O Farroupilha
SÉRGIO ALMEIDA
Depois da hora não é mais hora

 Mesmo tendo situações de vida diferentes, todo mundo, de uma maneira ou de outra, se identifica com a postagem melancólica do jornalista cachoeirense Vinícius Severo, em sua página no Facebook: “Exatos sete anos atrás, eu caminhava desempregado pelo centro da cidade, refletindo sobras todas as ‘burradas’ que havia feito. Num banco semidestruído da praça, comecei a me sentir um lixo em que até dói a lembrança. Ainda tem dias que me sinto aquele Vini caminhando pela praça e decepcionado por tudo que não fiz”.
Fiquei matutando se não se trata do mesmo banco semidestruído da Praça José Bonifácio, em Cachoeira do Sul, que eu, na manhã de 2 de fevereiro de 1995, minutos após ter sido demitido do Banco Bamerindus, sentei e permaneci um tempão, a chorar como se não houvesse futuro. O certo é que na vida todos temos segredos inconfessáveis, sonhos inatingíveis, amores inesquecíveis e arrependimentos irreversíveis.

Uma enfermeira australiana que cuida de pacientes em suas últimas semanas de vida, relatou em livro os maiores arrependimentos na hora da morte. Um deles é: “Queria não ter trabalhado tanto”: No fim da vida, muitos falaram sobre a tristeza de não ter estado tão presente na vida dos filhos. Outro é: “Queria ter expressado melhor os meus sentimentos”: Afim de levar uma vida de paz com os outros, eles acabaram escondendo suas emoções. A terceira lamentação: “Queria ter tido mais contato com meus amigos”. Todos foram perdendo grandes amizades ao longo dos anos. O quarto pesar é bem clichê: “Queria ter me permitido ser mais feliz”: O medo de mudar fez com que fingissem para os outros que estavam satisfeitos com relação à vida que estavam levando. E, por fim, o arrependimento mais comum: “Queria ter tido a coragem de viver a vida que eu queria, não a vida que os outros esperavam que eu vivesse”. Conforme a enfermeira, muitos, quando percebem que sua vida chegou ao fim, constatam que foram o que os outros quiseram que eles fossem. Como alguém disse: “Todos nascemos originais, mas morremos cópias”.

Assim sendo, não é preciso esperar o último dia para descobrir que remédios não curam doenças da alma. Talvez essa tenha sido a mensagem que o radialista José Schneider Silva, apresentador do Programa Matutino no Ar, na Rádio Cachoeira, tentou enviar através de seu famoso bordão: “Antes da hora não é hora, depois da hora não é mais hora”. Então, olha a hora!
 

Você é “de menos” ou “demais”?

Devido aos preparativos para o lançamento de mais uma edição do meu livro Sucesso é Viver na Contramão do Mundo, marquei uma reunião com Arcangelo Zorzi, o popular “Maneco”, proprietário da Maneco Livraria & Editora, para discutirmos o assunto. Como tive que aguardar alguns instantes, aproveitei para comer um quindim. Sou doido por quindim! (melhor que quindim, só mousse de limão sem gelatina). E, na livraria, tinha um café bem simpático, num cantinho charmoso e aconchegante, para a relaxante leitura de um bom livro.

A moça que me atendeu, muito agradável e educada, após me entregar o doce, me ofereceu uma colher. Pensei: “Uma colher para o quindim? Espetacular!”. Uma empresa pode ter um ótimo produto, um excelente atendimento, mas se todas também têm, não há nenhum diferencial. No entanto, se o quindim tem uma colher, e o concorrente não tem, bingo! Esse pode ser uma ótima vantagem competitiva.

E você, já parou para pensar sobre qual é o seu diferencial competitivo? Talvez seja proatividade? Quem sabe seja mestre em fazer um bom marketing pessoal? Ou, quiça, pratique a excelência no atendimento? Quando eu morava em Caxias do Sul e era proprietário da Loja da Eko’7, na Rua Os Dezoito do Forte, a gerente tinha todos esses atributos. Signe Nascimento, que atualmente é gestora da Tudo 123 Comércio de Utilidades, em Farroupilha, se esforçava para fazer as coisas acontecerem, sabia se vender como ninguém e os clientes adoravam seu atendimento personalizado. Signe não precisava usar uma camiseta com a frase: “Sou boa no que faço!”. Ela fazia muito bem o seu trabalho como se fosse a dona da empresa. Isso a tornava uma “profissional de menos”. “Peraí, Sérgio, ‘de menos’? Não seria ‘demais’?”. Vou explicar.

