O Farroupilha
GILBERTO JASPER
Goldon ou Maltês?

O português é um idioma com mais exceções que regras. Mas o lado bom é a dinâmica, a mesma que confunde os estrangeiros e ao mesmo tempo empresta atualidade a partir dos frequentes neologismos. Com o passar do tempo alguns ditados caem em desuso ou mudam de significado. Exemplo? A expressão “vida de cachorro”, originalmente concebida para definir quem leva uma vida sofrida, com poucos recursos.
Hoje, “viver como um cachorro” desperta a inveja de muita gente. De abandonos, comendo restos de alimentos e dormindo ao relento, os cães ocupam lugar privilegiado no cotidiano de milhões de brasileiros. A revista Exame, no dia 2 de maio, ostentou a seguinte manchete: “Mercado pet deve faturar R$ 20 bilhões em 2020”. A reportagem revela que existem mais de 132 milhões de estimação no país, conforme levantamento do IBGE.
Nesta onda já é permitida a presença dos mascotes em lugares outrora inimagináveis, como shoppings e restaurantes. Respeito opiniões em contrário, mas considero uma demasia. Vejo animaizinhos estressados em meio à confusão de lojas nos sábados à tarde no Iguatemi, em Porto Alegre. Outro patinam ao tentar caminhar nos corredores apinhados de gente.
 Verdade ou não, dizem que muitos animais se assemelham aos donos, em fisionomia e temperamento. Conheci um adestrador que afirmou:
- Não existem animais estressados. Existem, isto sim, donos estressados!
Neste quesito, temos um maltês, o Fiuk, nove anos, tempo que espero tornar-se um cachorro cordato, calmo e obediente. Por enquanto, late desesperadamente, rosna para mim sempre que pode – até quando o levo para passear! – e já roeu todos os cantos inferiores das portas da casa.
Na vida real, eu mesmo gostaria de ser como um Golden retriever, raça originária da Grã-Bretanha, desenvolvido para a caça de aves aquáticas. Todos os dias, por volta das 7h, espero a lotação em uma parada de ônibus e uma mulher passa caminhando lentamente segurando uma coleira com um destes cachorros. Ônibus passam a poucos centímetros, buzinas tocam em alto som, mas nada tira o Golden do sério. Ele segue impávido, indiferente à zoeira em volta. De tão calmo servem de montaria para as crianças. São dóceis e pacientes. São qualidades que desconheço.
Sou um quase sessentão ansioso e agitado, que dorme pouco, mas raramente tem insônia ou dificuldades para conciliar o sono. Neste quesito me assemelho muito mais ao Fiuk - o maltês que inferniza nossa casa, espalhando estresse, bagunça e barulho. Talvez a convivência tenha influenciado um ou outro... vai saber! 
Sou apegado a animais desde a infância, na colônia, mas acho que há um exagero, uma “humanização” equivocada no convívio com os animais de estimação.

Goldon ou Maltês?

O português é um idioma com mais exceções que regras. Mas o lado bom é a dinâmica, a mesma que confunde os estrangeiros e ao mesmo tempo empresta atualidade a partir dos frequentes neologismos. Com o passar do tempo alguns ditados caem em desuso ou mudam de significado. Exemplo? A expressão “vida de cachorro”, originalmente concebida para definir quem leva uma vida sofrida, com poucos recursos.
Hoje, “viver como um cachorro” desperta a inveja de muita gente. De abandonos, comendo restos de alimentos e dormindo ao relento, os cães ocupam lugar privilegiado no cotidiano de milhões de brasileiros. A revista Exame, no dia 2 de maio, ostentou a seguinte manchete: “Mercado pet deve faturar R$ 20 bilhões em 2020”. A reportagem revela que existem mais de 132 milhões de estimação no país, conforme levantamento do IBGE.
Nesta onda já é permitida a presença dos mascotes em lugares outrora inimagináveis, como shoppings e restaurantes. Respeito opiniões em contrário, mas considero uma demasia. Vejo animaizinhos estressados em meio à confusão de lojas nos sábados à tarde no Iguatemi, em Porto Alegre. Outro patinam ao tentar caminhar nos corredores apinhados de gente.
 Verdade ou não, dizem que muitos animais se assemelham aos donos, em fisionomia e temperamento. Conheci um adestrador que afirmou:
- Não existem animais estressados. Existem, isto sim, donos estressados!
Neste quesito, temos um maltês, o Fiuk, nove anos, tempo que espero tornar-se um cachorro cordato, calmo e obediente. Por enquanto, late desesperadamente, rosna para mim sempre que pode – até quando o levo para passear! – e já roeu todos os cantos inferiores das portas da casa.
Na vida real, eu mesmo gostaria de ser como um Golden retriever, raça originária da Grã-Bretanha, desenvolvido para a caça de aves aquáticas. Todos os dias, por volta das 7h, espero a lotação em uma parada de ônibus e uma mulher passa caminhando lentamente segurando uma coleira com um destes cachorros. Ônibus passam a poucos centímetros, buzinas tocam em alto som, mas nada tira o Golden do sério. Ele segue impávido, indiferente à zoeira em volta. De tão calmo servem de montaria para as crianças. São dóceis e pacientes. São qualidades que desconheço.
Sou um quase sessentão ansioso e agitado, que dorme pouco, mas raramente tem insônia ou dificuldades para conciliar o sono. Neste quesito me assemelho muito mais ao Fiuk - o maltês que inferniza nossa casa, espalhando estresse, bagunça e barulho. Talvez a convivência tenha influenciado um ou outro... vai saber! 
Sou apegado a animais desde a infância, na colônia, mas acho que há um exagero, uma “humanização” equivocada no convívio com os animais de estimação.

