O Farroupilha
SÉRGIO ALMEIDA
S.O.S.

Estudo feito pela University College London (UCL), no Reino Unido, revelou que os idosos estão lidando melhor do que os jovens com o isolamento social. Outro relatório, da Fundação Europeia para a Melhoria das Condições de Vida e Trabalho, mostrou que a geração jovem se sente mais afetada pelas restrições do que as outras faixas etárias. O historiador Leandro Karnal ressaltou em entrevista ao Estadão: “Classes média e alta enfrentam tédio, classes baixas enfrentam fome”.

Para especialistas, evitar aglomerações e reduzir a circulação de pessoas nas ruas é essencial para conter o vírus. Porém, não dá para fazer vistas grossas ao alerta dos psicólogos para o fato de o isolamento ser um importante fator de risco para aumentar a ansiedade e a depressão. Plagiando o velho ditado: “Se sair à rua o bicho pega, se ficar em casa o bicho come”.

Há uma história rolando pelas redes sociais que explica de forma bem-humorada o porquê a rotina de quarentena é mais fácil para pessoas com mais de 60 anos.

O Boeing 777 voa calmo e estável. De repente, é interrompido pela presença de um jato F/A-18 supersônico. O piloto do jato cumprimenta o do Boeing pelo rádio: “Entediante o voo?”. O piloto do Boeing rebate: “O que?”. O piloto do jato acelera, quebra a barreira do som, sobe vertiginosamente e, logo em seguida, dá um mergulho vertical. Reduz a velocidade, e aparece novamente ao lado do Boeing: “O que achou?”. O piloto do Boeing, responde: “Impressionante, mas agora olhe para mim”. O piloto do jato não tira os olhos do Boeing, mas nada acontece. O avião comercial continua a voar calmo e estável. Após alguns minutos, o piloto do Boeing pergunta: “E aí, o que achou?”. O piloto do jato fica confuso: “Mas o que você fez?”. O piloto do Boeing abre um sorriso e responde: “Levantei da poltrona, estiquei as pernas, fui ao toalete, tomei um café, comi um croissant e marquei um happy hour com a tripulação num hotel 5 estrelas pago pela empresa”.

Moral da história: Quando se é jovem, a adrenalina é melhor quando sentida ao extremo. Mas à medida que se envelhece, conforto, paz e sabedoria devem ser priorizados. Isso se chama “S.O.S.”, que em inglês é: slower, older, smarter. Traduzindo: mais lento, mais velho, mais inteligente. 

Só Fred explica!

O mundo está de olho nas notícias relacionadas ao coronavírus. Mas como são os bastidores do tratamento da covid-19? Fiz essa pergunta ao amigo Frederico Carvalhaes, de Vitória (ES), que após 16 dias hospitalizado (sendo oito em coma) teve alta sob aplausos dos funcionários e da esposa Ivana – que filmou emocionada sua saída do hospital.

Fred, como é chamado afetuosamente pelos amigos, explica: “Após saber que havia contraído o vírus, em nenhum momento me desesperei. Ainda que o foco de parte da imprensa seja o número de óbitos e não o de curados e em recuperação (que é bem maior), eu escolhi o olhar da vida e não o da morte”. E não fica um único olho seco quando fala sobre a importância da esposa no seu processo de recuperação: “A Ivana suportou o que eu não suportaria. Ela chorava sozinha para não transparecer a aflição”.

Na maioria das vezes, o paciente que vence uma doença grave sente que ganhou nova chance, não para consertar os anos passados, mas para acrescentar vida aos anos futuros. Sabendo disso, perguntei-lhe se algo mudou ao voltar para casa e saber que estava começando o primeiro dia do resto de sua vida. Fred explica: “Não tinha o costume de orar. E ali, naquele leito, pedia a Deus todos os dias uma nova chance para poder dar um filho a minha esposa. Muitas vezes, só lembramos de Deus nas horas difíceis. Quando tudo está em seu devido lugar, nos sentimos tão fortes que nos esquecemos de sua bondade. Além disso, passei a organizar meu tempo para cuidar mais de mim: frequentar a academia, fazer caminhadas e adotar uma alimentação mais saudável mesmo com a rotina corrida”.

