamente fica presa à fase infantil. Os filhos cresceram e ainda há referências e eles como “as crianças”. Engraçado. Mãe faz isso, mas pai também.

O tempo passa rápido. Conversa de mãe como a minha. Conversa de quem ama.

Um convite

Casa, trabalho; trabalho, casa. A maioria de nós acaba nesta rotina, repleta de tarefas a serem realizadas, sem nos darmos conta de que, às vezes, um convite aceito pode representar uma oportunidade de expandirmos nossa visão – e as possibilidades para nós mesmos.

Estava meio preguiçosa em casa, em pleno domingo de tempo fechado. Decidida a ficar por ali, quando fui vencida pelos convites incessantes para ir à igreja, na qual, especificamente naquela noite, um missionário falaria de seu trabalho em algum país da Ásia Central. Ainda bem que fui.

Conhecendo um pouco da ação daquele homem que se mudou para um lugar distante e foi colocado à prova diante das mazelas de um mundo ainda ignorante, acabei me questionando: como é possível ficarmos limitados, sem nos darmos conta de que podemos ser necessários em tantos lugares, em tantas tarefas?

Sempre pensei que logo ali na frente – quando estiver com as filhas criadas e velha demais para somar outras atribuições no mercado de trabalho – me sobrariam os livros e os filmes, além da escrita que pretendo manter até quando for possível. Tem muito além disso.

Podemos sim desenvolver trabalhos que melhorem significativamente a vida de outras pessoas. Isso não tem nada a ver com religião, mas com amor ao próximo, seja lá qual for a forma de se religar a Deus que você possua. A minha forma tem nome e foi o maior exemplo de humildade e força que já passou pela Terra.

Quando enxergamos as possibilidades que podem nos aguardar no futuro, não existe receio quanto a ele. Nem de envelhecer, nem de enfrentar o ninho vazio, nem de se aposentar (se é que vamos conseguir). 

Existe muito a ser feito. O mundo é grande e carente de todo o amor que a gente traz dentro da gente, independente dos talentos que desenvolvemos. 

Se duvida, pesquise, pergunte, vá atrás. Um novo amanhã sempre pode ser planejado e às vezes, ele começa com um convite aceito. Aceita o meu?

Um convite

Casa, trabalho; trabalho, casa. A maioria de nós acaba nesta rotina, repleta de tarefas a serem realizadas, sem nos darmos conta de que, às vezes, um convite aceito pode representar uma oportunidade de expandirmos nossa visão – e as possibilidades para nós mesmos.

Estava meio preguiçosa em casa, em pleno domingo de tempo fechado. Decidida a ficar por ali, quando fui vencida pelos convites incessantes para ir à igreja, na qual, especificamente naquela noite, um missionário falaria de seu trabalho em algum país da Ásia Central. Ainda bem que fui.

Conhecendo um pouco da ação daquele homem que se mudou para um lugar distante e foi colocado à prova diante das mazelas de um mundo ainda ignorante, acabei me questionando: como é possível ficarmos limitados, sem nos darmos conta de que podemos ser necessários em tantos lugares, em tantas tarefas?

Sempre pensei que logo ali na frente – quando estiver com as filhas criadas e velha demais para somar outras atribuições no mercado de trabalho – me sobrariam os livros e os filmes, além da escrita que pretendo manter até quando for possível. Tem muito além disso.

Podemos sim desenvolver trabalhos que melhorem significativamente a vida de outras pessoas. Isso não tem nada a ver com religião, mas com amor ao próximo, seja lá qual for a forma de se religar a Deus que você possua. A minha forma tem nome e foi o maior exemplo de humildade e força que já passou pela Terra.

Quando enxergamos as possibilidades que podem nos aguardar no futuro, não existe receio quanto a ele. Nem de envelhecer, nem de enfrentar o ninho vazio, nem de se aposentar (se é que vamos conseguir). 

Existe muito a ser feito. O mundo é grande e carente de todo o amor que a gente traz dentro da gente, independente dos talentos que desenvolvemos. 

