O Farroupilha
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Amadurecimento

Vez ou outra escutamos frases que acabam nos marcando profundamente, pois sinalizam as inevitáveis mudanças pelas quais passaremos com o tempo. 

Sou do tipo de mãe que quer dar as mãos aos filhos ao atravessar uma rua, que repete a indagação sobre a blusa porque pode esfriar, que quer receber ligações, atenção. Mãe sendo mãe, apenas.

Dia desses, eu e minha filha mais velha fomos ao centro da cidade, cada uma de nós levada pelos seus respectivos interesses. Não me agradou muito a possibilidade da separação, mas aceitei.

Horas mais tarde, quando nos encontramos (depois de algumas ligações para saber se estava tudo bem, onde estava, com quem estava, etc.) ouvi a sonora frase que ecoou muitas vezes depois dentro de mim: “Foi libertador caminhar sem você”.  
Forte! Recebi como um soco no estômago. Talvez eu seja mesmo exagerada, talvez o termo correto seja: intensa. Os sentimentos e as ações de mãe se manifestam desta forma. Que atire a primeira pedra aquela que for muito diferente de mim.
Pedi explicações e as obtive. De maneira clara, pontual. Minha menina está crescendo e eu me tornando a mãe que tenta pausar o tempo. Doce ilusão.

Como esconder a chateação quando os filhos passam a preferir os amigos a nós? 

 

SOCORRO

O papel que representamos na vida das pessoas muda com o tempo. Elas mudam. Nós mudamos. Amadurecemos no amor, na dor. Tanto faz, amadurecemos. 

Aprimora-se a mãe quando o filho cresce, mas se prestarmos atenção, vamos nos deparar com uma figura que misteriosamente fica presa à fase infantil. Os filhos cresceram e ainda há referências e eles como “as crianças”. Engraçado. Mãe faz isso, mas pai também.

O tempo passa rápido. Conversa de mãe como a minha. Conversa de quem ama.