Todavia, foi o vivenciar de uma experiência “fora do corpo” que o fez repensar sua espiritualidade. Fred explica: “Eu me vi fora do corpo durante o período que estive em coma, e via e ouvia tudo do alto, como se estivesse suspenso, o que me fez perceber que o ser humano é mais que seu corpo físico. E passeei pelo hospital e tentei me comunicar com as pessoas. Contei aos médicos que lembro dos oito dias que fiquei desacordado (que pareceram apenas minutos) da mesma maneira que lembro de um fato vivido, quando estava acordado e de olhos abertos”.
Como isso é possível? Plagiando uma afirmativa usada para situações que a razão não compreende: “Só Fred explica!”.

Nesta enxurrada de informações ouvi uma entrevista com especialistas falando da quantidade de sonhos que as pessoas relatam nas últimas semanas, a maioria pesadelos. A explicação indicava o volume de conteúdos absorvidos através dos mais variados canais d

O mundo está de olho nas notícias relacionadas ao coronavírus. Mas como são os bastidores do tratamento da covid-19? Fiz essa pergunta ao amigo Frederico Carvalhaes, de Vitória (ES), que após 16 dias hospitalizado (sendo oito em coma) teve alta sob aplausos dos funcionários e da esposa Ivana – que filmou emocionada sua saída do hospital.

Fred, como é chamado afetuosamente pelos amigos, explica: “Após saber que havia contraído o vírus, em nenhum momento me desesperei. Ainda que o foco de parte da imprensa seja o número de óbitos e não o de curados e em recuperação (que é bem maior), eu escolhi o olhar da vida e não o da morte”. E não fica um único olho seco quando fala sobre a importância da esposa no seu processo de recuperação: “A Ivana suportou o que eu não suportaria. Ela chorava sozinha para não transparecer a aflição”.

Na maioria das vezes, o paciente que vence uma doença grave sente que ganhou nova chance, não para consertar os anos passados, mas para acrescentar vida aos anos futuros. Sabendo disso, perguntei-lhe se algo mudou ao voltar para casa e saber que estava começando o primeiro dia do resto de sua vida. Fred explica: “Não tinha o costume de orar. E ali, naquele leito, pedia a Deus todos os dias uma nova chance para poder dar um filho a minha esposa. Muitas vezes, só lembramos de Deus nas horas difíceis. Quando tudo está em seu devido lugar, nos sentimos tão fortes que nos esquecemos de sua bondade. Além disso, passei a organizar meu tempo para cuidar mais de mim: frequentar a academia, fazer caminhadas e adotar uma alimentação mais saudável mesmo com a rotina corrida”.

Todavia, foi o vivenciar de uma experiência “fora do corpo” que o fez repensar sua espiritualidade. Fred explica: “Eu me vi fora do corpo durante o período que estive em coma, e via e ouvia tudo do alto, como se estivesse suspenso, o que me fez perceber que o ser humano é mais que seu corpo físico. E passeei pelo hospital e tentei me comunicar com as pessoas. Contei aos médicos que lembro dos oito dias que fiquei desacordado (que pareceram apenas minutos) da mesma maneira que lembro de um fato vivido, quando estava acordado e de olhos abertos”.
Como isso é possível? Plagiando uma afirmativa usada para situações que a razão não compreende: “Só Fred explica!”.

O administrador do grupo removeu Luciano

Luciano chegou em Cachoeira do Sul, vindo do Maranhão, se sentindo mal. Não tinha febre, porém, por ser obeso e hipertenso, fazia parte do grupo de risco. André Taborda, pastor da igreja onde ele congregava, o levou ao hospital. Em seguida, me buscou para participarmos de um programa de rádio. E, ao entrar no carro, senti cheiro de álcool em gel. André explicou: “Deixei o irmão no hospital e os sintomas são de coronavírus”. Senti um frio na barriga. Eu havia tocado na maçaneta da porta e estava no banco do carona, onde ele esteve sentado.