Se duvida, pesquise, pergunte, vá atrás. Um novo amanhã sempre pode ser planejado e às vezes, ele começa com um convite aceito. Aceita o meu?

Dentro, não fora

O vento que bate no rosto podia ter a capacidade de dissipar as preocupações, levar com ele o que nos incomoda e trazer novos incentivos mentais, como se estivéssemos sendo purificados pela sua passagem, renovados por um sopro, literalmente.

Quase sempre temos a tendência de buscar as soluções fora de nós, mas elas estão lá dentro, na superfície, fáceis de serem encontradas ou nas profundidades, escondidas, à espera do nosso esforço, do nosso empenho. 

Quantas vezes nos pegamos esperando que as outras pessoas resolvam o que nos compete? Depositamos responsabilidades no outro e mergulhamos em um mundo perigoso de expectativas, que carregam consigo as armadilhas das frustrações. De novo, nos deparamos com a busca fora de nós. 

Esperar que as outras pessoas sejam como somos, ou ajam como agimos ou sintam como sentimos é tão imprudente quanto deixar uma criança atravessar a rua sozinha. Não tem como dar certo. Ainda assim parece que a gente não aprende. O que não se aprende, se repete.

Neste processo todo de construção de nós mesmos, vamos deixando impressões nos outros a nosso respeito, que resultam em julgamentos e percepções que nem sempre condizem com a realidade, mas nos mostram que toda ação que tomamos, ou deixamos de tomar, tem uma consequência. 

Estamos em evolução e os níveis são diferentes para cada um de nós. Vida.

Eu podia, como sempre faço, ter desenvolvido uma análise sobre algo corriqueiro que pudesse transmitir alguma mensagem. Desta vez o caminho foi diferente. Intuitivo. De qualquer modo, minhas palavras são sempre procuradas no lado de dentro, de forma prudente, para que cumpram a missão a que estão destinadas.

As respostas estão dentro de nós. A maior parte delas. Conscientes disso, o vento que sopra é apenas o vento que sopra. A ele não cabem atribuições além daquelas que já possui, poderoso como todas as forças da natureza.

Dentro, não fora

O vento que bate no rosto podia ter a capacidade de dissipar as preocupações, levar com ele o que nos incomoda e trazer novos incentivos mentais, como se estivéssemos sendo purificados pela sua passagem, renovados por um sopro, literalmente.

Quase sempre temos a tendência de buscar as soluções fora de nós, mas elas estão lá dentro, na superfície, fáceis de serem encontradas ou nas profundidades, escondidas, à espera do nosso esforço, do nosso empenho. 

Quantas vezes nos pegamos esperando que as outras pessoas resolvam o que nos compete? Depositamos responsabilidades no outro e mergulhamos em um mundo perigoso de expectativas, que carregam consigo as armadilhas das frustrações. De novo, nos deparamos com a busca fora de nós. 

Esperar que as outras pessoas sejam como somos, ou ajam como agimos ou sintam como sentimos é tão imprudente quanto deixar uma criança atravessar a rua sozinha. Não tem como dar certo. Ainda assim parece que a gente não aprende. O que não se aprende, se repete.

Neste processo todo de construção de nós mesmos, vamos deixando impressões nos outros a nosso respeito, que resultam em julgamentos e percepções que nem sempre condizem com a realidade, mas nos mostram que toda ação que tomamos, ou deixamos de tomar, tem uma consequência. 

Estamos em evolução e os níveis são diferentes para cada um de nós. Vida.

Eu podia, como sempre faço, ter desenvolvido uma análise sobre algo corriqueiro que pudesse transmitir alguma mensagem. Desta vez o caminho foi diferente. Intuitivo. De qualquer modo, minhas palavras são sempre procuradas no lado de dentro, de forma prudente, para que cumpram a missão a que estão destinadas.

As respostas estão dentro de nós. A maior parte delas. Conscientes disso, o vento que sopra é apenas o vento que sopra. A ele não cabem atribuições além daquelas que já possui, poderoso como todas as forças da natureza.