O Farroupilha
PATRÍCIA PERONI
Uma gota de água num oceano de ...

Você já parou para pensar que... você, seus problemas, suas preferências, suas necessidades são apenas uma gotinha de água num oceano de sentimentos, necessidades, problemas, pessoas? Seja qual for o oceano que você escolher, você continua sendo uma gotinha de água. Olhe para o seu lado agora mesmo e veja a pessoa mais próxima de você. Se não tem ninguém do seu lado, abra o whatsapp e veja a primeira pessoa que está ali. Todas as pessoas ao seu redor também têm necessidades, sentimentos, carências, problemas, angústias, medos. Nós não somos os únicos. 

Neste momento em que temos que restringir nossa vida cotidiana e que temos que evitar encontrar amigos, familiares... evitar de sair para passear e fazer as coisas como fazíamos antes, esses sentimentos todos vem à tona e muitas vezes as pessoas pensam que é só com elas e que há algo errado só com elas. E essa situação pode levar a ações que são prejudiciais ao próprio eu: desmotivação, compulsão, tristeza, depressão... 

Voltando então ao começo do texto. Se somos uma gota de água no oceano cheio, por qual motivo nós não aproveitamos esse oceano cheio para o lado bom? Por qual motivo não olhamos mais para a gota do nosso lado? Quero que você leia a uma frase que eu considero muito importante para todos:

“Conversem sobre tudo, com todos que estiverem dispostos, sempre, porque voz calada é como pedra, que constrói muro. E muro divide, isola, cega e entristece.”

Ou seja, dividir a sua angústia com alguém pode ser muito benéfico pois a pessoa que você está conversando pode ter a mesma situação que você. Ficar com os sentimentos presos e as palavras na garganta é muito ruim. Ruim mentalmente e fisicamente, pois pode até mesmo desencadear algum problema de saúde em virtude disso. 

Converse sempre sobre o que precisar com quem estiver disposto. Essa é a mensagem. E também se lembre da gota do oceano. Para o oceano ser oceano ele precisa de muitas gotas. Toda gota é importante, embora seja apenas uma. A gota da pessoa do seu lado pode ser parecida com a sua e trocando experiência vocês dois acabam se fortalecendo. Conversar não é ser fraco. Ser fraco é desistir e entristecer sem antes ter dado a chance de alguém ouvir você.

Você não vai conseguir estar com a sua gota o tempo todo no oceano de alegrias. Portanto, quando estiver num oceano que não te traz tanta felicidade, divida com alguém seus pensamentos. 

A riqueza verdadeira

Um dia um homem que acreditava na vida após a morte, e que valorizava o ser mais que o ter, hospedou-se na casa de um materialista convicto, em bela mansão de uma cidade europeia.

Depois da ceia, o anfitrião convidou o hóspede para visitar sua galeria de arte e começou a enaltecer os bens materiais que possuía, de maneira soberba.
Falou que o homem vale pelo que possui, pelo patrimônio que consegue acumular durante sua vida na Terra.

Exibiu escrituras de propriedades as mais variadas, jóias, títulos, valores diversos.

Depois de ouvir e observar tudo calmamente, o hóspede falou da sua convicção de que os bens da Terra não nos pertencem de fato, e que mais cedo ou mais tarde teremos que deixá-los.

Argumentou que os verdadeiros valores são as conquistas intelectuais e morais e não as posses terrenas, sempre passageiras.

No entanto, o materialista falou com arrogância que era o verdadeiro dono de tudo aquilo e que não havia ninguém no mundo capaz de provar que todos aqueles bens não lhe pertenciam.

Diante de tanta teimosia, o hóspede propôs-lhe um acordo:

- Já que é assim, voltaremos a falar do assunto daqui a cinquenta anos, está bem?

- Ora, disse o dono da casa, daqui a cinquenta anos nós já estaremos mortos, pois ambos já temos mais de sessenta e cinco anos de idade.

O hóspede respondeu prontamente:

- É por isso mesmo que poderemos discutir o assunto com mais segurança, pois só então você entenderá que tudo isso passou pelas suas mãos, mas, na verdade, nada disso lhe pertence de fato.

Chegará um dia em que você terá que deixar todas as posses materiais e partir, levando consigo somente suas verdadeiras conquistas, que são as virtudes do espírito imortal.

E só então você poderá avaliar se é verdadeiramente rico ou não.

O homem materialista ficou contemplando as obras de arte ostentadas nas paredes de sua galeria, e uma sombra de dúvida pairou sobre seu olhar, antes tão seguro.

