O Farroupilha
GILBERTO JASPER
Vocação e empatia

Tenho profunda admiração pelos profissionais que lidam com o público todos os dias. Um exemplo são os vendedores, gente que lida com o humor e muitas vezes com a falta de educação de inúmeros clientes que destilam seu fel contra estes trabalhadores. Converso muito com os comerciários, principalmente caixas de supermercado e motoristas de Uber, lotação e com balconistas de um armazém perto de casa, vindos do interior.

A maioria deste pessoal leva “na boa”, entende que estas agruras fazem parte do ofício. Outros, com um pouco mais de bate-papo, admitem que muitas vezes a paciência chega ao limite e a vontade é de mandar o freguês “para aquele lugar”. 

- Muita gente acha que nós somos culpados de todos os problemas que ele têm, são grosseiros, sequer dão “bom dia” e não são receptivos – me contou uma caixa de um supermercado de Porto Alegre.

Isto é muito mais comum do que se imagina. Por isso, é preciso ter vocação para desempenhar qualquer função que envolva contato pessoal. É preciso ter sensibilidade para detectar o tipo de cliente e a melhor forma de abordagem. Alguns gostam de conversar, como eu, fazendo piada, levando na gozação. Outros, sisudos, não admitem qualquer aproximação, ficando na defesa ou sendo refratários ante a uma tentativa de quebrar o gelo.

A vida do vendedor não se restringe à “psicologia da interpelação”. As metas – as malditas metas! – são como uma espada apontada para a cabeça do comerciário. À medida que o calendário avança e o final do mês se aproxima, a pressão aumenta. É preciso vender sem forçar, convencer com habilidade e “encantar” o cliente, o novo mote comercial.

Outro desafio é a fidelização que transforma o comprador em amigo. Isso é o apogeu da relação cliente-vendedor porque além da simpatia a proximidade fomenta a propaganda de boca em boca que empresta credibilidade.

Há mais de 20 anos corto o cabelo com o mesmo profissional. Giovanni Costa tem uma incrível habilidade com crianças. Por isso, levei meus dois filhos ao salão onde trabalha e desde então o atendimento é a domicílio, o que facilita muito minha rotina. Além disso, o preço do serviço fica mais acessível porque o pagamento vai integralmente para o “barbeiro”, como se dizia em Arroio do Meio.

Quando sou bem atendido falo com o gerente na presença do vendedor. Muitas vezes um elogio tem mais valor que a comissão que o comerciário percebe a cada venda. 

Exercer uma profissão que traga alegria e sustento é o sonho de todo mundo. Isto, porém, é resultado de muito trabalho, dedicação e vocação. Parabéns a todos que lidam com o bom e ou mau humor da humanidade todos os dias.

O desafio da profissão

Especialista dizem que muitos pais têm a tendência de transferir suas frustrações aos filhos. E que isso é mais evidente na escolha da profissão. Argumentam que há um direcionamento para que os herdeiros sigam a trajetória paterna/materna. Muitas vezes isso acontece até de maneira inconsciente, fruto da nossa experiência em determinado segmento. 

Esta propensão também provoca muitos conflitos quando não há compreensão mútua. Pertenço a uma geração que desconhecia o que chamo de “direito à réplica” com os pais. Não havia sugestões, apenas ordens e a nós, crianças e jovens nascidos na década de 60 e anteriores, restava obedecer sem objeções.

Meu pai foi contador e sócio de uma empresa de bebidas. Trabalhou duro por mais de 30 anos e nos deixou jovem, aos 52 anos. Hoje vejo que era normal ele querer que eu assumisse seu lugar na firma. Afinal, foram décadas sem finais de semana e feriados, trabalhando duro, reinvestindo os parcos lucros.

