O Farroupilha
MARIO ROMANO MAGGIONI
Movimentos: rotação e translação

- E pur si muove! - No entanto, ela se move! - Disse Galileu Galilei. Acusaram-no de heresia, pena de morte. Galileu dizia que a Terra girava ao redor do Sol, mas se retratou perante o tribunal. Por conta da retratação, foi condenado à prisão domiciliar até a sua morte (1642). No entanto, continuou em movimento.
Os julgamentos causam dúvidas e nem sempre são certos. Muitas vezes apenas o tempo dirá da (in)justiça da sentença:
- É ou não é heresia?! É ou não é centro?! Se move ou está parada igual a uns atletas do futebol da segunda e da quinta?!
Nesta rotação, inserem-se todos os conceitos. Inclusive a paternidade e a maternidade:
- É ou não é pai?! É ou não é mãe?!
- Quais são os limites do poder familiar?
A maternidade e a paternidade têm limites. Não desistir jamais dos filhos. Cultivar, com o mesmo empenho, as tempestades e os girassóis. Lembrar o aniversário de cada um como se fosse único. Mandar presentes, ainda que sem poder ver. Respeitar a individualidade como uma ciência. Chorar só de falar. E, se perder a ternura, reconhecer o erro ao dente, às orelhas, aos socos e girar de novo a face ao Sol.
Não existem conceitos absolutos, teses acabadas e pais perfeitos. Desconfio de quem têm certezas demais e vê o parasitismo, os erros e os acertos apenas num lugar. Desconfio de quem não tem dúvidas.
Oxalá Galileu nos ensine a olhar!
Oxalá os julgamentos sejam acertados em favor das crianças, dos adolescentes e dos pais!
Oxalá a ciência prepondere!
Oxalá se cuide bem da aldeia e do saber!
Que nenhuma religião esteja acima da outra! Que nenhuma pessoa esteja acima da outra! Que nenhum país esteja acima dos demais! Que a casa em que se reside seja respeitada em todos os seus meandros, a casa pequena de cada um e a grande casa Terra!
Que o trabalho seja bem remunerado! Que ninguém enriqueça às custas da fome e da miséria dos outros! Que os giros ao redor do Sol não sejam de opressão, mas de dignidade, inclusive para domésticas, colombinas e arlequins!
É o que eu peço nesta véspera de Carnaval.

Movimentos: rotação e translação

- E pur si muove! - No entanto, ela se move! - Disse Galileu Galilei. Acusaram-no de heresia, pena de morte. Galileu dizia que a Terra girava ao redor do Sol, mas se retratou perante o tribunal. Por conta da retratação, foi condenado à prisão domiciliar até a sua morte (1642). No entanto, continuou em movimento.
Os julgamentos causam dúvidas e nem sempre são certos. Muitas vezes apenas o tempo dirá da (in)justiça da sentença:
- É ou não é heresia?! É ou não é centro?! Se move ou está parada igual a uns atletas do futebol da segunda e da quinta?!
Nesta rotação, inserem-se todos os conceitos. Inclusive a paternidade e a maternidade:
- É ou não é pai?! É ou não é mãe?!
- Quais são os limites do poder familiar?
A maternidade e a paternidade têm limites. Não desistir jamais dos filhos. Cultivar, com o mesmo empenho, as tempestades e os girassóis. Lembrar o aniversário de cada um como se fosse único. Mandar presentes, ainda que sem poder ver. Respeitar a individualidade como uma ciência. Chorar só de falar. E, se perder a ternura, reconhecer o erro ao dente, às orelhas, aos socos e girar de novo a face ao Sol.
Não existem conceitos absolutos, teses acabadas e pais perfeitos. Desconfio de quem têm certezas demais e vê o parasitismo, os erros e os acertos apenas num lugar. Desconfio de quem não tem dúvidas.
Oxalá Galileu nos ensine a olhar!
Oxalá os julgamentos sejam acertados em favor das crianças, dos adolescentes e dos pais!
Oxalá a ciência prepondere!
Oxalá se cuide bem da aldeia e do saber!
Que nenhuma religião esteja acima da outra! Que nenhuma pessoa esteja acima da outra! Que nenhum país esteja acima dos demais! Que a casa em que se reside seja respeitada em todos os seus meandros, a casa pequena de cada um e a grande casa Terra!
Que o trabalho seja bem remunerado! Que ninguém enriqueça às custas da fome e da miséria dos outros! Que os giros ao redor do Sol não sejam de opressão, mas de dignidade, inclusive para domésticas, colombinas e arlequins!
É o que eu peço nesta véspera de Carnaval.

