O Farroupilha
CLAUDIA IEMBO
Poder de escolha

A cada semana tenho uma página em branco para escrever o que eu quiser. Uma oportunidade incrível e também um tremendo desafio! Não é assim a cada amanhecer? Oportunidade e desafio. O que faremos é escolha nossa.

Comecei o texto por este caminho, fixa na ideia de comentar sobre os últimos acontecimentos na nossa cidade e no nosso país.

Por aqui primeiro. Só conheci um prefeito de Farroupilha, morando na cidade. Cheguei quando Claiton Gonçalves foi eleito pela primeira vez e trabalhando no jornal, tive diversas oportunidades de conversar com ele, que sempre me recebeu muito bem. Acompanhei os altos e baixos da gestão e por fim sua cassação. Agora vou acompanhar o trabalho do Pedrozo e no ano que vem de quem for eleito. É assim: a gente fica de olho e dependendo da necessidade – ou ocasião – chega mais perto para cumprir o trabalho. Não cabe expressar opiniões.

De qualquer forma, a vida segue seu curso e as pessoas vão marcando a história. As suas próprias e a do lugar em que estão.

Como eu disse há algumas semanas, cansei deste estigma de esquerda, direita. Se comentamos algo contra qualquer ação do governo federal – ou notamos o mau uso das palavras em boca de quem deveria saber como usá-las, somos de esquerda; o contrário, de direita. “Quem é de direita, toma Cloroquina, quem é de esquerda, toma Tubaína”.

Palavras sem sabedoria são carregadas ao vento, o mesmo vento que sopra para secar as lágrimas de quem perde pessoas amadas. Há muitas lágrimas para secar. Melhor calar.

Há pouco tempo soube que uma amiga querida faleceu no Rio de Janeiro, não resistindo à Covid-19. Na última terça-feira, 19 de maio, o Brasil registrou 1.179 óbitos em 24 horas! São números, para algumas pessoas. Para outros são amigos, pai, mãe, irmão, conhecido. 

Entristeço-me à beira do inconformismo ao mesmo tempo que enxergo a necessidade de trabalhar. Ponto. 

Em meio ao caos, há “notícias boas” sobre a doença, que parece estar controlada em nossa cidade, ainda que o número de casos aumente gradativamente. Outra: nos meses de enfrentamento da doença, nenhum profissional do único hospital que temos na cidade, o Hospital Beneficente São Carlos, se infectou! Que maravilha, sabendo que muitos profissionais da saúde estão morrendo mundo afora. Que continue assim.

Um dia, sabe Deus quando, este capítulo escrito com tanto sofrimento terá ficado para trás, ainda que a vida se apresente muito mais difícil que antes. Tomara que ainda tenhamos nosso poder de escolha. 

Palavras, parte 2

No dia 16 de maio de 2016 foi publicada minha primeira crônica no Jornal O Farroupilha. Aniversário de quatro anos neste espaço, dividindo com você um pouco da forma como enxergo o mundo.

Muitas vezes as palavras contaram o meu cotidiano, recheado de fatos nos quais as protagonistas são minhas filhas – tema que sempre rende para mim. Outras palavras mostraram a atenção às notícias marcantes, expressando a concordância ou a indignação embutida em cada assunto. Embora o espaço seja de crônica, também já me arrisquei em contos, carregados de elementos distantes do dia a dia. Mas em todos eles, nunca deixei de passar a mensagem que eu queria passar.

Ganhei leitores. Muitos. Pessoas que me param nas ruas para um comentário ou outro. Mensagens enviadas em redes sociais, em aplicativos. Gente que se identifica com o estilo de texto, com as ideias, comigo.

Das crônicas nasceram outros convites e o horizonte se ampliou, acenando diversas possibilidades. Nada é por acaso. Conheci jovens interessados e interessantes, fiz muitas amizades. Tudo proporcionado pelo gênero de texto que tanto gosto.

Se existe uma palavra que resume estes quatro anos, ela é: GRATIDÃO. Agradeço a todos vocês, leitores assíduos e outros esporádicos.

Dizem que o número 4 é perfeito. Perfeito mesmo é ter a liberdade de traduzir a vida em palavras. Exatamente o assunto da primeira crônica aqui.

Palavras (texto de 16/5/2016).

Quando eu soube que teria mais um espaço para me expressar neste veículo, logo apareceu a preocupação: escrever sobre o quê? Fui questionada e a resposta foi “vida”. Genérica, que me possibilita inúmeros temas, nos quais posso abusar do que amo, as palavras.