Conformado que minha vocação estava longe dos negócios o velho Giba queria me transformar em funcionário do Banco do Brasil. Fiz dois cursinhos preparatórios. Estudava em São Leopoldo, na Unisinos, até o meio-dia de sábado, viajava duas horas até Lajeado e estudava das 14h às 19h. Prestei dois concursos e sabotei ambos ao errar propositalmente as poucas questões cuja resposta sabia.

Foram tempos duros em que meu pai insistia para que tivesse “uma profissão com futuro” porque via no jornalismo um mercado difícil. Pressionado, tive consciência de que era preciso ser ao menos razoável na profissão escolhida. Por ironia, tornou-se colunista de jornal e comentarista político de rádio em períodos eleitorais.
Na minha casa, de quatro pessoas, apenas minha filha não é jornalista. Imagino a pressão que sentiu. Não bastasse a tentativa inconsciente de direcionar os filhos ela sofre como “exceção” familiar. 

Ver os filhos felizes, realizados e aptos a garantir o sustento é o sonho de todo pai e mãe. Ao contrário da minha geração, hoje a gurizada tem uma infinidade de alternativas. Surgiram inúmeras profissões, outras foram extintas, a maioria resultado da onipresença da tecnologia. É difícil acompanhar a escolha dos descendentes sem interferir. A ansiedade, as dúvidas e até a depressão causada pela opressão da busca por uma carreira exige diálogo, sensibilidade e parceria para evitar uma sucessão de conflitos.

Não é fácil ficar alheio, mas é preciso resistir à tentação de influenciar excessivamente, sob pena de condicionar uma opção que pode gerar desgosto, frustração e desencantamento. O bom senso, como sempre, está no equilíbrio. Saudável, mas nem sempre fácil.

Heróis do Interior

A velocidade dos avanços tecnológicos impôs desafios inimagináveis. Inúmeras atividades profissionais sofreram transformações que nem todos souberam acompanham. Muitos sucumbiram, outros mudaram de ramo e aprenderam sobre este novo momento e adaptaram seus produtos, métodos e procedimentos.

Neste aspecto, os jornais – principalmente do Interior – passaram por mudanças drásticas que até hoje exigem reinvenção. Além de adaptar um modelo consagrado de fazer comunicação, os proprietários de veículos impressos acumulam, também, a função de acostumar o próprio público às novas linguagens.

Adicionar blogs, sites com recursos de tevê e outras plataformas ao negócio é um processo lento e oneroso que exige sensibilidade. É histórico que toda novidade esbarra em resistências. Afinal, altera experiências consagradas pelo tempo. Existe, sempre, o medo de que o conhecimento de uma vida toda se esvaia pelo ralo, não servindo para mais nada.

Nascido no Interior e colunistas de cinco jornais em diversas regiões do Estado sou privilegiado pelos empreendimentos exitosos conheço e que comprovam a competência de jornalistas e empresários empenhados em oferecer produtos com conteúdo, modernidade e permanente atualização. O sucesso não é fruto do acaso. É consequência de interesse, estudo, reflexo, planejamento e execução eficiente que evita perda de tempo e dinheiro.

Há muitos anos acompanho algumas experiências de empresas jornalísticas. As transformações de periódicos trissemanais em diários foi um fenômeno que se transformou em dor-de-cabeça para muitos empreendedores. Um mercado que parecia promissor foi abatido pela crise que insiste em se manter, encolhendo orçamentos e despesas destinadas à divulgação. 

Nós, que trabalhamos em comunicação, estamos acostumados a ver nossos projetos adiados, cancelados ou simplesmente ignorados sob o argumento das dificuldades. Fica a impressão de que qualquer pessoa faz divulgação, reforçada pelo advento do celular com o qual é possível elaborar textos, fazer fotos e produzir vídeos. A baixa qualidade pouco importa, afinal, os custos são reduzidos, fazendo com que um grande contingente seja multimídia, recebendo o que chamo de “unissalário”.