E uma voz silenciosa, íntima, lhe perguntava:

- Que diferença fará, daqui a cem anos, se você morou em uma mansão ou num casebre?

- Se comprou roupas em lojas sofisticadas ou num bazar beneficente?

- Se bebeu em taças de cristal ou numa concha de barro?

- Se comeu em pratos finos ou numa simples marmita?

- Se pisou em tapetes caros ou sobre o chão batido?

- Se teve grande reserva financeira ou viveu com um salário mínimo?

- Que diferença isso fará daqui a cem anos?

Absolutamente nenhuma!

No entanto, o que você fizer do seu tempo na Terra, fará muita diferença em sua vida, não só daqui a cem anos, mas por toda a eternidade.

Autor desconhecido

A mala da viagem

Conta-se uma fábula sobre um homem que caminhava vacilante pela estrada, levando uma pedra numa das mãos e um tijolo na outra. Nas costas carregava um saco de terra e em volta do peito trazia vinhas penduradas. Sobre a cabeça equilibrava uma pesada abóbora.  Pelo caminho, encontrou um transeunte que lhe perguntou:

– Cansado viajante, por que tu carregas essa pedra tão grande?

– É estranho, – respondeu o viajante – mas eu nunca tinha realmente notado que a carregava.

Então, ele jogou a pedra fora e sentiu-se muito melhor. Em seguida, passou um outro transeunte que lhe perguntou:

– Diga-me, cansado viajante, por que carregas essa abóbora tão pesada?

– Estou muito contente que me tenhas feito essa pergunta, disse o viajante – porque eu não havia percebido o que estava fazendo comigo mesmo.
Então, ele jogou a abóbora fora e continuou o seu caminho com passos muito mais leves.

Um por um, os transeuntes foram avisando-o a respeito de suas cargas desnecessárias e ele foi abandonando cada uma delas. Por fim, tornou-se um homem livre e caminhou como tal.

Na verdade, qual era o problema dele? A pedra, a abóbora? Não! Era a falta de consciência da existência delas. Quando as viu como cargas desnecessárias, livrou-se delas bem depressa e passou a sentir-se menos cansado.

Esse é o problema de muitas pessoas. Elas estão carregando cargas sem perceber. Não é de se estranhar que estejam tão cansadas! O que são algumas dessas cargas que pesam na mente de um homem e que roubam as suas energias? São os pensamentos negativos, o culpar e acusar outras pessoas, o permitir que maus pensamentos tomem conta de sua mente, carregar culpas por coisas que não poderiam ter sido evitadas, a auto-piedade, acreditar que não existe uma saída…

Todo mundo tem o seu tipo de carga especial que rouba energia, mas quanto mais cedo começarmos a descarregá-la, mais cedo nos sentiremos melhor e poderemos assim, caminhar mais levemente.

Autor desconhecido


Fonte: 
https://www.metaforas.com.br/2019-11-02/a-mala-da-viagem.htm

O que o auxílio emergencial nos mostra?

Para começarmos nosso texto de hoje vamos recapitular quem NÃO teria direito ao auxílio emergencial de R$ 600.00 do governo federal:

- Quem tem emprego formal ativo.

- Pertence à família com renda superior a três salários mínimos (R$ 3.135,00) ou cuja renda mensal por pessoa maior que meio salário mínimo (R$ 522,50).
- Recebeu rendimentos tributáveis acima do teto em 2018 de acordo com a declaração do IR.

- Está recebendo seguro desemprego ou benefícios previdenciários assistenciais (com exceção do Bolsa família).

Essa semana saiu a lista das pessoas de nossa cidade que receberam o auxílio e, para surpresa de muitos, muitos nomes conhecidos apareceram nesta lista. Nomes de pessoas que são donos de empresas ou autônomos que talvez não estivessem passando pela necessidade de solicitar o auxílio ou que não se enquadravam nos requisitos para tal benefício. Esse benefício foi criado para ajudar as pessoas que estavam passando fome, que não tinham o que colocar na mesa. E não para ajudar a comprar um produto novo ou fazer um churrasco no final de semana. 

