O Farroupilha
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Por: Claudia Iembo

“Cada garrafa aberta tem sua história”

“Cada garrafa aberta  tem sua história”
Fernanda aprecia todos os vinhos e tem na bebida o representante do que ela vive no momento (Foto: Arquivo pessoal)

Dia 22 de outubro é Dia do Enólogo e há muitos deles em nossa região. Por isso com Fernanda Tonini homenageamos a todos que se dedicam ao primor do melhor vinho para deleite dos apreciadores

 

O tempo traz o progresso. A uma situação, a uma pessoa, a um lugar. Tudo é relativo, mas de forma geral, a evolução aparece. Farroupilha, por exemplo: caminha a passos constantes rumo ao desenvolvimento, sem deixar suas tradições de lado. Em 2018 foi o terceiro município do Estado que mais colheu uvas, segundo dados da Embrapa. Destaque alcançado com histórias ligadas à terra, às raízes. Histórias como a de Fernanda Tonini, a enóloga sócia-proprietária da Vinícola que leva seu sobrenome e a vice-presidente da Associação Farroupilhense de Produtores de Vinhos, Espumantes, Sucos e Derivados (Afavin).

Fernanda cresceu entre os vinhedos da família e hoje, aos 36 anos, carrega o sabor das recordações do que viveu e que são responsáveis pela escolha profissional que fez. “Cresci ouvindo as histórias do meu pai, vendo a paixão pelos vinhedos até a elaboração dos vinhos. Lembro que na infância eu era responsável por levar o ´merendim´, lanche típico italiano (salame, queijo, pão, vinho), na cesta de palha. Com o passar do tempo estava ajudando nas atividades: poda de inverno, colheita das uvas, elaboração dos vinhos, sempre ao lado do meu pai, minha inspiração, despertando a paixão e o desejo em estudar neste meio. Em 2013 concluí o curso de Tecnologia em Viticultura e Enologia, no IFRS- BG, sempre atuando na área durante os estudos”, conta a moça que tem o pai Natalino e o irmão Fernando como sócios.

Esta é a quarta safra de Fernanda como enóloga responsável na Vinícola Tonini, que tem recebido constantes premiações pelos seus produtos. “Na seleção de vinhos de Farroupilha no ano passado, 2018, tivemos a honra de receber a distinção especial Moscatel Premium no vinho Moscato Giallo e neste ano também nos destacamos por ganhar três medalhas de ouro no vinho Moscato. Na revista BonVivant também tivemos destaque em duas edições no vinho Moscato. Para nós são importantes destaques que mostram que estamos no caminho certo”, analisa.

 

A profissão

A enóloga participa de todas as etapas na elaboração do vinho, desde a seleção da uva no vinhedo, todo processo de elaboração até venda final. “Nossa profissão é bem ampla e oferece várias opções: muitos escolhem atuar em vendas, no varejo que vem crescendo muito devido ao Enoturismo, outros atuam nas vendas de produtos enólogos ou equipamentos, vendas externas, enólogo responsável pelo processo de elaboração ou somente em compra da matéria prima, no marketing. Para se destacar em uma região como a nossa, onde há muitos enólogos, basta atuar naquilo que mais gosta de fazer e executar com amor, ir se aprimorando e compartilhando conhecimentos”, explica e aconselha.

Fernanda comenta que muitos têm em mente que os enólogos bebem muito. “Nós não bebemos, apenas degustamos e detectamos qualidades ou defeitos se houver, buscando aprimorar a qualidade”, diz a moça que aprecia todos os vinhos, tendo na bebida o representante daquilo que ela vive no momento.

“Todo trabalho do enólogo começa no vinhedo. É um trabalho de um ano e cada ano tem sua tipicidade. Nenhuma safra é igual e em todas elas, somos desafiados, enfrentamos dificuldades que não dependem somente de nós, como as alterações climáticas. Há uma história diferente para contar em cada safra, por isso cada garrafa aberta tem sua história”. 

Segundo ela, muitas mulheres estão migrando para esse ramo. Se não estão cursando Enologia, estão ligadas de outras formas ao mundo do vinho. 

Para quem tem raízes nos vinhedos, como Fernanda Tonini, o amor pelo ofício é parte do cotidiano, o que faz toda a diferença na vida. Seja qual for a profissão escolhida.