O Farroupilha
SÉRGIO ALMEIDA
O inacreditável pode acontecer

É a quinta vez que sou convidado para ser patrono de feira de livro de escola pública. Já tive a honra de ser patrono nas cidades de São Sepé, onde sou membro da Academia de Letras e Artes Sepeense, e em Cachoeira do Sul. E sempre me dá um “friozinho na barriga” saber que meu nome é lembrado para representar um evento literário. A responsabilidade é imensa.
Fui “escalado” para dar cinco palestras durante o evento. E vou contar aos alunos do ensino fundamental, médio e EJA que meus primeiros anos de aprendizado escolar foram numa escola municipal, no Irapuá, interior de Caçapava do Sul, e que usava “tapa-pó” branco – que era o uniforme –, calça de tergal, Conga azul e Quichute preto. O objetivo é despertá-los para o fato de que não importa onde nascemos, moramos ou como nos vestimos, se tivermos um objetivo que guie nossa vida, o inacreditável poderá se tornar possível. Como diz a música “Não desista dos teus sonhos”, de Michelle Nascimento: “Se você acreditar que pode, o céu vai dizer amém. Põe um fim nesse complexo, você não é inferior a ninguém”.
Em minha curta vida como escritor já vivi momentos especiais e inesquecíveis. Para contar um deles, é preciso voltar no tempo. Quando Moacyr Scliar nasceu, em 1937, meus pais ainda não tinham vindo a esse mundo. Quando Moacyr Scliar publicou seu primeiro livro, em 1962, eu ainda não havia nascido. E, enquanto algumas de suas 74 obras eram traduzidas no mundo inteiro, a ideia de escrever um livro era só um sonho que eu sonhava só. Fazer parte do timaço de colunistas do JP então, sequer passava pela minha cabeça.
Felizmente, como desde guri pensei ter um livro a ser escrito dentro de mim, um dia tomei coragem e coloquei as ideias no papel. E não é que, tempos depois, o inesperado aconteceu?! Foi durante a Feira do Livro de Farroupilha, na serra gaúcha, em 2008, que, após palestrar e lançar “Sucesso é viver na contramão do mundo”, fui convidado pela organização do evento para tomar um café com Moacyr Scliar. Nem acreditei! E, enquanto o via levar a xícara à boca, fascinado, me beliscava para ver se era verdade: “Caraca, o guri do interior, que usava “tapa-pó” branco, calça de tergal, Conga azul e Quichute preto, escreveu um livro e agora está sentado à mesa com um escritor eleito para a Academia Brasileira de Letras?! O inacreditável aconteceu!”.

O inacreditável pode acontecer

É a quinta vez que sou convidado para ser patrono de feira de livro de escola pública. Já tive a honra de ser patrono nas cidades de São Sepé, onde sou membro da Academia de Letras e Artes Sepeense, e em Cachoeira do Sul. E sempre me dá um “friozinho na barriga” saber que meu nome é lembrado para representar um evento literário. A responsabilidade é imensa.
Fui “escalado” para dar cinco palestras durante o evento. E vou contar aos alunos do ensino fundamental, médio e EJA que meus primeiros anos de aprendizado escolar foram numa escola municipal, no Irapuá, interior de Caçapava do Sul, e que usava “tapa-pó” branco – que era o uniforme –, calça de tergal, Conga azul e Quichute preto. O objetivo é despertá-los para o fato de que não importa onde nascemos, moramos ou como nos vestimos, se tivermos um objetivo que guie nossa vida, o inacreditável poderá se tornar possível. Como diz a música “Não desista dos teus sonhos”, de Michelle Nascimento: “Se você acreditar que pode, o céu vai dizer amém. Põe um fim nesse complexo, você não é inferior a ninguém”.
Em minha curta vida como escritor já vivi momentos especiais e inesquecíveis. Para contar um deles, é preciso voltar no tempo. Quando Moacyr Scliar nasceu, em 1937, meus pais ainda não tinham vindo a esse mundo. Quando Moacyr Scliar publicou seu primeiro livro, em 1962, eu ainda não havia nascido. E, enquanto algumas de suas 74 obras eram traduzidas no mundo inteiro, a ideia de escrever um livro era só um sonho que eu sonhava só. Fazer parte do timaço de colunistas do JP então, sequer passava pela minha cabeça.
Felizmente, como desde guri pensei ter um livro a ser escrito dentro de mim, um dia tomei coragem e coloquei as ideias no papel. E não é que, tempos depois, o inesperado aconteceu?! Foi durante a Feira do Livro de Farroupilha, na serra gaúcha, em 2008, que, após palestrar e lançar “Sucesso é viver na contramão do mundo”, fui convidado pela organização do evento para tomar um café com Moacyr Scliar. Nem acreditei! E, enquanto o via levar a xícara à boca, fascinado, me beliscava para ver se era verdade: “Caraca, o guri do interior, que usava “tapa-pó” branco, calça de tergal, Conga azul e Quichute preto, escreveu um livro e agora está sentado à mesa com um escritor eleito para a Academia Brasileira de Letras?! O inacreditável aconteceu!”.