Alex Kerber, amigo porto-alegrense, certa vez me alertou: “Um profissional diferenciado não é um cara demais, pois tudo o que é demais está sobrando, tem muito... na verdade, ele é um cara de menos. Ele é único. Ele não é apenas mais um no mercado”.
Portanto, descubra e coloque em prática o que fará com que você se destaque em meio aos outros e, quando disserem: “Você é demais!”, rebata imediatamente: “Nada disso. Eu sou de menos, pois sou único”.
 

Conte pra Deus, não pro Facebook

Meu pai, José Benemídio Almeida, com 81 anos, se sentiu mal e foi levado às pressas ao hospital. Tão logo fui avisado, reuni a família aqui em Itajaí e juntos oramos a Deus. A fala do José, 12 anos, foi inocente, mas sincera: “Senhor Deus, que o vô consiga ficar bem, que não aconteça nada de mal, que o vô consiga viver ainda bastante, pois ele é um ótimo avô, e que consiga sobreviver a isso, em nome de Jesus, amém!”. Eu gravei com o celular a oração e a enviei via WhatsApp para meu pai que, ao escutá-la se emocionou a ponto de não conseguir pronunciar uma só palavra. No dia seguinte, ele me confessou: “A oração do meu neto me tocou bastante”.

Orar não se trata de forçar Deus a fazer nossa vontade ou realizar nossos desejos e caprichos, mas de crer que, caso nosso pedido se alinhe com a Sua vontade, Ele nos concederá aquilo que necessitamos ou aspiramos. Por isso, faço conhecer minhas petições a Deus, mas, a exemplo da oração de Jesus no Getsêmani, finalizo com a frase “que seja feita a tua vontade”, já que Ele sabe o que é melhor para mim.
Ironicamente, conheço gente que afirma acreditar na existência de Deus – e até frequenta um templo religioso –, mas não está plenamente convencido que o Espírito Santo (domingo, dia 9, foi o “Dia de Pentecostes”, quando se comemora a descida do Espírito Santo sobre os apóstolos de Jesus), leva a causa de quem ora perante Deus. Recentemente, um deles me questionou: “Você acredita que Deus ouve sua oração?”. Eu perguntei: “Quando quem está do outro lado da linha telefônica responde ‘alô’, você escuta sua voz?”. Ele justificou: “Mas isso é tecnologia!”. De bate-pronto, rebati: “E o que é maior, Deus ou a tecnologia?”.

Eu creio que tenho um privilégio sem igual: falar com Deus sem rodeios – a qualquer momento e lugar. E quando sinto como se estivesse carregando o peso do mundo em minhas costas, me lembro do convite de Jesus: “Vinde a mim, todos os que estão cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei”. É como ouvir uma voz ao pé do ouvido: “Conte pra mim seus problemas e não para o Facebook, já que eu não os compartilho com ninguém seus segredos. E deixe Eu ser Deus na sua vida, pois Eu faço a minha parte melhor que você!”.
Ah, sobre meu pai? A oração do neto moveu o céu e o avô está esbanjando saúde e vitalidade. Brigaduuu, Jesus!!!
 

