Começa o Abril Azul, de conscientização sobre o Transtorno do Espectro Autista

Atividades buscam incentivar a participação da comunidade na discussão sobre o autismo

Uma programação especial marca o Abril Azul em Farroupilha, reunindo atividades voltadas à conscientização sobre o Transtorno do Espectro Autista (TEA) e ao incentivo da participação da comunidade no debate sobre inclusão e respeito às pessoas autistas. A iniciativa foi promovida pela Secretaria Municipal de Saúde e pela Associação Farroupilhense Pró-Saúde, em parceria com a Associação de Pais e Amigos do Autista de Farroupilha (AMAFA) e o Movimento Orgulho Autista Brasil (MOAB – Farroupilha), com ações alusivas ao Dia Mundial de Conscientização sobre o Autismo, celebrado em 2 de abril. A data foi instituída pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 2007.

Ao longo da programação, as atividades estão buscando difundir informações sobre o autismo, contribuindo para a redução do preconceito e da discriminação, além de promover acolhimento, informação e inclusão das pessoas autistas e de suas famílias, reforçando a importância da acessibilidade e da igualdade de oportunidades. Entre os destaques está a Caminhada Azul, na manhã do dia 2 de abril, com saída da Praça da Prefeitura e chegada na Praça da Matriz. O momento reúne famílias e comunidade em uma mobilização coletiva de conscientização sobre o autismo.

  • Além das ações iniciais, a programação do Abril Azul segue ao longo do mês com atividades educativas, formações e encontros voltados à comunidade e aos profissionais das áreas da saúde e educação.

Autismo:
muito mais do que
um dia ou um mês

Abril é reconhecido como o mês de conscientização do autismo. E o Dia Mundial de Conscientização do Autismo é celebrado em 2 de abril. Mas, para muitas famílias, não se trata de apenas um mês ou um dia. É uma vida inteira de luta. E, muitas vezes, uma luta por aquilo que deveria ser básico.

Eu acompanho de perto a realidade de mães que acordam todos os dias sem saber se seus filhos terão um monitor na escola. Vejo a angústia de quem enfrenta filas intermináveis por terapias que deveriam ser semanais, mas não chegam. Ou de quem precisa de medicação e simplesmente não encontra. Enquanto isso, o tempo passa. E, no autismo, o tempo importa muito.

Também é preciso falar sobre respeito. Respeitar o tempo, os limites e o jeito único de cada pessoa existir no mundo. E o que muitas vezes ninguém vê é o adoecimento de quem cuida. É preciso olhar com mais sensibilidade para essas famílias sobrecarregadas, mães exaustas que seguem firmes, mesmo muitas vezes sem ajuda e sem apoio.

Por isso, este mês não é apenas sobre conscientizar e sim sobre responsabilizar. Ainda estamos longe do mínimo necessário e por esse motivo que sigo trabalhando, cobrando e dando voz a essas famílias. As soluções precisam vir dos governos e das pessoas que nos representam.

Essas famílias não precisam de aplausos. Precisam de respostas, respeito e muito trabalho de toda a sociedade.

Fran Bonaci é vereadora em Farroupilha, mãe de autista e defensora da causa e de pautas relacionadas à inclusão