O profissional com síndrome de Down

Na primeira vez que a vi oferecendo a degustação de produtos no supermercado, de cara Cíntia se fez notar por sua simpatia e profissionalismo. “O senhor já experimentou nossa água de coco?”, perguntou ao me abordar. “Não”, respondi balançando negativamente a cabeça. Ela calmamente colocou o líquido num copinho plástico descartável e me deu: “Entre os benefícios da água de coco, estão o fato de ela ser extremamente rica em sais minerais e apresentar baixíssimo teor calórico”.
Agradeci-lhe a explicação, ao mesmo tempo em que tentei ler seu nome no crachá de identificação pendurado no pescoço: “Como você se chama?”. Ela respondeu com um belo sorriso estampado no rosto arredondado: “Cíntia de Paula Nogueira. De Paula, herdei do meu pai, Nogueira, de minha mãe”. Indaguei se gostava de seu trabalho. “Adoro! Eu sou a garota Bistek”, respondeu, me fitando com seus olhos amendoados. Cíntia é down. E espalha alegria a todos que transitam próximo ao seu ponto de venda no Supermercado Bistek, em Itajaí.
Antigamente, um jovem com síndrome de Down raramente era apresentado ao mundo do trabalho. Hoje, graças à Lei de Cotas nº 8213/1991, que obriga empresas que têm 100 funcionários ou mais a contratar pessoas com deficiência, eles vêm ganhando espaço no mercado e mostrando que não é só um cromossomo a mais: é mais amor, carinho e verdade. E muitos estão abrindo negócios próprios e fazendo o maior sucesso.
Em San Isidro, Argentina, quatro amigos com síndrome de Down abriram a Los Perejiles, uma empresa de pizza a domicílio que já emprega mais de 20 funcionários. Em Nova York, John Cronin criou a John’s Crazy Socks, uma marca com mais de mil opções diferentes de meias coloridas e estilosas que tem o primeiro-ministro do Canadá como cliente e já fatura R$ 15 milhões por ano. Em São Paulo, Jéssica Pereira montou o Bellatucci Café, onde todos os colaboradores têm algum tipo de deficiência. O site da empresa reflete bem o principal obstáculo que os profissionais com síndrome de Down precisam superar para que conquistem o protagonismo no mercado de trabalho: “Lutamos pela real inclusão, na qual, em vez de as pessoas nos olharem e dizer ‘ai que bonitinhos!’, elas devem olhar o nosso trabalho e dizer “sim, eles são capazes e competentes!”. 

Vida “boa pra cachorro”!

O Pipo adora passear de carro. É uma criança com pelos. E está acostumado a me esperar sentado no banco traseiro enquanto vou ao supermercado. Infelizmente, meu amigo peludo é companhia para todas as horas, mas aqui em Itajaí não pode ir a todos os lugares. 
A boa notícia é que o número de estabelecimentos pet friendly – que permite a entrada de animais de estimação – está crescendo no Brasil.

E, ainda que haja os que não aceitem dividir espaço com animais, alegando que “bicho, por mais cuidado que seja, tem cheiro de bicho”, é uma baita sacada, já que, segundo pesquisa do Opinion Box, 48% dos donos de pets já deixaram de frequentar lugares onde os bichinhos não são bem-vindos.

