O Farroupilha
SÉRGIO ALMEIDA
Amigo não dá rasteira em amigo

Depois da “roleta russa” (brincadeira em que o estudante gira como uma roleta até bater a cabeça no chão) e do “jogo do desmaio” (brincadeira em que o estudante prende a respiração até cair), o “desafio da rasteira” tem preocupado pais e professores. Apelidada de “quebra-crânios” e “rasteira mortal”, o trote funciona assim: três alunos ficam lado a lado. Quando o do meio, desavisado, dá um salto, os dois das pontas lhe passam uma rasteira, fazendo com que caia de costas ou de cabeça no chão.
Alunos de todas as partes do Brasil estão postando vídeos no Facebook estimulando os adolescentes a dizerem “não” a mais essa brincadeira aberrante. Uma baita iniciativa, já que os profissionais de saúde têm alertado que os praticantes da pegadinha não têm noção de que algo grave pode acontecer, pois a vítima corre o risco de sofrer lesão na coluna ou até morrer, por causa da pancada na cabeça – o que já aconteceu.
Logo que assisti a um dos vídeos na internet procurei meu filho José, de 13 anos, para perguntar se havia ouvido falar a respeito da brincadeira perigosa e ele me contou que o diretor da escola onde ele estuda já havia alertado e orientado os alunos sobre os perigos da prática. E confessou, assustado: “O diretor disse que quem fizer a brincadeira vai ser levado para a delegacia do menor”.
Brincadeiras idiotas sempre aconteceram entre estudantes. Lembro de duas do ensino fundamental: o guri desamarrava o cadarço do tênis do colega e saía correndo, na maior zoação. E quem estava por perto morria de rir da sacanagem. E outra: alguém passava na corrida e abaixava a calça de abrigo do colega até o joelho. Certa vez, durante o recreio, o menino estava com um cachorro-quente numa mão e um refrigerante na outra. Pensa na vergonha que ele passou ao ver as meninas assistindo à cena.
Na época, esse tipo de molecagem não era considerada bullying. A gurizada tirava sarro uns dos outros, numa boa. Eram brincadeiras babacas e de mau gosto, mas não perigosas.
Por isso, pais devem conversar com seus filhos a respeito dos perigos desse tal “quebra-crânios”. E aproveitar para dar-lhes um conselho para a vida: amigo não é só aquele que nos ajuda a levantar, mas, principalmente, o que não nos dá rasteira. 

Eu sei quem meus pais são!

Eu mal havia nascido e meus pais me levaram de Caçapava para o Irapuá. Aos 10, meio assustado, saí do interior e fui estudar em Cachoeira. Na capital do arroz vivi até um pedaço da vida adulta e casei com a Marta, que teve o Sergi. Em 2001 mudamos para Caxias, onde nasceu o José. Em 2014, fomos de mala e cuia para Chapecó. E depois, para a Praia de Cabeçudas, em Itajaí, de onde escrevo esse texto ao mesmo tempo em que observo pela janela as ondas morrendo na areia e arrumo as malas para retornarmos a Caxias. Sim, estamos de mudança... de novo. Vou explicar.

Meu pai, Benemídio, de 82 anos, presidente da Celetro (Cooperativa de Eletrificação Centro Jacuí) ficou por 19 dias internado no Instituto de Cardiologia, em Porto Alegre, onde fez implante de marca-passo. Eu, longe 500 quilômetros, ao ser informado do horário da implantação do dispositivo, peguei a estrada e cheguei a tempo de vê-lo ser conduzido à sala de cirurgia. E impus a mão sobre sua testa e orei por sua saúde. Depois permaneci na sala de espera com minha mãe (que ficou ao lado do marido no quarto que o “devorou” por quase três semanas, numa rotina diária de amor) e tomei a decisão: vou voltar para perto dos meus velhos.

