O Farroupilha
CLAUDIA IEMBO
Não me leve a mal

Farroupilha está em chamas! Já viu um incêndio acontecer em silêncio? Atearam fogo e até o fogo faz barulho.  Compra, não compra; compra, não compra, opa, quis dizer: guerreiros com guerreiros fazem zigue-zigue-zá. Se fosse brincadeira, seria mais fácil, mesmo sabendo que quem entra no jogo precisa estar disposto a jogar.
Tudo isso provoca barulho, como se não bastasse o ruído do carnaval que desfila a falta de discernimento de um povo que se contenta com pouco. Bastam suor e cerveja. Foliões. Também querem brincar, sem lembrar que há contas vencidas, filas para atendimento de saúde, frustrações, desigualdades... Não me leve a mal, hoje é carnaval.
Fogo por aqui, água demais fora do Rio Grande do Sul. Acompanho os alagamentos lá de São Paulo, afinal há família por lá. Lamento. Demora o escoamento das chuvas, demora o aparecimento de nossa tolerância porque a cada verão o problema se repete.
-  Toda a tarefa que não fazemos direito, volta para nós, senhores gestores!
Quem sabe a brincadeira fica melhor se nos fantasiarmos de engenheiros disso ou daquilo, administradores com especializações nisso ou naquilo, presidentes mais diplomáticos nas ações e nas palavras... Não me leva a mal, hoje é carnaval.
É isso o que o povo quer: fogo, folia, barulho, fantasias. Não vai dar? Não vai dar não? Você vai ver a grande confusão. Daqui a pouco passa o carnaval e o ano começa de verdade. Será? Não me leve a mal, hoje é carnaval.
De qualquer forma, a festa do povo vai passar, assim como o fogo, a água, o jogo. 
As próprias marchinhas de carnaval, felizes outrora, mal devem tocar hoje em dia. “Tudo passa, tudo sempre passará...” 
Já não gostava de carnaval, depois do último, em que meu grande amigo - e um dos maiores amores - foi embora, gosto menos ainda. 
Não me leve a mal hoje.

Não me leve a mal

Farroupilha está em chamas! Já viu um incêndio acontecer em silêncio? Atearam fogo e até o fogo faz barulho.  Compra, não compra; compra, não compra, opa, quis dizer: guerreiros com guerreiros fazem zigue-zigue-zá. Se fosse brincadeira, seria mais fácil, mesmo sabendo que quem entra no jogo precisa estar disposto a jogar.
Tudo isso provoca barulho, como se não bastasse o ruído do carnaval que desfila a falta de discernimento de um povo que se contenta com pouco. Bastam suor e cerveja. Foliões. Também querem brincar, sem lembrar que há contas vencidas, filas para atendimento de saúde, frustrações, desigualdades... Não me leve a mal, hoje é carnaval.
Fogo por aqui, água demais fora do Rio Grande do Sul. Acompanho os alagamentos lá de São Paulo, afinal há família por lá. Lamento. Demora o escoamento das chuvas, demora o aparecimento de nossa tolerância porque a cada verão o problema se repete.
-  Toda a tarefa que não fazemos direito, volta para nós, senhores gestores!
Quem sabe a brincadeira fica melhor se nos fantasiarmos de engenheiros disso ou daquilo, administradores com especializações nisso ou naquilo, presidentes mais diplomáticos nas ações e nas palavras... Não me leva a mal, hoje é carnaval.
É isso o que o povo quer: fogo, folia, barulho, fantasias. Não vai dar? Não vai dar não? Você vai ver a grande confusão. Daqui a pouco passa o carnaval e o ano começa de verdade. Será? Não me leve a mal, hoje é carnaval.
De qualquer forma, a festa do povo vai passar, assim como o fogo, a água, o jogo. 
As próprias marchinhas de carnaval, felizes outrora, mal devem tocar hoje em dia. “Tudo passa, tudo sempre passará...” 
Já não gostava de carnaval, depois do último, em que meu grande amigo - e um dos maiores amores - foi embora, gosto menos ainda. 
Não me leve a mal hoje.