Desde bebê convivo com cães. Quando eu engatinhava, meus pais me flagraram debruçado sobre a vasilha de comida do Tagiba, um cusco “desconfiado pra cachorro” que, rosnando, cravou o olhar neles como que dizendo: “Meu Deus, esse guri não tem amor à vida!”.

Quando cresci um pouquinho, o xodó lá de casa era um ovelheiro “bonito pra cachorro”, de pelagem preta com uma “coleira” branca de pelos no pescoço chamado Pluto. Certa manhã o encontrei morto no asfalto da BR 290, após ter sido atropelado por um caminhão, em frente à oficina mecânica do meu pai. E “chorei pra cachorro”! Meus pais, vendo minha desolação, me deram o Perigo, filho do Cuidado. Quando alguém chegava na fazenda de um dos meus tios, logo ouvia um grito: “Cuidado!”. E o visitante só relaxava quando ele chamava o guaipeca, assobiando e estalando os dedos: “Cuidado, vem cá!”. Como o Perigo era bem pequeno, o perigo era de alguém pisar em cima dele.

Hoje, o “abusado” da família é o Pipo. E, diferentemente dos outros que eram mantidos fora de casa, nosso shih-tzu dorme no colchão magnético Pet Eko’7, toma banho com a linha emotion 4pet da Polishop e só come ração. E merece! Quando eu volto para casa, meu amigo peludo pula em mim e faz a maior festa. Ah, e não importa se eu o tenha magoado: para o Pipo errar é humano, perdoar é canino.

Relata a história que, bem antigamente, os cães domésticos tinham de “trabalhar pra cachorro” para garantir a ração deles de cada dia: caçar, pastorear, vigiar a casa... Devido ao êxodo rural, seus patrões viraram seus pais, e aos poucos a vida dos cães modernos foi se tornando “boa pra cachorro”. 
 

Depois da hora não é mais hora

 Mesmo tendo situações de vida diferentes, todo mundo, de uma maneira ou de outra, se identifica com a postagem melancólica do jornalista cachoeirense Vinícius Severo, em sua página no Facebook: “Exatos sete anos atrás, eu caminhava desempregado pelo centro da cidade, refletindo sobras todas as ‘burradas’ que havia feito. Num banco semidestruído da praça, comecei a me sentir um lixo em que até dói a lembrança. Ainda tem dias que me sinto aquele Vini caminhando pela praça e decepcionado por tudo que não fiz”.
Fiquei matutando se não se trata do mesmo banco semidestruído da Praça José Bonifácio, em Cachoeira do Sul, que eu, na manhã de 2 de fevereiro de 1995, minutos após ter sido demitido do Banco Bamerindus, sentei e permaneci um tempão, a chorar como se não houvesse futuro. O certo é que na vida todos temos segredos inconfessáveis, sonhos inatingíveis, amores inesquecíveis e arrependimentos irreversíveis.

Uma enfermeira australiana que cuida de pacientes em suas últimas semanas de vida, relatou em livro os maiores arrependimentos na hora da morte. Um deles é: “Queria não ter trabalhado tanto”: No fim da vida, muitos falaram sobre a tristeza de não ter estado tão presente na vida dos filhos. Outro é: “Queria ter expressado melhor os meus sentimentos”: Afim de levar uma vida de paz com os outros, eles acabaram escondendo suas emoções. A terceira lamentação: “Queria ter tido mais contato com meus amigos”. Todos foram perdendo grandes amizades ao longo dos anos. O quarto pesar é bem clichê: “Queria ter me permitido ser mais feliz”: O medo de mudar fez com que fingissem para os outros que estavam satisfeitos com relação à vida que estavam levando. E, por fim, o arrependimento mais comum: “Queria ter tido a coragem de viver a vida que eu queria, não a vida que os outros esperavam que eu vivesse”. Conforme a enfermeira, muitos, quando percebem que sua vida chegou ao fim, constatam que foram o que os outros quiseram que eles fossem. Como alguém disse: “Todos nascemos originais, mas morremos cópias”.