É difícil Ser Humano

No final de semana li um texto provocativo. Só depois constatei tratar-se da coluna de Bruna Lombardi, cujo talento como atriz é inegável, com desenvoltura como cronista. O conteúdo tratava, em resumo, do conflito entre o que realmente somos e o que precisamos ser no contexto social onde estamos inseridos.
“Bem de perto ninguém é normal”, reza o ditado tão antigo quanto a humanidade, um verdade inquestionável. Em frente do espelho ou no aconchego do travesseiro mentir é impossível. Alguns traços da nossa personalidade pouco aparecem, disfarçados ou escamoteados para sobreviver neste mundo cada vez voltado às aparências.
A hipocrisia existe para viabilizar a vida em sociedade. Já pensou dizer o que se pensa de verdade para todo mundo? Será que o (a) nosso (a) melhor amigo (a) manteria a relação caso falássemos tudo o que pensamos dele (a)? E nós, sobreviveríamos diante da opinião 100% sincera daqueles que nos cercam?
 Viver é um exercício de equilíbrio entre ser aceito e manter a essência de nossa origem. A opinião sobre as pessoas é uma imbricada fórmula que reúne opiniões pré-concebidas – e isso envolve desde a profissão até a origem -, alguma experiência anterior de convivência e o que nossos amigos pensam sobre determinada pessoa.
Perdoar, admitir falhas alheias e ter tolerância na rotina são outras regras que permeiam determinado conceito sobre as pessoas. A tolerância talvez seja a mais difícil das qualidades neste mundo permanentemente conectado, de vigília constante de todos contra todos e onde as aparências parecem mais relevantes que o conteúdo.
A herança genética, os ambientes frequentados e os amigos compõem o mosaico de critérios para julgar as pessoas. Ouço seguidamente que “somos o resumo das cinco pessoas com quem mais convivemos”. Será verdade? Olhe em volta e responda se isso corresponde à sua realidade.
Todos os dias somos testados em nossas crenças. Isso não tem nada a ver com religião, mas com a fidelidade a princípios pelos quais montamos a régua com a qual medidos os outros. Amigos e afetos em geral quase sempre possuem o condão de exacerbar a nossa tolerância. O perdão para pessoas queridas por vezes macula nossos julgamentos, afinal, somos humanos.
Manter nossos princípios sem afugentar as pessoas queridas fomenta um permanente conflito interno, embora nem sempre nos demos conta. A correria da rotina, a maturidade e a convivência nos fazem funcionar “no automático”, sem maiores reflexões. Ao refletir, as dúvidas afloram e obrigam a novas avaliações. É a vida e seus paradoxos.