Apesar dos percalços os jornais impressos de nossos municípios resistem graças à insistência e modernização, mesclada com uma tradição consolidada entre os leitores.  Tenho imenso orgulho de ser forjado neste modelo e persistir, ao lado de homens, mulheres, jovens, estudantes e veteranos “canetinhas”, jargão usado para os profissionais de veículos impressos.

Goldon ou Maltês?

O português é um idioma com mais exceções que regras. Mas o lado bom é a dinâmica, a mesma que confunde os estrangeiros e ao mesmo tempo empresta atualidade a partir dos frequentes neologismos. Com o passar do tempo alguns ditados caem em desuso ou mudam de significado. Exemplo? A expressão “vida de cachorro”, originalmente concebida para definir quem leva uma vida sofrida, com poucos recursos.
Hoje, “viver como um cachorro” desperta a inveja de muita gente. De abandonos, comendo restos de alimentos e dormindo ao relento, os cães ocupam lugar privilegiado no cotidiano de milhões de brasileiros. A revista Exame, no dia 2 de maio, ostentou a seguinte manchete: “Mercado pet deve faturar R$ 20 bilhões em 2020”. A reportagem revela que existem mais de 132 milhões de estimação no país, conforme levantamento do IBGE.
Nesta onda já é permitida a presença dos mascotes em lugares outrora inimagináveis, como shoppings e restaurantes. Respeito opiniões em contrário, mas considero uma demasia. Vejo animaizinhos estressados em meio à confusão de lojas nos sábados à tarde no Iguatemi, em Porto Alegre. Outro patinam ao tentar caminhar nos corredores apinhados de gente.
 Verdade ou não, dizem que muitos animais se assemelham aos donos, em fisionomia e temperamento. Conheci um adestrador que afirmou:
- Não existem animais estressados. Existem, isto sim, donos estressados!
Neste quesito, temos um maltês, o Fiuk, nove anos, tempo que espero tornar-se um cachorro cordato, calmo e obediente. Por enquanto, late desesperadamente, rosna para mim sempre que pode – até quando o levo para passear! – e já roeu todos os cantos inferiores das portas da casa.
Na vida real, eu mesmo gostaria de ser como um Golden retriever, raça originária da Grã-Bretanha, desenvolvido para a caça de aves aquáticas. Todos os dias, por volta das 7h, espero a lotação em uma parada de ônibus e uma mulher passa caminhando lentamente segurando uma coleira com um destes cachorros. Ônibus passam a poucos centímetros, buzinas tocam em alto som, mas nada tira o Golden do sério. Ele segue impávido, indiferente à zoeira em volta. De tão calmo servem de montaria para as crianças. São dóceis e pacientes. São qualidades que desconheço.
Sou um quase sessentão ansioso e agitado, que dorme pouco, mas raramente tem insônia ou dificuldades para conciliar o sono. Neste quesito me assemelho muito mais ao Fiuk - o maltês que inferniza nossa casa, espalhando estresse, bagunça e barulho. Talvez a convivência tenha influenciado um ou outro... vai saber! 
Sou apegado a animais desde a infância, na colônia, mas acho que há um exagero, uma “humanização” equivocada no convívio com os animais de estimação.

Goldon ou Maltês?