Dia Mundial do Amor

Estamos às vésperas do carnaval e por conta disso, em minha caixa de entrada de e-mails pipocaram notícias vindas de agências de comunicação. A maioria delas falando sobre doenças sexualmente transmissíveis, já que a proximidade da tal permissividade inerente à festa pagã faz brotar preocupações.

Tanto brota que fizeram até campanha a favor da abstinência sexual para evitar a gravidez na adolescência. Lançamento pouco antes do carnaval, não por acaso. Mas antes da consumação física, que verdadeiramente muitas vezes acontece de forma precoce e pouco pensada, é preciso falar de amor, o sentimento. Dia 14 de fevereiro é Dia de São Valentim, o santo que dá nome ao Dia dos Namorados em muitos países. Não por acaso, novamente, a data também é Dia Mundial do Amor.

Daquele amor que nasce entre dois seres que se relacionam amorosamente, é bom ressaltar já que existem várias apresentações da mais poderosa das forças. 

Aqui no Brasil, o dia dos Namorados foi cair lá em junho por causa de uma estratégia publicitária para aumentar as vendas de uma loja de roupas em um mês considerado ruim para isso. Deu certo. Desde 1948, quando ligaram a data à véspera do dia de Santo Antônio, o casamenteiro. Tudo com propósito comercial.

Com o registro dos fatos, descobri que o primeiro slogan criado para o Dia dos Namorados foi: “não é só com beijos que se prova o amor”. São Valentim, muito antes disso, provou com mais: ele foi condenado à pena de morte por defender que o casamento era parte do plano de Deus, contrariando o imperador Claudio II, que baniu os casamentos no século III por acreditar que homens casados eram soldados ruins. São Valentim, padre romano, realizava as cerimônias em segredo até que foi descoberto. Morreu acreditando no amor.

No fim, tudo se resume ao amor. Amor ao outro, amor ao trabalho, amor ao dinheiro, amor a tudo aquilo que você elege em sua vida. “Porque onde estiver o vosso tesouro, aí estará também o vosso coração” – Mateus 6:21.

Dói nelas, dói em mim

A cada semana, diversos assuntos ou cenas ganham minha atenção pelo potencial que apresentam de render assunto nesta coluna. Mas nada é mais forte do que as emoções experimentadas na pele. Em se tratando disso, a mãe ganha de todos os outros papéis que assumo na vida.

Vivi momentos tensos nos últimos dias. Minha filha mais velha, adolescente, passou por um procedimento de saúde, que até podia esperar, mas resolvemos cuidar do assunto agora. Se tem que fazer, que seja feito logo. Este é o lema que nos impulsiona. Ela tranquila, eu, em pânico – tentando não demonstrar para não contagiar.
Pensava em tudo: dor, cuidados pós-cirúrgicos, aflição. Pensava, penava: verbos que convivem numa relação simbiótica, em muitos casos. 

Toda a angústia que me visitou me fez lembrar de mães que conheço e que vivem na imprecisão por aquilo que enfrentam seus filhos. Eliane, Josi, Rosana e tantas Marias que existem pelo mundo. Como são admiráveis essas mulheres! Senti-me pequena diante das batalhas que vivenciam e entendi porque uma delas me disse, certa vez, que era especial por causa do filho forte - e não o contrário. 

O choro de quem a gente ama dilacera a alma porque não podemos trocar de lugar com ele. Só quem presencia a dor do filho é capaz de entender tal profundidade. As mães têm uma capacidade incrível de empatia! Por isso matérias que contam histórias desta natureza são as mais difíceis, e ao mesmo tempo as que mais fluem para mim.

Filhos. O amor que sentimos por eles tem poder sobre nós, nos molda e nos faz descobrir mais sobre nós mesmas, ainda que quando passe a tempestade venha a dor de cabeça, o cansaço, a sensação de ter passado por uma guerra.

Às pessoas que crescem nestes conflitos em nome deste amor, que tanto se assemelha ao amor de Deus por nós, minha solidariedade e minha total admiração. 

Tudo o que nos cerca precisa nos ajudar a dar os passos necessários para vencermos o que nos desafia. Só assim podemos combater o bom combate.