Na sexta, já em Caxias do Sul onde moro, acordei com dor de cabeça, diarreia, dores musculares e mal-estar. Liguei para a Central de Atendimento Coronavírus de Bento Gonçalves e obtive as devidas orientações. Segui à risca, e no domingo não senti mais nada.

O Luciano foi transferido para Canoas. E através de um grupo de WhatsApp ficávamos sabendo sobre seu estado de saúde. A mensagem do dia 27 nos deu esperança: “A médica falou que ele está se saindo muito bem. Diminuíram a sedação. Logo estará de volta”. Porém, a do dia 29 nos deixou apreensivos: “Ele pegou uma infecção hospitalar e seu estado ficou bastante grave”. E, no dia seguinte, o que li, não saiu mais da minha cabeça: “Luís removeu Luciano”.

Coloquei a mão no rosto, como quem não quer acreditar. Logo veio a confirmação: “Nosso amigo voltou à casa do pai celestial”.

Não houve velório e o enterro foi em Passo Fundo sem que os familiares pudessem se despedir. Restou ao filho, Luciano Júnior, escrever em sua página no Facebook: “Obrigado por ter sido meu pai e me amado. Vai doer aqui dentro pelo resto da vida, mas um dia nos encontraremos no céu. Lá não haverá doença, nem pranto, nem morte, e estaremos juntos por toda a eternidade”.

Apesar de não acreditar nos números de mortes, não há como negar que o vírus é maldito. Mas verdade seja dita: ele pode remover uma pessoa de um grupo de WhatsApp, mas nunca do coração dos familiares e amigos.

Nada do que foi será

Se você faz parte da geração “enta” (a dos com mais de quarenta) vai lembrar do hit musical de 1983 “Como uma onda no mar”, de Lulu Santos. Diz a letra: “Nada do que foi será, de novo do jeito que já foi um dia”. Tudo a ver com o momento que estamos passando, não acha?

Depois da pandemia, nosso jeito de viver vai mudar. Mesmo que o mundo de antes continue a existir, não é para ele que nós vamos voltar. “O coronavírus funciona como um acelerador de futuros e antecipa mudanças que já estavam em curso”, garantem os futuristas internacionais. Alguns colegas articulistas de jornais Brasil afora que, assim como eu, acompanharam as constantes transformações ao longo das últimas décadas, em seus textos também apostam que a covid será uma espécie de divisor de águas capaz de provocar mudanças no comportamento das pessoas.

 Alexandre Broilo, do Jornal O Farroupilha, de Farroupilha, em seu artigo “Pandemia Coronavírus: Momento de Reflexão”, destaca a exploração indiscriminada dos recursos humanos e naturais, a poluição ambiental, a mudança climática, a violência, as desigualdades sociais e o ritmo de vida alucinante: “Há quem diga que a pandemia é uma reivindicação do universo em prol da sustentabilidade da vida”. Chulipa Möller, do Jornal do Povo, de Cachoeira do Sul, em seu texto “Volta à normalidade”, alerta para o fato de que o mundo não será mais o mesmo: “Grande parte dos paradigmas que norteavam a vida de pessoas normais foi abruptamente alterada”. E Osvino Toillier, do Riovale Jornal, de Santa Crus do Sul, em seu artigo “Tempos de muitos medos”, prevê que nem nós seremos os mesmos: “Toda manhã, quando levanto, e assisto o novo dia amanhecer, junto as mãos e agradeço a Deus pelo milagre de renovação da vida”.

A quarentena nos ensinou que chorar alivia, mas sorrir torna a vida mais bonita. Nos fez refletir sobre o quanto somos frágeis e que precisamos sempre saber recomeçar. E nos mostrou que temos mais motivos para agradecer do que para reclamar. A exemplo do senhor que, após receber alta por coronavírus, recebeu a conta pelo uso do respirador artificial e começou a chorar. A atendente do hospital perguntou se ele estava chorando por causa do valor da conta. A resposta do idoso emocionou a todos: “Eu estou chorando por que faz 93 anos que respiro ar gratuitamente e nunca agradeci a Deus”.