“Cartão vermelho” por WhatsApp

O WhatsApp foi criado em 2009 por dois ex-funcionários do Yahoo e mudou a maneira como as pessoas se comunicam. O nome escolhido é uma brincadeira com a expressão What’s up, que significa algo como E aí? ou O que está rolando?. Além do uso social, o WhatsApp se tornou uma das principais ferramentas do mundo corporativo. Por oferecer um serviço de troca de vídeos, fotos e mensagens instantâneas, empresas têm adotado o aplicativo como um canal de comunicação para se relacionar com clientes e colaboradores. Porém, como você se sentiria se fosse mandado embora do emprego por WhatApp?
Pois o futebolista Cleverson Rosário passou por essa situação no dia 26 de abril, ao receber por mensagem de texto a notícia de que seu contrato com o Ypiranga de Erechim seria rescindido (a notícia saiu até no GloboEsporte.com). Ontem estivemos reunidos presidente eu e Fabiano, durante ida pra Vacaria e ele não conta contigo, foi o comunicado do diretor do clube que disputa o Brasileirão Série C. Chateado, Cleverson, que jogou em diversos clubes do país, pelo Twitter, brincou com a situação inusitada: Já fui dispensado por jogar mal, perder gol, indisciplina, por ser feio, por jogar muito, por ser campeão, por muitas coisas. Mas por Whats foi a primeira vez.
Cleverson tem razão para estar chateado. Situações como essa, que se repetem aqui e ali, além de expor a falta de uma política para demissões na empresa, é um gesto de indelicadeza e de desrespeito à dignidade do profissional. Em um processo correto, o atleta deveria estar em um espaço adequado para que o gestor pudesse explicar o motivo da dispensa e reconhecer o trabalho que ele desempenhou no clube – além de evitar que o desligamento se torne um trauma –, pois antes do ser profissional existe outro, mais importante, o ser humano.
Num mercado competitivo, onde às vezes é preciso chorar debaixo do chuveiro, na hora do banho, para esconder as lágrimas, nada mais cruel do que ser demitido por WhatsApp. Uma atitude despida do respeito que deve nortear as relações entre empregador e empregado e que pode manchar a imagem da empresa ou até mesmo causar danos na continuidade da carreira de quem recebe o cartão vermelho. 
 

Gari: o profissional que “limpa o mundo”

No dia 16 de maio comemorou-se o Dia do Gari. É isso aí! Quinta-feira foi o dia de aplaudir essa turma invisível, que passa despercebida pela maioria das pessoas, e é responsável pela manutenção da limpeza pública de nossa cidade. O termo gari surgiu em 1876, quando o francês Pedro Aleixo Gary fundou a primeira empresa de coleta de lixo no Rio de Janeiro. Na época do Brasil Império, quando os cariocas precisavam que as ruas fossem limpas após a passagem dos cavalos, chamavam a turma do gari.
Cresci vendo as pessoas apontarem para o caminhão do lixo e dizerem: Lá vem os lixeiros. E ouvindo o conselho: Estude, se não quiser acabar como lixeiro. Hoje, tendo em vista a extrema importância da ação desses profissionais para o bem-estar da população, Mário César Ferreira, professor da Universidade de Brasília, sugeriu (com louvor) para a função o termo operário do meio ambiente.
Desventuradamente, em pleno Século 21, ainda se vê pessoas que veem os garis como profissionais que exercem atividade que tem pouco ou nenhum prestígio. Inclusive, há os que passam por eles como quem passa por um poste: não dão nem um simples bom dia!. Parece que não há um ser humano dentro daquele uniforme.
Na contramão do preconceito, um menino de 2 anos, de Belo Horizonte, teve um vídeo postado nas redes sociais que recebeu milhões de visualizações. Nas imagens, o garotinho aparece em frente à casa e, no momento em que o pessoal do Serviço de Limpeza Urbana se aproxima, devidamente vestido com o uniforme laranja costurado pela avó, joga lixo dentro do caminhão da coleta e depois bate uma selfie com os amigões. Quando eles passavam na rua, eu o levava para cumprimentá-los. Agora ele mesmo me pede para ir. E quando não aparece, os garis gritam para chamá-lo, diz a mãe do garoto.
Não dá para imaginar a cidade sem os profissionais da limpeza urbana. Por isso, na próxima vez que cruzar com um operário do meio ambiente pela rua, lembre-se de parabenizá-lo e agradecer-lhe por mudar a cara da cidade todos os dias. Você topa? Como escreveu uma estudante de 7 anos, de uma escola de Manaus: É importante homenagear o gari, pois é como se ele limpasse o mundo.
 