O profissional com síndrome de Down

Na primeira vez que a vi oferecendo a degustação de produtos no supermercado, de cara Cíntia se fez notar por sua simpatia e profissionalismo. “O senhor já experimentou nossa água de coco?”, perguntou ao me abordar. “Não”, respondi balançando negativamente a cabeça. Ela calmamente colocou o líquido num copinho plástico descartável e me deu: “Entre os benefícios da água de coco, estão o fato de ela ser extremamente rica em sais minerais e apresentar baixíssimo teor calórico”.
Agradeci-lhe a explicação, ao mesmo tempo em que tentei ler seu nome no crachá de identificação pendurado no pescoço: “Como você se chama?”. Ela respondeu com um belo sorriso estampado no rosto arredondado: “Cíntia de Paula Nogueira. De Paula, herdei do meu pai, Nogueira, de minha mãe”. Indaguei se gostava de seu trabalho. “Adoro! Eu sou a garota Bistek”, respondeu, me fitando com seus olhos amendoados. Cíntia é down. E espalha alegria a todos que transitam próximo ao seu ponto de venda no Supermercado Bistek, em Itajaí.
Antigamente, um jovem com síndrome de Down raramente era apresentado ao mundo do trabalho. Hoje, graças à Lei de Cotas nº 8213/1991, que obriga empresas que têm 100 funcionários ou mais a contratar pessoas com deficiência, eles vêm ganhando espaço no mercado e mostrando que não é só um cromossomo a mais: é mais amor, carinho e verdade. E muitos estão abrindo negócios próprios e fazendo o maior sucesso.
Em San Isidro, Argentina, quatro amigos com síndrome de Down abriram a Los Perejiles, uma empresa de pizza a domicílio que já emprega mais de 20 funcionários. Em Nova York, John Cronin criou a John’s Crazy Socks, uma marca com mais de mil opções diferentes de meias coloridas e estilosas que tem o primeiro-ministro do Canadá como cliente e já fatura R$ 15 milhões por ano. Em São Paulo, Jéssica Pereira montou o Bellatucci Café, onde todos os colaboradores têm algum tipo de deficiência. O site da empresa reflete bem o principal obstáculo que os profissionais com síndrome de Down precisam superar para que conquistem o protagonismo no mercado de trabalho: “Lutamos pela real inclusão, na qual, em vez de as pessoas nos olharem e dizer ‘ai que bonitinhos!’, elas devem olhar o nosso trabalho e dizer “sim, eles são capazes e competentes!”. 

É difícil Ser Humano

No final de semana li um texto provocativo. Só depois constatei tratar-se da coluna de Bruna Lombardi, cujo talento como atriz é inegável, com desenvoltura como cronista. O conteúdo tratava, em resumo, do conflito entre o que realmente somos e o que precisamos ser no contexto social onde estamos inseridos.
“Bem de perto ninguém é normal”, reza o ditado tão antigo quanto a humanidade, um verdade inquestionável. Em frente do espelho ou no aconchego do travesseiro mentir é impossível. Alguns traços da nossa personalidade pouco aparecem, disfarçados ou escamoteados para sobreviver neste mundo cada vez voltado às aparências.
A hipocrisia existe para viabilizar a vida em sociedade. Já pensou dizer o que se pensa de verdade para todo mundo? Será que o (a) nosso (a) melhor amigo (a) manteria a relação caso falássemos tudo o que pensamos dele (a)? E nós, sobreviveríamos diante da opinião 100% sincera daqueles que nos cercam?
 Viver é um exercício de equilíbrio entre ser aceito e manter a essência de nossa origem. A opinião sobre as pessoas é uma imbricada fórmula que reúne opiniões pré-concebidas – e isso envolve desde a profissão até a origem -, alguma experiência anterior de convivência e o que nossos amigos pensam sobre determinada pessoa.
Perdoar, admitir falhas alheias e ter tolerância na rotina são outras regras que permeiam determinado conceito sobre as pessoas. A tolerância talvez seja a mais difícil das qualidades neste mundo permanentemente conectado, de vigília constante de todos contra todos e onde as aparências parecem mais relevantes que o conteúdo.
A herança genética, os ambientes frequentados e os amigos compõem o mosaico de critérios para julgar as pessoas. Ouço seguidamente que “somos o resumo das cinco pessoas com quem mais convivemos”. Será verdade? Olhe em volta e responda se isso corresponde à sua realidade.
Todos os dias somos testados em nossas crenças. Isso não tem nada a ver com religião, mas com a fidelidade a princípios pelos quais montamos a régua com a qual medidos os outros. Amigos e afetos em geral quase sempre possuem o condão de exacerbar a nossa tolerância. O perdão para pessoas queridas por vezes macula nossos julgamentos, afinal, somos humanos.
Manter nossos princípios sem afugentar as pessoas queridas fomenta um permanente conflito interno, embora nem sempre nos demos conta. A correria da rotina, a maturidade e a convivência nos fazem funcionar “no automático”, sem maiores reflexões. Ao refletir, as dúvidas afloram e obrigam a novas avaliações. É a vida e seus paradoxos.