Muitas pessoas realmente precisam deste valor. Trabalhadores informais, sem carteira assinada ou que simplesmente foram dispensadas sem seguro desemprego e qualquer benefício. Pessoas que tem uma família e necessitariam desse valor para manter seus filhos alimentados. E aí, você vê pessoas que tem condições recebendo esse auxilio? Com qual objetivo? E, se formos pensar ainda mais na profundidade desse assunto, será que as pessoas que são donas de negócios e pediram esse auxilio estão pelo menos cumprindo com suas obrigações com seus empregadores? Estão pagando seus colaboradores? Estão ajudando eles a passarem por esse momento? Ou será que além de receberem o auxílio ainda tem seus funcionários na ilegalidade, sem carteira assinada, sem pagar direito, sem o mínimo de respeito?

As pessoas reclamam dos políticos, reclamam da corrupção e fazem o mesmo ou ainda pior. O que falta no Brasil para nosso país dar certo? É uma vergonha para nossa nação esse tipo de atitude. Uma vergonha sem limites. E uma tristeza também. Mostra muito como as pessoas são. Se uma pessoa faz isso o que fará com seus clientes e/ou fornecedores? Será que dá para confiar?

Se você está arrependido da sua atitude, ainda dá tempo de devolver as parcelas recebidas indevidamente e cancelar o seu benefício. Ainda dá tempo de procurar ser um ser humano melhor. Parar de criticar as ações do governo e governantes e ser diferente. Que seja 1% diferente, mas diferente.

Link para os interessados em devolver o auxílio emergencial: 

“Ética é o que você faz quando todo mundo está olhando. O que você faz quando não tem ninguém olhando chama-se caráter”. 
Oscar Wild

SEJA...

Seja ágil, esperto, calmo, perfeccionista ou desleixado. Seja acelerado, estressado ou “lerdo”. Apenas seja o que a situação pede. Acima de tudo seja FLEXÍVEL. Se adapte aos ambientes e seja um pouco de cada na medida certa e no tempo certo.

O que eu quero dizer com isso? Podemos dividir as situações cotidianas da nossa vida em 2:

As que precisam ser realizadas agora e as que podem ser realizadas depois. Digamos que a maioria delas se encontram na primeira, nas que tem que ser realizadas agora. 

E não importa qual seja a atividade você precisa levantar da cadeira/sofá/cama e fazer. Não pode deixar para depois. Sendo assim lhe pergunto: por qual motivo você anda deixando para depois as coisas que devem ser feitas agora? Será que não está faltando encarar a realidade e simplesmente fazer? Parar de achar justificativas por não ter feito? Pode ser o trabalho, um relatório, um livro que você precisa ler, a roupa que precisa dobrar, a caminhada que tem que fazer, a academia, molhar as plantas... não importa o quanto a situação possa parecer pequena... o que importa é que toda vez que você deixa para depois está provando para si mesmo que não é capaz sequer de realizar uma tarefa de 2 minutos. É triste, mas é a realidade. Espero que você não esteja nesta categoria e se estiver que comece a mudar urgentemente.

Então temos a categoria das coisas que sim, podem ser realizadas depois, e desta eu nem preciso falar nada pois somos naturalmente desenvolvidos para fazer jogar para frente. Vou deixar você pensativo sobre o que acha que se encaixa nas tarefas que podem ser feitas depois.

Reflita sobre o que está deixando sempre para depois. Sua saúde? Seus afazeres do cotidiano? Sua mente? Seu trabalho? Seu corpo? Comece pensando no que você precisa fazer no dia e no final dele. Olhe para trás e veja o que você fez. Se cumpriu tudo ou quase tudo: perfeito. Daí vamos para o segundo passo: em qual ordem você cumpriu? Sim, a ordem é importante. Se você tinha a mesa do café da manhã para tirar e não tirou... quando chegar a hora do almoço como vai ficar? Não dá para tirar a mesa do café às 18:00 se você vai almoçar ao meio dia. Se o relatório 2 depende dos dados do relatório 1, não adianta deixar o 1 para depois do 2 pois não vai fazer sentido. É isso que quero que você pense sobre.

Quando você consegue manter sob controle as coisas simples ao seu redor, as chances das coisas complexas e internas estarem em sintonia é muito maior, posso garantir. Por isso, finalizo o texto de hoje como iniciei: Seja ágil, esperto, calmo, perfeccionista ou desleixado. Seja acelerado, estressado ou “lerdo”. Apenas seja o que a situação pede. Acima de tudo seja FLEXÍVEL. Se adapte aos ambientes e seja um pouco de cada na medida certa e no tempo certo. Não precisa ser sempre assim ou assado. Se adapte. Mude conforme a música. E apenas SEJA!

Bonsai

É um cultivo bem conhecido no oriente, especialmente no Japão.