O português é um idioma com mais exceções que regras. Mas o lado bom é a dinâmica, a mesma que confunde os estrangeiros e ao mesmo tempo empresta atualidade a partir dos frequentes neologismos. Com o passar do tempo alguns ditados caem em desuso ou mudam de significado. Exemplo? A expressão “vida de cachorro”, originalmente concebida para definir quem leva uma vida sofrida, com poucos recursos.
Hoje, “viver como um cachorro” desperta a inveja de muita gente. De abandonos, comendo restos de alimentos e dormindo ao relento, os cães ocupam lugar privilegiado no cotidiano de milhões de brasileiros. A revista Exame, no dia 2 de maio, ostentou a seguinte manchete: “Mercado pet deve faturar R$ 20 bilhões em 2020”. A reportagem revela que existem mais de 132 milhões de estimação no país, conforme levantamento do IBGE.
Nesta onda já é permitida a presença dos mascotes em lugares outrora inimagináveis, como shoppings e restaurantes. Respeito opiniões em contrário, mas considero uma demasia. Vejo animaizinhos estressados em meio à confusão de lojas nos sábados à tarde no Iguatemi, em Porto Alegre. Outro patinam ao tentar caminhar nos corredores apinhados de gente.
 Verdade ou não, dizem que muitos animais se assemelham aos donos, em fisionomia e temperamento. Conheci um adestrador que afirmou:
- Não existem animais estressados. Existem, isto sim, donos estressados!
Neste quesito, temos um maltês, o Fiuk, nove anos, tempo que espero tornar-se um cachorro cordato, calmo e obediente. Por enquanto, late desesperadamente, rosna para mim sempre que pode – até quando o levo para passear! – e já roeu todos os cantos inferiores das portas da casa.
Na vida real, eu mesmo gostaria de ser como um Golden retriever, raça originária da Grã-Bretanha, desenvolvido para a caça de aves aquáticas. Todos os dias, por volta das 7h, espero a lotação em uma parada de ônibus e uma mulher passa caminhando lentamente segurando uma coleira com um destes cachorros. Ônibus passam a poucos centímetros, buzinas tocam em alto som, mas nada tira o Golden do sério. Ele segue impávido, indiferente à zoeira em volta. De tão calmo servem de montaria para as crianças. São dóceis e pacientes. São qualidades que desconheço.
Sou um quase sessentão ansioso e agitado, que dorme pouco, mas raramente tem insônia ou dificuldades para conciliar o sono. Neste quesito me assemelho muito mais ao Fiuk - o maltês que inferniza nossa casa, espalhando estresse, bagunça e barulho. Talvez a convivência tenha influenciado um ou outro... vai saber! 
Sou apegado a animais desde a infância, na colônia, mas acho que há um exagero, uma “humanização” equivocada no convívio com os animais de estimação.

É difícil Ser Humano

No final de semana li um texto provocativo. Só depois constatei tratar-se da coluna de Bruna Lombardi, cujo talento como atriz é inegável, com desenvoltura como cronista. O conteúdo tratava, em resumo, do conflito entre o que realmente somos e o que precisamos ser no contexto social onde estamos inseridos.
“Bem de perto ninguém é normal”, reza o ditado tão antigo quanto a humanidade, um verdade inquestionável. Em frente do espelho ou no aconchego do travesseiro mentir é impossível. Alguns traços da nossa personalidade pouco aparecem, disfarçados ou escamoteados para sobreviver neste mundo cada vez voltado às aparências.
A hipocrisia existe para viabilizar a vida em sociedade. Já pensou dizer o que se pensa de verdade para todo mundo? Será que o (a) nosso (a) melhor amigo (a) manteria a relação caso falássemos tudo o que pensamos dele (a)? E nós, sobreviveríamos diante da opinião 100% sincera daqueles que nos cercam?
 Viver é um exercício de equilíbrio entre ser aceito e manter a essência de nossa origem. A opinião sobre as pessoas é uma imbricada fórmula que reúne opiniões pré-concebidas – e isso envolve desde a profissão até a origem -, alguma experiência anterior de convivência e o que nossos amigos pensam sobre determinada pessoa.
Perdoar, admitir falhas alheias e ter tolerância na rotina são outras regras que permeiam determinado conceito sobre as pessoas. A tolerância talvez seja a mais difícil das qualidades neste mundo permanentemente conectado, de vigília constante de todos contra todos e onde as aparências parecem mais relevantes que o conteúdo.
A herança genética, os ambientes frequentados e os amigos compõem o mosaico de critérios para julgar as pessoas. Ouço seguidamente que “somos o resumo das cinco pessoas com quem mais convivemos”. Será verdade? Olhe em volta e responda se isso corresponde à sua realidade.
Todos os dias somos testados em nossas crenças. Isso não tem nada a ver com religião, mas com a fidelidade a princípios pelos quais montamos a régua com a qual medidos os outros. Amigos e afetos em geral quase sempre possuem o condão de exacerbar a nossa tolerância. O perdão para pessoas queridas por vezes macula nossos julgamentos, afinal, somos humanos.
Manter nossos princípios sem afugentar as pessoas queridas fomenta um permanente conflito interno, embora nem sempre nos demos conta. A correria da rotina, a maturidade e a convivência nos fazem funcionar “no automático”, sem maiores reflexões. Ao refletir, as dúvidas afloram e obrigam a novas avaliações. É a vida e seus paradoxos.