Concerto para a cobra-cega

No fim de semana, visitei a feira. Comprei sementes de aspargo, de salsinha, de cenoura e mudas de beterraba, de repolho, de brócolis, de couve-flor e de alface.

Fui para a horta. Afofei a terra a capinar. Retirei as velhas rúculas e os idosos feijões-de-vagem. As minhocas deram saltos, pulos e pinotes. Uma cobra-cega enrolou na enxada. Coloquei ela no canteiro das cebolas. Joguei uma terra fresca no seu lombo. Para alguns, viver na escuridão é um assombro de bom. Fiquei na dúvida se era réptil, minhoca ou anfíbio.

- Fica aí quietinha e não estraga minhas verduras!

Ajustei os canteiros em formatos múltiplos para enternecer. A diversidade faz bem aos olhos; ao menos, aos meus.

Abri a terra com as mãos e larguei três feijões em cada buraco. Ao todo, dezesseis buracos. Ao lado, lancei minúsculas sementes que em nada lembram cenouras e salsinhas. Mais adiante, coloquei sementes um pouco maiores; elas não parecem aspargos. Recolhi alguns baldes de terra e fiz uma fina lâmina de terra para encobrir as sementes e germinar a vida.

As mudas de repolho, couve, brócolis, alface e beterraba ganharam seus canteiros. Algumas mudas sobraram. Transplantei embaixo do limoeiro, ao lado da ‘ora pro nobis’. Servirão de reserva. Se alguma titular  apresentar problemas, será substituída pela reserva.

Joguei água em abundância. Já era noite quando o aroma da arruda, da erva-luísa, do tomilho e de outras mentas me disseram que o fim de semana seria calmo.

A lua infantil apareceu entre as nuvens. Fui para casa. Torci para a chuva que faz os canteiros mais perfumados.

- Pô, Mario! Essa crônica é uma horta.

- Assim seja!

Mais uns dias e visitarei a cobra-cega e as minhocas. Arrancarei os inços e outras ervas. Ao iniciar a crônica, eu pretendia escrever sobre parasitas e outros impropérios. Melhor conversar com as sementes e suas mudas. É um idioma diferenciado. Faz bem.

- Começou a chover. Uh! É um concerto para as sementes e suas mudas.

… e deixo a crônica a germinar.

O elefante triste

Vem aí as aulas! As aulas da Mariana (05), minha filha, voltaram na semana passada.
Questão relevante é delimitar a missão da escola.
O professor deve ensinar, dirão uns; educação vem de casa.
A escola deve auxiliar na construção do fim da opressão, dirá o Paulo Freire.
Eu voto com o Paulo Freire. Mas não se pode ser simplista ao definir a opressão. O que é a opressão? Como aprender a não ser oprimido ou opressor? Como ser livre?
É uma construção de cada um. A dialética a ser trilhada é um caminho vasto como o tempo e o espaço. As relevâncias nada seriam se não houvesse as irrelevâncias. O conceito é do Jorge Luis Borges: imagens não passam de incontinências do visual.
O fotógrafo do Manoel de Barros sabia que, na sua aldeia, era difícil fotografar o silêncio. Ao sair de uma festa, de madrugada, o Silêncio estava carregando um bêbado. Preparou a máquina. Fotografou o carregador. Na mesma madrugada, o fotógrafo viu a Nuvem de calça. Ela andava de braços com o Maiakovski. Ele fotografou a Nuvem de calça e o poeta. “Ninguém outro poeta no mundo faria uma roupa mais justa para cobrir sua noiva. A foto saiu legal”.
A Mariana contou a história do elefante triste. Nenhum bicho da floresta queria brincar com o filhote. A girafa achava que ele tinha a tromba comprida demais. A formiga via ele largo como uma porta. A zebra dizia que ele não tinha cor. Era uma tristeza só. Então, o elefante caminhou e caminhou. Encontrou um urso e um esquilo que gostaram de brincar com ele. A girafa, a formiga e a zebra perceberam que brincar com o elefante era bom. Todos começaram a brincar. E viveram felizes para sempre.
Voltar às aulas é ser a aldeia. Construir tolerâncias. Aprender a responsabilidade. A diversidade enriquece. A paz está em cada um. Tudo isso se faz na educação, no pátio, na escola, no fórum, no futebol, na mesa de bar, na roça, na fotografia do carregador e da Nuvem, nas redes sociais, nos restolhos que engrandecem as minhocas e vicejam as alfaces da horta.