Há um alerta que os que estão comprometidos ideologicamente com a “destruição da família” ignoram: “O que importa não é o que você tem na vida, mas quem você tem na vida”. E, mesmo que alguém “torça o nariz” e diga: “Meu pai é casca grossa” ou “minha mãe é osso duro de roer”, posso garantir por experiência que a casa dos pais é o lugar para onde se vai quando tudo está escuro. Por isso, costumo dizer aos jovens que não têm bom relacionamento com os pais: “Se um dia tudo for pro inferno, seus pais serão os únicos que ficarão ao seu lado sem vacilar”.

Desventuradamente, ouvi de um amigo: “Você vai deixar de morar na praia só para ficar mais perto dos seus pais?”. E lhe contei a história do filho que, apressado, disse ao médico: “Doutor, pode ser mais rápido, pois tenho que tomar café com minha mãe”. O homem perguntou: “Ela deve ficar muito feliz?”. O rapaz respondeu: “Que nada, doutor, ela nem me reconhece mais”. O médico indagou, com voz de espanto: “Quer dizer que você vai tomar café com sua mãe, que nem sequer sabe quem você é?”. O filho, com voz firme e amável, rebateu: “Ora, ela não sabe quem eu sou, mas eu sei quem ela é!”. 

Ao menos tente. Se der certo, é só alegria!

Quando conheci Jullia Perin, no fim da década de 2000, não imaginei que aquela garotinha magra de cabelos longos pudesse um dia se tornar jogadora de futebol. Pois a jovem, hoje com 17 anos, que cresceu jogando bola com os meninos na rua, semana passada passou por um período de avaliações na equipe de base feminina da Chapecoense e foi aprovada. 

Jullia sonha desde criança em ser jogadora de futebol. Quando começou a falar sobre seu sonho causou certo espanto em alguns familiares e amigos da simpática cidade de Marau, no norte do estado. O olhar torto para a modalidade esportiva pode ser considerado uma reação normal, já que até poucas décadas atrás se tornar um atleta profissional de futebol era “sonho de menino”. As meninas queriam ser professoras. De uns tempos pra cá, os dribles e gols da Marta têm inspirado mais as garotas que a poesia de Luís de Camões. E o que se vê são cada vez menos jovens querendo dar aulas e mais e mais meninas se imaginando jogando em um estádio lotado ou em uma Copa do Mundo.

 Por eu ter sido jogador de futebol – e como nossa amizade já virou família – os pais Joclério e Rosane me pediram opinião a respeito do objetivo insistente da menina. E, como um cabeçudo defensor de que os sonhos estão aí para serem realizados – e devido à crescente visibilidade do futebol feminino –, fiquei no apoio, não na vaia: “Se sua filha não tentar, nunca saberá se vai dar certo”. Com o apoio dos familiares, Jullia não teve medo de encarar seus medos e comemorou a conquista em sua página no Facebook: “Estou muito feliz, parece que ainda não caiu a ficha que realmente estou na Chapecoense. E como diria meu amigão Sergio da Silva Almeida: ‘realizei meu sonho mais louco’”.

Os dois principais medos que travam uma pessoa na hora de ela pensar em ir em busca de um sonho são o medo de tentar e não conseguir e o medo do que os outros vão pensar. Eu volta e meia sou atormentado por esses “fantasmas”. Mas sabe o que aprendi? É melhor eu olhar para trás e pensar: eu tentei e “quebrei a cara”, do que ter que enfrentar a sensação de arrependimento por nunca ter tentado. Por isso, seja qual for seu sonho mais louco, ao menos tente. Se der certo, é só alegria, se der errado, é aprendizado.  

Em minha cidade nada dá certo. Será?