Filme “Adulto”

Ver filme de “mulher pelada” era um sonho para quem foi piá nas décadas de 70 e 80, como eu, nascido em 1960. As revistas, contrabandeadas por amigos, principalmente Playboy, eram soluções impensáveis.

Existiam também  livros de bolso, recheados de cenas caliente. Páginas e páginas de “preliminares”, alimentavam a imaginação numa fábrica de fantasias picantes. Obras de Cassandra Rios também circulavam, mas eram bastante raras.

O grande sonho era fazer 18 anos para assistir aos filmes “de mulher pelada”. Naquela época existiam fiscais do Juizado de Menores. Eles perambulavam pelas salas escuras dos cinemas, festas, bailes de olho naqueles que queimavam etapas. Ser flagrado era um grande fiasco. Submetia os pais a um grande vexame.

Em Arroio do Meio - onde nasci e passei minha adolescência - eram 5 mil habitantes. Domingos à noite havia sessão dupla onde eram exibidos filmes “impróprios para menores”.

Assim que os cartazes eram afixados no hall do cinema começávamos a imaginar o roteiro, ricos em detalhes, nuances libidinosas. Imitávamos até a voz do galã.

Vera Fischer, Sônia Braga, Nicole Puzi, Matilde Mastrangi, Aldine Müller, Sandra Barsotti, Angelina Muniz, Sandra Bréa, Helena Ramos, Zaira Bueno, Adele Fátima, Selma Egrei, Lucélia Santos... nomes que faziam suspirar. Ver um destes talentos brasileiros em destaque no cartaz era garantia de “filme adulto”.

Ainda “de menor” consegui assistir a alguns filmes, graças à amizade forjada com um arrendatário do Cine Real, o único da cidade. O acesso era digno de uma trama de suspense, pontilhado de perigos, manobras e sustos.
A subida ao mezanino só era autorizada quando iniciava a exibição do Canal 100 - com os gols dos principais jogos de futebol do país - e as luzes fossem desligadas.

Num canto escuro, sem ninguém por perto e quase sem respirar (de medo), grudava os olhos na telona. O noticiário, os gols e os trailers pareciam intermináveis até começar o “filme proibido” que, em muitos trechos, me deixava vexado. A parte ruim da burla à lei era a necessidade de abandonar o “local do crime” antes do final para fugir dos fiscais postados junto à saída.

Confesso que nem sempre compreendia o enredo, mas isso era secundário. Bom mesmo era encontrar a gurizada e me gabar de ter assistido ao filme, caprichar nos detalhes, exagerar bastante e sair com fama de adulto.

Escolhas

Quando Deus nos criou, ele nos deu livre-arbítrio, o poder de escolha, a possibilidade de decidir, escolher em função da própria vontade, isentos de qualquer condicionamento, motivo ou causa determinante.

Ao mesmo tempo que nós temos livre-arbítrio, Deus trabalha em tudo para que a sua vontade seja feita. Nós tomamos decisões, mas Deus tem a última palavra sobre o que acontece, entretanto, devemos sempre ter em mente que ao passo que somos livres para fazer nossas escolhas, também seremos prisioneiros das suas consequências. Tudo é permissão Divina.

É impossível racionalizar logicamente sobre os métodos de Deus, em 1ª Coríntios 1:27-29 lemos:  “Mas Deus escolheu as coisas loucas deste mundo para confundir as sábias; e Deus escolheu as coisas fracas deste mundo para confundir as fortes; E Deus escolheu as coisas vis deste mundo, e as desprezíveis, e as que não são, para aniquilar as que são: Para que nenhuma carne se glorie perante ele. ”

Temos que ter muito cuidado com aqueles que se dizem enviados Tpor Deus, em 1ª João 4:1, lemos: “Queridos amigos, não deem crédito a todos os que dizem que são inspirados por Deus. Ao contrário, ponham-nos à prova e verifiquem se o espírito que eles têm é mesmo de Deus ou não, pois muitos falsos profetas têm saído pelo mundo afora.”  Em Mateus 7:15, lemos: “Acautelai-vos quanto aos falsos profetas. Eles se aproximam de vós disfarçados de ovelhas, mas no seu íntimo são como lobos devoradores.”