Você pode vir ao fórum amanhã?

Li a mensagem. O horizonte esticou. Choveu sobre as palavras secas de dezembro. O silêncio de janeiro ficou verde e barulhento. A quimera das esperas convém aos poemas. É pegar uma criança com as mãos e colocar na grama para que voe, na noite escura, com os vaga-lumes:

“Meu telefone tocou!!!!
Dia: 15/01/2020.
Hora: 16:21.
- Alô! Sou a assistente social. Você pode vir ao fórum amanhã às 15 h?
- Oi! Posso sim, mas para quê? Preciso atualizar algum documento? Você tem alguma previsão pra me dar?
- Sim. Uma hora chega e chegou .…

Desliguei o telefone e me derramei em lágrimas. As horas não passavam ... Minha bolsa estourou. Entrei em trabalho de parto: quase 24 horas de trabalho de parto. Enfim nasceu minha filha aos 2 anos e meio, linda e saudável, nossa princesa.
Foram 4 longos anos de expectativa, sendo 3 para o processo de habilitação e exatos 11 meses na fila.
Ainda não a conhecemos. Vamos passar pelo período de aproximação. Estamos muito felizes e já a amamos muito.”
A nova mãe me autorizou subtrair o momento plural para somar a todos. Algumas palavras fazem bem. A grama volta a ficar verde e macia derramada em lágrimas. Tudo se acalma.
Mais um tempo e voltam as estiagens e os temporais. Outro tempo e volta a bonança. Convém que assim seja para as uvas e os vinhos, para os pêssegos e as nectarinas.
Convém, para que as crianças cresçam com os sapos e as pedras. Ninguém cresce ou diminui sozinho. Lindos e saudáveis são aqueles que reaprendem a errar e a acertar.
Uma crônica de dois anos e meio tem tanto a nos brindar. É uma princesa. Mas poderia ser uma menina de pés descalços, que gosta de correr nua pela casa. Poderia ser uma riqueza incapaz de caminhar, mas com tantos outros movimentos para dar e receber. Muitos conceitos precisam ser escurecidos para acender as estrelas e aclarados para engrandecer a cor das violetas.
Tomara que, aos noventa, a crônica de dois anos e meio possa ler estas palavras (desbotadas) e se derramar de novo em lágrimas.

As palhas que ficam no campo

O homem veio conversar comigo para ver sua colocação na lista de habilitados para adoção. Consultei as anotações e disse que ele e sua esposa eram os quintos da lista.

Algumas semanas depois, ao final do dia, liguei. Expliquei que, por diversas razões, a criança crescendo na Casa Lar sobrou para eles. Algumas sobras são cheias de murmúrios. É a palha que fica no campo para engrandecer as ervas.

Ao final da ligação, o homem disse:

- Muito obrigado!

Passaram a noite em claro. Foram à Casa Lar. A criança dormia. Deram colo. Ela não acordou. Há que se ter gratidão pelos filhos que chegam, pela vida que nasce, pelo tempo que passa, pelas sobras, pelas estrelas, pela noite, pela criança que, no colo, não acorda.

As sobras são restolhos de palhas que ficam no campo após a colheita. Deixam a terra fofa para a próxima estação. As palhas vão se decompondo e viram trigo de novo. É uma riqueza sem fim e sem começo. Há que se ter gratidão mesmo diante do incompreendido.

- Muito obrigado!

Enquanto escrevo a crônica, uma pequena aranha vinda sabe-se lá de onde desce com sua teia. É minúscula, quase invisível, pendurada no ar a um palmo do meu nariz. Sopro e ela voa. Não a vejo mais. Desapareceu com sua teia.

Os gorjeios dos pássaros anunciam mais um dia nascendo. Muitos ainda dormem. São 04 h 45 min. É segunda-feira. O dia está a abrir as  pálpebras.

Bebo água enriquecida com folhas de sálvia. É uma erva aromática e medicinal. Tem flores violáceas. Estimula a memória. Melhora a digestão. Faz parte da família das mentas. São duas folhas. Vieram da minha horta que cultivo de pé no chão. A criança fará parte de uma família. Há que se ter gratidão.
Quando eu parar de escrever, outros continuarão.

