O Farroupilha
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Por: Claudia Iembo

Matando a saudade...

Matando a saudade...
(Foto: Claudia Haupt)

A pandemia trouxe muitas novidades para a vida de todos nós. Novidades que nascem de ideias para encurtar a distância, para não deixar esfriar os vínculos formados. Ideias que resultam em explosão de amor, como a experimentada pela professora Sonia Leni Táparo, que trabalha com educação infantil no CNEC Farroupilha há 18 anos: ela criou o projeto “Cantina nossa de cada sexta” para amenizar saudades.

O que ela faz é simples: kits de lanches contendo fruta, pão de queijo e outras guloseimas são entregues aos alunos. Metade do investimento da ação é da professora e a outra metade, da escola. “Dentre todas as saudades que as crianças relatam ter, a cantina é uma delas. Toda a semana íamos para a cantina da escola e eles sentiam-se independentes, escolhendo e pagando o seu próprio lanche. Então, pensei que ao menos essa saudade, eu poderia ajudar a amenizar. Quero que eles tenham as melhores lembranças, em meio ao isolamento social”, explica Sonia.

Há um mês, uma cartinha foi deixada na caixa do correio das residências das crianças, falando sobre a entrega do lanche, realizada no último sábado, 29 de agosto. “Nosso encontro foi de muita emoção! Não conseguimos segurar as lágrimas. Cinco meses nos encontrando apenas através de uma tela de computador. Percebi, nos olhos dos pequenos, que existe muita saudade, mas permanecemos conectados”, relata a professora.

Segundo ela, projetos como este, que deve continuar sendo executado uma vez por mês até o término do ano letivo, contribuem para com a educação. “Educar para mim, vai muito além de conteúdos e isso também é educar. Estar organizando esse tipo de projeto faz com que eu me sinta viva e fazendo a minha parte, por um mundo melhor. Em meio a uma pandemia, tento levar alegria, esperança, amor e o sentimento de que estamos juntos. Sempre digo a eles que somos a família da escola. Famílias ficam juntas em todos os momentos. Quero que meus alunos tenham as melhores lembranças”, acrescenta Sonia, que está tomando todos os cuidados indicados na pandemia.

Virtualmente, a professora já fez a noite do pijama, noite do Cinema com pipoca e noite da fogueira com marshmallow. 

“Esperançar é levar adiante, esperançar é juntar-se com outros para fazer de outro modo, como disse Paulo Freire. Acho que esperançar é não esperar as coisas chegarem. É fazer acontecer. Eu procuro sempre fazer o meu melhor, não o possível. Nesse momento, quero que meus alunos sejam felizes e tento amenizar os impactos da pandemia na vida deles”, conclui Sonia.

 

As famílias

Também escutamos duas das 10 famílias das crianças que estão recebendo os lanches do projeto “Cantina nossa de cada sexta”. Emoção daqui, emoção dali.

 

“Esta ação representou para nós, pais, uma forma extremamente carinhosa e gentil de tentar diminuir o distanciamento causado pela pandemia. O Pedro Augusto ficou encantando quando viu a Prof. Sonia chegando aqui em casa, com todo seu jeito amoroso e atencioso com ele. A saudade, a falta do convívio e da escola tiveram um grande impacto na nossa rotina. Ter recebido a Prof. Sonia, juntamente com as lembranças trazidas por ela, fez com que esse sentimento de ausência fosse atenuado. Foi um dia lindo, cheio de alegria e emoções, sendo que para ele foi o melhor dia do ano”.

Pedro B. Rodegheri e Letícia Stoffels, 
pais de Pedro Augusto Stoffels Rodegheri, de quatro anos.

 

“Essa ação que a professora Soninha e escola CNEC estão fazendo é muito importante para os pequenos alunos! Sinto que eles se sentem seguros, que ainda existe uma escola, que a prof. e os colegas não o abandonaram. Estão de parabéns! Nós, pais, nos sentimos gratos e confiantes. O Davy ficou deslumbrado, emocionado com a atitude da prof.! Vê-la pessoalmente trouxe um alívio ao coraçãozinho dele. Carinho e atenção são detalhes que fazem a diferença em uma professora tão dedicada”.

Andréia Brun Moschetta e Alexandre Moschetta, 
pais de Davy Brun Moschetta, de quatro anos.