Sua mãe faria tudo de novo

Sábado passado dei palestra para empreendedores paranaenses no Centro de Eventos Encontro da Amazônia, em Curitiba. E como no domingo será comemorado o Dia das Mães, sugeri que cada participante ligasse para sua mãe e dissesse o que sente por ela. Foi emocionante!
Alguns declararam: você é a melhor mãe do mundo!. Outros, de um jeito meio sem jeito, justificaram o motivo da ligação: Mãe, estou numa palestra e o palestrante pediu que eu ligasse para a senhora e agradecesse por tudo o que fez por mim. E teve os que enrolaram, enrolaram e não conseguiram dizer nem mãe, eu te amo!. No fim, eu ri da reação de algumas mães: Filha, você está bem? e filho, aconteceu alguma coisa, você nunca me liga....
Após o público cumprir a tarefa, eu liguei para minha mãe, ativei o viva voz do celular e aproximei o microfone para que todos pudessem ouvi-la. E rasguei meu coração: Mãe, eu quero lhe dizer que não há outro ventre no qual eu gostaria de ter nascido. Te amo!. Pega de surpresa, ela mau conseguiu dizer a frase: Filho, assim você vai me fazer chorar!. A plateia aplaudiu.
Amor de mãe é inexplicável. Quando éramos crianças, nosso presente de Dia das Mães era um cartãozinho feito em cartolina colorida com uma mensagem de parabéns. E ela adorava! Depois que crescemos, esquecemos que ela continua preferindo um presente do coração e não do bolso. E que o que ela quer mesmo de Dia das Mães é ter os filhos por perto.
Dia desses, li sobre as nove coisas que as mães falam para seus filhos e me pus a rir sozinho ao lembrar que algumas delas a dona Amália me dizia quando eu era guri: Leva um casaco que mais tarde vai esfriar, Você é igualzinho ao seu pai, Essa brincadeira não vai dar certo, vai acabar em choro, Não abre a geladeira descalço, vai se gripar, Não entra na piscina depois do almoço porque dá congestão, Come só mais um pouquinho, Vê se está escrito banco na minha testa, Eu vou contar até 10 e Cadê o meu troco.
E fiquei comovido com as nove coisas que sua mãe nunca lhe contou: Você a fez chorar muitas vezes, ela sofre com sua ausência, ela queria aquele último pedaço de bolo, ela sempre teve medo, ela te carregou por muito mais que nove meses, ela te observou dormindo, seu choro cortava o coração dela, ela te colocou em primeiro lugar e, acredite, ela faria tudo de novo.
 

A cocota terapeuta

No dia em que a administração do Hospital de Caridade e Benêficencia (HCB), de Cachoeira do Sul, permitiu que um paciente pudesse receber a visitação de sua caturrita de estimação, Ariel, o gato terapeuta de Novo Hamburgo, morreu.
O felino famoso costumava visitar, acompanhado de sua tutora fisioterapeuta, a Associação de Assistência em Oncopediatria (AMO Criança), no Vale dos Sinos, para levar alívio aos pequenos em tratamento contra o câncer. O bichano era chamado de o terapeuta que mia e tem até página no Facebook.
Muitos hospitais permitem, sob regras, que bichos de estimação visitem pessoas internadas para auxiliar na recuperação. No Hospital Geral de Palmas, Tocantins, um projeto desenvolvido pelo Corpo de Bombeiros, denominado cinoterapia, organiza o encontro dos pacientes com cães, o que já resultou, em alguns casos, até em alta hospitalar.
No Hospital da Criança de Brasília, o cavalo Oportuno do Rincão, que faz parte do Regimento de Cavalaria da Presidência da República, é levado por soldados dos Dragões da Independência para a unidade de saúde. O cavalo doutor – como costuma ser chamado – arranca sorrisos e suspiros da criançada.
Porém, um caso que ocorreu num hospital de Passo Fundo foi o que mais me comoveu. Um guaipeca, que foi encontrado abandonado na rua, esperou por 28 dias o dono em frente a instituição. Seco – nome que recebeu devido a ser magrelo –, viu o sem-teto entrar pela porta da emergência e, desde então, dali não desgrudou as patas até que ele saísse, sendo alimentado com ração e água pelos funcionários. Saber que ele estava ansiado esperando a minha saída melhorou minha autoestima. É a maior amizade que já tive na vida, contou emocionado o homem.
Segundo o Instituto Nacional de Ações e Terapias Assistidas por Animais (Inataa), a zooterapia não promete a cura de doenças, mas promove benefícios físicos e mentais. Porém, nem todo animal pode ser utilizado como co-terapeuta. É necessário que ele seja pacífico e dócil a ponto das pessoas poderem abraçá-lo e apertá-lo de montão. Por isso, os mais comuns são cães, gatos e cavalos. Mas já foram usados aves, jabutis, coelhos e, acredite, peixes, cobras e aranhas. O que vale mesmo é que os bichos façam de seus donos, pessoas mais felizes, como a cocota terapeuta. 
 

