PARA GUERINO ANTONIO PASQUALE
Homenagem da neta Paola, em nome da família Pasquale.
A esposa Avani, os filhos Carlos, Carem e Ciro, a neta Antonela, noras, sobrinhos, primos e todos que o amaram.

“Quando eu era criança, meu avô já era uma das minhas pessoas preferidas. Eu achava que era porque era meu avô e que todos os avôs eram assim. Que brincavam, inventavam histórias fantásticas e falavam sobre astronomia, literatura e o mundo. Mas fui crescendo e percebendo que meu avô era especial.
E era a pessoa preferida de muita gente.
Também fui percebendo que meu avô era diferente. Era uma pessoa brilhante.
Um ser humano superlativo, genial, criativo. Dedicou quase 50 anos como arquiteto da prefeitura de Farroupilha. Foi o primeiro arquiteto da cidade e um dos primeiros do estado, formado em uma das primeiras turmas da UFRGS.
E era um apaixonado pela vocação. Não tem quem tenha topado com ele e não tenha ouvido falar sobre o gabarito das ruas da nossa cidade.
Dezoito metros.
Mas eu sei que vocês todos já ouviram.
Ele sempre contava sobre a visão inovadora que tinha. Orgulhoso de ser arquiteto e também urbanista, projetou Farroupilha para crescer. Sempre foi reconhecido pelo rigor técnico, imparcialidade e forte senso de responsabilidade pública.
E testemunhou o crescimento que previu. Testemunhou muita coisa em seus quase 95 anos. Viu o rádio chegando, teve a primeira televisão da cidade. Explorou os primeiros computadores e celulares. Mas, muito mais que testemunha, foi sempre o projetista de muita mudança.
Fundador do Lions Clube de Farroupilha, também participou da fundação da APAE e de tantos outros projetos fundamentais.
Essa foi uma vida inteira.
Mas meu avô viveu MUITAS vidas.
Mais que um grande arquiteto, foi um homem de família, um marido amoroso e um pai e avô inspirador. Ele ainda falava: “EU TE AMO.”
Foi jogador de pingue-pongue. Precursor da modalidade na cidade, com um grupo que nasceu na sua garagem e viajou pelo estado competindo.
Explorou o mundo. Ao lado da minha avó, conheceu em torno de 50 países. Montou em cavalo, camelo e elefante. Quase foi sequestrado no Egito. Atravessou a Muralha da China. Escapou de terrorismo e de furacão. Amava o Tibete, a Itália e a Índia. Uma vez, jantando em Dubai, nos enviou um e-mail emocionado com foto dos talheres: Tramontina. Uma das empresas em que ele acreditou como arquiteto da cidade, quando incentivou o parque industrial. E que hoje a gente sabe o tamanho que tem.
A vida dele foi assim, completa e gigante. Ele iniciou e finalizou ciclos. Ele definiu a palavra legado. E deixa um legado patrimonial e cultural para a cidade. E um legado inestimável para a memória da nossa família, para quem, mais do que um arquiteto, ele foi um especialista em ópera, um tocador de gaitinha de boca, um contador de piadas, um apreciador de trocadilhos com palavras, um inventor sem limites, o nosso Geppetto.
Das muitas vidas que ele viveu, há muitas histórias inusitadas. Quando estudou em Porto Alegre, morou no mesmo pensionato que o grande poeta gaúcho Mário Quintana. Certa vez, quando ele voltou das férias em Farroupilha, Quintana se alegrou com sua voz e dedicou um poema para ele. É com as palavras de Quintana que eu quero que a gente fique:
Ouço vozes
quiçá um sino
eis que vejo
é a volta do Guerino.
Que eles se encontrem agora nesse retorno.
Obrigada, vô.”
Paola Pasquale
Convidam para a missa de sétimo dia de falecimento
a ser celebrada no dia 1º de março de 2026, domingo, às 18h30min na Igreja Matriz Sagrado Coração de Jesus