Você pega uma semente de uma grande árvore e a planta em um pequeno vaso.

Ela nasce como uma árvore normal, mas desenvolve-se como uma árvore anã.

Ela tem todas as características de sua origem, porém é muito pequena, talvez menor do que um pequeno broto ou galho da árvore que é a sua origem.
Se uma arvorezinha Bonsai fosse comparada à sua própria origem, seria muito difícil e para alguns é impossível compreender o que aconteceu para esta minúscula árvore não ter conseguido ser uma ‘Grande Árvore’.

O que aconteceu?

Apenas o MEIO em que a semente germinou e cresceu era restrito, era uma prisão, não era o ‘ambiente ideal’, pois ‘condicionaram’ aquela semente para ela ser um Bonsai.

Vejo ‘tantos Bonsais’ não reconhecendo suas origens, não podendo causar grandes efeitos e não se reconhecendo como uma GRANDE ÁRVORE, apenas por sua aparência, mas a ORIGEM era a mesma!

O que fazer para um Bonsai poder ser uma GRANDE ÁRVORE?

Pois é, está a resposta para se poder compreender a GRANDE ÁRVORE!

Todos os bonsais eram assemelhados à grande árvore! Eram a grande árvore!

Por mais que alguém possa dizer ao Bonsai, VOCÊ é a grande árvore que está reduzida, presa em ‘redomas’ neste planeta Terra, e nem tem condições de compreender a grandeza do Universo, nem sabe sobre suas origens, então, ficará apenas apreciando uma ‘GRANDE ÁRVORE’, sem ânimo ou conhecimento para ser ela própria!

Até quando?

E os que são Grandes Árvores nada poderão fazer, mas torcer para que o BONSAI encontre a LIBERDADE e cresça à sua própria altura.
Por isto os que CULTIVAM a planta Bonsai, cultivam o saber de si mesmos!

Autor desconhecido

A escola e o isolamento social (Parte III)

Na semana passada terminamos o texto com parágrafo que vou deixar logo abaixo para que possamos finalizar nossa reflexão sobre este assunto.

Algumas escolas estão ministrando aulas online em tempo real. Outras, mandando atividades para casa. Você está colocando um ponto final ou um ponto de interrogação? Está mostrando para seu filho que ele tem um universo pela frente, que pode pesquisar, perguntar, ter autonomia, aprender muito com essa nova forma de ensino ou está colocando um ponto final todos os dias, começando pela afirmação de que as aulas online não funcionam, que a criança está aprendendo menos. Será que ela está aprendendo menos porque não foi ensinada por ninguém a PERGUNTAR? Se ela perguntasse, pesquisasse, tivesse curiosidade... será que ela não estaria aprendendo MAIS?

Ninguém sabe quando será o retorno das aulas e como será o retorno das aulas. Muito se fala sobre repetir o ano, cancelar o ano letivo, recomeçar. Eu sei que é um assunto muito complexo pois obviamente temos crianças que não tem condições de estudarem sozinhas pois não tem os pais presentes, não tem recursos...muitas vezes, sequer têm alimento na mesa. Não estou discutindo aqui a situação dessas crianças nem defendendo o ensino online na rede pública pois sei que isso prejudicaria uma grande parcela de alunos. Eu estou falando daquele aluno que tem condições, tem internet, celular, notebook, condições plenas para desenvolver a autonomia, a curiosidade e que mesmo assim não está desenvolvendo. 

Vamos desenvolver nas crianças o sentimento de “quero mais” desde cedo. A profe mandou para casa uma atividade sobre pesquisar os nomes dos estados e suas capitais. Certamente com o nosso amigo google isso vai levar uns 5 minutos para encontrar, mais uns 5 minutos para escrever no caderno e lá se foi correndo para o videogame ou para o jogo do celular de novo. Que tal propor para ele pesquisar além daquilo que foi pedido? Quais são as comidas típicas de cada estado? Expressões que usam e são diferentes? Quantos habitantes tem? E assim seguem dezenas de possibilidades. Esse exemplo é simples e ilustrativo de como podemos ajudar a expandir a mente das nossas crianças neste momento para que isso seja um hábito de sempre e para que isso seja “normal”. 

Eu sei que não é nada fácil dar todo acompanhamento e todo suporte em casa. Os pais têm méritos enormes nisso tudo pois sem eles o que seria de todos nós? Mas pense nisso. Não seria um “trabalho” a mais... isso dará frutos para o resto da vida desse aluno. Isso fará a diferença no profissional e na pessoa que o seu filho (a) será no futuro.  Por isso, se você tem condições de ter aulas online. Agradeça. Não é um tempo “perdido”. É um tempo “ganho” se soubermos aproveitar.