Tudo na vida pode ser traduzido em palavras. Tem aquela história de que uma imagem fala mais que mil palavras... Verdade. Mas elas são necessárias. Elas falam tanto, que até quando faltam podem ser interpretadas.

Saber usá-las é uma arte. De forma verbal, escrita, corporal, tanto faz. Elas têm poder para tudo. Unem, afastam, destroem, conquistam, seduzem.

Às vezes, a solução está nelas. Marisa Monte, por exemplo, mostrou isso com muita criatividade na música “Diariamente”. “Para saber a resposta: vide o verso”.

Palavras são quase tudo. Acompanhadas por gestos ganham ainda mais força!  Não vivo sem elas, ainda que as receba de forma escassa, vez ou outra. Uma palavra, dependendo da situação, basta. Ter palavra é fundamental.
Procuro ter palavra em todas que ecoam em mim. Desejo que algumas delas encontrem solo fértil em você e germinem, de alguma forma. Que não sejam apenas palavras ao vento. Palavra de honra.

Na contramão

Difícil a gente atravessar o deserto sem expor os sentimentos que a realidade nos traz. Nem sempre há assuntos tranquilos a serem trabalhados ou aquela energia repleta, que pede o enfrentamento da pandemia que vivemos. A escuridão faz parte da luz.

Ando meio saturada das mensagens positivas, dos vídeos do Whatsapp, que tentam nos convencer de que estes tempos difíceis servirão para mudar o ser humano, amenizando as desigualdades – porque o vírus não escolhe classe social, raça, gênero ou seja lá que for... Não vejo indício no dia a dia.

O que constato nas pessoas é medo. De adoecer, de não receber os cuidados, de não conseguir manter o emprego, ou de alcançar um, de não ter dinheiro para pagar as contas, de morrer. Mas antes da morte, a incerteza. Essa sim, palavra dominante.

Ninguém sabe qual mundo teremos depois e neste panorama todo, discussões políticas que continuam disseminando o ódio e tantas outras ameaças reais paralelas como a escassez de água em nosso Estado.

 Eu, que já reclamei um dia que por aqui chovia demais, agora olho para o céu e peço água. No sentido literal e figurado. 

Estou pedindo água para esta visão romântica trazida pelos discursos carregados de poesia, que querem explicar o porquê de a Terra ter sido acometida por esse vírus. A verdade não usa roupas e não é quentinha como um reconfortante prato de sopa. 

Peço desculpas às pessoas que realmente estão fazendo a diferença na vida dos outros. A elas, minha total admiração.

Este é sentimento que tenho agora, fazendo aquilo que julgo correto, como distanciar-me, evitar sair, proteger minha família, mas enquanto faço isso noto que muitos ao meu redor agem como se nada estivesse acontecendo. O ser humano vai ficar melhor? Será?

Assumo todas as minhas dúvidas e confesso que estou sem receio de andar na contramão. É o que experimento nestes tempos peculiares, que nos obrigam a passar o Dia das Mães longe das nossas. Eu, por amor a ela, manterei a distância.

Natureza

Sempre exaltei o quanto considero privilégio estar cercado de verde! Para quem saiu de uma cidade cinza, ganhar novas cores é valoroso.  Não me acostumei à beleza que emoldura minha existência e espero não me acostumar porque desta forma estarei sempre admirando-a.

A natureza traz para perto de mim seus encantos. Perto mesmo. Uma vez entrou um passarinho descuidado na sacada envidraçada. Não sei quem teve mais medo, ele ou eu! Vira e mexe aparecem surpresas desse tipo por aqui.

Se tem um lugar no qual estaciono muito dentro de casa com certeza é a pia da cozinha, o pit stop de qualquer dona de casa. A minha fica embaixo de uma janela. Dia desses estava eu lá tentando dar cabo da louça que começava a crescer – sim porque quaisquer dois copos parados ali já me atraem para o lugar, feito imã... impressionante! – quando meus olhos encontraram o ser da foto. 

Meu cérebro prontamente reconheceu a folha. No instante seguinte, a real identificação de uma borboleta, ou seja lá que nome tenha um inseto parecido com ela. Fiquei olhando para ela e ela para mim, imaginei. Ela, mestre na camuflagem para enganar seres desapercebidos; eu, ser confuso que busca enxergar além do que vê. Cada um segundo sua natureza.