O profissional com síndrome de Down

Na primeira vez que a vi oferecendo a degustação de produtos no supermercado, de cara Cíntia se fez notar por sua simpatia e profissionalismo. “O senhor já experimentou nossa água de coco?”, perguntou ao me abordar. “Não”, respondi balançando negativamente a cabeça. Ela calmamente colocou o líquido num copinho plástico descartável e me deu: “Entre os benefícios da água de coco, estão o fato de ela ser extremamente rica em sais minerais e apresentar baixíssimo teor calórico”.
Agradeci-lhe a explicação, ao mesmo tempo em que tentei ler seu nome no crachá de identificação pendurado no pescoço: “Como você se chama?”. Ela respondeu com um belo sorriso estampado no rosto arredondado: “Cíntia de Paula Nogueira. De Paula, herdei do meu pai, Nogueira, de minha mãe”. Indaguei se gostava de seu trabalho. “Adoro! Eu sou a garota Bistek”, respondeu, me fitando com seus olhos amendoados. Cíntia é down. E espalha alegria a todos que transitam próximo ao seu ponto de venda no Supermercado Bistek, em Itajaí.
Antigamente, um jovem com síndrome de Down raramente era apresentado ao mundo do trabalho. Hoje, graças à Lei de Cotas nº 8213/1991, que obriga empresas que têm 100 funcionários ou mais a contratar pessoas com deficiência, eles vêm ganhando espaço no mercado e mostrando que não é só um cromossomo a mais: é mais amor, carinho e verdade. E muitos estão abrindo negócios próprios e fazendo o maior sucesso.
Em San Isidro, Argentina, quatro amigos com síndrome de Down abriram a Los Perejiles, uma empresa de pizza a domicílio que já emprega mais de 20 funcionários. Em Nova York, John Cronin criou a John’s Crazy Socks, uma marca com mais de mil opções diferentes de meias coloridas e estilosas que tem o primeiro-ministro do Canadá como cliente e já fatura R$ 15 milhões por ano. Em São Paulo, Jéssica Pereira montou o Bellatucci Café, onde todos os colaboradores têm algum tipo de deficiência. O site da empresa reflete bem o principal obstáculo que os profissionais com síndrome de Down precisam superar para que conquistem o protagonismo no mercado de trabalho: “Lutamos pela real inclusão, na qual, em vez de as pessoas nos olharem e dizer ‘ai que bonitinhos!’, elas devem olhar o nosso trabalho e dizer “sim, eles são capazes e competentes!”. 