A circunstancia é uma péssima influencia para a tomada de uma decisão, e quanto pior for será maior a probabilidade de toma-la de forma errada. Em Mateus 24, lemos: “...Nessa época, muitos ficarão escandalizados, trairão uns aos outros e se odiarão mutuamente. Então, numerosos falsos profetas surgirão e enganarão a muitos. E, por causa da multiplicação da maldade, o amor da maioria das pessoas se esfriará. “

No caso do atual presidente do Brasil, o Sr. Jair Bolsonaro, que se diz Cristão , mas fala em matar; diz que terá ministros “terrivelmente evangélicos”, e, se diz enviado por DEUS para cumprir uma missão divina. Acredito que realmente está cumprindo com ela.
Bolsonaro é soberbo, inculto, ludibriador e tirano. Defensor das armas, dos agrotóxicos, do desmatamento, da segregação social, do desmonte público; Ele fomenta a ignorância, desfavorece os mais necessitados, aliás, nem se quer os reconhece, também favorece os exploradores. Debocha e discursa com termos de baixo calão, torna-se difícil ver nele a presença do Espirito Santo de Deus.

Deus nos ensina que quando não se aprende pelo amor, se aprende pela dor. Se o próprio Lúcifer foi permissão divina, sem dúvida Bolsonaro cumpre com sua missão, está ensinado a lição do arrependimento e das  nefastas consequências das escolhas erradas.

Oremos para que DEUS salve a nossa nação!!! 

Filme “Adulto”

Ver filme de “mulher pelada” era um sonho para quem foi piá nas décadas de 70 e 80, como eu, nascido em 1960. As revistas, contrabandeadas por amigos, principalmente Playboy, eram soluções impensáveis.

Existiam também  livros de bolso, recheados de cenas caliente. Páginas e páginas de “preliminares”, alimentavam a imaginação numa fábrica de fantasias picantes. Obras de Cassandra Rios também circulavam, mas eram bastante raras.

O grande sonho era fazer 18 anos para assistir aos filmes “de mulher pelada”. Naquela época existiam fiscais do Juizado de Menores. Eles perambulavam pelas salas escuras dos cinemas, festas, bailes de olho naqueles que queimavam etapas. Ser flagrado era um grande fiasco. Submetia os pais a um grande vexame.

Em Arroio do Meio - onde nasci e passei minha adolescência - eram 5 mil habitantes. Domingos à noite havia sessão dupla onde eram exibidos filmes “impróprios para menores”.
Assim que os cartazes eram afixados no hall do cinema começávamos a imaginar o roteiro, ricos em detalhes, nuances libidinosas. Imitávamos até a voz do galã.

Vera Fischer, Sônia Braga, Nicole Puzi, Matilde Mastrangi, Aldine Müller, Sandra Barsotti, Angelina Muniz, Sandra Bréa, Helena Ramos, Zaira Bueno, Adele Fátima, Selma Egrei, Lucélia Santos... nomes que faziam suspirar. Ver um destes talentos brasileiros em destaque no cartaz era garantia de “filme adulto”.

Ainda “de menor” consegui assistir a alguns filmes, graças à amizade forjada com um arrendatário do Cine Real, o único da cidade. O acesso era digno de uma trama de suspense, pontilhado de perigos, manobras e sustos.
A subida ao mezanino só era autorizada quando iniciava a exibição do Canal 100 - com os gols dos principais jogos de futebol do país - e as luzes fossem desligadas.

Num canto escuro, sem ninguém por perto e quase sem respirar (de medo), grudava os olhos na telona. O noticiário, os gols e os trailers pareciam intermináveis até começar o “filme proibido” que, em muitos trechos, me deixava vexado. A parte ruim da burla à lei era a necessidade de abandonar o “local do crime” antes do final para fugir dos fiscais postados junto à saída.
Confesso que nem sempre compreendia o enredo, mas isso era secundário. Bom mesmo era encontrar a gurizada e me gabar de ter assistido ao filme, caprichar nos detalhes, exagerar bastante e sair com fama de adulto.
 

“Ah! vai tomar banho”

Por causa da chegada da estação dos narizes gelados, um jornal gaúcho perguntou em sua enquete on-line: “Você mata o banho no inverno?” Entre as opções, 65,96% votaram “Não, tomo banho todos os dias”, 19,15% “Sim, mas apenas um dia”, e 14,89% “Sim, mais de um dia seguido”. Como praticamente um terço da gauchada tem pulado a ducha diária, um item de higiene corporal está ficando encalhado nas prateleiras dos supermercados: o sabonete. A Associação Gaúcha de Supermercados (Agas) divulgou uma pesquisa que aponta que o sabonete teve uma queda de 8% nas vendas.