Corri tirar o sabão das mãos e enxugá-las para pegar o telefone a fim de deixar a borboleta retida para sempre, na imagem, como deve ser. 
Borboleta, não folha.

É preciso prestar atenção ao que está a nossa volta, olhar atentamente para não sermos enganados. Cada um segundo sua natureza.

Predadores existem. Ela ainda tem a vantagem da camuflagem - o que boa parte da nossa espécie acabou adquirindo para sobreviver ao meio – mas nós estamos expostos como somos, experimentando perigos mais reais que os naturais. Tenho esta certeza quando ligo a TV e vejo um homem pedindo socorro por estar com a geladeira vazia.

A borboleta voou. Eu, chorei. Cada um segundo sua natureza.

Por ora, apenas

Toda profissão tem seus desafios ou para expandir ainda mais as possibilidades, toda ação com um propósito oferece suas dificuldades. Uma das minhas é inspirar-me. A escrita requer uma fonte, seja ela qual for, e a mais rica de todas para mim são as pessoas. Mais fechada que na rua no último mês, tenho experimentado uma espécie de escassez. Ainda bem que apenas de inspiração.

Como a limonada tem que sair, acabo substituindo o contato visual pela audição e neste campo não faltam elementos, que vêm de qualquer lugar: pelas ondas do rádio, pela TV, daqui, de longe, de Brasília.  

Compra, não compra; compra, não compra, opa, quis dizer: guerreiros com guerreiros fazem zigue-zigue-zá. De novo a brincadeira. Brincadeira que acontece em tempos nos quais é melhor não descer para o parquinho, hora de ficar quietinho. Mas os argumentos chegam à audição e fazem de tudo para convencer o juízo. Claro, palavras bem ditas têm este poder. Bom para quem as usa, melhor atentar quem escuta.

Nesta brincadeira, do zigue-zigue-zá, há guerreiros de todos os tipos. Tem aquele que de tanto usar a lança agora precisa usar mais o escudo, tem o outro que sumiu e tantos que apenas acompanham o ritmo. Ah, esqueci daqueles que querem mudar a brincadeira: tentam, tentam, mas continuam no zigue-zigue-zá.
Tudo pode ser justificado pela pandemia do novo coronavírus, que tomou o espaço de todo resto. Infelizmente ela tem a proporção necessária para servir de bandeira que justifique ações. É pano imenso. É também uma nuvem preta que ameaça desabar sobre as cabeças de todos nós. Em outros lugares ela já desabou.

Faço de tudo para escapar do assunto, mas a audição está inundada por ele, o que impreterivelmente acaba afetando minha mente. Enquanto este vírus estiver em mim pela audição, tá tudo certo. Tenho tomado todos os cuidados para que seja somente assim.

Uma hora ele vai passar, assim como a brincadeira vai mudar, assim como eu vou voltar a beber direto da fonte inspiradora do contato com as pessoas.
A única certeza é a mudança... e nem precisávamos de um vírus para isso.

Fragilidades expostas

Nestes tempos de isolamento social - ou seja lá que nome tenha o fato de estarmos mais dentro de casa, evitando a alegria dos dias ensolarados que antecedem a chegada do frio intenso por estas bandas – mal tenho tido tempo de ler os livros que peguei na biblioteca pública.

Enquanto vejo mensagens de gente inventando coisas para fazer, experimento um ritmo intenso de trabalho, que chega a afetar o acompanhamento das tarefas de casa propostas pela escola de minhas filhas. Antagônico. Mais suave seria se estivesse cumprindo a agenda de compromissos na rua. Elas reclamam, tento dosar, muitas vezes sem sucesso.

As condições que vivemos expõem uma outra questão: o hábito que temos de reclamar. Alguns de nós reclamam de tudo, quase o tempo todo. Péssimo hábito, é preciso vigiar. 

Dizem que esta pandemia veio para nos ensinar muito sobre solidariedade. Começo a questionar, analisando o crescimento de uma “guerra política resumida em: se você quer ficar em casa é esquerdista; se você quer trabalhar na rua é de direita”. Que pobreza! 

Melhor dissertar mesmo sobre o peso que a falta da rotina exerce sobre nós. Um exemplo: esta história de fazer exercícios em casa não é para mim. Não consigo quebrar o ritmo e colocar-me a suar na sala para manter um bom condicionamento físico... que eu havia começado a conquistar à base de disciplina, antes de virar tudo de cabeça para baixo ou melhor, fechar. 