É difícil Ser Humano

No final de semana li um texto provocativo. Só depois constatei tratar-se da coluna de Bruna Lombardi, cujo talento como atriz é inegável, com desenvoltura como cronista. O conteúdo tratava, em resumo, do conflito entre o que realmente somos e o que precisamos ser no contexto social onde estamos inseridos.
“Bem de perto ninguém é normal”, reza o ditado tão antigo quanto a humanidade, um verdade inquestionável. Em frente do espelho ou no aconchego do travesseiro mentir é impossível. Alguns traços da nossa personalidade pouco aparecem, disfarçados ou escamoteados para sobreviver neste mundo cada vez voltado às aparências.
A hipocrisia existe para viabilizar a vida em sociedade. Já pensou dizer o que se pensa de verdade para todo mundo? Será que o (a) nosso (a) melhor amigo (a) manteria a relação caso falássemos tudo o que pensamos dele (a)? E nós, sobreviveríamos diante da opinião 100% sincera daqueles que nos cercam?
 Viver é um exercício de equilíbrio entre ser aceito e manter a essência de nossa origem. A opinião sobre as pessoas é uma imbricada fórmula que reúne opiniões pré-concebidas – e isso envolve desde a profissão até a origem -, alguma experiência anterior de convivência e o que nossos amigos pensam sobre determinada pessoa.
Perdoar, admitir falhas alheias e ter tolerância na rotina são outras regras que permeiam determinado conceito sobre as pessoas. A tolerância talvez seja a mais difícil das qualidades neste mundo permanentemente conectado, de vigília constante de todos contra todos e onde as aparências parecem mais relevantes que o conteúdo.
A herança genética, os ambientes frequentados e os amigos compõem o mosaico de critérios para julgar as pessoas. Ouço seguidamente que “somos o resumo das cinco pessoas com quem mais convivemos”. Será verdade? Olhe em volta e responda se isso corresponde à sua realidade.
Todos os dias somos testados em nossas crenças. Isso não tem nada a ver com religião, mas com a fidelidade a princípios pelos quais montamos a régua com a qual medidos os outros. Amigos e afetos em geral quase sempre possuem o condão de exacerbar a nossa tolerância. O perdão para pessoas queridas por vezes macula nossos julgamentos, afinal, somos humanos.
Manter nossos princípios sem afugentar as pessoas queridas fomenta um permanente conflito interno, embora nem sempre nos demos conta. A correria da rotina, a maturidade e a convivência nos fazem funcionar “no automático”, sem maiores reflexões. Ao refletir, as dúvidas afloram e obrigam a novas avaliações. É a vida e seus paradoxos.

Filme “Adulto”

Ver filme de “mulher pelada” era um sonho para quem foi piá nas décadas de 70 e 80, como eu, nascido em 1960. As revistas, contrabandeadas por amigos, principalmente Playboy, eram soluções impensáveis.

Existiam também  livros de bolso, recheados de cenas caliente. Páginas e páginas de “preliminares”, alimentavam a imaginação numa fábrica de fantasias picantes. Obras de Cassandra Rios também circulavam, mas eram bastante raras.

O grande sonho era fazer 18 anos para assistir aos filmes “de mulher pelada”. Naquela época existiam fiscais do Juizado de Menores. Eles perambulavam pelas salas escuras dos cinemas, festas, bailes de olho naqueles que queimavam etapas. Ser flagrado era um grande fiasco. Submetia os pais a um grande vexame.

Em Arroio do Meio - onde nasci e passei minha adolescência - eram 5 mil habitantes. Domingos à noite havia sessão dupla onde eram exibidos filmes “impróprios para menores”.

Assim que os cartazes eram afixados no hall do cinema começávamos a imaginar o roteiro, ricos em detalhes, nuances libidinosas. Imitávamos até a voz do galã.

Vera Fischer, Sônia Braga, Nicole Puzi, Matilde Mastrangi, Aldine Müller, Sandra Barsotti, Angelina Muniz, Sandra Bréa, Helena Ramos, Zaira Bueno, Adele Fátima, Selma Egrei, Lucélia Santos... nomes que faziam suspirar. Ver um destes talentos brasileiros em destaque no cartaz era garantia de “filme adulto”.

