JORNAL O FARROUPILHA – EDIÇÃO 2.500: Não parem as prensas! Farroupilha para lermos ontem, hoje e amanhã

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Aléferson de Menez
Publicitário na Lemon&Menez
aleferson@gmail.com

Há cidades que passam e ficam paradas na história, esquecidas nos seus tempos áureos, perdidas em registros que pouco existiram. Já algumas outras permanecem não apenas no mapa, mas nas páginas, na memória e no cotidiano do ontem, do hoje e do amanhã. Chegar à edição número 2.500 de um jornal é mais do que uma marca gráfica. É a prova de que uma cidade foi lida e relida inúmeras vezes, pelos mais diversos olhares. Uma cidade que se permitiu ser narrada.

Farroupilha será lida muito mais. Seja nas páginas já escritas ou nas que ainda serão impressas no futuro ainda distante. Neste marco tão impactante, o Jornal O Farroupilha não é apenas um veículo de comunicação. É um espelho retrovisor coletivo. É a memória que fica e também a memória que virá. Papel, tinta, textos e manchetes que carregam a existência de um município. Afinal, memória não é passado morto. Memória é passado em movimento e em constante transformação.

Folhear as páginas de um jornal é como caminhar em silêncio pela cidade, observando as nuances, os detalhes, as peculiaridades. Cada notícia é uma esquina. Cada anúncio, uma vitrine do tempo. Cada fotografia é um flagrante daquilo que um dia já fomos e, por que não, daquilo que ainda somos e seremos.

Nesta edição comemorativa, não celebramos apenas o número 2.500. O que está aqui, de forma simbólica e festiva, é o hábito de ler a própria história. Celebramos Farroupilha registrada e sempre lembrada. Nesta edição celebramos o futuro.

Farroupilha escrita por muitas mãos

Foi a soma do nosso coletivo que fez a história acontecer. Uma cidade não é feita apenas por políticos, datas oficiais ou grandes obras. Ela é construída, diariamente, por pessoas que raramente viram manchete. São os anônimos. cada um de nós, do seu jeito, na sua rotina silenciosa. São os anônimos silenciosos que carregam a cidade nas costas, muitas vezes literalmente.

É o trabalhador que acorda antes do sol e quase sempre volta somente depois que ele se esconde. É o comerciante que conhece seus clientes pelo nome. O professor que ensina lições que são mais que a matéria. É o servidor público que mantém tudo funcionando mesmo quando ninguém o aplaude.

Essas pessoas não pedem capa de jornal. Muito menos manchetes para mostrar o que estão fazendo de bom. Mas temos certeza que merecem, no mínimo, muitas páginas. Porque sem elas, não haveria cidade para ser noticiada.

O Farroupilha fez isso ao longo de décadas: registrou o cotidiano. E o cotidiano registrou o coletivo, registrou as pessoas e os detalhes que nos fazem sentir a nossa cidade. E quando tudo isso é registrado, temos uma grande história.

2.500 edições de valorização local

Valorização local é reconhecer que assim como um jornal não vive sem os leitores, uma cidade não se faz sem a comunidade. E desde sempre nosso propósito é valorizar o leitor. É ele que faz o jornal acontecer. Assim como os assinantes, que há tantas décadas ajudam a manter as prensas ligadas.

Também é fundamental valorizar o empreendedor local e reconhecer quem aposta onde muitos apenas passam. E foram milhares os empreendimentos que ao longo dos anos valorizaram as páginas do Jornal O Farroupilha. Pequenos, médios e grandes negócios. Anunciantes dos mais diversos segmentos. Também estão marcados na história, estampando dezenas de milhares de páginas.

Essas empresas, assim como todas as empresas da nossa cidade, sabem que empreender em um município de porte médio não é apenas abrir um negócio. É um ato de coragem e um gesto de pertencimento. É acreditar que vale a pena investir tempo, dinheiro e sonhos no mesmo CEP onde se constrói a própria vida.

O pequeno empreendedor é, muitas vezes, o maior patrocinador invisível da cidade. Ele gera empregos, movimenta ruas, cria encontros inesperados. Ele transforma calçadas em pontos de convivência e bairros em comunidades. Quando compramos localmente, não estamos apenas adquirindo um produto. Estamos financiando histórias que ficarão aqui.

E o Futuro? Um dia aqui estará escrito

Como será o amanhã? Responda quem puder, já dizia a música. O que ninguém consegue prever, um dia, poderá ler aqui nestas páginas. Torcemos para Farroupilha ser cada vez mais acolhedora e pujante. A verdadeira terra de oportunidades, que tanto falamos há muitos anos aqui nas páginas deste jornal.

Que possa quebrar velhos preconceitos e dilacerar paradigmas limitantes. Acolher novos sonhos, ver muitos novos projetos. Uma cidade com novas histórias, mas que não deixa de lado as raízes. Uma cidade que saberá se reinventar na mobilidade, já tão prejudicada e insuficiente hoje. Reflexos do crescimento das duas últimas décadas. Um município com centros culturais e gastronômicos, que tenha vida não somente dentro das fábricas.

Uma cidade viva é aquela que oferece motivos para o cidadão viver novas histórias. Que convida ao encontro. Que transforma o tempo livre em tempo vivido. E isso é política pública. Passa, necessariamente, por cultura, lazer e entretenimento acessível à todos, não somente aos privilegiados.

Que nossas crianças possam no futuro desfrutar de ainda mais qualidade na formação e infraestrutura. E que cada um dessas novas conquistas possa ser contada aqui, nessas páginas.

Que praças vazias se tornem praças ocupadas e parques acolhedores. Que eventos segregadores se tornem acolhedores e democráticos. Que a música ecoe por todos os cantos e a arte leve alegria em todas as suas formas, cores e sons. Que tenhamos a sorte de no futuro ler nestas páginas a nossa Farroupilha que respira vida, vínculo e cultura. É o vínculo que impede uma cidade de se tornar apenas um endereço.

O passado não é ponto final

As páginas do jornal são o combustível de um futuro que um dia será passado. Elas são escritas com responsabilidade e jamais serão lidas com saudosismo que entristece. Preservar a nossa memória é garantir que o futuro não nascerá em branco, pois ele escreve suas primeiras linhas com a tinta do que já foi vivido.

Tudo que transforma o amanhã é feito hoje ou já foi iniciado ontem. O Jornal O Farroupilha, ao chegar à sua edição 2500, prova que permanecer também é um ato de inovação. Porque, no fim, cidades e jornais se parecem muito: ambos só existem se forem lidos, interpretados e, principalmente, continuados.

Que saibamos honrar as páginas que já foram escritas, e mais do que isso, termos a coragem suficiente para escrever as próximas. Afinal, todos sabemos que quem entende o próprio passado não teme o futuro. E quem lê os parágrafos do cotidiano da cidade todos os dias, ajuda muito a escrevê-la um pouco melhor.