O talento de cada um

Como é bom a gente quebrar a rotina de vez em quando! A mudança de lugar sempre traz a oportunidade de descoberta de novos mundos, sejam eles geográficos ou encerrados em pessoas que conhecemos pelo trajeto.
Na breve pausa, conheci figuras talentosas. Entre elas Fabiano, jovem simpático que atraia os clientes para degustarem as especialidades do cardápio da casa onde trabalhava. Boné com a aba para trás, aparelho nos dentes brancos que se destacavam no rosto de pele negra. Dono de uma conversa convincente, fazia o pequeno restaurante ficar lotado.
Em outro endereço, outro jovem carismático servia os sorvetes de máquina da movimentada sorveteria. Olhar atento, a cordialidade fazia parte do atendimento. Nossas visitas frequen-tes descobriram mais da vida de Estevão: estudante universitário, cristão envolvente. 19 anos e passava o verão trabalhando para ajudar em suas despesas. Podia estar como a maioria dos jovens de sua idade, apenas curtindo a estação, mas a decisão era outra. Focado, via-se nele a promessa de um futuro bem-sucedido.

Andando mais um pouco, encontrei o belo trabalho feito com escamas de peixe pela artesã Tânia Pereira (foto ao lado). Ali demorei na conversa. 
- “Meu pai trabalhava em navio, sempre comemos peixes lá em casa”, contou-me a ativa senhora de 71 anos, engajada com projetos da Emater e defensora da arte. 
Disse-me que persistiu para passar na exigente seleção de artesãos que expõem seus trabalhos no famoso Brique da Redenção, em Porto Alegre. Espalhava felicidade pelo sorriso que mantinha explicando sua arte. Bijuterias, móbiles, corujas e muitas rosas feitas com escamas de peixe. Claro que uma coruja branca de olho azul piscou pra mim e acabou batendo asa para Farroupilha! 

Minha curiosidade fazia minha família procurar algum banco e esperar o fim das “entrevistas”. Andar com gente que gosta de gente é assim: precisa ter paciência porque cada figura que salta aos olhos, discreta ou indiscretamente, rende conversa.
Rende também textos como este, no qual as figuras passeiam pelo papel, ganhando a imortalidade, nascida de um simples contato, de um genuíno interesse.
Quem ama o que faz, faz o tempo todo.  

Tecendo nossa história

Não costumo recusar convites que acenam como oportunidades de mais crescimento. Quase sempre louvo a disposição de ter saído da minha casa, ter deixado minha família para investir em mim mesma.

Na semana passada fui conferir o evento da amiga Marlise Dussin Bampi, o Workshop de Inteligência Emocional, promovido por ela e mais duas profissionais especialistas no assunto. Foram três horas que não vi passarem. O tempo voa quando a gente se diverte.

Entre os ensinamentos transmitidos, algumas vivências valiosas, que permitiram aos participantes uma autoanálise rápida e eficaz. Pelo menos para mim, enxerguei alguns “x” de questões. O autoconhecimento tem um poder inquestionável! 

Quando a gente sabe porque age de determinada forma, fica mais fácil enfrentar o que precisa ser enfrentado. Daqui uns dias é Natal - e sabendo da saudade que trago comigo de quem foi embora este ano – já entendo alguns comportamentos.

Lembro que nesta mesma época do ano passado, escrevi uma crônica sobre os Natais que passávamos na casa do sítio do meu pai, que em 2019 foi experimentar a continuidade da existência ao lado de Deus. Mandei o texto para ele. Meu telefone tocou, atendi. “Você me emocionou com suas palavras. Tenho orgulho de você”.
Vivências que nos marcam, palavras que se eternizam... no papel e na memória. 

Por isso é importante enxergarmos cada experiência e cada relacionamento que a vida nos proporciona como caminhos para nos conhecermos mais e mais. E desta forma vamos somando sentimentos, carregando lembranças, tecendo nossa história.

Que não nos falte a capacidade de aproveitar os momentos e aprender com eles. Cada situação traz uma lição para nós. Ainda que seja experimentar um Natal com ausências à mesa. 

Com estas palavras, desejo a você tudo aquilo que te possibilite conhecer mais sobre si mesmo, como parte da força necessária para os combates que virão. Estamos vivos, afinal.

