JORNAL O FARROUPILHA – EDIÇÃO 2.500: Parabéns, O Farroupilha, por esta edição histórica
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Silvestre Silva Santos
Jornalista, ex-colaborador do Jornal O Farroupilha
Conheci a cidade de Farroupilha, o Jornal O Farroupilha, e o diretor de então – e de agora -, o Jorge Bruxel, no final dos anos de 1980, acho que era 1989, depois de uma breve passagem pela capital dos gaúchos onde experimentei trabalhar em uma empresa que não era da área da comunicação, embora se relacionasse com o meio pelo tipo de produto que comercializava. A sede do Jornal ficava em um casarão, nas imediações da Prefeitura, com porão, térreo e andar superior.
Era um tempo em que o repórter saía às ruas para buscar a informação, se escrevia o jornal em laudas, que se fazia a diagramação em folhas pautadas, as fotos eram reproduzidas em fotolitos. Poderia escrever mais um parágrafo sobre os métodos antigos (assim como eu!) de se fazer jornal… Mal comecei a escrever e o leitor já deve estar se perguntando sobre o que é que estou falando. Quem sabe, até, me chamando de doido e achando que estou em surto.
Na época, o Jornal O Farroupilha era feito a muitas mãos, como era comum nas redações de qualquer jornal, com muitos repórteres, fotógrafos, motoristas, chefe de redação, pauteiro, chefe de reportagem, editor. Alguns dos que encontrei naquela ocasião, em Farroupilha, já não se encontram entre nós, ou estão em outras atividades produtivas, quiçá, aposentados! De quase a totalidade deles já não tenho informações, mas alguns marcaram minha passagem pela casa, e os tenho na memória.
Não havia, então, jornal virtual, não havia os sites de notícias nem as páginas das redes sociais onde, hoje, pululam informações que vêm de todos os lados. Atualmente, a dependência de um jornal está na tela dos computadores que são utilizados em redes e servem para que trabalho seja feito até de forma remota, a centenas de quilômetros de distância. Claro, também depende de equipes, mas os números de profissionais que as formam são infinitamente reduzidos, se comparados à época.
Para muitos dos que leem estas linhas, agora, não existe outra forma de comunicação que não seja aquela produzida em uma tela de computador. Tanto o texto, quanto a diagramação (que nada mais é do que a disposição gráfica das matérias, fotos, textos, legendas de fotos, créditos, anúncios, títulos – não exatamente nesta ordem – em uma página de jornal), etapa que precede a impressão. E para muitos, também, a única forma de ler um jornal é por meio da informática, no “personal computer” – o chamado desktop, notebook, tablet ou até mesmo no telefone. Ops, desculpe, no smartphone.
Fato é que nestas três décadas e meia o mundo da comunicação mudou da água para o vinho. Boa metáfora, já que Farroupilha é a capital do Moscatel. Mas, sigamos.
Nestes 30 anos a evolução e o progresso atingiram o mundo como o soco de um boxeador, levando a nocaute seu opositor. Ou seja, por conta desta evolução que se deu, e continua acontecendo, à velocidade da luz, muitos impressos deixaram de existir. Especialmente quando seus gestores não souberam acompanhar a migração do leitor, do jornal de papel, que depois de lido servia para o bodegueiro enrolar a dúzia de ovos para a cliente dona de casa, ao jornal virtual, capaz de chegar a qualquer lugar do planeta de modo instantâneo, antes mesmo que qualquer pessoa consiga pronunciar o nome do município.
Daí a razão destas linhas!
Com todos os perrengues, possíveis e impossíveis, driblando uma dificuldade aqui, dando uma rasteira em outra ali, ignorando aquela acolá, O Farroupilha chega à sua edição 2.500. Para alguns pode ser apenas mais uma edição. Mas para o Bruxel, para aqueles que já viveram este jornal, e para os que o produzem agora, é um marco significativo. Muitos semanários, arrisco a dizer que a grande maioria dos jornais não chega a alcançar esta marca. Não importa a razão, somem ao som da impressora, desaparecem no barulho dos teclados, simplesmente evaporam no clic que deixou de ser de uma máquina fotográfica analógica, evoluiu para a digital e hoje se resume a um celular que é levado no bolso das pessoas.
O Farroupilha está – pela ocasião número 2.500 – chegando às casas daquelas pessoas que mantém o hábito salutar da leitura de um jornal que tem “cheiro de tinta”, sendo entregue nos escritórios, salas de espera de consultórios, aos proprietários e diretores de empresas de todos os portes, às autoridades políticas, às lideranças institucionais e de entidades representativas de classes, e a um número infindável de pessoas que aprenderam a considerá-lo enquanto fonte confiável de informação, a respeitá-lo pela independência política, e a valorizá-lo pela persistência e longevidade.
Não é fácil. Não é algo que qualquer um faça. Mas o Jorge Bruxel e os que estão, ou estiveram, ao seu lado nesta missão, está sabendo fazer.
E isso merece elogio.
Merece parabéns. E eu cumprimento O Farroupilha pela sua trajetória, pela missão que cumpriu até aqui, com votos de que continue informando, sempre e cada vez mais, seja pelo meio impresso ou de forma virtual, quem tem sede de informação correta e produzida com seriedade e obstinação.
Ah, e obrigado, Bruxel, por ter me permitido fazer parte desta equipe.