Ainda “de menor” consegui assistir a alguns filmes, graças à amizade forjada com um arrendatário do Cine Real, o único da cidade. O acesso era digno de uma trama de suspense, pontilhado de perigos, manobras e sustos.
A subida ao mezanino só era autorizada quando iniciava a exibição do Canal 100 - com os gols dos principais jogos de futebol do país - e as luzes fossem desligadas.

Num canto escuro, sem ninguém por perto e quase sem respirar (de medo), grudava os olhos na telona. O noticiário, os gols e os trailers pareciam intermináveis até começar o “filme proibido” que, em muitos trechos, me deixava vexado. A parte ruim da burla à lei era a necessidade de abandonar o “local do crime” antes do final para fugir dos fiscais postados junto à saída.

Confesso que nem sempre compreendia o enredo, mas isso era secundário. Bom mesmo era encontrar a gurizada e me gabar de ter assistido ao filme, caprichar nos detalhes, exagerar bastante e sair com fama de adulto.

Escolhas

Quando Deus nos criou, ele nos deu livre-arbítrio, o poder de escolha, a possibilidade de decidir, escolher em função da própria vontade, isentos de qualquer condicionamento, motivo ou causa determinante.

Ao mesmo tempo que nós temos livre-arbítrio, Deus trabalha em tudo para que a sua vontade seja feita. Nós tomamos decisões, mas Deus tem a última palavra sobre o que acontece, entretanto, devemos sempre ter em mente que ao passo que somos livres para fazer nossas escolhas, também seremos prisioneiros das suas consequências. Tudo é permissão Divina.

É impossível racionalizar logicamente sobre os métodos de Deus, em 1ª Coríntios 1:27-29 lemos:  “Mas Deus escolheu as coisas loucas deste mundo para confundir as sábias; e Deus escolheu as coisas fracas deste mundo para confundir as fortes; E Deus escolheu as coisas vis deste mundo, e as desprezíveis, e as que não são, para aniquilar as que são: Para que nenhuma carne se glorie perante ele. ”

Temos que ter muito cuidado com aqueles que se dizem enviados Tpor Deus, em 1ª João 4:1, lemos: “Queridos amigos, não deem crédito a todos os que dizem que são inspirados por Deus. Ao contrário, ponham-nos à prova e verifiquem se o espírito que eles têm é mesmo de Deus ou não, pois muitos falsos profetas têm saído pelo mundo afora.”  Em Mateus 7:15, lemos: “Acautelai-vos quanto aos falsos profetas. Eles se aproximam de vós disfarçados de ovelhas, mas no seu íntimo são como lobos devoradores.”

A circunstancia é uma péssima influencia para a tomada de uma decisão, e quanto pior for será maior a probabilidade de toma-la de forma errada. Em Mateus 24, lemos: “...Nessa época, muitos ficarão escandalizados, trairão uns aos outros e se odiarão mutuamente. Então, numerosos falsos profetas surgirão e enganarão a muitos. E, por causa da multiplicação da maldade, o amor da maioria das pessoas se esfriará. “

No caso do atual presidente do Brasil, o Sr. Jair Bolsonaro, que se diz Cristão , mas fala em matar; diz que terá ministros “terrivelmente evangélicos”, e, se diz enviado por DEUS para cumprir uma missão divina. Acredito que realmente está cumprindo com ela.
Bolsonaro é soberbo, inculto, ludibriador e tirano. Defensor das armas, dos agrotóxicos, do desmatamento, da segregação social, do desmonte público; Ele fomenta a ignorância, desfavorece os mais necessitados, aliás, nem se quer os reconhece, também favorece os exploradores. Debocha e discursa com termos de baixo calão, torna-se difícil ver nele a presença do Espirito Santo de Deus.

Deus nos ensina que quando não se aprende pelo amor, se aprende pela dor. Se o próprio Lúcifer foi permissão divina, sem dúvida Bolsonaro cumpre com sua missão, está ensinado a lição do arrependimento e das  nefastas consequências das escolhas erradas.

Oremos para que DEUS salve a nossa nação!!!