O talento de cada um
Como é bom a gente quebrar a rotina de vez em quando! A mudança de lugar sempre traz a oportunidade
Como é bom a gente quebrar a rotina de vez em quando! A mudança de lugar sempre traz a oportunidade de descoberta de novos mundos, sejam eles geográficos ou encerrados em pessoas que conhecemos pelo trajeto.
Na breve pausa, conheci figuras talentosas. Entre elas Fabiano, jovem simpático que atraia os clientes para degustarem as especialidades do cardápio da casa onde trabalhava. Boné com a aba para trás, aparelho nos dentes brancos que se destacavam no rosto de pele negra. Dono de uma conversa convincente, fazia o pequeno restaurante ficar lotado.
Em outro endereço, outro jovem carismático servia os sorvetes de máquina da movimentada sorveteria. Olhar atento, a cordialidade fazia parte do atendimento. Nossas visitas frequen-tes descobriram mais da vida de Estevão: estudante universitário, cristão envolvente. 19 anos e passava o verão trabalhando para ajudar em suas despesas. Podia estar como a maioria dos jovens de sua idade, apenas curtindo a estação, mas a decisão era outra. Focado, via-se nele a promessa de um futuro bem-sucedido.
Andando mais um pouco, encontrei o belo trabalho feito com escamas de peixe pela artesã Tânia Pereira (foto ao lado). Ali demorei na conversa.
– “Meu pai trabalhava em navio, sempre comemos peixes lá em casa”, contou-me a ativa senhora de 71 anos, engajada com projetos da Emater e defensora da arte.
Disse-me que persistiu para passar na exigente seleção de artesãos que expõem seus trabalhos no famoso Brique da Redenção, em Porto Alegre. Espalhava felicidade pelo sorriso que mantinha explicando sua arte. Bijuterias, móbiles, corujas e muitas rosas feitas com escamas de peixe. Claro que uma coruja branca de olho azul piscou pra mim e acabou batendo asa para Farroupilha!
Minha curiosidade fazia minha família procurar algum banco e esperar o fim das “entrevistas”. Andar com gente que gosta de gente é assim: precisa ter paciência porque cada figura que salta aos olhos, discreta ou indiscretamente, rende conversa.
Rende também textos como este, no qual as figuras passeiam pelo papel, ganhando a imortalidade, nascida de um simples contato, de um genuíno interesse.
Quem ama o que faz, faz o tempo todo.