Passe seu problemas “para cima”

Receber e-mails dos leitores me deixa muito feliz. É sempre um incentivo para continuar minha missão: escrever algo que afete a vida das pessoas, e não somente toque seu coração. Outro dia, uma leitora me deu um verdadeiro “coice motivacional” ao relatar o que sentiu ao ler um de meus artigos: “Sabe quando precisamos de uma injeção de ânimo? Foi o que senti quando li seu texto. Muitas pessoas devem ter sentido o mesmo: ‘Isso foi escrito para mim!’”. 

Mas não se engane: também sou um homem que diariamente precisa vencer desafios e superar limites. Normalmente as pessoas dizem que têm que matar um leão por dia. Eu não sou diferente: se não matar meu leão hoje, amanhã serão dois.

Certo dia, minha mãe, ao notar (mãe nota tudo) que muitos me contam seus problemas e preocupações, me perguntou: 

 – Filho, eu vejo que você ouve as pessoas e as encoraja a prosseguir. Mas quando a adversidade o golpeia, a quem você recorre?

 – A ninguém, mãe! – respondi, surpreso com minha resposta.

Naquele dia me dei conta que o encargo de animar as pessoas a “ver o copo meio cheio, não meio vazio” (ainda mais agora, diante da onda de pessimismo apocalíptico que parece ter tomado conta do mundo) não vem de mim, é dom de Deus. É assim que me realizo: aconselhando as pessoas a entregarem a Deus seus problemas e preocupações. Sim, eu creio no Deus que fez os homens e não nos deuses que os homens fizeram. E no meu entender ele não é alguém que está lá no céu cuidando apenas das coisas dele. Ou não é verdade que Jesus disse aos seus discípulos: “Vinde a mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei”?

Em 30 de Janeiro de 2008, quando estava batendo o recorde mundial do Guinness Brasil em maior número de palestras motivacionais ministradas em 24 horas (foram 11 palestras, para 1141 pessoas, em um só dia, na Câmara de Vereadores de Cachoeira do Sul), fui entrevistado ao vivo no Jornal do Almoço da RBS TV. A repórter, ao notar que ainda faltavam sete palestras, me perguntou: “O que garante que você vai completar sua missão?”. Eu, de bate-pronto, respondi: “O que me mantém em pé durante o dia é dobrar meu joelhos para Jesus todas as noites”. Ela “caiu para trás” e gaguejou (ao vivo): “No-nossa, essa foi pesada!”. Ainda hoje, creio que o segredo para o sucesso seja esse: não passar por cima dos problemas, mas passar os problemas “para cima”.

O que você está mais precisando?

Antes do coronavírus, um jornal gaúcho perguntou em sua enquete on-line: “O que você está mais precisando?”. Entre os participantes, 6,38% responderam “um amor”, 14,89% “saúde”, 34,04% “dinheiro”, 17,02% “felicidade” e 27,66% “estou muito bem”.

Nossas necessidades mudam ao longo do tempo, não é mesmo? Como escreveu Paulo Coelho: “Nossa vida é uma constante viagem, do nascimento à morte. A paisagem muda, as pessoas mudam, as necessidades se transformam, mas o trem segue adiante. A vida é o trem, não a estação”.

Alguém disse por aí: “Depois que o sexo ficou fácil de conseguir, o amor passou a ser difícil de encontrar”. E sob o mesmo teto e sem sair, a quarentena está sendo um teste para muitos relacionamentos, principalmente para os que não sentem mais atração pelo parceiro ou que estão juntos “só por causa das crianças”. É nessas horas que o casal deve reascender o sentimento e voltar a viver um grande amor. Como diz o poema de Juliana Sabbatini: “Quero viver um grande amor para levantar de manhã e ter um motivo de sair cantando e de achar que tudo é lindo”.

Não é necessário uma pandemia para mostrar que a falta de dinheiro faz mal à saúde. De acordo com levantamento realizado pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC) e pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL), dois terços dos brasileiros com dívidas em atraso admitiram se sentir deprimidos, angustiados, inseguros, ansiosos, estressados e envergonhados perante a família.