Três conchadas de nóz-pecã

Na Abertura Oficial da Colheita da Noz-pecã no Rio Grande do Sul, evento ocorrido na empresa cachoeirense Pecanita Agroindustrial, a maior produtora e beneficiadora do fruto da América Latina, o prefeito Sérgio Ghignatti anunciou que Cachoeira do Sul será a primeira cidade gaúcha a oferecer noz-pecã na merenda escolar.
A história do aluno de uma escola de Alvorada, que enviou um áudio pelo WhatsApp a um colega que havia faltado a aula, viralizou nas redes sociais e foi exibida no Jornal do Almoço e no Fantástico: Mano, tu ‘rateou, cara. Eu e o Cauã, a gente comeu três ‘concha’, três ‘concha’ de galinha, filho. Primeiro, a tia serviu lá pra gente só duas ‘concha’, mais dois ‘pedação’ de galinha, assim, né, pra cada um. Aí quando a tia saiu do ‘bagulho’ da concha lá, aí quando ela ia se sentar, a gente correu, foi, pegou a concha e tacou-lhe três ‘conchada’ de galinha, filho. Oh, três conchada de galinha, meu. Repito: três ‘conchada’ de galinha. Tinha que ver. Oh, ‘saímo’ de lá embuchado, meu, disse o garoto, de 15 anos.
No Brasil, muitos alunos chegam para as aulas sem ter feito nenhuma refeição. Há dois anos, num colégio da rede pública do Distrito Federal, um estudante de oito anos desmaiou de fome. Quando o Samu chegou e constatou que o menino estava há muito tempo sem comer, o atendente chorou.
Minha esposa Marta, nos anos em que lecionou em escolas de difícil acesso na área rural, viu o drama das crianças que vão às aulas contando com a merenda. Ela me contou que, naquela época, não havia merendeira escolar. A professora é que tinha que ‘se virar nos trinta’. E confessou rindo: Eu dava um tema aos alunos e, enquanto eles respondiam, corria para a cozinha e colocava algo para cozinhar. E, volta e meia, os alunos sentiam cheiro de queimado e gritavam: ‘Tia, tá queimando a merenda!’.  
Mas foi numa manhã que Marta ouviu a frase que partiu seu coração. Ela se emociona ao relatar o fato: Eu confessei aos alunos que só tínhamos arroz e chuchu. Uma menina sentada no fundo da sala levantou a mão e disse: ‘Professora, pode ser arroz com chuchu mesmo, ainda não comi nada hoje!’.
A inclusão do fruto no cardápio escolar vai fazer a alegria da garotada. E quiça, plagiando o ocorrido em Alvorada, algum garoto eufórico envie um áudio para o colega que faltou a aula: Mano, tu ‘rateou, cara. Eu comi três ‘conchada’ de nóz-pecã, meu.
 