A escola e o isolamento social (Parte II)

Na semana passada fiz aqui algumas provocações sobre a escola atual e sobre como estamos lidando com as crianças. Espero que você tenha pensado sobre isso e compartilhado esse assunto com alguém para debater sobre as suas percepções. Se você ainda não leu a parte I desta saga poderá acessar no site do jornal e ver a edição passada. Sugiro a leitura.

Finalizamos o texto da semana passada com Rubens Alves dizendo que as respostas estão nos livros e que os professores, e nós todos, pois todos somos professores, também devemos provocar o espanto, a curiosidade e a inteligência. Você já parou para pensar que a vida inteira somos “provocados” a saber a resposta? Quem sabe a resposta certa ganha prêmio. Quem sabe a resposta certa tem nota boa... e dificilmente somos induzidos a aprender a fazer as perguntas. Fazer as perguntas corretas seja na escola ou na vida com toda certeza traz muito mais resultados do que apenas saber as respostas. Através das perguntas que aprendemos aquilo que não está apenas nos livros. A curiosidade é que desperta novos caminhos e novos horizontes. Passar dias e dias decorando livros em algum momento acaba. É como se pensarmos numa rua sem saída. Estudamos, lemos, decoramos e chegamos ao final desta rua. Agora, se fizermos as perguntas e procurarmos saber mais, não encerramos nossa jornada nesta rua, teremos um mundo todo pela frente para ser desbravado.

Muito provável que você que está lendo este texto usou livros para pesquisar trabalhos da escola. Antigamente (nem tanto tempo atrás assim) nós usávamos enciclopédias e livros para pesquisarmos sobre qualquer assunto. Hoje em dia basta digitar o assunto na internet e encontrar milhares de artigos, reportagens e informação sobre aquele assunto. Parece que isso ajudaria, tornaria as pessoas mais críticas, mais “inteligentes”, mais curiosas. Mas não. O que vemos é alienação. As pessoas sequer sabem distinguir uma notícia real de uma notícia falsa. O trabalho da escola é uma cópia sem reflexão. É o que chamamos de analfabetos digitais.

Neil Postman tem uma frase bem forte: “Quando entra na escola, a criança é um ponto de interrogação; quando sai, é um ponto final”. O que você acha dessa frase? A escola é o local usado pelo autor, mas vamos pensar na sua casa.

Vou deixar mais uma reflexão. Estamos em isolamento. Aulas à distância. Algumas escolas online em tempo real. Algumas escolas mandando atividades para casa. Você está colocando um ponto final ou um ponto de interrogação? Está mostrando para ela que ela tem um universo pela frente, que pode pesquisar, perguntar, ter autonomia, aprender muito com essa nova forma de ensino ou está colocando um ponto final todos os dias, começando pela afirmação de que as aulas online não funcionam, que a criança está aprendendo menos. Será que ela está aprendendo menos porque não foi ensinada por ninguém a PERGUNTAR? Se ela perguntasse, pesquisasse, tivesse curiosidade... será que ela não estaria aprendendo MAIS?

Continua na próxima semana...

A escola e o isolamento social

 Hoje quero propor uma reflexão sobre a nossa jornada escolar. Não quero que você comece o texto já pensando em problemas, quero que você leia de coração aberto e faça a reflexão de uma forma geral.

Imagine uma criança iniciando sua jornada na escola regular. Animada, cheia de incertezas, cheia de porquês, cheia de vontade do novo. Os dias passam, as aulas passam e aquela criança animada que sempre estava fazendo perguntas começa a se debruçar nos livros e começa ao invés de questionar, decorar. Tem prova amanhã, tem simulado, tem apresentação. Tem que decorar, tem que saber tudo na ponta da língua. Neste processo, não tem que questionar, tem que saber a resposta pois a família e o aluno estão ansiosos pelo 10. E o 10 é sinônimo de inteligência, sinônimo de aprendizagem e de sucesso.

Pense que, uma matéria da escola geralmente chamamos de disciplina. E o nome já diz tudo: disciplina. No curso “Reaprendizagem Criativa”, da Keep learning School, o professor Murilo Gun cita um exemplo que quero compartilhar aqui pois faz muito sentido. Imagine Napoleão em 1815. Ele entra em um túnel do tempo na sua caravela e chega no Brasil em novembro de 2019. Olha para os lados e não acredita em nada que vê: escadas rolantes, elevadores, carros, celulares... Caminha mais um pouco e chega em uma escola. Ali, sente-se mais familiarizado pois é praticamente igual a escola que conhece.

