Do ramo calçadista à Fenakiwi: conheça a trajetória de Antônio Luiz Rufatto
Família do farroupilhense veio de Monte Grappa, na Itália

Reportagem especial:
José Ademir Theodoro
Programa Aqui é meu Lar da Rádio Miram Caravaggio 95,7 FM
O programa Aqui é meu Lar da Rádio Miram Caravaggio 95,7 FM, conversou com Antônio Luiz Rufatto. O programa que foi ao ar no final de 2025, teve como proposta, a imigração italiana, nos seus 150 anos, no Rio Grande do Sul, contando histórias de famílias que migraram para o Brasil. Tema: “Protagonistas de uma história de sofrimento, coragem, fé, esperança e conquistas”. Assim, as pessoas entrevistadas são os protagonistas, são a história viva da imigração italiana. O programa tem uma parceria com a TV Serra e o Jornal O Farroupilha que reproduz nesta edição o material, para ficar eternizado também nas páginas impressas da nossa história.
Antônio Luiz Rufatto, nasceu em 6 de julho de 1943, em Farroupilha. Seus descendentes chegaram ao Brasil, vindos de Monte Grappa, na Itália, assim como outras famílias que saíram daquela região. Seu bisavô migrou para o Brasil e se estabeleceu em Conceição da Linha Feijó, no interior de Forqueta, Caxias do Sul, onde ainda existem alguns familiares. Seus descendentes logo foram se espalhando pelo Rio Grande do Sul e outros estados. Antônio tem 82 anos, segundo ele, bem vividos. “Com Saúde graças a Deus, boa saúde, e pelo menos fazendo aquilo que a gente pode”, disse.
Ele não soube precisar em que ano seus antepassados chegaram na Linha Feijó, mas sempre ouviu as histórias que o foco era mesmo Caxias do Sul, onde hoje tem muitas famílias de descendentes. Seu pai nasceu na Linha Feijó e deve ter tido oito irmãos, conforme escutava eles contarem. Sua avó é da família Spiandorello. Ele se orgulha em dizer que é parente de Francisco Spiandorello, muito conhecido na região e que já ocupou vários cargos na política e antigo gerente da Caixa, conhecido como o Chico da Caixa. “Chico é meu parente e meu amigo”, orgulha. Apesar de seu pai ter nascido em Conceição da Linha Feijó, não ficou na agricultura. Fez sua carreira profissional trabalhando na Viação Férrea. Seu avô foi morar no final da rua Pena de Moraes, de onde atuou como feitor por comandar a equipe de trabalho da Viação Férrea, antes de 1910.
Antônio nasceu na localidade de São Luiz, na região de Nova Sardenha. O local situa-se onde hoje estão as instalações da Silvestrin Frutas. Antônio teve sete irmãos, mas três já faleceram. Uma irmã reside em Florianópolis, outra em Brasília, ele e outro irmão residem em Farroupilha. A sua esposa Eneli, é da família Pigorette, natural de Passo Fundo, e estão casados há 55 anos. O casal têm três filhos e ele agradece muito a Deus pela família que tem. Seus filhos são Luciano, Leandro e Liziane, que é fonoaudióloga. Luciano, o primogênito, é gestor responsável por todas as feiras e eventos promovidos pela Fenac S/A em Novo Hamburgo e também o diretor da empresa que comercializa a Mercopar de Caxias do Sul. O outro filho, Leandro, também atua na área de vendas.
- Antonio recorda que o fato de seu pai trabalhar na Viação Férrea, facilitava algumas coisas, pois ali tinha um QG. “Nós nunca passamos dificuldades, fome, esse tipo de coisa. Eu fui um privilegiado, Deus me privilegiou”, agradece. Conta que começou trabalhar cedo, quando adquiriu sua independência. Desde jovem já tinha também a música como algo em sua vida e que o ajudou se tornar ainda jovem, uma pessoa independente.
- Com 12 anos de idade, o pai o registrou numa fábrica de sapatos em Farroupilha, o que o levou a se aposentar muito cedo, há 37 anos. Mesmo assim, continuou trabalhando com Calçados. Antes de trabalhar com calçados, foi garçom e trabalhou em padarias na atividade de embrulhar pão. “Então eu ganhava um pouco cada tarde que ficava lá, mas isso faz quase 70 e poucos anos passados.
