O Farroupilha
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Por: Valnir Peralta

Alberto Carlos, o viajante do Fiat 147 e seu cão Chiquinho estiveram em Farroupilha

Alberto Carlos, o viajante do Fiat 147 e seu cão Chiquinho estiveram em Farroupilha
Em Farroupilha ele fez questão de conhecer o Salto Ventoso... (Foto: Divulgação)

No final do mês passado, outubro, Farroupilha recebeu a visita de um viajante especial. Quem apareceu por estas bandas foi Alberto Carlos Fröhlich, 67 anos, conhecido nas Redes Sociais. Ele é conhecido por fazer longas viagens a bordo do seu Fiat 147, ano 1980, motor 1.050, acompanhado do seu fiel companheiro, o cão Chiquinho, da raça Dachshund. Natural de Curitiba, Alberto começou este tipo de viagens há quatro anos. Ele já visitou os estados de Goiás, São Paulo, Mato Grosso do Sul, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Fora do Brasil ele já viajou para a Argentina, Paraguai, Bolívia, Chile, Uruguai e Peru. A maior viagem foi quando foi à Argentina, onde percorreu 15 mil quilômetros durante 45 dias. 

Em Joaçaba, Santa Catarina, ele recebeu o prêmio de Carro Destaque, do evento.

O seu parceiro de viagens, o cão Chiquinho, só pode acompanhá-lo aqui no Brasil. “Fora do país precisa ter um laudo clínico veterinário sempre do país que está saindo, para poder entrar no próximo. Assim fica inviável”, explica.

Ele conta que suas viagens tem o objetivo de “Conhecimento”.  “Procuro viajar para conhecer lugares novos, apreciar belas paisagens e conhecer pessoas”.

Aposentado há cinco anos, Alberto já trabalhou em circo e em uma fábrica de brinquedos. Também foi padeiro e bancário por 10 anos, além de vendedor viajante. 

Alberto diz que um dos objetivos principais de suas viagens é identificar as dificuldades e potencialidades dos locais para tentar ajudar com uma espécie de “consultoria”. “Meu objetivo é colaborar para que os municípios se desenvolvam e utilizem suas potencialidades de forma eficaz. Além disso, gosto de contemplar as paisagens, que, geralmente, são muito exuberantes, mas o que mais me alegra é o contato com as pessoas, por isso, procuro conversar com elas e ouvir o que tem a dizer e compartilhar”.

Como ele visita vários lugares, acaba conhecendo as diversas formas que utilizam para desenvolver suas potencialidades. Então, procura compartilhar este conhecimento nos lugares onde o potencial local ainda não é aproveitado. “Procuro compartilhar este conhecimento e ajudar a aplicar e desenvolver estes locais que não estão sendo bem aproveitados”. Também tento compartilhar o que sei e observei e aponto possíveis soluções empreendedoras.

 

Salto do Yucumã

Ele comenta que muitos municípios possuem uma vasta riqueza que não é explorada. Como exemplo, ele cita o Salto do Yucumã, no município de Derrubadas.

Segundo ele, o Salto do Yucumá está entre as três paisagens mais belas do Sul do Brasil. “Considero em grau de importância e beleza, respeitando as devidas proporções, que o Salto do Yucumã fica atrás somente de Foz do Iguaçu e do Cânion do Itaibezinho.

Alberto diz que umas 40 pessoas em média visitam o Salto por dia. “Isto é insignificante para o tamanho e a beleza do lugar. Foz do Iguaçu atrai um milhão e meio de pessoas por ano. Acredito que numa conta rápida, Foz deve receber cerca de 5 mil pessoas diariamente. Mesmo guardando as proporções, 40 pessoas por dia é pouco”, calcula.

De acordo com Alberto, o município tem dificuldade de se desenvolver porque os turistas, apesar de toda atração que o lugar dispõe, não permanecem por muito tempo no local. “O turista vai embora sem movimentar a economia da cidade. Acrescenta-se a isso, que existem outras atrações no município que não são exploradas por não serem bem identificadas”, explica.

Outro problema que Alberto considera bastante sério é o fato do parque estar fechado às terças e quartas-feiras. “Muitas pessoas se deslocam de grandes distâncias para conhecer o Salto e dão com o nariz na porta. Imagina o tamanho da decepção”, questiona.

Ele diz que sugeriu ao prefeito que intercedesse junto ao governo do estado que é quem administra o parque, para que o parque fosse aberto nesses dias. “O prefeito me disse que se fizesse isso, talvez o estado deixasse ainda mais dias o parque fechado”, lamentou. Também disse a ele que tinha identificado dois problemas básicos na cidade. Primeiro, que o turista não deixa receita no município por passar rapidamente pelo parque e não ter atrações que o segure por mais tempo. Segundo, as pessoas saem do município e vão comprar em outra cidade por falta de ofertas.