De cabeça para baixo também estão meus horários, aliás, quase tudo que eu tinha sob controle. Este sim tem sido um aprendizado trazido pelo coronavírus lá fora. 

Diante disso, acabo concluindo que cada um de nós deve estar travando suas batalhas pessoais neste momento e os mais atentos podem estar sendo testados em suas fragilidades. “O que não me mata, me fortalece”, oportuna frase do filósofo alemão Friedrich Nietzsche. 

Por aqui, acho que os livros emprestados vão ter que esperar mais um pouquinho, o que é bom tendo em vista a triste estatística do desemprego que atinge 12,3 milhões de pessoas. E mais cinco milhões estão a caminho por conta da pandemia. 

Melhor continuar não tendo tempo.

A dor é de todos nós

A vida está diferente e é possível que fique assim por mais tempo do que gostaríamos. Se tudo tem um porquê, esta doença que assola a humanidade carrega ainda mais ensinamento. Dentre tantos, ela nos faz enxergar o quanto somos frágeis diante do desconhecido. E iguais. 

Ricos e pobres, do mais alto escalão ao mais baixo. Não importa. Ela é a mesma para todos. 

A ansiedade que carregamos conosco, pois estamos sempre de olho no amanhã e apreensivos se vamos ou não alcançar o que almejamos, recebeu um “sossega leão”. Simplesmente não sabemos o que vai acontecer depois de hoje. Estranho, não é?

Diante da ameaça, crescem as guerras políticas, de egos, de quem leva a melhor. Uns se firmam no poder da caneta que por ora possuem, outros aproveitam para atacar, ou para aparecer mais, mostrando o trabalho que deveriam ter feito há muito tempo. Ações que fomentam uma crise enorme, que tem o poder de desenhar um panorama nada bom lá na frente. 

Quem achou que 2019 podia ir embora por ser o causador de dores, não imaginava o que estava por vir. Neste time, eu, de mão levantada, entregando meu consciente esquecimento de que as coisas sempre podem piorar. As dores deixaram de ser só minhas. São do mundo agora.
Vai passar. 

Quem sabe a gente aprenda de uma vez por todas a valorizar o abraço de quem a gente ama.  Nesta semana, levei umas compras para minha mãe, que está em isolamento por fazer parte do grupo de risco, duplamente. Ainda bem que no andar do prédio em que mora, encontrou mais que amigos. Não subi e ela não desceu. O vizinho amigo recebeu as compras.

- Sua mãe pediu para você olhar para cima, ela está na janela para te ver.

Ergui a cabeça, para o apartamento que não era o dela, e a vi. A garoa fina que caia encontrou meus olhos marejados... de saudade, de pesar. Tão perto e tão longe estamos de quem não podemos abraçar por enquanto.

Que possamos aprender tudo aquilo que vai nos tornar pessoas melhores. A dor é mestre neste quesito. E agora ela é de todos nós, mas vai passar.

Detalhes

Como todo mundo sabe, um jornalista (ético, porque ainda existe este tipo) preserva suas fontes. Muitas vezes a informação chega até nós, mas a pessoa que a traz pede para não ser citada. Descartando as jogadas que fazem com a imprensa – sim, porque fazem – o pedido precisa ser levado a sério. É exatamente a postura que determina todo o resto, incluindo a qualidade do resultado.

Às vezes, a fonte nem pede, mas a gente, no contexto todo, acha melhor não a citar. Dito isso, entremos no assunto da semana. 

Eu falava com uma pessoa, dia desses, quando a resposta, escrita no Whatsapp, causou-me estranheza. Em determinado ponto do assunto, ela escreveu a palavra: doida, referindo-se à situação. O que veio depois do ponto de interrogação que mandei fez nascer a análise:

- Faltou o acento: doída.

De doida para doída muda tudo. Um detalhe é capaz de fazer isso. 

É aquela questão de saber onde colocar a vírgula, pois uma coisinha tão pequena carrega um potencial enorme de transformar o conteúdo. Em outras palavras: tem poder. Não, espere. Não espere. Não quero saber. Não, quero saber. Notou como tudo muda?

É como o acento esquecido. Pode ser que tenhamos tempo de consertar a situação, mas é sempre melhor estarmos atentos aos detalhes, àquilo que queremos dizer, sob pena de experimentarmos a necessidade de mudar todo um discurso, como aconteceu com o presidente da República em seu quarto pronunciamento em rede nacional nesta semana: ele adotou um tom bem mais conciliador nas palavras; como aconteceu com o prefeito da nossa cidade nesta volta ao cargo. Parágrafo longo, mas as vírgulas mudadas são poderosas.