No fim de semana acompanhei pela página de uma rádio de Cachoeira do Sul no Facebook o duelo de titãs Desse Carro Eu Não Saio. Dentre os quatro competidores, somente um seria o ganhador do Fiat Mobi. Para isso, não poderia sair do carro (nem para ir ao banheiro), comer, beber ou cochilar. A prova de resistência começou às 8h de sábado e terminou às 5h22min de domingo, após 21 horas e 22 minutos.
Durante a manhã de sábado, apostei minhas fichas no senhor de cabelos brancos sentado no banco do carona, Valdomiro, de 77 anos, por ele saber um pouco mais sobre a vida e ter sido caminhoneiro. À tarde, após Traudi, de 56 anos, sair do carro, atinei que a jovem sentada ao volante, Cláudia, de 22 anos, seria um páreo duro para os homens. Mas às 4h28min de domingo, momento em que o vovô cochilou e deu adeus à competição, notei que o brincalhão Tiago, de 21 anos, que se mostrava desconfortável no banco de trás, também era um “osso duro de roer”. Não deu outra: o atleta de sorriso largo segurou o xixi por seis horas e foi o último a sair do veículo.
A prova de resistência teve um ganhador, mas os outros três também foram fonte de inspiração para todos nós. A agropecuarista Traudi – baseado na tese de que uma pessoa é atraída por duas forças: uma é a possibilidade de se encontrar com aquilo que lhe é familiar, porque traz segurança; outra é a necessidade de se confrontar com aquilo que é novo, diferente, desconfortável, e que, por isso, da vontade de tentar –, aceitou o desafio e aguentou oito horas dentro do carro. O simpático Valdomiro esbanjou energia e encorajou a terceira idade a sonhar novos sonhos. A graciosa Cláudia, que volta e meia digladiava com seus limites e deitava a cabeça sobre o volante, mostrou como ser uma mulher empoderada sem deixar de ser feminina.
Além disso, os promotores do Big Brother enviaram uma mensagem àqueles moradores pessimistas que toda cidade tem, que estão sempre colocando negativismo, que não acreditam no futuro da cidade (você conheçe algum?): o ser humano tem um potencial escondido, uma capacidade adormecida, uma energia de reserva capaz de levar a cidade muito mais longe do que se imagina. E parar de gorar que “aqui nada dá certo” é um bom começo. 

Vida longa aos “velhos guris”

Li algures a máxima: “Um homem não morre quando seu corpo para, mas quando deixa de ser lembrado”. E a 52ª Noite dos Destaques, evento que aconteceu em Cachoeira do Sul, homenageou dois personagens com mais de 90 anos que jamais serão esquecidos.

O troféu Competência Profissional foi para Geraldo Salzano, de 92 anos, médico que ainda exerce sua função (ou missão?). O troféu Personalidade Masculina foi para Simão Sklar, que se formou em Direito aos 94 anos. O feito virou notícia nacional e Simão contou ao jornal G1: “Após a morte de minha esposa, os filhos e os netos vinham aqui: ‘Vô, vem almoçar comigo?’. E eu dizia: ‘Não, me deixa que eu estou bem’. Até que um dia me deu um estalo: ‘Estou tendo uma atitude covarde, que exemplo que eu vou deixar pro meu pessoal?’ Foi aí que voltei a estudar”.

Eu trago em meu coração o case de sucesso de quatro profissionais que, mesmo aposentados, optaram em continuar dedicados a algo estimulante. O primeiro é meu pai, Benemídio, que está prestes a completar 82 anos, e desde 2004 exerce o cargo de presidente da Celetro (Cooperativa de Eletrificação Centro Jacuí). “Ter com que se ocupar é sinônimo de mente saudável e corpo ativo”, costuma dizer.

O segundo foi o advogado Edyr Lima, falecido aos 94 anos. Meu primeiro emprego foi como secretário em seu escritório, em Cachoeira. Na época, Dr. Edyr já tinha ultrapassado a barreira dos 70 e se orgulhava de se sentir realizado e conectado ao mercado.

O terceiro é o empresário Reinvin Horbach, de 91 anos, fundador do Grupo Horbach. Quando eu era funcionário do Bamerindus, na década de 1990, o via adentrar à agência cheio de disposição com uma pasta debaixo do braço para fazer o trabalho de office-boy (ou seria office-sênior?).

E o quarto foi Raul Randon, um dos maiores empreendedores do Brasil, falecido aos 88 anos. Nos 14 anos em que residi em Caxias, nunca deixei de garimpar suas lições.

A exemplo do grupo musical de terceira idade Velhos Guris, de Curitiba, que vem mostrando ao mundo que talento não tem idade, há “velhos guris” pelos quatro cantos do país que continuam trabalhando depois de aposentados e que sempre serão lembrados (principalmente pelos familiares) por sua garra e superação. Vida longa aos “velhos guris”!    

