DIA MUNDIAL DA EDUCAÇÃO AMBIENTAL – Sindicato atua como ponte entre agricultores e políticas públicas essenciais
Educação Ambiental é uma ação necessária segundo Sintrafar – Sindicato dos Agricultores Familiares

Os debates e reflexões acerca da preservação do meio ambiente estão em voga, no mundo. As mudanças climáticas (aquecimento global) têm mostrado constantemente os prejuízos que podem causar. Passamos de vários anos de secas consecutivas, (onde a maioria das nascentes do município secaram completamente) para a enchente mais avassaladora da nossa história. Tornados se tornam frequentes, onde antes nunca tinham ocorrido. Os fatos só comprovam o que a ciência já apontava. No dia mundial da educação ambiental, neste 26 de janeiro, precisamos lembrar do patrimônio indispensável – o meio que nos permite viver.
Mais do que educar sobre o meio ambiente, precisamos agir. A agricultura familiar é essencialmente preservacionista. Na etimologia da palavra agricultura, já está sua essência: a cultura da terra. O agricultor sabe que depende da terra e da água, da natureza. Brigar com a paisagem geralmente não traz bons resultados, é prejuízo certo. A agricultura familiar do município e da região tem como atividade predominante a fruticultura e viticultura, sendo que a área rural do município representa cerca de 88% do seu território.
Mesmo as plantas frutíferas (parreiras, pessegueiros, laranjeiras, caquizeiros) realizam um ativo ambiental. Frutíferas perenes oferecem serviços ambientais contínuos e de longo prazo. Suas raízes profundas estabilizam o solo e previnem a erosão. São abrigo, alimento e locais de reprodução de pássaros, insetos e pequenos mamíferos. Fornecem sombra, aumentam a umidade do ar e sequestram dióxido de carbono da atmosfera.
Quase sempre, os rios que cruzam somente em áreas rurais são mais preservados e possuem águas límpidas, enquanto os que atravessam áreas urbanas apresentam forte potencial de contaminação. A maioria das famílias agricultoras do município possui, até pela característica do relevo íngreme, a reserva legal, de 20% das terras preservadas com cobertura florestal.
- Outra prática preservacionista adotada nos últimos anos por grande parte dos agricultores do município é a cobertura verde do solo, diminuindo ou até eliminando o uso de herbicida e garantindo menor erosão.
O Sintrafar – Sindicato dos Agricultores Familiares atua como ponte entre os agricultores familiares e políticas públicas essenciais. Cite-se como exemplo o Programa de Proteção de Nascentes, em parceria com a Prefeitura e o Sicredi, onde famílias foram selecionadas para terem nascentes recuperadas e áreas de entorno reflorestadas com espécies nativas (baseado no programa Água Limpa, de Caxias do Sul).
- Há uma atuação conjunta com entidades como a Associação Farroupilhense de Proteção ao Ambiente Natural (Afapan) e Associação Farroupilhense de Agroecologia (Afagro).
Entretanto, nesse momento da história, onde nós humanos colocamos em risco a nossa existência diante do que causamos ao planeta, precisamos mais do que nunca de programas de educação ambiental, amplos e sérios. Precisamos aprender a separar o lixo. Hoje, materiais recicláveis podem se tornar, inclusive, fonte de renda. E infelizmente, apenas 30% do lixo seletivo coletado do meio rural é reaproveitado. Precisamos aprender a armazenar e usar água da chuva.
Precisamos de mais e melhor transporte público, para desafogar o trânsito e diminuir a emissão de CO². Respeitar as matas ciliares, plantar mais plantas nativas e menos exóticas. Precisamos de tempo para caminhar nas matas, no silêncio, no canto de um pássaro e perceber que ali está o sentido. Não no trabalho exaustivo e na acumulação. Não estamos do lado de fora do meio ambiente. Não há divisão, nós somos natureza. Mais do que uma data, é um chamado para que cada cidadão se reconheça como um agente de mudança.