A hora é de mantermos a atenção. Na saúde e na economia. Nesta ordem porque tudo é importante, mas precisamos estar vivos para que exista este “tudo”.  Independente de opiniões, esta não é uma questão que depende de vírgulas. Ponto final.

Fugir, como?

Que tempos difíceis estamos vivendo! O novo coronavírus é o que predomina, no ar e nas mentes. Como sobram motivos que impulsionem as dissertações sobre o tema, vou fugir dele: com reclusão, com água e sabão.
Mal começamos o enfrentamento da doença em nosso país. Sem dúvida será um capítulo doloroso da nossa história.

Cada dia mais complicado manter a ânimo em meio às lágrimas e às preocupações. Os semblantes mudaram e com o verão se foi a leveza dos dias descontraídos. Agora nosso otimismo cai assim como as folhas da estação. 

Este vírus trouxe ainda uma crise interna muito grande, entre o presidente da República e os governadores dos estados e autoridades médicas. Visões à parte - e confesso que enxergo o fundamento dos argumentos do presidente - a corda que Bolsonaro está colocando em volta do próprio pescoço é tecida com fios que nascem em sua “boca grande”. Fala demais!

Como não fui atleta, reconheço a força desta “gripezinha” que já matou 19 mil pessoas pelo mundo (até o momento da escrita desta coluna) e posso trabalhar no esquema de home office, sigo em casa.

Que benção ter uma! Fico pensando nas pessoas que moram nas ruas, há mais de 100 mil no Brasil, segundo dados do Instituto Econômico de Pesquisas Aplicadas (Ipea). 

No comando, Deus. Ele é que sabe de tudo que vamos enfrentar, com vírus, com crise. Portanto, vamos fazer a nossa parte, tomar as precauções para proteger – do vírus e da crise - a nossa família e a nós mesmos, na medida do possível.

Tudo tem um propósito e até as crianças são capazes de enxergar isso, como expressou minha filha de apenas sete anos nesta semana:

- Deus está deixando isso tudo acontecer para que a gente cuide um do outro.

Chegando ao final desta coluna, constato que fui vencida na ideia inicial de não falar sobre o assunto. Existem coisas das quais simplesmente não podemos fugir. 

Contágio

Tanto a ser dito sobre tantos temas! Estamos rodeados de assuntos que rendem conversas, atritos, preocupações. 

Eu poderia discorrer sobre afastamentos por problemas de saúde, sobre interesses políticos em ano eleitoral, sobre emissoras de TV que mostram algo e depois precisam se retratar - por conta das informações que vêm à tona - sobre policiais que quebram pernas pelas rasteiras que dão, sobre a preocupante pandemia do Coronavírus, que agora está bem perto de nós, sobre a falta de chuva que nos ameaça, enfim, sobram notícias, falta motivação. Mais pura verdade. 

O ritmo dos acontecimentos desagradáveis está tão acelerado que acaba provocando um efeito negativo. Contágio. 

Ouço com muita frequência as pessoas falarem: “tá ruim e vai piorar”! Sempre penso: “que pessimismo, tomara que não me contagie”. Mas, mesmo que seja um pouquinho, acaba respingando. Às vezes, este respingo acaba sendo a gota d’ água.

Dias atrás uma rede social trouxe-me a postagem mais comentada em determinado ano. Era exatamente um texto que falava de esperança! Escrito, coincidentemente, em um março qualquer. Reli: 

“Amanhã temos ao nosso dispor outro recomeço e com ele mais tranquilidade para enxergar as situações sob outros ângulos. Caso não consigamos respostas, ainda assim haverá outras possibilidades. O nevoeiro sempre se dissipa, ainda que leve um tempo maior.

Nem sei se isso é otimismo. Gosto de pensar que é esperança. Sem ela, tudo que está ruim pode realmente piorar”. 

De lá para cá, notei que a minha inclinação a enxergar o copo meio cheio normalmente é confundida com qualquer outro substantivo menos positivo. Talvez estejam certos. A realidade é bem menos empolgante que as palavras.
De qualquer forma, sigo reagindo, buscando combater os efeitos de tudo aquilo que fere minha essência, mesmo que de vez em quando falte vontade disso ou daquilo. 

“Seja forte e corajoso! Não se apavore nem desanime, pois o Senhor, o seu Deus, estará com você por onde você andar”.