Centro de recuperação para pais ausentes

Criar um filho está cada vez mais desafiador. Além de bebidas alcoólicas e drogas, outro fator que tem preocupado os pais é a questão da insegurança nas escolas. Mas porque os jovens se envolvem tanto em comportamentos de risco? Será que eles estão querendo enviar alguma mensagem?
A resposta – se é que ela existe – pode estar no best-seller As cinco linguagens do amor. Segundo o autor, Gary Chapman, cada criança possui um modo especial e particular de perceber amor. O desafio dos pais é aprender a identificar a linguagem que tem mais a ver com seus filhos.
Toque físico: Colocar o filho no colo, abraçar e beijar, são boas maneiras de dizer eu te amo. Desventuradamente, muitos pais tocam os filhos apenas quando necessário: ao vesti-los ou tirar-lhes as roupas ou para carregá-los dormindo até a cama. Cuidado! Uma garota, quando chega à pré-adolescência e nota o afastamento do pai, tem grande chance de buscar afeto de outro homem e, com frequência, de forma prejudicial e equivocada.
Palavras de afirmação: Frases de apoio, empoderamento e reconhecimento nutrem o senso interior de valor e segurança da criança e faz com que ela se sinta mais confiante e amada – e expressam a frase: Eu me importo com você. Quando o José, de 12 anos, acha que não vai conseguir tirar boas notas na escola, eu o encorajo: Vai lá filho, que você vai mandar bem!.
Tempo de qualidade: Assistir a filmes na Netflix comendo pipoca – ou ler O esquisito da Praça da Caixa d’Água ou O homem que plantou árvores (à venda na Revistaria Nascente) para ele antes de dormir – é o presente da presença dos pais junto do filho. Isso comunica a mensagem: Gosto de estar com você.
Presentes: É uma boa forma de materializar seus sentimentos, mas cuidado para não encher seu filho de mimos com a intenção de compensar a deficiência nas outras linguagens de amor. Estar presente sempre é o melhor presente.
Em meio a uma geração que esqueceu que as relações familiares e afetivas precisam de uma base forte chamada amor, de fato, muitos comportamentos desagradáveis e reprováveis dos jovens são na realidade tentativas de conseguir a atenção dos pais. Por isso, concordo com quem defende que não são só os filhos que precisam de centro de recuperação, mas também os pais ausentes.
 

A mentira disfarçada de verdade

Assim como todos sabem que o dia 1º de abril é o Dia da Mentira, quase ninguém sabe que o dia 3 de abril, é o Dia da Verdade. É verdade! No Brasil, o Dia da Mentira começou a se popularizar em Minas Gerais, através do periódico A Mentira, que publicou em sua primeira edição de 1º de abril de 1848 uma matéria noticiando a morte de Dom Pedro II, desmentida dois dias depois, visto que muita gente acreditou na fake news. Daí surgiu o 1º de abril como Dia da Mentira, e o 3 de abril como Dia da Verdade!
Pouco mudou de lá para cá. E ainda não está sendo nada fácil identificar quais notícias são falsas ou verdadeiras. Por isso é bom vigiar, pois uma mentira repetida várias vezes acaba se tornando verdade!
Diz uma parábola judaica que certo dia, a mentira e a verdade se encontraram. A mentira, disse para a verdade:
– Bom dia, dona Verdade!
Zelosa de seu caráter, a verdade ouvindo tal saudação, foi conferir se realmente era um bom dia. Olhou para o alto, não viu nuvens de chuva, e vendo que realmente era um bom dia, respondeu:
– Bom dia, dona Mentira!
– Está muito calor hoje, disse a mentira.
Realmente, o dia estava quente demais. Desse modo, vendo que a mentira estava certa pela segunda vez, baixou a guarda. Por qual razão haveria de desconfiar se a mentira parecia tão cordial e verdadeira?
Diante do calor insuportável, a mentira, num gesto de aparente amizade, convidou a verdade para um banho no rio. Despiu-se de suas vestes, pulou na água e chamou-a, insistentemente:
– Vem, a água está uma delícia!
O convite parecia irrecusável. Porém, assim que a verdade, sem suspeitar, tirou suas vestes e mergulhou no rio, a mentira saiu da água, vestiu-se com as roupas da verdade e se mandou sorrateira. Tendo suas roupas furtadas, a verdade, por sua vez – ciosa de sua reputação –, recusou-se a vestir-se com as roupas da mentira, deixadas para trás. Certa de sua pureza e inocência, nada tendo do que se envergonhar e não tendo outra opção que lhe fosse coerente, saiu nua a caminhar na rua.
Desde então, aos olhos de muita gente, ficou mais fácil aceitar a mentira vestida com as roupas da verdade do que aceitar a verdade nua e crua.