Assim sendo, não é preciso esperar o último dia para descobrir que remédios não curam doenças da alma. Talvez essa tenha sido a mensagem que o radialista José Schneider Silva, apresentador do Programa Matutino no Ar, na Rádio Cachoeira, tentou enviar através de seu famoso bordão: “Antes da hora não é hora, depois da hora não é mais hora”. Então, olha a hora!
 

Você é “de menos” ou “demais”?

Devido aos preparativos para o lançamento de mais uma edição do meu livro Sucesso é Viver na Contramão do Mundo, marquei uma reunião com Arcangelo Zorzi, o popular “Maneco”, proprietário da Maneco Livraria & Editora, para discutirmos o assunto. Como tive que aguardar alguns instantes, aproveitei para comer um quindim. Sou doido por quindim! (melhor que quindim, só mousse de limão sem gelatina). E, na livraria, tinha um café bem simpático, num cantinho charmoso e aconchegante, para a relaxante leitura de um bom livro.

A moça que me atendeu, muito agradável e educada, após me entregar o doce, me ofereceu uma colher. Pensei: “Uma colher para o quindim? Espetacular!”. Uma empresa pode ter um ótimo produto, um excelente atendimento, mas se todas também têm, não há nenhum diferencial. No entanto, se o quindim tem uma colher, e o concorrente não tem, bingo! Esse pode ser uma ótima vantagem competitiva.

E você, já parou para pensar sobre qual é o seu diferencial competitivo? Talvez seja proatividade? Quem sabe seja mestre em fazer um bom marketing pessoal? Ou, quiça, pratique a excelência no atendimento? Quando eu morava em Caxias do Sul e era proprietário da Loja da Eko’7, na Rua Os Dezoito do Forte, a gerente tinha todos esses atributos. Signe Nascimento, que atualmente é gestora da Tudo 123 Comércio de Utilidades, em Farroupilha, se esforçava para fazer as coisas acontecerem, sabia se vender como ninguém e os clientes adoravam seu atendimento personalizado. Signe não precisava usar uma camiseta com a frase: “Sou boa no que faço!”. Ela fazia muito bem o seu trabalho como se fosse a dona da empresa. Isso a tornava uma “profissional de menos”. “Peraí, Sérgio, ‘de menos’? Não seria ‘demais’?”. Vou explicar.

Alex Kerber, amigo porto-alegrense, certa vez me alertou: “Um profissional diferenciado não é um cara demais, pois tudo o que é demais está sobrando, tem muito... na verdade, ele é um cara de menos. Ele é único. Ele não é apenas mais um no mercado”.
Portanto, descubra e coloque em prática o que fará com que você se destaque em meio aos outros e, quando disserem: “Você é demais!”, rebata imediatamente: “Nada disso. Eu sou de menos, pois sou único”.
 

Conte pra Deus, não pro Facebook

Meu pai, José Benemídio Almeida, com 81 anos, se sentiu mal e foi levado às pressas ao hospital. Tão logo fui avisado, reuni a família aqui em Itajaí e juntos oramos a Deus. A fala do José, 12 anos, foi inocente, mas sincera: “Senhor Deus, que o vô consiga ficar bem, que não aconteça nada de mal, que o vô consiga viver ainda bastante, pois ele é um ótimo avô, e que consiga sobreviver a isso, em nome de Jesus, amém!”. Eu gravei com o celular a oração e a enviei via WhatsApp para meu pai que, ao escutá-la se emocionou a ponto de não conseguir pronunciar uma só palavra. No dia seguinte, ele me confessou: “A oração do meu neto me tocou bastante”.

Orar não se trata de forçar Deus a fazer nossa vontade ou realizar nossos desejos e caprichos, mas de crer que, caso nosso pedido se alinhe com a Sua vontade, Ele nos concederá aquilo que necessitamos ou aspiramos. Por isso, faço conhecer minhas petições a Deus, mas, a exemplo da oração de Jesus no Getsêmani, finalizo com a frase “que seja feita a tua vontade”, já que Ele sabe o que é melhor para mim.
Ironicamente, conheço gente que afirma acreditar na existência de Deus – e até frequenta um templo religioso –, mas não está plenamente convencido que o Espírito Santo (domingo, dia 9, foi o “Dia de Pentecostes”, quando se comemora a descida do Espírito Santo sobre os apóstolos de Jesus), leva a causa de quem ora perante Deus. Recentemente, um deles me questionou: “Você acredita que Deus ouve sua oração?”. Eu perguntei: “Quando quem está do outro lado da linha telefônica responde ‘alô’, você escuta sua voz?”. Ele justificou: “Mas isso é tecnologia!”. De bate-pronto, rebati: “E o que é maior, Deus ou a tecnologia?”.