O vírus nos mostrou que a saúde é o nosso bem mais precioso. Como se costuma dizer: “Ter dinheiro e não ter saúde não vale para nada”. Entretanto, quem não conhece alguém que perdeu a saúde tentando juntar dinheiro? Esse é um dos motivos pelos quais paredes de hospitais já ouviram orações mais honestas do que as de igrejas e já viram despedidas mais sinceras que as de aeroportos.

Ah, a felicidade! Drummond escreveu: “Ser feliz sem motivo é a mais autêntica forma de felicidade”. Shakespeare nos deu um puxão de orelha: “Sofremos muito com o pouco que nos falta e aproveitamos pouco o muito que temos”. Mas em tempos de coronavírus, são as palavras de São Paulo que nos fazem parar e refletir: “Se a nossa esperança em Cristo só vale para esta vida, nós somos as pessoas mais infelizes deste mundo”.

Oração e canja de galinha não fazem mal

Eu atendi a convocação feita pelo presidente para participar do dia da “Campanha de jejum e oração pelo Brasil” no domingo. Bolsonaro, mostrando notável coragem e fé, convocou um jejum nacional para que o país fique livre do coronavírus. Milhões de católicos e evangélicos aderiram ao jejum e oraram pela nação. Porém, internautas publicaram imagens de cafés da manhã, ironizando o convite. “Bom dia jejuadores do meu Brasil varonil. Aqui no sul, café da manhã”, escreveu um. E outro: “Um cuscuz com ovo, queijo e bacon para incrementar o jejum pelo Brasil”.

Para os cristãos, o jejum é um meio para alcançar vitória em tempos de crise. A Bíblia ensina sobre os três tipos principais de jejuns de alimentos: o jejum total, em que não se come nem se bebe nada; o jejum com água, em que não se come nada, mas se bebe água; e o jejum parcial, em que se elimina alguns alimentos. A pessoa pode realizar qualquer um deles, desde que esteja em dia com sua saúde.

Eu só conhecia os benefícios do jejum medicinal. O jejum como prática de vida cristã aprendi em ministrações na Igreja do Senhor Jesus de Farroupilha, onde congrego. Entretanto, jejuar é diferente de ficar sem comer. Quando jejuo, faço por um propósito específico e espiritual. Por isso, o jejum começa e termina com uma oração. Eu o ofereço a Deus às 8h e entrego às 17h. E, durante o período em que não como nada e só bebo água, medito em versículos, oro e ouço louvores de adoração a Deus. A congregação, pastoreada pelo pastor Airton Bassotto, mantém há anos essa prática às quintas-feiras, em favor dos governantes, autoridades e moradores de nossa cidade. Há outras igrejas que fazem o mesmo.

Como de praxe, parte da imprensa criticou a atitude do presidente, alegando que ele, num ato de fanatismo religioso, desprezou a ciência – que é a que pode salvar vidas. Para nós, cristãos, a ciência é um bem dado por Deus à humanidade. Ao buscarmos a ajuda divina, não estamos ignorando o que os especialistas aconselham. Katharine Hayhoe, Ph.D. em Física e Ciência Atmosférica na Universidade de Tecnologia do Texas, afirmou: “Vejo a ciência e a fé como dois lados da mesma moeda. Cada um deles nos fornece algo que não se pode obter a partir de outro”. E minha avó, em sua imensa sabedoria popular, me ensinou: “Oração e canja de galinha não fazem mal a ninguém”.

Coloque o pessimismo em quarentena

Eu segui à risca o conselho do ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta: “Desliguem um pouco a televisão. Às vezes ela é tóxica demais”. O papel da mídia é informar (sem gerar pânico) o que está acontecendo. Por isso, há dias deixei de suportar a avalanche de informações transmitidas por telejornais que parecem ter prazer em anunciar tragédias à exaustão, e disse: “Alto lá!”. E coloquei o pessimismo em quarentena. Desliguei a TV e me aventurei numa maratona de leitura de livros, de seriados na Netflix e de momentos com a família.

