Corede Serra articula agenda de desenvolvimento regional

Com base em cinco estudos, entidade define áreas estratégicas para atuar, com apoio de inteligência artificial e articulação institucional

O Conselho Regional de Desenvolvimento da Serra (Corede Serra) deu mais um passo na construção de uma agenda voltada ao desenvolvimento regional ao avançar na seleção de projetos prioritários para os próximos anos. A iniciativa marca um movimento articulado e inovador da entidade, que busca transformar estudos já existentes em ações concretas com potencial de impacto econômico, social e ambiental para a região.

Em reunião realizada na tarde de 7 de abril, na UCS, a diretoria executiva do Corede Serra definiu 10 iniciativas prioritárias em cinco áreas estratégicas para o ciclo 2026-2027, a partir da análise de mais de 200 projetos de cinco estudos – PED 2022-2030; Perfil Socioeconômico da Serra 2025; Facto RS; Comitê de Gerenciamento Taquari-Antas; e Estudos do Instituto McKinsey para o RS. Os temas versam sobre capital humano,  arranjos produtivos, economia regional, mobilidade e telecomunicações e meio ambiente – veja abaixo.

De acordo com a presidente do Corede Serra, Monica Mattia, a iniciativa está alinhada ao papel institucional do conselho de atuar sobre projetos estruturantes de desenvolvimento. “O desenvolvimento regional envolve diversas dimensões. Ele não está somente no campo econômico, mas também no social e no ambiental. Por isso, decidimos trabalhar a partir dos projetos macro, como prevê o estatuto, olhando de forma integrada para todas essas áreas”, destaca.

O processo teve início ainda em fevereiro, durante a primeira reunião da diretoria executiva, quando foi definida a estratégia de consolidar as diferentes bases de projetos e avançar na priorização. A etapa mais recente envolveu a análise coletiva das propostas, com forte participação dos integrantes, que avaliaram os projetos com base em critérios como maturidade, impacto, viabilidade de financiamento, prazo de execução e abrangência territorial. “É um movimento novo, que busca justamente sair do campo das ideias e avançar para a execução, com foco em projetos transformadores para a região”, explica Monica.

Por isso, o trabalho focará, também, na articulação para viabilizar os projetos, com o Corede atuando de forma mais ativa na busca por recursos e parcerias. O entendimento é de que o valor dos projetos não é o principal limitador. “O que nos orienta é o impacto para a região. Nós precisamos desenvolver a capacidade de acessar programas existentes nas esferas estadual e federal, que muitas vezes não são plenamente aproveitados, além de criar novas oportunidades de captação”, ressalta.

A utilização de inteligência artificial também marcou o encontro, principalmente como uma novidade no apoio à tomada de decisão. “Foi um primeiro momento de uso da IA, mas que deve avançar bastante. Ela permitirá análises mais aprofundadas e a integração de informações que hoje estão dispersas em diferentes instituições”, afirma. O Corede Serra também prevê a formação de grupos de trabalho, com integrantes dos 32 municípios da entidade para aprofundar as abordagens em relação a toda a carteira de projetos, e o envolvimento do Conselho de Representantes, ampliando a participação e fortalecendo a governança do processo. Um edital também será aberto para captar interessados em participar da iniciativa.

Além da seleção, o encontro teve como objetivo ampliar o entendimento sobre as áreas escolhidas. As propostas ainda passarão por um processo de aprofundamento, com detalhamento técnico, institucional e financeiro. A ideia é estruturar uma carteira consistente e viável, capaz de orientar ações concretas e atrair investimentos. O vice-presidente do Corede Serra e prefeito de Veranópolis, Cristiano Dal Pai, reforçou a complexidade da etapa em curso e a importância do alinhamento regional.

“É um processo desafiador, especialmente pelo volume de projetos e pelo tempo reduzido. Mas é fundamental que a gente consiga construir um entendimento coletivo sobre o que realmente é estratégico para a região”, avaliou o gestor público, enfatizando a necessidade de articulação para garantir a execução das propostas. “Projetos estruturantes exigem união regional e capacidade de mobilização. O Corede tem um papel importante nesse processo, mas será essencial envolver outras entidades e lideranças para transformar essas ideias em realidade”, disse.

O segundo vice-presidente do Corede Serra e prefeito de São Marcos, Volmir Rech, ressaltou o esforço coletivo na construção dos critérios. “Cada integrante buscou avaliar o que é melhor para a região, o que atende mais pessoas e o que está alinhado com áreas estratégicas como turismo e infraestrutura”, completou. Para ele, iniciativas desse porte também exigem articulação além do próprio Corede e precisam respeitar etapas.

“Primeiro precisamos ter clareza do que queremos fazer. Depois estruturamos o projeto e, então, vamos atrás dos recursos. Será fundamental unir entidades regionais e buscar apoio político, além de acessar recursos estaduais, federais e até emendas parlamentares”, explicou. A proposta também foi destacada como um avanço na construção de soluções integradas para os desafios regionais pelo terceiro vice-presidente do Corede Serra, Ruben Bisi: “Reunindo poder público, universidades e entidades, o Corede tem uma pluralidade que ajuda a encontrar soluções para o desenvolvimento regional”.

As áreas estratégicas

Capital Humano: Programa integrado de atração, retenção e valorização de capital humano, orientado à qualificação profissional, à inovação, à sucessão geracional e à qualidade de vida, com foco no fortalecimento competitivo e sustentável dos setores produtivos da região;

– Criação de Arranjos Produtivos Educacionais Regionais = Consórcios Escola-Empresa: Currículos alinhados às cadeias produtivas regionais; retenção de talentos no interior; pesquisa aplicada em parceria com indústria; redução do hiato entre formação acadêmica e demanda industrial;

– Fortalecimento do dinamismo econômico regional contemplando projetos nas áreas de:

  • Turismo: programa de fortalecimento da matriz turística e cultural reconhecendo-a como um ecossistema natural, constituindo fonte estratégica de recursos para os municípios (com a reforma tributária);
  • Indústria: criação de um Centro de Inteligência da Indústria para análise e proposições estratégicas de clusters, cadeias produtivas e exportadores;
  • Agricultura familiar: incentivos, qualificação e segurança na sucessão geracional;
  • Estruturação de Territórios da Qualidade: Indicações Geográficas e Denominações de Origem;

– Mobilidade e telecomunicações:

  • Expansão e modernização de rodovias e duplicação de perímetros urbanos;
  • Fortalecimento da infraestrutura de conectividade em todo o território como base para o desenvolvimento regional;

– Meio Ambiente:

  • Recuperação da mata ciliar e preservação das nascentes
  • Gestão sustentável e recuperação da qualidade das águas e das áreas de recarga