Eu creio que tenho um privilégio sem igual: falar com Deus sem rodeios – a qualquer momento e lugar. E quando sinto como se estivesse carregando o peso do mundo em minhas costas, me lembro do convite de Jesus: “Vinde a mim, todos os que estão cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei”. É como ouvir uma voz ao pé do ouvido: “Conte pra mim seus problemas e não para o Facebook, já que eu não os compartilho com ninguém seus segredos. E deixe Eu ser Deus na sua vida, pois Eu faço a minha parte melhor que você!”.
Ah, sobre meu pai? A oração do neto moveu o céu e o avô está esbanjando saúde e vitalidade. Brigaduuu, Jesus!!!
 

“Cartão vermelho” por WhatsApp

O WhatsApp foi criado em 2009 por dois ex-funcionários do Yahoo e mudou a maneira como as pessoas se comunicam. O nome escolhido é uma brincadeira com a expressão What’s up, que significa algo como E aí? ou O que está rolando?. Além do uso social, o WhatsApp se tornou uma das principais ferramentas do mundo corporativo. Por oferecer um serviço de troca de vídeos, fotos e mensagens instantâneas, empresas têm adotado o aplicativo como um canal de comunicação para se relacionar com clientes e colaboradores. Porém, como você se sentiria se fosse mandado embora do emprego por WhatApp?
Pois o futebolista Cleverson Rosário passou por essa situação no dia 26 de abril, ao receber por mensagem de texto a notícia de que seu contrato com o Ypiranga de Erechim seria rescindido (a notícia saiu até no GloboEsporte.com). Ontem estivemos reunidos presidente eu e Fabiano, durante ida pra Vacaria e ele não conta contigo, foi o comunicado do diretor do clube que disputa o Brasileirão Série C. Chateado, Cleverson, que jogou em diversos clubes do país, pelo Twitter, brincou com a situação inusitada: Já fui dispensado por jogar mal, perder gol, indisciplina, por ser feio, por jogar muito, por ser campeão, por muitas coisas. Mas por Whats foi a primeira vez.
Cleverson tem razão para estar chateado. Situações como essa, que se repetem aqui e ali, além de expor a falta de uma política para demissões na empresa, é um gesto de indelicadeza e de desrespeito à dignidade do profissional. Em um processo correto, o atleta deveria estar em um espaço adequado para que o gestor pudesse explicar o motivo da dispensa e reconhecer o trabalho que ele desempenhou no clube – além de evitar que o desligamento se torne um trauma –, pois antes do ser profissional existe outro, mais importante, o ser humano.
Num mercado competitivo, onde às vezes é preciso chorar debaixo do chuveiro, na hora do banho, para esconder as lágrimas, nada mais cruel do que ser demitido por WhatsApp. Uma atitude despida do respeito que deve nortear as relações entre empregador e empregado e que pode manchar a imagem da empresa ou até mesmo causar danos na continuidade da carreira de quem recebe o cartão vermelho. 
 

Gari: o profissional que “limpa o mundo”