Feliz Natal!

A neblina e a solidão

O carro percorria a estrada e as luzes dos faróis pareciam lâminas a cortarem a densa neblina que cobria toda a paisagem ao redor. 

Sem muito a enxergar adiante, a umidade deixava os vidros molhados e as luzes dos outros carros batiam nas gotas de água, fazendo-as parecerem inúmeros diamantes espalhados. Criados pela imaginação, ao alcance apenas dos olhos.

Quando se está no banco do passageiro é assim: podemos nos entregar demoradamente às impressões que a mente cria. Bom trafegar sem ter que prestar atenção ao volante. Naquele dia, servindo de companhia a um compromisso que não era meu, experimentava a leveza de perder o olhar além das janelas do automóvel.

Talvez a neblina, sempre muito presente em nossa cidade, fosse um convite aos devaneios descomprometidos de quem não precisava prestar atenção a nada, exceto aos próprios pensamentos.

Fiz a conexão do clima com a informação, recém-ouvida, de que o Rio Grande do Sul é o estado brasileiro que apresenta mais casos de suicídio no Brasil, segundo a palestrante de um seminário há pouco realizado por aqui. Há uma epidemia de solidão, especialmente entre os mais jovens. 

Já experimentou a sensação de dificuldade de respirar na neblina? O sentimento de solidão por não enxergar nitidamente as pessoas que transitam por ela, ou os carros que estão na estrada com você? 

Solidão é solidão, mas ainda assim é difícil assimilar a ideia de que alguém fique infeliz em um dia ensolarado, ao contrário dos dias com neblina. Ainda mais aquela densa, que sufoca, que dificulta, que confunde.

Como seres sensíveis que somos, o ambiente, as pessoas e até mesmo o clima nos influenciam. De um jeito ou de outro. Por isso é sempre bom lembrar que até mesmo a mais intensa das neblinas acaba se dissipando. É preciso nos adaptarmos. Estamos na Terra, ou melhor: na serra, afinal.

O que nos resta?

Há fases na vida em que as respostas para nossas indagações parecem se esconder em algum pico lá no Tibete. Distantes demais da compreensão necessária para qualquer atitude. Resta-nos, neste caso, a confiança de estarmos percorrendo os caminhos mais indicados a nós.

Nem sei o que pensar de 2019. Tenho novas marcas em meu rosto, causadas pelo enfrentamento daquilo que não se pode evitar. Receio de achar que não há como piorar, porque sempre há como. Resta-nos, neste caso, a esperança de vivermos dias melhores.

Deslizo os olhos pelas redes sociais e percebo pessoas que parecem viver em mundos totalmente distintos do meu. Comemoram os bons resultados, exalam otimismo com os bolsos cheios de dinheiro, longe das dúvidas e das dívidas. Resta-nos, neste caso, a convicção de que a necessidade de mostrar alegria destoa muito da realidade.

Na maior parte do tempo obedecemos às regras da boa convivência, às necessidades de dançarmos a música que toca, de nos enquadramos no que precisa ser feito, já que não há – por hora – outra opção. Resta-nos, neste caso, a certeza de que a vida é cíclica e responde aos nossos movimentos.

Nem sempre é possível tomarmos a atitude que queremos, aquela que certamente nos traria mais conforto interno, mais paz e mais justiça perante o descaso daqueles que não nos valorizam como deveriam. Resta-nos, neste caso, o silêncio da vontade que nasce da consciência. Aguardar é preciso. Ciclos começam e terminam.
Há dias em que o tom de incentivo prevalece. Em tudo. Em outros, o “descuido apercebido” de permitir que o sentimento, isento de controles impostos por nós mesmos, se manifeste. Resta-nos, neste caso, o reconhecimento do poder avassalador da sinceridade. 

Em destaque no texto, palavras que podem ser os sinalizadores de uma ampla resposta que valha o esforço todo. Pode ser que salte aos olhos, mas ainda assim precisamos de alguém para nos dizer.
Às vezes, é preciso visitar a escuridão para enxergar a luz. 