Ou seja, o que quero dizer: nossas escolas continuam com os mesmos formatos de muitos e muitos anos. Por isso, quero trazer algumas reflexões sobre isso para que todos nós possamos pensar. E pensar também no seguinte: estamos em um momento delicado de isolamento e ao mesmo tempo estamos numa era tecnológica. Por que não unimos a sala de aula à tecnologia? Por que você, pai, mãe que estão lendo este texto resistem tanto? Por que deixar seus filhos no mesmo modelo tradicional que perpetua por séculos?

Não quero aqui dizer o que é certo, o que é errado. O que falta ou o que sobra. Quero apenas que reflita sobre os breves tópicos abaixo e na próxima semana seguimos nesse diálogo.

RESPOSTAS: Estamos doutrinando as crianças muitas vezes a darem a resposta esperada nos livros. O segredo seria seguir buscando a resposta mesmo depois de encontrar ela. Geralmente a resposta mais inusitada é aquela que nos prepara para situações diferentes que vamos encontrar na vida real e que nos fazem sair de nossa zona de conforto. Pense na pergunta abaixo:

- Uma pessoa come um saco de pipoca em 30 minutos. Quanto tempo demora para duas pessoas comerem um saco de pipoca?
A resposta esperada: 15 minutos.

E se... E se o seu filho pensar: mas e se as pessoas vão demorar mais porque elas precisam dividir... e se vão comer mais rápido pois essa segunda pessoa come mais rápido? E SE?

Geralmente esse tipo de situação não ocorre e quando ocorre o aluno será “punido” pois muitas vezes pode parecer que é uma brincadeira. E é ai que vai morrendo a curiosidade... a pergunta...

Ruben Alves diz que as repostas estão nos livros. Os professores provocam o espanto, a curiosidade, a inteligência. 

E agora? O que nós como famílias estamos fazendo? O que nós como escolas estamos fazendo? Provocando a curiosidade para termos pessoas mais criativas que pensam em novas soluções? Ou pessoas que pensam todas do mesmo jeito, ou, não pensam?

Semana que vem voltamos com mais provocações sobre esse assunto.

A live dos Rolling Stones e os ensinamentos para nossa vida

Nessa onda de lives dos cantores é claro que uma clássica banda com os Stones não poderia ficar de fora. No dia de 18 de Abril ocorreu o together at home e contou com a participação especial deles com a música “You can’t get what you want”. O baterista Charlie Watts chamou atenção e se você não sabe dessa história irá saber agora.

Mick Jagger e Keith Richards apareceram no início da live tocando violão. Em seguida, Ron Wood com sua guitarra. E por fim, e de forma incrível entrou em cena, direto de sua casa: Watts. E o detalhe mais interessante: ele não estava tocando uma bateria. No lugar dela estavam algumas malas e até o braço do sofá. E o que esse nosso amigo dos Stones, de 78 anos quer nos ensinar?

 

IMPROVISO

Quantas vezes você deixou de fazer alguma coisa pois não tinha as condições perfeitas? Vou repetir a pergunta pois é importante: Quantas vezes você deixou de fazer alguma coisa pois não tinha as condições perfeitas?

Já imaginaram a cena: Mick Jagger liga para o Watts convidando para a live e ele diz “Infelizmente não vou poder, estou sem minha bateria e não podemos sair de casa”. Claro que não né. Ao longo de sua gloriosa carreira certamente passou por diversos improvisos e isso, no auge dos seus 78 anos o fato da bateria nem foi uma “saída da zona de conforto”, provavelmente foi algo natural da personalidade dele.

Eu ia dar vários exemplos de como fazer isso no dia a dia, mas, achei melhor não. A melhor opção é você pensar. Quantas coisas você não faz pois não tem as condições/equipamentos/clima/etc/etc? Pense nisso e comece a próxima semana se inspirando no Watts. Às vezes é melhor feito do que perfeito. Às vezes tudo que você precisa é de vontade e não daquilo que você achava que precisava. Às vezes tudo que você precisa é sair daquela caixinha e olhar as coisas por outro ângulo. Às vezes tudo que você precisa é mostrar para você mesmo que pode e consegue.

Por fim, se ainda não assistiu a esta live, corre lá assistir e inspire-se!