JORNAL O FARROUPILHA – EDIÇÃO 2.500: Saiu no Jornal

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Adroir da Silva
Jornalista e fotógrafo
Trabalhou no O Farroupilha de 2013 até 2017 e atualmente colabora com matérias pontuais

Há algo de especial, quase mágico, em ver o próprio nome, o nome da família ou da comunidade estampado em um jornal. Independentemente do tempo que passe, toda pessoa sente um orgulho silencioso quando “aparece no jornal”. É como se aquele momento, aquela história ou aquela conquista ganhasse um selo de importância, de permanência. O jornal impresso tem esse poder: transformar fatos do cotidiano em memória coletiva.

Desde que surgiram, os jornais se tornaram companheiros fiéis das cidades. São eles que guardam as histórias que o tempo insiste em apagar. É nas páginas amareladas pelo passar dos anos que encontramos registros de empresas que já não existem mais, de comércios que marcaram época, de festas tradicionais, de obras públicas, de momentos difíceis e de grandes conquistas. Quer saber quem foram os ex-prefeitos, como era a cidade décadas atrás, quando surgiu determinado bairro ou como a comunidade reagiu a um acontecimento importante? A resposta, quase sempre, está nos jornais.

Em Farroupilha, o jornal O Farroupilha está alcançando 2.500 edições neste dia 9. Não é apenas um número. São milhares de histórias, rostos, nomes e acontecimentos que ajudaram a construir a identidade da cidade. Em um tempo em que áudios de rádio se perdem e imagens de televisão nem sempre estão acessíveis, o jornal impresso permanece como um registro concreto, possível de ser revisitado em bibliotecas, arquivos e acervos pessoais. Ele se torna um verdadeiro guardião da história local.

Hoje vivemos em um mundo inundado por informações. Notícias chegam de todos os lados, a todo momento, muitas vezes sem origem clara, sem checagem e sem responsabilidade. Nesse cenário confuso, em que ninguém sabe ao certo o que é verdade ou mentira, o jornalismo impresso assume um papel ainda mais importante: o de salvaguarda da verdade. O que sai no jornal passou por apuração, por critérios editoriais e por um compromisso público com a informação correta. É por isso que, mesmo com tantas transformações, o impresso segue sendo sinônimo de credibilidade.

Minha história com o jornal O Farroupilha se mistura com a minha própria história de vida. Aos 12, talvez 13 anos, quando eu mal sabia ler direito e qualquer trabalho era uma forma de ajudar em casa, tive meu primeiro contato com o jornal, encartando edições, muitas vezes à noite. Lembro até hoje do cheiro da redação: a tinta fresca dos jornais recém-chegados da gráfica misturada ao aroma de café, com um gosto peculiar, quase lembrando caramelo. Aquilo ficou gravado na memória.

Depois vieram as entregas. Minha rota começava no bairro Primeiro de Maio, na rua Aquiles Bonfante, da primeira casa até por volta do número 1100, lá no “fim do bairro”, voltava pela Augusto Crippa, e começava novamente na Wilson Tartarotti. Pela Darci F. de Andrade me despedia do bairro quando chegava na Rainelle Petrini. Dali, onde hoje é o mercado Lazzari seguia até o Clube 1º de Maio e finalizava as minhas entregas umas três horas depois nas ruas do miolo do bairro Santo Antônio. Todas terças e todas sextas, a pé, por cerca de dois anos, sempre supervisionado pela querida Helena. Enquanto entregava os jornais, eu lia as notícias de Farroupilha, quase sem perceber que ali nascia uma paixão.

Anos depois, voltei ao jornal para vender assinaturas. Lembro que no primeiro dia após o treinamento, vendi 11 assinaturas. A primeira foi para o Mussum, dono da Malu Modas, no 1º de Maio. Foram bons tempos e grandes aprendizados. Mais tarde, já estudando Jornalismo na UCS, em Caxias do Sul, voltei a fazer alguns “bicos” no encarte. Até que veio, alguns anos depois, o primeiro trabalho como fotojornalista: fotografar um evento do Grupo Randon, convite feito pelo Jorge. Depois, a cobertura de um debate histórico nas eleições de 2006, com Yeda Crusius, Rigotto, Colares e Olívio Dutra, no CTG Aldeia Farroupilha — algo impensável nos dias de hoje.

Depois fiz mais alguns trabalhos pontuais de fotografia. Mas passei a morar em Porto Alegre e o vinculo com o jornal diminuiu. Em 2013, voltei definitivamente ao O Farroupilha, agora como repórter e fotógrafo. Foram cerca de três anos intensos, vivendo o cotidiano da cidade, suas histórias e personagens, até o início de 2017. Desde então, sigo colaborando em pautas pontuais, mantendo esse vínculo que nunca se rompeu.
Por isso, falar do jornal O Farroupilha é falar de orgulho, pertencimento e memória. É falar de pessoas comuns que fazem a cidade acontecer e que se reconhecem nas páginas do jornal.

  • O futuro pode trazer novos formatos, novas plataformas e novas linguagens, mas enquanto houver histórias para contar e comunidades que queiram se ver representadas, o jornal impresso seguirá vivo.
  • Porque quando algo realmente importa, quando um fato merece ser lembrado, ele fica registrado para sempre. Ele saiu no jornal.