Cada filho é único e insubstituível. Carrega em si fraldas, palhas, restolhos, sálvia, água, teias de aranha, gorjeios, pés no chão, folhas, flores violáceas, ervas, memória, digestão, sono e tudo o mais que compõe uma crônica, inclusive a família das mentas e a sua.

Argentina

Estive na Argentina no fim de semana.

Sempre é bom voltar para a Argentina. Morei, em 1982 e 1983, em Reconquista, província de Santa Fé. Tempo de guerra das Malvinas. Toda guerra é triste.

A Argentina, no século passado, passou por seis golpes: 1930, 1943, 1955, 1962, 1966 e 1976. Triste!
Visitei a História e vi que Evita viveu até os 33 anos. Oriunda de uma família pobre, casou com Perón. Morreu vítima de câncer. Para ela nasceu o canto “Não chores por mim, Argentina!”

Uns disseram que a eleição será ganha por Macri. Outros juraram que Fernández e Cristina ganharão. Prefiro não opinar. Que vença aquele que a Argentina escolher! Que se respeitem e permitam as escolhas da maioria! Democracia nem sempre é tão fácil.

Um taxista resumiu que o Lula é um prisioneiro político. Prefiro não opinar. Outro falou favorável à Bolívia; tive vontade de percorrer os caminhos de La Paz. Paz é fundamental.

A Argentina remete à prata, ao Rio da Prata, ao brilho de um jardim repleto de papoulas. Remete a um ‘caminito’, sentinela das minhas promessas de amor, de encantamentos e cores. Caminhamos pela ‘bomboniera’ de boca e orelhas. Visitamos os moradores do cemitério da Ricoleta, vivos em suas esculturas e mortos para as banalidades. O destino reserva um lugar às sombras do tango, bons ares ao lado de um rio de prata.

Do River Plate (de novo a prata) ao Boca Juniors, do Flamengo ao Grêmio – quem irá à final de Libertadores? Prefiro não opinar.

O Puerto Madeiro mostrou sua mulher invisível. Uma casa rosada desnudou um oco por dentro das existências do barro e do sangue. Uma arquitetura rica espraiando a tarde de Buenos Aires.

Voltar ao passado é encurtar as distâncias, Carlito, Gustavo, Pez, Chocobar, Santiago, Hormiga, Pagura, Salta, Sergio, Miguel, Ivo, Martino e outros. A saudade encolheu os horizontes.

E retornar ao Brasil, ao abraço da Mariana (05), do Murilo (16), da Júlia (18) e de outros que ladrilham estes caminhos de mares e rios que me nominam: “Olhai meus olhos como choram de amor! Não chores por mim, Argentina! Minha alma está contigo ...”

Seis dentinhos

“Bom dia!

Desculpe o incômodo em um domingo de manhã!

Inicialmente damos notícias do nosso filho. Ele é uma criança muito querida e carinhosa. Tem uma saúde de ferro. Sempre ganha os parabéns da pediatra. Come muito bem e de tudo. Não nega uma mamadeira. Está ficando cada vez mais esperto. Adora passarinhos. Engatinha por tudo. Aponta o dedinho para o que quer pegar. Grita muito para conhecer a própria voz. Tem seis dentinhos. É muito curioso. Faz tudo que uma criança saudável deve fazer.

Talvez você não recorde, mas no dia em que conversamos no fórum a respeito do processo de adoção do nosso filho, em tom de brincadeira, o doutor disse sorrindo: ‘ele até poderia ir lá pra casa já que faz aniversário no mesmo dia que eu!!!’

Lembramos de cada palavra dita naquele momento tão importante. Impossível não lembrarmos do teu aniversário.
Enviamos o desejo de um feliz aniversário, com muita paz, saúde, beijos e abraços de teus amigos e familiares, exatamente como será o dia do nosso filho!!!!
Um grande abraço …”

A mensagem se fez cisco, igual ninho de passarinho.

Junto com a mensagem veio a foto da gratidão em forma de gente andando num balanço. Eu me ajoelho para estas mensagens. Elas crescem a primavera. Correm agradecidas para todos os lados, com seis dentinhos na boca. Eu queria que as minhas crônicas gritassem para conhecer a própria voz e engatinhassem para caminhar, isso é lindo!

Pode ir lá pra casa, sim!

O nome por dentro é gratidão. O som por fora é plano. A luz é colorida. A pintura é de cada um. O aniversário é uma estrada.

Em agradecimento a tudo e a todos, escrevi na foto da minha filha, Mariana (05), nascida em seis de setembro, dois dias antes de mim, e que foi lá pra casa comigo desde sempre neste momento tão importante:

“Bom dia, povo!