 

O engajamento por meio das Redes Sociais

O seu Alberto usa as Redes Sociais para divulgar tudo que viu e chamar atenção para as necessidades dos locais por onde passa. “Identifico os pontos positivos e negativos dos lugares e no meu perfil publico essas observações e, dessa forma, divulgo as potencialidades para que outras pessoas possam conhecer, investir ou se sensibilizar para ajudar”.

Ele cita como exemplo o parque do Salto do Yucumã que divulgou e ajudou a tornar mais conhecido. “Acredito que este trabalho é uma forma, ainda que modesta, de divulgar e contrubuir de alguma forma..

Alberto conta que as pessoas perguntam se ele cobra para dar entrevistas. “Eu não cobro nada para dar entrevistas e não me importa se alguém está lucrando com a minha história. O que eles fazem não me importa. O que importa para mim é estar satisfeito com aquilo que eu faço”, filosofa.

 

Família

Alberto é casado há 43 anos com dona Célia Cristina e pai da Kátia, Carlos Alberto e Carlos Eduardo. Avô de Cainã, 16, Maria Luiza, 8 e Luiz Guilherme de 3 anos. Ele conta que a família apoia a vida de viajante que ele leva.

 

Mecânica do Fiat 147 e custos das viagens

A manutenção mecânica do Fiat é feita pelo próprio Alberto que se orgulha em dizer que entende bastante de mecânica. “Eu mesmo faço toda a manutenção do carro”. Apesar de ter outros veículos, só viaja com seu Fiat 147, sem ar condicionado. Totalmente original há 39 anos. Geralmente faz 2 a 3 viagens por ano e tem anos que não faz nenhuma. “Não precisa ser rico para fazer as viagens. Quem quer arruma um jeito, quem não quer, arruma uma desculpa”, filosofa.

Segundo ele, o custo mais alto é de combustível. O seu Fiat 147 faz uma média de 16km por litro e que ele gasta 0,30 centavos por quilômetro. Ele conta que as pessoas ficam curiosas sobre os gastos das suas viagens. “O meu maior gasto é com combustível. Em segundo lugar, vem o Pedágio. E, em terceiro, é a alimentação, porque não gasto muito porque como baratinho”. Alberto viaja mais  durante o dia para apreciar as paisagens. À noite prefere parar para dormir para descansar. “De noite não dá para apreciar as paisagens”, explica.

 

Esta viagem

Alberto conta que esta última viagem é diferente de todas as anteriores. “Há alguns dias tinha recebido o convite para o encontro de carros antigos em Joaçaba. E no dia 12 de setembro, estava na minha casa quando a minha esposa me lembrou do convite do encontro de Joaçaba. Ela insistiu para eu aceitar por consideração a insistência dos organizadores do evento. Então decidi ir. Pedi que ela preparasse uma bolsa, meu remédio e uma muda de roupa e me larguei para a estrada. Estou viajando desde então (a data da entrevista foi 23 de setembro). Estou até hoje com a mesma roupa e uns pertences. Cheguei num sábado em Joaçaba. No domingo, quando ia embora, me pediram para eu ficar até segunda-feira. À tarde, me premiaram com uma placa como Carro Destaque e me remuneraram com R$ 300,00. Então, com este valor, decidi continuar a viagem. 

 

Lugar para ficar

Alberto conta que, geralmente, consegue um lugar para pernoitar. “Onde tiver apenas um pátio para entrar com o carro e dormir dentro dele, já serve. Se tiver um chuveiro para tomar banho, ajuda muito. Prefiro ficar com o carro dentro de um pátio pois é mais seguro. Não faço questão de ficar dentro da casa de ninguém”, esclarece.

 

Reconhecimento na mídia

Alberto diz que o seu Fiat 147 está exposto na mídia desde maio deste ano. Foi a partir daí que começou a divulgar suas viagens nas redes sociais. Tudo começou quando a imprensa o procurou pela primeira vez e publicou sua história. Isto despertou o interesse de outros veículos. “A primeira vez que me procuraram, perguntei: ‘Vocês estão interessados no quê? O que faço é o que muita gente faz’. Eles disseram que a minha história é muito diferente. Que tem um diferencial único”. 