No dia 16 de maio comemorou-se o Dia do Gari. É isso aí! Quinta-feira foi o dia de aplaudir essa turma invisível, que passa despercebida pela maioria das pessoas, e é responsável pela manutenção da limpeza pública de nossa cidade. O termo gari surgiu em 1876, quando o francês Pedro Aleixo Gary fundou a primeira empresa de coleta de lixo no Rio de Janeiro. Na época do Brasil Império, quando os cariocas precisavam que as ruas fossem limpas após a passagem dos cavalos, chamavam a turma do gari.
Cresci vendo as pessoas apontarem para o caminhão do lixo e dizerem: Lá vem os lixeiros. E ouvindo o conselho: Estude, se não quiser acabar como lixeiro. Hoje, tendo em vista a extrema importância da ação desses profissionais para o bem-estar da população, Mário César Ferreira, professor da Universidade de Brasília, sugeriu (com louvor) para a função o termo operário do meio ambiente.
Desventuradamente, em pleno Século 21, ainda se vê pessoas que veem os garis como profissionais que exercem atividade que tem pouco ou nenhum prestígio. Inclusive, há os que passam por eles como quem passa por um poste: não dão nem um simples bom dia!. Parece que não há um ser humano dentro daquele uniforme.
Na contramão do preconceito, um menino de 2 anos, de Belo Horizonte, teve um vídeo postado nas redes sociais que recebeu milhões de visualizações. Nas imagens, o garotinho aparece em frente à casa e, no momento em que o pessoal do Serviço de Limpeza Urbana se aproxima, devidamente vestido com o uniforme laranja costurado pela avó, joga lixo dentro do caminhão da coleta e depois bate uma selfie com os amigões. Quando eles passavam na rua, eu o levava para cumprimentá-los. Agora ele mesmo me pede para ir. E quando não aparece, os garis gritam para chamá-lo, diz a mãe do garoto.
Não dá para imaginar a cidade sem os profissionais da limpeza urbana. Por isso, na próxima vez que cruzar com um operário do meio ambiente pela rua, lembre-se de parabenizá-lo e agradecer-lhe por mudar a cara da cidade todos os dias. Você topa? Como escreveu uma estudante de 7 anos, de uma escola de Manaus: É importante homenagear o gari, pois é como se ele limpasse o mundo.
 

Sua mãe faria tudo de novo

Sábado passado dei palestra para empreendedores paranaenses no Centro de Eventos Encontro da Amazônia, em Curitiba. E como no domingo será comemorado o Dia das Mães, sugeri que cada participante ligasse para sua mãe e dissesse o que sente por ela. Foi emocionante!
Alguns declararam: você é a melhor mãe do mundo!. Outros, de um jeito meio sem jeito, justificaram o motivo da ligação: Mãe, estou numa palestra e o palestrante pediu que eu ligasse para a senhora e agradecesse por tudo o que fez por mim. E teve os que enrolaram, enrolaram e não conseguiram dizer nem mãe, eu te amo!. No fim, eu ri da reação de algumas mães: Filha, você está bem? e filho, aconteceu alguma coisa, você nunca me liga....
Após o público cumprir a tarefa, eu liguei para minha mãe, ativei o viva voz do celular e aproximei o microfone para que todos pudessem ouvi-la. E rasguei meu coração: Mãe, eu quero lhe dizer que não há outro ventre no qual eu gostaria de ter nascido. Te amo!. Pega de surpresa, ela mau conseguiu dizer a frase: Filho, assim você vai me fazer chorar!. A plateia aplaudiu.
Amor de mãe é inexplicável. Quando éramos crianças, nosso presente de Dia das Mães era um cartãozinho feito em cartolina colorida com uma mensagem de parabéns. E ela adorava! Depois que crescemos, esquecemos que ela continua preferindo um presente do coração e não do bolso. E que o que ela quer mesmo de Dia das Mães é ter os filhos por perto.
Dia desses, li sobre as nove coisas que as mães falam para seus filhos e me pus a rir sozinho ao lembrar que algumas delas a dona Amália me dizia quando eu era guri: Leva um casaco que mais tarde vai esfriar, Você é igualzinho ao seu pai, Essa brincadeira não vai dar certo, vai acabar em choro, Não abre a geladeira descalço, vai se gripar, Não entra na piscina depois do almoço porque dá congestão, Come só mais um pouquinho, Vê se está escrito banco na minha testa, Eu vou contar até 10 e Cadê o meu troco.
E fiquei comovido com as nove coisas que sua mãe nunca lhe contou: Você a fez chorar muitas vezes, ela sofre com sua ausência, ela queria aquele último pedaço de bolo, ela sempre teve medo, ela te carregou por muito mais que nove meses, ela te observou dormindo, seu choro cortava o coração dela, ela te colocou em primeiro lugar e, acredite, ela faria tudo de novo.