Em nome de todos os unicórnios, das gramas e dos pessegueiros, das montanhas e das pedras, dos seres que caminham, voam, nadam e se arrastam, GRATIDÃO à existência e a todos vocês!!!!”

Conselho Tutelar

Vem aí eleições para o Conselho Tutelar!

É um órgão permanente e autônomo, não jurisdicional, encarregado pela sociedade de zelar pelo cumprimento dos direitos da criança e do adolescente.

Cabe a todos, com prioridade absoluta, garantir os direitos fundamentais da criança e do adolescente. Um elo desta corrente passa pelo Conselho Tutelar. São suas atribuições: atender as crianças e os adolescentes; atender os pais; aplicar medidas de proteção; zelar para que não haja infração contra os direitos da criança e do adolescente; assessorar o Poder Executivo; representar, em nome da pessoa e da família, para que os meios de comunicação sejam educativos, artísticos, culturais e informativos; representar ao Ministério Público, para efeito das ações de perda ou suspensão do poder familiar.

Se o elo, chamado Conselho Tutelar, não zelar pelo cumprimento dos direitos da criança e do adolescente, facilmente a corrente se romperá.

A escolha do Conselho Tutelar é determinante para estabelecer a forma como se zelará pelos direitos infantis.
São os conselheiros que alimentam as atividades do Ministério Público e do Judiciário. Se eles forem bons, haverá ganhos fundamentais. Ganhos fundamentais na infância e na adolescência são tudo de bom para não chorar, no futuro, o leite derramado.

São as crianças e os adolescentes que constroem a pessoa. É uma tarefa infantil, mas cabe aos adultos oferecer um ambiente adequado para que a construção seja boa. É um caminho sem volta. Aqui se semeia, aqui se colhe.
Todos podem e devem votar na escolha dos conselheiros. É preciso informar-se, conhecer os conselheiros e saber a relevância das bases para uma construção segura. O futuro é agora. A proteção integral passa por um Conselho Tutelar diligente e zeloso.

Votem! Votem bem! Votem com prioridade absoluta!

A criança e o adolescente agradecem. Todos agradecem. A empreitada é árdua, mas cheia de encantamentos.

Um arco-íris visitou a Segunda Vara

Numa manhã, iminente de processos, o sol brilhou sobre as gotas de chuva. Não sei ao certo se chovia ou se fazia sol ou se ambos ou se nenhum. Uma estudante do ensino médio, naquela manhã, acompanhava o meu ofício de juiz da Segunda Vara de Farroupilha. Era a minha ‘sombra’.
O casal, por volta das 10 h, veio conversar comigo. Estavam em aproximação com uma menina. Confesso que eu estava apreensivo.
- Viemos buscar ela!
Fez-se o arco-íris, avermelhado por fora e violeta por dentro. É um fenômeno conhecido desde a chuva e o sol. Um deles resumiu o fato:
- O pessoal da Casa Lar disse que só falta a assinatura do juiz.
Fui conversar com a Elisângela, minha assessora:
- Recebemos algum relatório da Casa Lar?
- Não. - Respondeu ela.
Liguei para a Casa Lar. Perguntei se estava tudo ‘ok’ com a preparação para a adoção.
- Ela está preparando as malas. O doutor quer conversar com ela?
Trouxeram, de imediato, a menina. Conversei com ela. Não pude medir se a faceirice era maior dela ou deles. Os fenômenos ópticos e meteorológicos se conjugam para o querer bem. Ampliaram o arco-íris. Esta é a metáfora de uma mão a mais na fotografia dos dois.
Vindos de tão longe ou de tão perto para morar aqui. Almas  criadas para viverem juntas. Criaram vínculos. Se encontraram antes, para  preparar a chegada. A menina os encontrou.
Explicaram que, no termo de guarda para fins de adoção, deveria constar que um iria ter direito à licença paternidade e o outro, à licença maternidade. Assim foi feito antes do meio-dia.
Espero que tudo esteja ao gosto de todos. Deus acima de tudo. O afeto acima de todos. Espero que o amor, assim gerado, traga felicidade. Uma nova telha foi encaixada no telhado. O arco-íris está tão gigante e agitado que causa dor no peito e grita ao mundo. A chegada de uma filha é um sol que brilha sobre as gotas da chuva. São as azaleias que estão a florescer em cima dos barrancos e à margem das estradas. É uma crônica a ser compartilhada.