 

Como tudo começou

Alberto conta que um amigo gostou muito da sua história e falou com uma amiga, jornalista da Tribuna do Paraná para publicar. “Ela publicou a matéria na capa e em duas páginas internas. Metade da história foi contada nas páginas e o restante foi publicada no site do jornal” comemora.

Esta publicação gerou o interesse de outros veículos de comunicação. Uma emissora de rádio de Curitiba fez o programa ao vivo pelo telefone com ele. “Fiquei quase uma hora falando com eles. Depois veio outra rádio também de Curitiba. Depois foi a vez da TV Record com o programa Balanço Geral. O apresentador foi lá em casa e gravou o programa comigo, andando no carro, simulando uma viagem. Eles aproveitaram uns vídeos que eu tinha, editaram e colocaram no ar. Pediram para no dia da apresentação que eu fosse no estúdio com o carro para participar do programa ao vivo. Deu 40 minutos de programa em um horário nobre”, conta satisfeito.
Depois foi o G1, da Globo. Fez a matéria e teve muita aceitação. No site do programa gerou 40 mil visualizações em 12 horas e, no mesmo período, gerou 3.500 comentários.

Em Curitiba Alberto deu uma entrevista para a rádio Transmérica. “A apresentadora me convidou para contar a minha história. Falei cerca de uma hora e meia e não consegui contar tudo. Então fui convidado para voltar para contar o que tinha faltado. Ela disse que até aquele momento nunca tinha convidado nenhum entrevistado para voltar para dar entrevista”, comemorou.

 

O velório em Pulmamarca

Alberto conta que nas suas aventuras já passou por várias situações inusitadas. Uma delas foi um velório “estranho”. “Eu estava na praça e vi que haviam umas pessoas cantando. Tinha uma igrejinha na qual estavam cantando uma música bastante melancólica. Decidi entrar na igreja para ver e vi que ela que estava cheia. Como não conhecia bem o idioma custei a perceber o que estava acontecendo. Foi quando vi que tinha um caixão funerário e então entendi que se tratava de um velório. Quando a missa acabou, tiraram o caixão e foram para a rua e eu fui atrás.  No cemitério, notei um ritual diferente. As pessoas formavam fila e cada uma por vez, iam com um copinho até o caixão, faziam um benzimento e largavam um raminho no túmulo do falecido. Foi quando percebi que era o sepultamento de uma pessoa que era descendente da civilização Inca. Isto para mim foi inusitado”, relatou. 

 

O pneu no deserto

Outro fato que causou preocupação para o viajante do Fiat 147 foi quando estourou um pneu no deserto de Atacama. “Andar longas distâncias sem um pneu reserva, me preocupou bastante. Se chega a estourar outro, fico sem alternativa”, conclui.

Outra situação inusitada que causou apreensão foi quando visitou o monumento La Mano del Desierto, no Chile, no deserto de Atacama. “Quando cheguei no local desliguei o carro e fui tirar fotos do monumento. Só que quando estava indo embora, liguei a chave do carro e não deu partida. Ela não virava e o volante estava travado.  O carro só fazia ‘nhoim, nhoim’, mas não ligava”. Só quem já passou por esta situação sabe o quanto é complicada. Tive de desmontar a ignição, precisei dar umas pancadas nas peças. Depois de algumas horas, consegui”. 

Outra vez precisou fazer um conserto no rolamento de roda. “Fui substituir em Santiago porque estava difícil encontrar peça no Brasil. Quando comprei o rolamento, procurei um profissional que tivesse as ferramentas adequadas para fazer o serviço. Na hora de tirar a porca que prende o eixo junto a homocinética o mecânico virou a porca para o lado direito e não conseguia mais tirá-la. Como vi que ele estava com dificuldade, dei uma sugestão para que ele usasse uma outra ferramenta. Ele ficou brabo e foi para o fundo da oficina e não trabalhou mais. Quando perguntei se ele ia terminar, disse que se eu soubesse fazer que eu mesmo fizesse. Tive de montar o carro do jeito que estava e procurar outro lugar para fazer o conserto.

 

Em Farroupilha

Em Farroupilha ele conheceu o Salto Ventoso, o Santuário de Caravaggio e o Parque dos Pinheiros. “Aqui em Farroupilha aconteceu uma coisa interessante: Uma pessoa de Garibaldi viu que eu estava visitando as igrejas da cidade e pensou: Ele vai estar em Caravaggio. E se foi até lá para me encontrar”, destacou. 

 

Quem quiser encontrar Alberto e seu Fiat 147 nas Redes Sociais pode seguilo por meio dos seus perfis:
Facebook.com/albertocarlos.frohlich
Instagram: @ 147naamericadosul