Muitos sentirão a sua falta

Setembro Amarelo é o mês de prevenção ao suicídio. A ideia é conscientizar a população e os profissionais de saúde para que reconheçam os sinais de risco e auxiliem no tratamento.

A cor da campanha foi inspirada no caso do jovem norte-americano Michael Emme, de 17 anos, que em 1994, depois de terminar um namoro, pôs fim à própria vida dentro de seu Ford Mustang amarelo 1968. Ele deixou um bilhete para os pais: “Eu gostaria de ter aprendido a odiar... não se culpem, mamãe e papai. Eu amo vocês”.

Durante o funeral, foram distribuídos cartões com fitas amarelas e uma frase de apoio: “Se você precisar, peça ajuda”.

Eu era guri, no interior de Caçapava do Sul, quando ouvi falar sobre suicídio pela primeira vez. Meu tio Antonino Almeida, médico cirurgião, contou aos meus pais: “Um homem apareceu no  hospital com uma faca cravada no peito. Ele tentou se matar. Eu realizei a cirurgia para retirada da lâmina que, por sorte, não atingiu o coração”.

Naquela época, criança não participava de conversas de adultos. Ainda assim, “sem querer querendo”, meus ouvidos captaram detalhes da história. Há pouco tempo, fui falar do amor de Deus no presídio de Cachoeira do Sul e relatei esse acontecimento aos detentos. Um deles interrompeu minha fala com um grito: “O cara que tentou se matar era meu tio”. Todos se voltaram para o homem, como que dizendo “caramba, é verdade!”.

Segundo os suicidologistas, uma das maiores dificuldades para a prevenção ao suicídio é a falta do acolhimento ao sofrimento existencial, pois a pessoa com ideias suicidas não quer se matar, mas acabar com a dor. Por isso, há duas perguntas que se deve fazer a ela: onde dói, e como eu posso ajudar? E explicar que todo momento crítico pode ser superado.

Foi o que fiz, há cinco anos, quando um amigo, que estava definhando existencialmente, me confessou: “Ninguém gosta de mim, não quero mais viver”. Procurei escutá-lo e compreendê-lo. E disse-lhe que Deus queria ele “vivinho da silva” porque o amava. “Se você fosse a única pessoa da Terra, ainda assim Jesus teria dado sua vida por você”, expliquei. E pedi que enumerasse nos dedos quem poderia sentir a sua falta. Felizmente, faltaram dedos.

A doença do monstro do lago Ness

 O almirante William McRaven – que em 37 anos de carreira na Marinha norte-americana exerceu o comando em vários níveis, inclusive tendo sido o responsável pela missão que capturou e matou o terrorista Osama Bin Laden –, compartilhou suas lições sobre liderança durante aula inaugural dos alunos de graduação da Universidade do Texas. Sua palestra foi parar nas redes sociais, e teve milhões de visualizações, curtidas e compartilhamentos. Impressionado com o impacto, McRaven transformou suas palavras em um livro intitulado “Arrume A Sua Cama - Pequenas Atitudes Que Podem Mudar A Sua Vida... E Talvez O Mundo” onde resume as 10 lições que aprendeu no treinamento das forças especiais. E, de acordo com o autor, deixar a preguiça de lado e começar o dia arrumando a cama é a primeira tarefa de uma pessoa que deseja levar uma vida produtiva e proveitosa. “Se você arruma sua cama pela manhã isto dita o tom para o restante do dia, e aumenta a chance de manter seu foco e motivação”, garante.