Recorda que no local em frente ao Posto de Saúde, na rua 13 de maio, estava alojada a Associação dos Fabricantes de Calçados de Farroupilha, da qual o primeiro presidente foi Antônio Signori, que já é falecido. O segundo foi o ex-prefeito Clovis Zanfeliz, também falecido. Antônio foi o terceiro presidente da Associação, que mais tarde foi transformada em sindicato na sua gestão. Ele agradece Ivorí Maggioni, que era seu colega de música, e também Paulo Bellini da Marcopolo, falecido. Paulo Bellini era muito amigo do Ivorí. “Nós tínhamos um relacionamento muito bom e o Jorge Sehbe era o presidente do Sindicato de Caxias. Eles ajudaram para liberar a carta sindical para criarmos o sindicato.
Na época, nos anos 80, eram 65 empresas de calçado em Farroupilha. “Eu diria o seguinte, se você fosse fazer uma comparação, assim simples, a época do calçado em Farroupilha, era o que é hoje na área da malha. Exatamente isso, com as mesmas pessoas, com um poder econômico, outros começando, outros trabalhando aí”, compara. Ele conta que eram em torno de 65 empresas de calçados em Farroupilha que buscavam mão-de-obra até 60 quilômetros de distância. Antônio lembra que no auge da indústria de calçados “Nós íamos de Nova Prata a Salvador do Sul, buscar gente para trabalhar. Hoje eu não sei se faria isso, tirar da agricultura. Mas na época o jovem estava ansioso para sair da agricultura, porque estava muito difícil. Então, eles vieram para a cidade, onde tinham o seu salário, plano de saúde, tudo isso que a gente proporcionava aos trabalhadores”, recorda.
Antônio tem grande participação na Fenakiwi. Muito passou pelas suas mãos até chegar a 25ª Edição. Das 25 Feiras, seis foram com a presidência de Antônio Luiz Rufatto. “Sim, eu tenho uma gratidão enorme aí, pelo ex-prefeito Paulo Dalsóchio, que no momento difícil e quando vimos encerradas atividades da Sabry, ele me nomeou secretário de Turismo, secretaria que foi criado naquela época , nos anos 90. Mas, sinceramente, eu não tinha muita cabeça pra me envolver em política, mas cumpri minha obrigação. Antônio assumiu a presidência na quinta Fenakiwi, em 1995.
Após esse período, a Fenakiwi foi profissionalizada e sofreu algumas modificações, quando foi contratada a empresa Trade Fairs, de Luciano Rufatto que já trabalhava de forma profissional com os principais eventos do setor calçadista. Para ele com a mudança dos processos, chegada das redes sociais, está mais fácil fazer o evento atualmente. Lembra que na sua época, grande parte das atividades no parque da Fenakiwi, eram feitas com o piso de brita, que hoje está tudo moderno e a feira foi melhorando a cada edição. “Hoje a Feira é conhecida praticamente em todo o Brasil, olha, eu diria que a gente se empenhou, mas sempre tem alguma falha, mas isso a gente foi corrigindo”, garante.
Antônio atuou na Fenakiwi, no Sindicato da Indústria do Calçado de Farroupilha, e foi o segundo presidente da CICS, sucedendo Adelino Colombo. Foi proprietário da Sabry S/A. Secretário da Indústria, Comércio e Serviços. Presidente da Fenakiwi em 1995, 1996, 2004, 2005, 2006 e 2007. Distinção industrial de Farroupilha em 1983 e destaque empresarial de Farroupilha em 1988, evento promovido pela jornal O Farroupilha.
Entre tantas atividades em benefício de Farroupilha, Antônio deixou marcas de atuação também no Senai, Sesi, e ADCE. O menino que na Calçados Seara foi menor aprendiz em 1958 e Egger Nervo e Cia Ltda, serviços gerais 1957 a 1964. Calçados Sabry Ltda, gerente 1964 a 1987 é um orgulho para os seus amigos.
- Quem o encontra na rua, em algum evento ou na Feira Livre do Produtor, faz questão de lhe dar um abraço e cumprimentar, lembrando “os bons tempos” de convivência nas empresas ou entidades pelas quais passou.