Estudos afirmam que ver muitas notícias ruins faz mal à saúde psicológica. Como costumo dizer: “É mais fácil um lambari beber todo o Rio Jacuí do que uma mente negativa gerar uma vida positiva”. Sendo assim, como o propósito dessa coluna é levar ao leitor o que lhe pode dar esperança, eu pedi autorização ao cantor e compositor Renato Jaguarão para compartilhar seu poema bagual “Coronavírus: a peste medonha”:

“Indiada, a peste medonha chegou. E desta vez não foi no gado. Vem lá do outro lado, além das águas de sal. Criaram ou foi natural, ninguém tem essa certeza. Uns dizem que é a natureza querendo nos dar um castigo. Mas eu tenho comigo que isso é um mal passageiro. Mas embretou o mundo inteiro. Botou o Pampa em perigo. Aos poucos foi se alastrando, não tem banho, nem vacina. Se bandeou de lá da China, dos ‘taura’ de ‘olho puxado’. O povo apavorado com toda essa função. Se trancou ‘nos galpão’ com ‘os beiço’ todo tapado. Não se vê ninguém na estrada, tampouco tem marcação. Não ‘hay’ mais domingueira, bolicho, festa campeira, nem mesmo aperto de mão. Nas ‘rádio’, o noticiário, que a coisa não é buenaça. Não se separa por raça, nem por guaiaca de prata. Do rico, ao pobre, mata. A coisa não faz distinção. De pouco vale a fortuna, se na despedida reúna, pouco cabe no caixão. O homem, xucro, teimoso, por vez até orgulhoso, desdenha da criação. A fé, que anda esquecida, de nada serve essa vida, sem ter Deus no coração. Mas ainda creio na divindade, não ‘hay’ o que o homem não vença. E, se alguém por certo pensa que dessa vez é o final. Conheço de perto o mal, a história é que nos ensina. Não é dessa vez ainda. É só Ele dando um sinal”. #JuntosContraoCoronavírus. 

O sacrifício evita o sofrimento

Numa manhã, ao acordar, me deparei com um outdoor colocado durante a noite no outro lado da rua: “Fique em casa”. E lembrei de um post que estava pipocando no Facebook: “Pela primeira vez na história você pode salvar a humanidade deitado em casa sem fazer nada”. Uma internauta levou tão a sério a recomendação que compartilhou um aviso em sua rede social: “Gostaria de informar aos meus amigos e parentes que os amo muito e por esse motivo não visitarei ninguém e não gostaria de receber visitas”. E outro meteu pavor: “Fique em casa ou em breve você ou alguém de sua família não voltará para casa”.

Porém, depois do pronunciamento do presidente Bolsonaro defendendo que os que fazem parte do grupo de risco continuem de quarentena, e os demais voltem ao trabalho para que a economia retorne ao seu ritmo, os empregos sejam preservados e a epidemia naturalmente entre em grau de achatamento, os empresários e, principalmente os trabalhadores que sabem bem o que é o mês durar mais que o salário, começaram a se dar conta de que o estrago do coronavírus na economia poderá ser maior do que na saúde pública. E as publicações mudaram de tom. Um internauta postou: “Prefiro morrer na rua levando o sustento para minha família, do que morrer com eles num sofá, sentando e com fome”. E outro: “Quando se tem filhos, a gente não teme pela nossa vida, mas, sim, pela vida deles”. 

Se levarmos em conta os dados das entidades científicas e médicas que mostram que até os 39 anos a taxa de letalidade do coronavírus é de apenas 0,2%, o presidente está certo. O isolamento social deve ser mantido para aqueles que fazem parte do grupo de risco. Como escreveu o autor do Salmo 91: “Nenhum mal o atingirá, nenhuma praga se aproximará de sua casa”. E não é só sobre não pegar. É também sobre não passar. Entenda que sacrifício é diferente de sofrimento. Apesar de ambos causarem dor, sacrifício é renunciar alguma coisa em benefício de outra e sofrimento é qualquer experiência aversiva que causa aflição de espírito. Quem não se sacrificar agora, corre o risco de passar o resto da vida sofrendo. E a orientação é clara: Quem pode, volte ao trabalho para o país não parar. Quem não pode, fique em casa para não colocar a sua saúde e a dos outros em risco. E que Deus tenha misericórdia de nós!!!