Uma das mais importantes caraterísticas de quem é bem-sucedido na vida é não ser preguiçoso. A “manzanza”, como diz o dialeto pernambucano, quando faz uma visita inesperada a alguém, é a maior anuladora de talentos. Por mais ativa que a pessoa possa ser, ela sempre dá um jeitinho brasileiro de mostrar como é gostoso driblar o trabalho, as responsabilidades e “ficar deitado em berço esplêndido”, ou seja, fazendo “nada”. Nos momentos de indolência, o indivíduo que não quer fazer nada vai atrás de algo para “matar o tempo” e a consequência é que acaba matando um amontoado de outras coisas, vivendo de aparências e construindo uma estrada imaginária que o leva a lugar nenhum. Gente assim sofre do que eu costumo chamar de “doença do monstro do lago Ness”: passa a vida falando sobre sonhos, mas nunca consegue vê-los.  

As maiores paixões de meu pai

Meu pai, José Benemídio Almeida, é presidente da Cooperativa de Eletrificação Centro Jacuí (Celetro), com sede em Cachoeira do Sul, desde 2006. Na semana passada, a Câmara de Vereadores da cidade homenageou o cinquentenário da Celetro e concedeu o título de Cidadão Benemérito ao meu pai. Durante a solenidade, eu me emocionei com os pronunciamentos dos líderes de bancada. E se fosse permitido que, em nome dos familiares, eu pudesse fazer uso da palavra na tribuna, além de dizer “nós estamos orgulhosos de você”, eu teria enumerado as maiores paixões do meu pai.

Tradicionalismo gaúcho: a tradição sempre falou alto na casa dos meus pais. Quando eu era criança, meu pai comprou um aparelho de som 3 em 1 e decretou a lei: “É proibido ouvir música internacional, só gaúcha”.

Grêmio: meu pai é gremista roxo. Foi ele que escolheu meu nome em homenagem ao ex-goleiro tricolor, Sérgio Moacir Torres, conhecido como “A Majestade do Arco”.

Cavalos: meu pai tem sua vida ligada aos cavalos. Ele é proprietário da Cabanha Quinheca e idealizador do Rodeio Estadual do Piquete de Laçadores Cabanha Quinhéca.

Cachorros: meu pai sempre foi amigo do melhor amigo do homem. Certa vez, um cliente da sua oficina mecânica, na BR 290, roubou seu cachorro de estimação. Ele colocou a família no carro e foi até São Sepé à procura do bichinho, que nunca foi encontrado.

Exército: meu pai veste a farda de soldado na alma. Gosto de brincar que, se fosse convocado em caso de guerra, mesmo com seus 81 anos, rasparia o cabelo, vestiria o uniforme e prestaria serviço em defesa do país.

Celetro: um vereador resumiu em poucas palavras a paixão que o presidente sente pela cooperativa: “Benemídio e Celetro não tem como separar. É uma parceria que deu certo”.

Cachoeira: meu pai é um entre tantos que está sempre pronto a ajudar a fazer da sua cidade um lugar melhor. 

Família: meu pai não é de telefonar para ver como os filhos estão. “Se não ligaram, é porque está tudo bem”, justifica. Mas está sempre ao nosso lado, mesmo distante. Porém, a grande paixão de meu pai é minha mãe. Eu soube disso no dia em que ela sofreu um mal súbito e foi socorrida. Ele largou tudo e ficou ao lado dela no hospital. E só depois que minha mãe ficou boa é que meu pai voltou para suas outras paixões.