Ação, reação

No começo deste ano estava em cartaz o filme Bohemian Rhapsody, a obra biográfica do vocalista do Queen, Freddie Mercury, que em cinco de setembro completaria 73 anos. Eu estava de férias em São Paulo e recusei o convite para ir ao cinema porque minha filha mais velha, que também queria assistir ao filme, não estava comigo. Pensei: “ela vai ficar chateada de saber que fui, já que combinamos de ir juntas”. Apesar de ser fã da banda, meu papel de mãe falou mais alto.

Nesta semana estreou o filme na Sky e lógico, nós duas nos preparamos para executar o plano nascido em janeiro. Baita filme! Eu já achava o cantor um dos melhores do mundo, não só por ter marcado minha história, mas simplesmente por ter audição. Poucas vozes arrepiam como a dele.

Foi um deleite conhecer mais do homem tímido e sensível, que enfrentou desafios por causa de sua aparência, por ser gay – como se fizesse alguma diferença. Talento não tem sexo.

Tudo no filme impressiona, especialmente a atuação do ator Rami Malek, que interpretou Mercury. Em um vídeo que compara o Live Aid do filme ao show original é indescritível a dedicação de Malek ao papel. Gestos, olhares, tudo espantosamente absorvido. Impactante. Não foi à toa que o ator ganhou o Oscar.

Mergulhada na obra e pensando nela dias depois, enxergo continuamente que não há como nos distanciarmos da dedicação para obtermos bons resultados. Disciplina absoluta e trabalho. O ator, pouco conhecido, levou tão a sério o desafio que acabou consagrado. 

Você conhece algum outro jeito de obter êxito em qualquer âmbito da vida?

É preciso envolver-se com a atividade desempenhada, seja ela qual for. Dedicar-se, ter comprometimento, ainda que as respostas não sejam exatamente aquelas idealizadas. Não são hoje, amanhã pode ser que mudem. Aperfeiçoando as habilidades, se o reconhecimento não vier agora, virá depois. Ninguém ganha Oscar por um trabalho razoável. Ação, reação.

Empenho não tem nada a ver com sorte. É assim em Hollywood. É assim em Farroupilha. 

O tempo

Puxa! Chegou aquela data, primeira a passar sem a presença física do meu pai na Terra, apenas à distância de um telefonema, como escrevi uma vez. Certamente meu coração vai sentir mais acentuadamente no domingo, mas a vida precisa seguir.
Cada vez que penso na perda, automaticamente me vêm à mente dores semelhantes, experimentadas por parentes que não tiveram a sorte de uma longa convivência. Existências abreviadas cedo demais, ao contrário daqueles que atravessaram décadas. Dor é dor, mas há um quê diferente.
Nunca acreditei tanto na ideia de que é preciso viver intensamente tudo o que nos for apresentado, de positivo e negativo. Deve ser deste jeito que encontraremos o resultado da equação, aquela sensação de que valeu a pena.
Como sempre digo, minha profissão é uma dádiva porque com ela conheço pessoas a todo o tempo. Pessoas e suas histórias, que sempre me fazem refletir e crescer. Quando a gente olha para o lado e se coloca no lugar do outro é como se emergíssemos do mergulho interno que algumas fases nos obrigam. Tudo tem um propósito, ainda que não o enxerguemos. Há tempo de plantar e tempo de colher.
Falando em tempo, ele passa cada vez mais rápido por nós. Os filhos crescem, as marcas no rosto aparecem, os cabelos já não os mesmos, nem a flexibilidade dos membros, que antes aguentavam passos bem mais velozes. É a tal transformação que alguns de nós têm o privilégio de vivenciar.
Em tempo: talvez não existam grandes mistérios a serem descobertos por nós nesta passagem por aqui. Talvez o segredo seja a simplicidade. Dos pensamentos, das ações, das manifestações na vida do outro. A gente tem mania de complicar e pode ser que baste fazer o que tem que ser feito, sentir o que precisa ser sentido. Tudo a seu tempo. 
Se der tempo, abrace seu pai demoradamente no próximo domingo e fale para ele o quanto ele é importante para você. Sempre fiz isso e vou continuar fazendo, de outra forma agora. Porque o amor dura para sempre.