Cresci ouvindo a expressão popular: “Banho? Hoje não é sábado!”. É só brincadeira, claro! Mas quanto tempo podemos ficar sem tomar banho? Segundo especialistas, uma chuveirada por dia é o ideal para eliminar a sujeira e não tirar a proteção natural da pele. Mais do que isso, pode ressecar e desidratar a pele – principalmente se a água estiver “pelando”. E para aqueles que nos dias frios tomar banho vira prova de resistência, eis que trago boa notícia: dá para ficar sem encarar o chuveiro por até cinco dias sem causar danos à saúde .

O certo é que, dependendo do compromisso assumido, não dá para enforcar o banho. Digo por experiência própria, pois certa vez fui convidado para dar uma palestra numa escola. Era inverno, chovia e fazia um friozão. Minha fala estava marcada para começar às 8h e, assim que o despertador do celular tocou, saltei da cama tão entusiasmado que quase executei o belo salto “duplo twist carpado” da ginasta Daiane dos Santos, e corri para o chuveiro. E, ao ligá-lo, surpresa: o bairro onde estava havia amanhecido sem água. “E agora? O que faço?”, pensei. Não tive alternativa senão aproveitar a chuvarada. Isso mesmo! Tomei banho com a água da chuva que caía no telhado e descia pela calha como uma pequena cachoeira.

Mas peraí, se banho é bom, porque mandar alguém ir “tomar banho” se tornou uma expressão de xingamento, e significa o mesmo que “cala a boca”? A explicação está na ideia que vincula o banho à higiene, ligada, por sua vez, à pureza. Então, nesse sentido, tomar banho seria purificar-se a fim de melhorar certos aspectos do caráter. Por isso tem gente que vê na TV pessoas “pregando moral de cueca” e tem vontade de gritar: “Ah! Vai tomar banho”.
 

Pessoas que inspiram

Em maio recebi meu primeiro benefício como aposentado. O processo, desde o protocolo do pedido até a resposta final positiva, demorou cerca de oito meses. As críticas ao serviço público são quase redundantes, mas devo reconhecer a agilidade, apesar de o INSS ter perdido mais de 40% da força de trabalho na agência em Porto Alegre, onde o processo tramitou.
Fiquei surpreso ao verificar que não precisava sair à cata para arrolar os empregos ocupados ao longo da trajetória. A partir do pedido, o instituto forneceu a relação dos lugares onde trabalhei com datas (admissão e demissão) e valores recolhidos. Esta certidão levou-me à reflexão sobre a diversidade de pessoas com quem convivi ao longo de mais de 40 anos de atividade.

Conhecer gente nova é o meu maior estímulo. Já escrevi que o jornalismo curou a minha timidez crônica que durou até os vinte e poucos anos. A convivência “por coincidência” e imprevista nos torna mais “cascudos”, para usar uma linguagem futebolística. Fornece experiência e subsídios para enfrentar pessoas com temperamentos que às vezes nos tiram do sério.

Trabalhar com jovens é uma rotina de muitos anos. Estagiários ou novatos na profissão povoam meu dia a dia. Quase sempre são contestadores, cheios de informação e desprovidos de experiência profissional e de vida. Já convivi com idosos que, depois de demitidos, continuaram meus amigos e lamentavam a morte de companheiros de uma vida toda.

A maioria dos trabalhadores convive mais tempo com os colegas do que com seus familiares. Daí a relação de parceria muitas vezes forja uma amizade duradoura. Outra recompensa é a possibilidade de autoajuda, a partir de amigos que podem ajudar em temas de saúde, assistência, oportunidades de emprego e outros.

Em datas que assinalam o aniversário destes amigos ex-colegas soa como retrospectiva que faz brotar risos e introspecção. Nem só de episódios felizes é feito o currículo profissional. Há perdas, acontecimentos tristes e descaminhos muitas vezes descobertos depois que a relação profissional termina.

Para muitas pessoas trabalhar é apenas artifício para pagar despesas. Desde cedo aprendi com meu pai a importância de fazer a atividade profissional algo prazeroso. O velho Giba repetia:
- Se pudesse escolher, certamente a maioria das pessoas preferia ficar em casa ou viajando. A solução, para reduzir este sofrimento, é descobrir detalhes que nos fazem felizes.

Gostaria de ficar em casa de vez em quando, mas admito que meu trabalho é uma realização pessoal e profissional. Às vezes é sofrido e desgastante, mas cada dia vale a pena por conhecer pessoas que iluminam e inspiram.