O inacreditável pode acontecer

É a quinta vez que sou convidado para ser patrono de feira de livro de escola pública. Já tive a honra de ser patrono nas cidades de São Sepé, onde sou membro da Academia de Letras e Artes Sepeense, e em Cachoeira do Sul. E sempre me dá um “friozinho na barriga” saber que meu nome é lembrado para representar um evento literário. A responsabilidade é imensa.
Fui “escalado” para dar cinco palestras durante o evento. E vou contar aos alunos do ensino fundamental, médio e EJA que meus primeiros anos de aprendizado escolar foram numa escola municipal, no Irapuá, interior de Caçapava do Sul, e que usava “tapa-pó” branco – que era o uniforme –, calça de tergal, Conga azul e Quichute preto. O objetivo é despertá-los para o fato de que não importa onde nascemos, moramos ou como nos vestimos, se tivermos um objetivo que guie nossa vida, o inacreditável poderá se tornar possível. Como diz a música “Não desista dos teus sonhos”, de Michelle Nascimento: “Se você acreditar que pode, o céu vai dizer amém. Põe um fim nesse complexo, você não é inferior a ninguém”.
Em minha curta vida como escritor já vivi momentos especiais e inesquecíveis. Para contar um deles, é preciso voltar no tempo. Quando Moacyr Scliar nasceu, em 1937, meus pais ainda não tinham vindo a esse mundo. Quando Moacyr Scliar publicou seu primeiro livro, em 1962, eu ainda não havia nascido. E, enquanto algumas de suas 74 obras eram traduzidas no mundo inteiro, a ideia de escrever um livro era só um sonho que eu sonhava só. Fazer parte do timaço de colunistas do JP então, sequer passava pela minha cabeça.
Felizmente, como desde guri pensei ter um livro a ser escrito dentro de mim, um dia tomei coragem e coloquei as ideias no papel. E não é que, tempos depois, o inesperado aconteceu?! Foi durante a Feira do Livro de Farroupilha, na serra gaúcha, em 2008, que, após palestrar e lançar “Sucesso é viver na contramão do mundo”, fui convidado pela organização do evento para tomar um café com Moacyr Scliar. Nem acreditei! E, enquanto o via levar a xícara à boca, fascinado, me beliscava para ver se era verdade: “Caraca, o guri do interior, que usava “tapa-pó” branco, calça de tergal, Conga azul e Quichute preto, escreveu um livro e agora está sentado à mesa com um escritor eleito para a Academia Brasileira de Letras?! O inacreditável aconteceu!”.

O inacreditável pode acontecer

É a quinta vez que sou convidado para ser patrono de feira de livro de escola pública. Já tive a honra de ser patrono nas cidades de São Sepé, onde sou membro da Academia de Letras e Artes Sepeense, e em Cachoeira do Sul. E sempre me dá um “friozinho na barriga” saber que meu nome é lembrado para representar um evento literário. A responsabilidade é imensa.
Fui “escalado” para dar cinco palestras durante o evento. E vou contar aos alunos do ensino fundamental, médio e EJA que meus primeiros anos de aprendizado escolar foram numa escola municipal, no Irapuá, interior de Caçapava do Sul, e que usava “tapa-pó” branco – que era o uniforme –, calça de tergal, Conga azul e Quichute preto. O objetivo é despertá-los para o fato de que não importa onde nascemos, moramos ou como nos vestimos, se tivermos um objetivo que guie nossa vida, o inacreditável poderá se tornar possível. Como diz a música “Não desista dos teus sonhos”, de Michelle Nascimento: “Se você acreditar que pode, o céu vai dizer amém. Põe um fim nesse complexo, você não é inferior a ninguém”.
Em minha curta vida como escritor já vivi momentos especiais e inesquecíveis. Para contar um deles, é preciso voltar no tempo. Quando Moacyr Scliar nasceu, em 1937, meus pais ainda não tinham vindo a esse mundo. Quando Moacyr Scliar publicou seu primeiro livro, em 1962, eu ainda não havia nascido. E, enquanto algumas de suas 74 obras eram traduzidas no mundo inteiro, a ideia de escrever um livro era só um sonho que eu sonhava só. Fazer parte do timaço de colunistas do JP então, sequer passava pela minha cabeça.
Felizmente, como desde guri pensei ter um livro a ser escrito dentro de mim, um dia tomei coragem e coloquei as ideias no papel. E não é que, tempos depois, o inesperado aconteceu?! Foi durante a Feira do Livro de Farroupilha, na serra gaúcha, em 2008, que, após palestrar e lançar “Sucesso é viver na contramão do mundo”, fui convidado pela organização do evento para tomar um café com Moacyr Scliar. Nem acreditei! E, enquanto o via levar a xícara à boca, fascinado, me beliscava para ver se era verdade: “Caraca, o guri do interior, que usava “tapa-pó” branco, calça de tergal, Conga azul e Quichute preto, escreveu um livro e agora está sentado à mesa com um escritor eleito para a Academia Brasileira de Letras?! O inacreditável aconteceu!”.